As roseiras sempre foram as protagonistas incontestadas dos jardins, simbolizando simultaneamente o amor e a beleza. Mas, para que estas rainhas do jardim abram as suas pétalas de forma sumptuosa, a plantação requer cuidados especiais. Um dos métodos mais difundidos e eficazes consiste na plantação de roseiras de raízes nuas, uma técnica que promete um crescimento vigoroso e uma floração abundante. Neste artigo, serão detalhadas as etapas essenciais para plantar com sucesso a sua roseira de raízes nuas fornecida com um torrão de substrato, desde as técnicas de pralinagem até aos segredos de uma rega perfeita. Siga o nosso guia para transformar o seu jardim num refúgio de rosas deslumbrantes!

Roseira de raízes nuas ou com torrão? Já não se percebe nada

" Não encomenda as suas roseiras de raízes nuas? - Pois, sim. Veja! - Ah não, aqui estão com torrão. - Sim, mas continuam a ser de raízes nuas... só que com torrão. - Ah. Bem, se estivesse no seu lugar, teria comprado vasinhos de raízes nuas. - Oh, que engraçado! Que esperteza...."

As roseiras fornecidas de raízes nuas, mas com um torrão de substrato a envolvê-las, representam uma excelente opção para todos os jardineiros. Esta proposta combina as vantagens dos dois tipos de fornecimento de plantas mais utilizados: de raízes nuas e em contentores.

Quando uma roseira (ou outra planta) é fornecida de raízes nuas, significa que é enviada sem terra à volta das raízes. Este processo apresenta várias vantagens, nomeadamente um custo de transporte reduzido e uma melhor adaptação da planta depois de plantada. No entanto, exige que a planta seja plantada rapidamente após a receção, para minimizar o stress e os riscos de desidratação das raízes.

A adição de um torrão de substrato à volta das raízes durante o transporte oferece um compromisso inteligente. Este torrão hidrata as raízes durante o trajeto, reduzindo assim o stress associado ao transporte e aumentando as probabilidades de uma boa adaptação. Permite também ganhar algum tempo (mas sem abusar!) antes de plantar a nova roseira.

vantagens da roseira de raízes nuas e com torrão
Uma roseira fornecida de raízes nuas e com torrão

Quando encomendar? Quando plantar?

As roseiras de raízes nuas estão geralmente disponíveis para compra entre novembro e março, período que coincide com a sua fase de dormência. Isto permite minimizar o stress da planta e aumenta as probabilidades de uma boa adaptação depois de plantada. A melhor época para plantar estas roseiras também corresponde ao período de dormência, quando a planta tem menos probabilidades de sofrer um choque térmico ou stress hídrico.

Como plantar uma roseira de raízes nuas?

Em primeiro lugar, desembale o torrão, retirando o plástico que o mantém no lugar. Ao removê-lo, é possível que parte do substrato caia para os pés ou mesmo para dentro das botas: é perfeitamente normal (também me acontece sempre!) e, de qualquer forma, já não precisará realmente dele. No entanto, pode guardá-lo para o adicionar no momento da plantação, se o solo for muito pesado.

plantação de roseira de raízes nuas e com torrão
  • Escolha do local: Selecione um local bem ensolarado e com solo bem drenado. As roseiras preferem pelo menos seis horas de sol direto por dia.
  • Inspeção das raízes: Antes de mais nada, inspecione cuidadosamente as raízes da roseira. Elimine as partes danificadas ou apodrecidas com uma tesoura de poda afiada e desinfetada. Raízes saudáveis são essenciais para uma boa adaptação da planta.
  • Hidratação e pralinagem: Mergulhe as raízes da roseira num balde com água durante algumas horas, para as hidratar. Também pode fazer a pralinagem das raízes. Esta operação consiste em mergulhar as raízes numa mistura de terra, se possível argilosa, composto ou estrume e água, formando tudo uma lama espessa. Esta etapa favorece a adaptação e o crescimento das raízes, melhorando o contacto entre as raízes e a terra.
  • Preparação da cova de plantação: Cave uma cova suficientemente grande para acomodar as raízes espalhadas da planta; em geral, 50 cm de profundidade e 60 cm de largura são suficientes.

cova de plantação para roseira

  • Correção do solo: Misture a terra retirada com composto bem decomposto, para melhorar o solo e fornecer nutrientes essenciais à planta.
  • Colocação da roseira: Instale a roseira no centro da cova, tendo o cuidado de espalhar bem as raízes. O ponto de enxerto, identificável como uma saliência na base do caule, deve ficar ao nível do solo ou ligeiramente acima.

como colocar o ponto de enxerto durante a plantação da roseira

  • Enchimento e compactação: Encha a cova com a mistura de terra enriquecida e composto, compactando ligeiramente com a mão para eliminar as bolsas de ar.
  • Rega: Regue abundantemente imediatamente após a plantação, para estabelecer um bom contacto entre as raízes e a terra.
  • Cobertura morta: Coloque uma camada de cobertura morta, como palha ou aparas de madeira, para conservar a humidade e limitar o crescimento das ervas daninhas.
  • Cuidados após a plantação: Mantenha o solo húmido, mas não encharcado, durante as primeiras semanas, e considere aplicar um adubo específico para roseiras quando surgirem os primeiros sinais de crescimento.

As roseiras sempre foram as protagonistas incontestadas dos jardins, simbolizando simultaneamente o amor e a beleza. Mas, para que estas rainhas do jardim abram as suas pétalas de forma sumptuosa, a plantação requer cuidados especiais. Um dos métodos mais difundidos e eficazes consiste na plantação de roseiras de raízes nuas, uma técnica que promete um […]

Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo!

Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões. 

Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido de carbono (CO₂), pelo que a solução mais evidente será plantar árvores, uma vez que absorvem esse CO₂. 

Porquê plantar árvores? 

Os vegetais em geral, mas as árvores em particular, têm uma capacidade de absorção de CO₂ extraordinária. É um resultado simples da fotossíntese. A árvore absorve o CO₂ do ar e transforma-o em carbono e oxigénio. O oxigénio é libertado para o ar, para nosso grande benefício, enquanto o carbono é armazenado e libertado progressivamente. As florestas representam assim o segundo reservatório de carbono a seguir aos oceanos. 

Mas não é só isso: as árvores são também úteis na:

  • regulação da temperatura e da higrometria: são verdadeiros climatizadores vivos;
  • filtragem do vento e das poeiras, melhorando assim a qualidade do ar; 
  • fixação de certos poluentes como pesticidas ou metais pesados; 
  • melhoria do solo, trazendo-lhe biomassa (madeira, folhas...) e combatendo a erosão. 
alterações climáticas - plantar árvores

Que árvores plantar para combater o aquecimento global? 

1) Árvores autóctones, antes de mais

Há duas grandes vantagens em plantar espécies autóctones: 

  • estão perfeitamente adaptadas ao clima e ao solo
  • alimentam e fornecem abrigo à fauna local

A lista de árvores autóctones é longa, mas eis alguns exemplos:

  • Para o Norte: Bordo-da-noruega, Amieiro, Bétula-pubescente, Carpa, Cerejeira-cornalina, Freixo-europeu, Azevinho, Choupo-tremedor, Ulmeiro...
  • Para o Sul: Medronheiro, Zêlha, Amieiro-italiano, Castanheiro, Oliveira, Azinheira... 
  • Para a montanha: Ostria, Ulmeiro-de-montanha, Pinheiro-das-montanhas... 
  • Para o Litoral: Tamargueira-de-França, Espinheiro-marítimo, Oliveira-da-Rússia, Pinheiro-bravo, Bordo-comum... 
alterações climáticas - plantar árvores
Alguns exemplos de árvores autóctones: Pinheiro, Espinheiro-marítimo, Medronheiro e Bordo-da-noruega

2) Autóctones, sim, mas não só... 

Algumas espécies autóctones sofrem com as alterações climáticas, enquanto outras mais exóticas ou originárias do Sul parecem ganhar terreno no Norte. Assim, os pinheiros, independentemente da espécie, sofrem com os ataques repetidos das lagartas da processionária do pinheiro. Já a faia, as píceas e mesmo o abeto pectinado já não suportam os nossos verões demasiado quentes e secos. Todas estas árvores tornaram-se também menos resistentes às doenças. 

Em contrapartida, algumas árvores veem a sua área de distribuição original deslocar-se. Nada de surpreendente: sempre foi assim! As plantas crescem onde melhor se adaptam. É por isso que existem problemas com certas plantas exóticas invasoras que acabam por se revelar mais adaptadas do que as autóctones em certos meios naturais. Ou o facto de as florestas de carvalhos estarem a recuperar terreno face às florestas de faias, tal como acontecia... há apenas dois mil anos. 

Alguns exemplos de árvores que se adaptaram às alterações climáticas

  • A Azinheira - Quercus ilex: outrora confinada ao clima mediterrânico, tem tendência para subir mais a norte. Hoje em dia vive muito bem no litoral atlântico até à Bretanha e continuará a progredir em direção ao centro. 
  • O Carvalho-da-Turquia - Quercus cerris: anteriormente presente apenas no sudeste do país, está agora a deslocar-se claramente para norte, chegando mesmo a ser encontrado até à Bélgica... 
  • O Carvalho pubescente - Quercus pubescens: uma espécie particularmente adaptada à seca, que tem dado cartas nos últimos anos. 
  • A Zêlha - Acer monspessulanum: frequentemente associada na natureza à azinheira, segue a mesma tendência, progredindo até à Vendeia. 
  • O Freixo-do-maná - Fraxinus ornus: primo do freixo-europeu mas bem menos sensível à calariose, vai abandonando a Córsega e os Alpes Marítimos para subir mais a norte. 
  • O Saboeiro - Koelreuteria paniculata: originário da China e da Coreia, esta árvore revela-se perfeitamente resistente à seca e à poluição urbana.
  • O Pinheiro-bravo - Pinus pinaster: presente inicialmente no litoral mediterrânico e atlântico, prossegue a sua expansão em direção ao Oeste e ao Norte.
  • A Acácia-bastarda - Robinia pseudoacacia: esta árvore exótica está a tornar-se, aos poucos, a "rainha da floresta". Resiste ao calor, à seca, às inundações e adapta-se a solos pobres, pois tem a capacidade de fixar o azoto. Vai assim ocupando progressivamente o lugar das outras espécies arbóreas. 

Para informação: o Serviço Nacional de Florestas está neste momento a realizar ensaios de plantação de Abeto de Bornmüller (Abies bornmuelleriana) em floresta, uma espécie mais adaptada à seca do que o abeto pectinado. Enquanto isso, na Bélgica, estão a ser realizados ensaios em floresta com carvalhos-da-Turquia e carvalhos pubescentes e mesmo... pinheiros da Córsega. 

alterações climáticas - plantar árvores
Alguns exemplos de árvores que se adaptaram às alterações climáticas: a Azinheira, o Saboeiro, o Freixo-do-maná, a Zêlha e a Acácia-bastarda

Características gerais das árvores resistentes às alterações climáticas 

As árvores com resistência natural à seca e às temperaturas elevadas no verão apresentam frequentemente características comuns: 

  • Folhas pequenas e numerosas: quanto maior a folha, mais água se evapora. As folhas pequenas são, portanto, o resultado de uma adaptação à seca;
  • Uma folhagem cerosa e/ou aveludada: se a folha for espessa ou coberta de pequenos pelos, reterá a água de forma mais eficaz;
  • Convém também verificar a região de origem da árvore: se for originária da taiga escandinava, há fortes probabilidades de sofrer no verão... A contrario, as espécies mediterrânicas e do centro da Europa serão particularmente adaptadas.  

Em conclusão 

Face às alterações climáticas que se têm acelerado nas últimas décadas, será necessário rever as nossas escolhas relativamente às espécies autóctones adaptadas a cada região. Algumas, cuja sobrevivência depende de humidade e de estações marcadas, vão desaparecer em favor de espécies menos exigentes em água e que não necessitam de invernos rigorosos. De qualquer forma, a plantação de árvores será sempre benéfica, desde que se escolham espécies sem problemas de adaptação e capazes de prosperar de forma otimizada sem demasiados cuidados. Portanto, em conclusão: plantemos árvores! 

Para saber mais 

Alguns investigadores têm dúvidas sobre a eficácia da plantação de árvores para combater o aquecimento global. Na realidade, o que questionam é sobretudo o facto de o CO₂ ser o único responsável pelo aquecimento, bem como a necessidade (segundo eles) de mais superfícies agrícolas para alimentar a população. O ideal seria também, e sobretudo, parar a desflorestação em vez de plantar algumas árvores aqui e ali. Se quiser saber mais e formar a sua própria opinião sobre o assunto, leia este artigo: As florestas: solução para a crise climática?

E se ainda não viu, conheça os principais resultados do nosso inquérito sobre as alterações climáticas e a jardinagem. 

Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo! Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões.  Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido […]

Se há uma planta que é alvo de inúmeras ideias preconcebidas, essa é a hera trepadeira ou Hedera helix. Tudo parece ter começado com Plínio, o Velho, no primeiro século depois de Jean-Claude, que não via nesta encantadora trepadeira senão uma destruidora de muros e de árvores, chegando ao ponto de a qualificar de «carrasco das árvores».

Devia estar, sem qualquer dúvida, de mau humor no dia em que escreveu estas asneiras... porque, garanto-lhes, a hera, esta bela planta trepadeira autóctone, não merece essa ira, essa rejeição categórica.

Juntos, vamos então deitar por terra 5 ideias preconcebidas sobre a hera!

1) A hera é uma planta parasita que mata as árvores

A única noção que não é falsa nesta frase, que se ouve e se lê por toda a parte, é: «a hera é uma planta».

Não é um parasita, servindo a árvore apenas de suporte. A hera não vai «absorver» nutrientes da árvore, pois os seus ganchos servem apenas para se fixar. Tem as suas próprias raízes e realiza a sua própria fotossíntese. Não tem, portanto, qualquer necessidade de parasitar seja quem for para sobreviver.

E a hera não mata as suas árvores!

Quando animo saídas para a natureza, assim que passamos sob velhas árvores pitorescas, afirmam-me muitas vezes: «sim, mas a minha árvore morreu logo após ter sido invadida por esta praga de hera!».
Respondo então: «a hera usou a sua árvore apenas como suporte porque esta já não crescia em largura, pois estava em fim de vida ou, pelo menos, bastante envelhecida.»
Na realidade, a hera vive muitos anos, às vezes várias centenas de anos, pelo que sobrevive frequentemente à morte do seu suporte. É por isso que as pessoas pensam que a hera matou a árvore, quando na verdade a árvore acabou por morrer de morte natural e a hera lhe sobreviveu.

hedera

A hera protege o tronco do gelo, de uma humidade excessiva e até de alguns animais que roem a casca, como os corços. Alguns compostos produzidos pela hera possuem mesmo propriedades fungicidas, o que permite reduzir o risco de doenças fúngicas para a árvore. Além disso, a hera floresce numa altura diferente da do seu suporte: não há, portanto, concorrência ao nível da polinização. As folhas da hera caem e enriquecem o solo numa altura diferente da da folhagem da árvore suporte, o que representa mais um benefício para esta última. A hera também não vai «roubar o sol» à árvore, pois cresce apenas no tronco principal e em alguns ramos mais grossos. Em suma, não se trata de parasitismo, mas sim de mutualismo, pois ambas as partes saem beneficiadas.

Sabia que a hera continua a crescer após a morte da árvore? Embora esta combinação reúna dois habitats extremamente ricos em biodiversidade — hera e madeira morta em pé —, pode tornar-se uma fonte de perigo, pois a hera oferece resistência ao vento enquanto a madeira morta pode partir a qualquer momento. Cabe a cada um avaliar se tal associação merece ser mantida no jardim ou se convém reduzir o conjunto.

2) A hera devora as casas

Não. A hera não danifica muros em bom estado. E mesmo nos muros em mau estado, o que fará é degradar um pouco mais as juntas. Mas, acima de tudo, oferece uma proteção física contra a humidade e saneará a base dos muros. Proporciona um isolamento térmico durante o inverno, mas também durante o verão, que não é desprezível, na ordem de dois a três graus ganhos (ou perdidos) para os nossos interiores.

Duas ressalvas, no entanto: não deixe a hera trepar demasiado até às telhas. Estas poderiam ser deslocadas por ramos que passassem por baixo delas. Atenção também a muros de terra crua, pois a hera pode confundi-los com terra «verdadeira» e deixar crescer as suas raízes no interior.

hedera

3) A hera atrai aranhas

E daí? Sabia que também atrai uma grande quantidade de insetos, nomeadamente os últimos insetos polinizadores da estação, pois a hera é uma das últimas a florescer, por volta de outubro, tanto na natureza como no jardim? Os insetos associados à hera ou que dela dependem são extremamente numerosos: abelhas silvestres, himenópteros, sirfídeos, moscas, cetónias e até borboletas. A borboleta-limão, uma espécie em forte declínio, aprecia hibernar no interior da hera, e não é a única. Não admira, portanto, que as aranhas estejam também muito presentes...

A hera fornece ainda abrigo e alimento a muitas aves: pardais, melros, chapins, tordos... As bagas são particularmente ricas em lípidos e ajudam as aves frugívoras e omnívoras a sobreviver no inverno. A hera serve também para a nidificação da carriça e dos estrelinhos, e de dormitório para algumas aves de rapina como o bufo-pequeno ou a coruja-do-mato.

hedera melífera

A hera permite ainda alimentar alguns mamíferos, como o leirão, a marta, o moscardino, e até... abrigar alguns morcegos.

Retirar a hera é suprimir um verdadeiro ecossistema inteiro!

4) A hera é triste

Não. Ou então não temos a mesma definição de tristeza... A hera, como vimos acima, está repleta de vida, mas é também uma planta que se mantém atrativa durante todo o ano graças à sua folhagem persistente. A hera é alegre porque existem variedades soberbiamente coloridas: variegadas de creme, branco ou amarelo, ou com folhagem mais ou menos recortada. Pode ser utilizada como cobertura vegetal, em topiária, para disfarçar elementos pouco estéticos ou uma rede metálica... A hera tem mil e uma utilizações no jardim.

hedera

5) A hera não serve para nada

Ora bem... Para além de tudo o que já falámos, a hera serve para muitas coisas:

  • Protege o solo na floresta ou no jardim, criando uma cobertura que mantém a humidade e uma certa frescura. Contribui assim para reduzir a erosão dos solos e para proteger a fauna do solo.
  • É uma planta medicinal conhecida desde tempos imemoriais: antitússica, antiespasmódica, purgativa e utilizada em pomadas anticielulite. Atenção, no entanto, a não ingerir as bagas, que são tóxicas.
  • A hera é capaz de depurar o ar, nomeadamente ao captar poeiras e outras partículas de grande dimensão.
  • É até possível fazer detergente para lavar a roupa graças às saponinas que as folhas contêm.
  • ...ou coroas para enfeitar as cabeças dos mais pequenos.
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Conclusão

A hera é, portanto, muito mais do que uma simples trepadeira. Possui uma enorme quantidade de atrativos estéticos e ecológicos. Pode ser plantada como cobertura vegetal, para disfarçar elementos pouco estéticos, ou para animar um muro. Revela-se uma planta à prova de tudo, cresce rapidamente mesmo nos locais mais sombrios, e propaga-se por estacaria com a maior facilidade. Em suma, deixe a sua hera crescer, ou melhor ainda, plante uma! Símbolo de longevidade entre os celtas, é certo que a hera lhe sobreviverá...

Descubra também a nossa ficha completa sobre a hera!

Se há uma planta que é alvo de inúmeras ideias preconcebidas, essa é a hera trepadeira ou Hedera helix. Tudo parece ter começado com Plínio, o Velho, no primeiro século depois de Jean-Claude, que não via nesta encantadora trepadeira senão uma destruidora de muros e de árvores, chegando ao ponto de a qualificar de «carrasco […]

Talvez já tenha reparado neste verão, mas com os dias quentes, os naturalistas fizeram um pequeno regresso, sobretudo nas redes sociais... E, como todos os anos, uma certa categoria de entre eles levantou a voz contra uma planta exótica. Este ano, é a budleia, chamada «arbusto-das-borboletas», que é particularmente alvo da sua fúria. Invasiva? Perigosa para as borboletas?

O debate é simples, clássico, mas eficaz:

« Vocês não são mais do que uns vilões que matam a natureza! » (os botânicos aos horticultores)
« Nem pense nisso! » (os horticultores aos botânicos)

Bem-vindo ao recreio! E aqui estou eu, bem no meio, a tentar acalmar as tropas dos dois lados.

O debate sobre o arbusto-das-borboletas, em pormenor

Ouvem-se, leem-se e veem-se cada vez mais artigos, publicações no Facebook ou reportagens televisivas cujo tema é: « As budleias matam as borboletas, porque o néctar contém cafeína. » Estas publicações têm, em geral, todas a mesma particularidade: tratam a informação de forma superficial e não aprofundam as coisas, sem citar, evidentemente, qualquer fonte…

No estado atual dos nossos conhecimentos, parece que o néctar das flores de budleia conteria uma substância próxima da cafeína que atrairia irremediavelmente as borboletas, que poderiam acabar por se esgotar e, por fim, morrer.

Tive o cuidado de escrever esta frase no condicional. Com efeito, há quase vinte anos que ouço tudo sobre esta planta. A maioria dos factos (que apresentarei mais abaixo) está comprovada, enquanto um ponto permanece eternamente sujeito a debate: essa famosa toxicidade das flores que tem como impacto «drogar» as borboletas.

Curiosamente, quando se fala desta eventual toxicidade das flores da budleia, ninguém menciona qualquer publicação científica séria. Note-se como isto é irónico…

buddleja, arbusto-das-borboletas

Os factos cientificamente comprovados 

  • O Buddleia davidii, a espécie-tipo, é uma planta invasiva, uma EEE — Espécie Exógena Envahissante Invasora. Vai sê-lo preferencialmente em locais perturbados pelo Homem, pois trata-se de um arbusto que aprecia solos pobres, pedregosos e ligeiramente revolvidos (é originário das montanhas áridas da China): escombreiras, bordos de linhas de caminho de ferro, terrenos industriais incultos, antigos parques de estacionamento abandonados… mas também em meios naturais particularmente vulneráveis, como por exemplo as pastagens silicícolas da Normandia. É algo natural, pois é uma espécie pioneira que «prepara o terreno» para que outras plantas possam instalar-se posteriormente. Na nossa flora indígena existem outras plantas capazes de realizar este tipo de trabalho, mas a budleia é de uma eficácia formidável, uma vez que vive muito pouco tempo: daí o seu caráter invasivo. Assim que outras plantas comecem a crescer no substrato criado pela budleia ao longo do tempo, vão fazer-lhe sombra e a budleia, essência de luz antes de tudo, desaparecerá. A vegetação poderá então desenvolver-se até ao climax, a evolução última de um meio natural: uma floresta de carvalhos, por exemplo. O único senão é que a budleia ocupa efetivamente o lugar de uma planta indígena útil para a fauna, nomeadamente para os insetos que, na sua maioria, co-evoluíram com as espécies endémicas. Recorde-se que uma planta exótica é sempre menos interessante para alimentar as larvas e os adultos dos insetos.

Nota bene: se tiver em casa a espécie-tipo e o seu caráter invasivo o preocupa, pode e mão na obra: corte o arbusto energicamente logo antes da formação das sementes! O problema fica resolvido.

  • A budleia contém aucubina e outros terpenoides tóxicos por ingestão nas suas folhas e ramos. É por isso que ninguém consome as folhas. Este é o segundo argumento avançado pelos naturalistas: «Se as borboletas porem ovos na budleia, as lagartas não conseguirão alimentar-se.» Na realidade, isto seria desconhecer profundamente os lepidópteros e sobretudo negar milhões de anos de evolução. Uma borboleta está geneticamente programada para pôr ovos apenas na planta ou na família de plantas de que a sua descendência necessita. E não noutras! No entanto, é verdade que se no seu jardim tiver apenas um relvado cortado rente, uma sebe de tuias e… uma única budleia: as borboletas não conseguirão pôr ovos. Portanto, terá borboletas no primeiro ano no seu arbusto e depois… nenhuma. Num jardim com uma maior diversidade de vegetais, as borboletas visitam rapidamente as flores da budleia e depois vão pôr ovos nas plantas vizinhas consoante a espécie de borboleta: urtiga, silva, gramíneas, frângula, Fabáceas, Brassicáceas, Apiáceas…
buddleja, arbusto-das-borboletas

Nota bene: algumas fontes referem que a lagarta da Esfinge-da-Caveira, bem como a da Cuculia do verbasco, se teriam adaptado para se alimentar de folhas de budleia na falta das suas verdadeiras plantas hospedeiras. "A natureza encontra sempre o seu caminho..."

  • O néctar do Buddleia davidii, embora produzido em grande quantidade, é pobre em açúcar comparativamente a outras flores. É, portanto, menos nutritivo para os insetos. Note-se que apenas os lepidópteros que possuem uma tromba conseguem alimentar-se deste néctar. Alguns abelhões conseguem cortar a corola para extrair parte dele. É também possível observar ocasionalmente alguns sirfídeos e até uma ou duas abelhas selvagens nas flores, mas é mais raro.
  • A grande maioria das variedades de Buddleia davidii vendidas no comércio são estéreis, ao contrário do que parece pensar a opinião pública. É portanto inútil censurar o colaborador que arruma as paletes no centro de jardim da sua zona por venderem budleias. Apenas a espécie-tipo é invasiva e já não está à venda.
  • As outras espécies e híbridos de budleia não levantam qualquer problema: B. globosa, B. alternifolia, B. nivea…

Por que planta substituir a budleia?

Se quiser agir pelo princípio da precaução e evitar plantar um «arbusto-das-borboletas», faça-o! Mas substitua-o por plantas indígenas ou semi-indígenas (Europa de Leste), deixando áreas selvagens no seu jardim onde intervém muito pouco. Para fazer as coisas verdadeiramente a fundo e tentar salvar o que resta de borboletas, evitando assim cair na hipocrisia geral. O grande clássico são os dadores de lições de fim de semana que o vão repreender porque tem uma planta chinesa no jardim, mas que comem tomates no inverno, andam num 4×4 a gasóleo e apanham o avião quatro vezes por ano. Em suma, são muitas vezes grandes faladores… Deixemo-los falar e sigamos em frente!

buddleja arbusto-das-borboletas

Em conclusão

Não estou a atirar pedras aos naturalistas. Longe disso... A sua luta é justa e necessária. Na realidade, se por vezes parecem de má-fé ou mesmo sectários, é antes de tudo por necessidade! Há décadas que ninguém os ouve sobre os temas ambientais. Decidiram portanto adotar uma linguagem mais fácil de compreender para o comum dos mortais, recorrendo a conselhos simples e precisos, aqui no nosso exemplo: «Não plantar mais budleias e arrancar todas as que existem!» Dado o que acontece nos dias de hoje, são obrigados a elevar o tom e paciência, se nessa história as outras budleias ficarem pelo caminho com a primeira…

No entanto, convém receber as informações que circulam sem filtro na internet com muitas reservas e fazer as suas próprias pesquisas. Talvez o néctar seja de facto uma droga. Talvez não... Há anos que esta informação é recorrente, imediatamente desmentida por outra equipa de investigação, e depois não... ou talvez... depende... Em suma, ainda estamos no domínio das especulações. 

Pessoalmente, realizei inventários sobre os lepidópteros diurnos e semi-noturnos (como a Esfinge-do-Moro) durante três anos em minha casa. Pude observar um aumento muito nítido do número de borboletas, bem como uma maior diversidade ao nível das espécies. No entanto, continuo a ter uma budleia. Mas esta está rodeada de vários ares de paraíso para insetos, pois plantei inúmeros vegetais indígenas (ou não) e deixei algumas áreas selvagens. O que prova que este arbusto não parece assim tão nocivo.

No momento em que escrevo estas linhas, vejo apenas um almirante-vermelho no meu «arbusto-das-borboletas», enquanto um funcho selvagem, uma bela superfície de orégão, um Eryngium planum e uma erva-gorda parecem ser «ze plèsse toubi» para os lepidópteros neste momento. 

Encorajo-o, portanto, a aventurar-se também no estudo das borboletas ou dos insetos em geral, a tirar as suas próprias conclusões e a manter sempre um espírito crítico. 

Talvez já tenha reparado neste verão, mas com os dias quentes, os naturalistas fizeram um pequeno regresso, sobretudo nas redes sociais… E, como todos os anos, uma certa categoria de entre eles levantou a voz contra uma planta exótica. Este ano, é a budleia, chamada «arbusto-das-borboletas», que é particularmente alvo da sua fúria. Invasiva? Perigosa […]

Os agapantos são flores espetaculares que se encontram frequentemente nos jardins à beira-mar, em particular na costa Oeste e na Bretanha. Apresentam, no verão, belas flores azuis, brancas ou lilás, em umbelas ao mesmo tempo marcantes e elegantes.

Plantas perenes sem preocupações, o agapanto aprecia o pleno sol em solo comum drenado, mas não demasiado seco no verão. A sua leveza e facilidade de cultivo constituem verdadeiros trunfos para realizar um canteiro florido ou um vaso.

A sua utilização no jardim era outrora limitada pela sua falta de rusticidade e pelo reduzido número de variedades… Hoje, os agapantos existem agora numa enorme variedade de cultivares e alguns apresentam mesmo uma bela resistência ao frio, o que coloca um outro problema: a escolha!

Eis, por isso, para ajudar, uma seleção de 7 agapantos «valores seguros» que se adequam a todos os jardins, seja qual for o seu tamanho, o seu estilo ou até o seu clima.

O agapanto Navy Blue (Midnight Star): o resistente

O Agapanthus 'Navy Blue', também chamado agapanto 'Midnight Star', faz parte dos agapantos mais populares. Esta variedade ocupa o pódio da melhor classificação e das melhores vendas da promesse de fleurs, e rapidamente se perceberá porquê!

As suas flores em umbelas ligeiras são de um azul-marinho intenso. Surgem em abundância entre julho e agosto. Quanto à sua folhagem verde-clara em fita, é caduca e, por isso mesmo, esta variedade faz parte dos agapantos mais rústicos, com resistência até -10 °C em solo bem drenado.

Agapanthus Navy Blue

O agapanto Navy Blue, resistente e popular

Vigoroso e de porte médio, com 60 cm de altura e 40 cm de envergadura, adapta-se igualmente bem em vaso ou em borda de canteiro.

→ Para saber mais sobre esta variedade, consulte o nosso artigo: "O agapanto 'Navy Blue': uma beleza resistente ao frio"

O agapanto Blue Giant: o gigante emblemático

O agapanto Blue Giant é uma planta perene incontornável na Bretanha! Muito frequentemente plantado, é apreciado pelas suas grandes flores azul-escuro de 18 cm de diâmetro, que surgem até 1,5 metros de altura. A sua altura faz dele uma planta notável para canteiros e fundos de canteiro. Cria importantes linhas verticais muito marcantes e elegantes. Também é possível desfrutar das suas belas e grandes flores como flores de corte.

Vigoroso e robusto graças às suas raízes carnudas, suporta até -12 °C.

variedade de agapanto para plantar

O agapanto Blue Giant ganha altura

O agapanto branco Albus: o incontornável

Ideal para os jardins brancos, o Agapanthus umbellatus Albus, também denominado Agapanthus africanus albus, distingue-se pela sua floração branca. As suas flores em umbelas de 15 cm de diâmetro estão situadas a 1 metro de altura acima de uma folhagem em fita semi-persistente. As suas umbelas são formadas por flores branco-neve em forma de campânulas. Pouco rústico, suporta até -5 °C, o que limita a sua utilização aos climas amenos.

Agapanthus africanus albus

O agapanto de flores brancas: Agapanthus albus

O agapanto Royal Velvet: a nova estrela

Original e recente, o agapanto Royal Velvet é uma nova estrela dos agapantos graças à sua cor intensa e muito na moda, qualificada de «ultra-violeta». Produz um efeito muito belo graças às suas flores em umbelas de 10 a 12 cm de diâmetro, únicas no seu género, pela sua coloração de violeta intenso rayado de um azul-violeta muito escuro. As suas umbelas surgem a 80 cm do solo, bem acima da folhagem (caduca), que forma uma bela touça. A elegância do agapanto Royal Velvet é inegável!

Agapanthus royal velvet

O agapanto Royal Velvet, uma nova variedade de flores ultra-violeta

As suas flores de um violeta intenso tornam-no ideal em jardins contemporâneos, mas também em cenários exóticos que combinam flores cor de laranja, como os tritomas, as canas-da-Índia ou os lírios-de-um-dia.

Para além da sua cor original, esta variedade acumula trunfos com a sua floração abundante, a sua robustez e a sua resistência ao frio até -10 °C.

O agapanto Double Diamond: o compacto de flores duplas

Recente, o agapanto Double Diamond é uma variedade que reúne duas qualidades: um porte compacto e uma floração generosa. O seu principal trunfo reside nas suas flores duplas em forma de trompete, de cor branco puro. Agrupadas em umbelas, medem 10 cm de diâmetro e surgem acima de uma touça de folhas persistentes em clima ameno. O seu porte compacto (35 cm de altura por 30 cm de largura) torna-o ideal em vaso, no terraço ou na varanda, mas também em borda de canteiro em todos os locais onde os invernos não são demasiado frios, pois não suporta temperaturas inferiores a -5 °C.

Agapanthus Double DiamondO agapanto Double Diamond, uma pequena variedade com generosas flores duplas

O agapanto Twister: o bicolor

O agapanto Twister é uma variedade original apreciada pelas suas flores bicolores. De grande dimensão, até 18 cm de diâmetro, as suas umbelas são formadas por flores brancas com base azul-escuro. Estas flores de duas cores conferem um certo dinamismo, ao mesmo tempo que combinam a suavidade dos tons, acentuada pela folhagem verde-acinzentada. De porte médio, este agapanto atinge 60 cm de altura por 50 cm de largura, sendo por isso ideal em segundo plano do canteiro, atrás de plantas tapizantes, podendo também ser cultivado em vaso grande.

Por fim, o agapanto Twister pode ser plantado sob muitos climas, pois tem a vantagem de fazer parte dos agapantos mais rústicos, suportando até -12 °C.

variedade agapanthus twister

O agapanto Twister: flores bicolores, brancas e azuis

O agapanto Pitchoune Blue: o pequeno perfeito em vaso

O agapanto Pitchoune Blue justifica bem o seu nome. Muito gracioso e de tamanho reduzido, esta variedade compacta mede apenas 50 cm de altura por 50 cm de largura. Anão, é perfeito em borda de canteiro, mas também para o cultivo em vaso, o que permite levá-lo para interior abrigado no inverno, pois, pouco rústico, suporta apenas -5 °C.

Apesar de pequeno, a variedade Pitchoune Blue distingue-se por uma abundante floribundidade. Floresce agradavelmente em azul ultramar acima de uma folhagem persistente em fita. No jardim, pode ser associado ou substituído pela sua "irmã mais nova" de flores brancas, Pitchoune White, que oferece as mesmas qualidades.

agapanthus pitchoune blue

O agapanto Pitchoune Blue, um valor seguro, ideal em vaso

Tem outras variedades a recomendar? Não hesite em partilhar o(s) seu(s) nome(s) deixando um comentário!

Os agapantos são flores espetaculares que se encontram frequentemente nos jardins à beira-mar, em particular na costa Oeste e na Bretanha. Apresentam, no verão, belas flores azuis, brancas ou lilás, em umbelas ao mesmo tempo marcantes e elegantes. Plantas perenes sem preocupações, o agapanto aprecia o pleno sol em solo comum drenado, mas não demasiado […]

Os cardos, de um modo geral, são frequentemente associados ao cardo-das-vinhas (Cirsium arvense), uma espécie mais temida do que apreciada. Por esse motivo, são bastante pouco plantados nos jardins. No entanto, os cardos ornamentais são pouco exigentes, fáceis de cultivar e, sobretudo, são incomparáveis para animar um canteiro um pouco plano, e isso mesmo durante o inverno, graças ao grafismo das suas inflorescências que perdura durante longos meses.

Eis, portanto, os nossos cardos preferidos, acompanhados de algumas ideias de associações.

O Echinops ritro, cardo-esférico ou cardo-azul

Rústico e sóbrio como um camelo, este cardo perene distingue-se pela sua floração azul, notável à distância. Apresenta uma folhagem verde com reflexos prateados, espinhosa, de onde se erguem, de julho a setembro, pequenas flores esféricas.

  • Cultivo: ao sol em qualquer solo drenante, mesmo pobre ou seco – rusticidade: -20 °C

Os echinops são fáceis de associar, em particular em canteiros de verão onde se misturam plantas perenes e gramíneas. São igualmente perfeitos para compor um belo camaieu de azul, com, por exemplo, o Echinops ritro, o Perovskia Lacey Blue, a Catananche caerulea e o Agastachae Blue Boa.

Echinops ritro, associação

O Onopordum acanthium, onopordo-dos-árabes

Monumental, o Onopordum acanthium (ou nervosum) é uma planta bienal que ergue, em julho, grandes flores rosa-púrpura a facilmente 2 metros de altura. Estão pousadas sobre uma haste tomentosa, ela própria guarnecida de uma folhagem cinzenta-esbranquiçada armada de espinhos formidáveis. O seu crescimento é simplesmente impressionante, pois contenta-se com muito pouco.

  • Cultivo: ao sol em todos os solos, mesmo secos com tendência calcária – rusticidade: -15 °C

Mais do que associado, o Onopordum acanthium é acompanhado. De facto, com a sua grande estatura e a sua silhueta gráfica, rouba facilmente o protagonismo às plantas que o rodeiam. Ainda assim, para o valorizar, não hesite em combiná-lo com a sálvia verticilada Purple Rain, o milefólio Lilac Beauty e o Elymus magellanicus.

Descubra o Onopordon em vídeo com o Olivier.

Onopordo-dos-árabes, associação

O Eryngium yuccifolium, um eríngio com folhas de iúca

Simplesmente encantador, este eríngio de origem americana distingue-se tanto pelas suas folhas um pouco cerosas, compridas e de ponta afiada, como pela sua floração. Sustidas em hastes ramificadas, as suas flores aparecem em julho, são numerosas, esféricas e de um belo branco acinzentado. Em canteiro, é uma excelente planta gráfica que forma rapidamente uma touceira de 1,5 metro de altura por 60 centímetros de largura, ideal para introduzir um toque de branco nos canteiros estivais.

  • Cultivo: ao sol num solo drenante – rusticidade: -15 °C

O eríngio-yuccifolium é a planta ideal para animar um canteiro um pouco sem graça. A forma das suas flores permite criar contraste com plantas de linhas verticais como os agastaches, as sálvias, os liátris, ou ainda com outras plantas perenes americanas como as equináceas, os helénios ou a bela pimpinela-do-Canadá. Aqui aparece associado à Sanguisorba Red Thunder, à equinácea Hot Summer e ao Liatris spicata.

Eryngium yuccifolium - associação

O Cirsium rivulare Atropurpureum, o cardo ribeirinho

Este cardo, perfeito em solo pesado e húmido, seduz pela sua floração vermelho-púrpura que surge a partir de junho. As suas flores, de cerca de 3 cm de diâmetro, são sustidas em altas hastes ramificadas que podem atingir um metro de altura. Gráfico mas um pouco selvagem, este cardo ribeirinho é uma dádiva para os terrenos encharcados, mas também para os insetos polinizadores, pois as suas flores são melíferas.

  • Cultivo: ao sol ou a meia-sombra num solo bastante rico, fresco a húmido – rusticidade: -15 °C

Versátil, este cardo adapta-se a todos os estilos de jardins: moderno, inglês ou natural. Associa-se bem com as astrâncias, as anémonas-do-japão, os astilbes, os Veronicastrums e com todas as gramíneas de solo fresco ou húmido como os carriços, os Deschampsia e as molínias. Pode ainda combiná-lo com a Filipendula ulmaria, o Lythrum salicaria Robert e o Carex elata Aurea.

Cirsium rivulare, associação

O Eryngium Jos Eijking®, cardo-azul de flores azuis

O Eryngium Jos Eijking® é um magnífico cardo-azul que brilha pelo seu tom azul-cobalto, mas também pelo grafismo das suas inflorescências cónicas coroadas de brácteas finamente recortadas. A sua altura moderada (70 cm de altura por 30 de largura) é amplamente compensada pela sua cor, que lhe confere uma presença extraordinária e não deixará de atrair todos os olhares no jardim.

  • Cultivo: ao sol num solo bem drenado, mesmo seco – rusticidade: -15 °C

Sublime num canteiro onde se declina toda a gama de tons azuis, este eríngio brilhará com ainda mais intensidade se lhe acrescentar um toque de amarelo vivo (com o Crocosmia Buttercup, por exemplo).

Para uma atmosfera mais serena e repousante, aposte no branco com o Gaura lindheimeri, no azul com o Perovskia Blue Spire e realce o conjunto com uma nota de milefólio Red Velvet.

Eryngium, associação

O Berkheya purpurea, cardo africano púrpura

Grandes flores de margaridas malvas com centro púrpura empoleiradas em hastes espinhosas ameaçadoras… eis o Berkheya purpurea! Curiosa, esta planta perene originária da África do Sul é bastante rústica e revela-se particularmente interessante em solo filtrante, não demasiado seco, porém. Apreciamo-la pela sua originalidade, mas sobretudo pelas suas flores de 10 cm de diâmetro e pela sua folhagem cinzenta-prateada e aveludada.

  • Cultivo: ao sol num solo bem drenado mas não demasiado seco – rusticidade: -10 °C

Perfeito num jardim de cascalho, o Berkheya associa-se com um grande número de plantas perenes, mas porque não combiná-lo com agapantos (originários, eles também, da África do Sul) como o agapanto Enigma, a bergamota Menthifolia e, para evocar o seu centro escuro, o Pennisetum alopecuroides Black Beauty.

Berkheya purpurea - associação

Não é bem um cardo, mas merece também o seu lugar nos nossos jardins: descubra também a bela e gráfica Cardeira ou Estalagem das aves em vídeo!

E no seu jardim, tem "cardos"? Quais são as suas variedades preferidas? Conte-nos

Os cardos, de um modo geral, são frequentemente associados ao cardo-das-vinhas (Cirsium arvense), uma espécie mais temida do que apreciada. Por esse motivo, são bastante pouco plantados nos jardins. No entanto, os cardos ornamentais são pouco exigentes, fáceis de cultivar e, sobretudo, são incomparáveis para animar um canteiro um pouco plano, e isso mesmo durante […]

Os dias belos chegam a passos largos e percebe que o seu jardim ou a sua esplanada está muito triste? Tem uma parede sem interesse a esconder, uma vista desagradável a disfarçar, uma rede metálica sem charme? Ou talvez queira simplesmente cores... e depressa!

Aqui está uma seleção de 10 plantas trepadeiras anuais de crescimento ultra-rápido, ideais para criar, num abrir e fechar de olhos, uma decoração florida para a época. Estas lianas escalam sozinhas qualquer suporte que lhes ofereça e infiltram-se também nos arbustos para complementar a sua floração ou prolongá-la. A cereja no topo do bolo: ocupam pouco espaço no solo e são muito fáceis de cultivar!

A glória-da-manhã, soem as trompetas!

A glória-da-manhã é uma liana volúvel que se agarra sozinha ao seu suporte. Apreciada pela sua cultura extremamente fácil e pela sua generosa floração, que ocorre sem interrupção do verão até às geadas.

Glórias-da-manhã, Ipomoea tricolor

As suas flores, em forma de trombeta, apresentam cores variadas: branco, azul, malva, púrpura, vermelho... algumas são mesmo riscadas ou desenvolvem-se em elegantes gradações de tons. Abrem no início do dia e fecham-se à tarde, no auge do calor. As folhas, de um verde intenso, têm forma de coração.

  • Altura: 2,50 metros até mais de 6 metros conforme as condições de cultivo.
  • Exigências: calor e um solo fértil que se mantenha fresco. Exposição a pleno sol a sul, abrigado do vento.
  • Utilizações: em plena terra, em vaso (esplanada, varanda). Pode ser utilizada como cobertura vegetal.

Para saber tudo sobre as glórias-da-manhã, consulte a nossa ficha de planta: As ipomeias, sementeira, plantação, cultivo e manutenção.

A ervilha-de-cheiro, com o perfume a mais.

Quem não sucumbiu algum dia à delicadeza da ervilha-de-cheiro? Esta trepadeira floresce de junho a setembro, com flores de cores variadas, vivas ou mais pastel. Podem ser brancas, cor-de-rosa, vermelhas, púrpura, salmonadas e algumas são mesmo bicolores. O seu perfume suave é outro dos seus trunfos — perfuma a casa se cortar alguns ramos para arranjos florais (o que aliás estimula a planta a produzir novas flores!).

Ervilha-de-cheiro, Lathyrus odoratus

A ervilha-de-cheiro fixa-se sozinha ao seu suporte graças a finas mas sólidas gavinhas. A folhagem, verde com reflexos azulados, é toda leveza e elegância.

  • Altura: 1,50 a 2 metros
  • Exigências: um solo fértil, profundo mas drenado, ao sol.
  • Utilizações: em plena terra, em vaso.

Saiba tudo com a nossa ficha sobre a ervilha-de-cheiro, o seu cultivo, manutenção e utilizações.

A capuchinha, para o jardim e para a cozinha

Talvez a mais fácil das anuais trepadeiras, a capuchinha é muito popular. Impossível de falhar, é perfeita para jardineiros iniciantes. De maio-junho até às primeiras geadas, exibe uma folhagem arredondada e generosa, sobre a qual se erguem sem cessar flores de aspeto exótico, em funil, vermelhas, amarelas ou cor de laranja. Não é necessário estacá-la, o pecíolo das folhas enrola-se sozinho no primeiro suporte que encontra. Se não encontrar nenhum, a planta forma então uma colorida cobertura vegetal.

Capuchinha, Tropaeolum majus

Em suspensão, a planta acaba por cair em cascata do seu recipiente. Todas as partes da planta são comestíveis e conferem às saladas uma nota picante. As folhas são aliás ricas em vitamina C! Os pulgões apreciam a capuchinha, o que evita que colonizem outras plantas — uma vantagem muito útil nas proximidades de uma horta.

  • Altura: 3 a 4 metros
  • Exigências: qualquer solo não demasiado fértil a pobre, mesmo seco. Exposição ao sol ou a meia-sombra. Suporta o clima marítimo.
  • Utilizações: em plena terra, em vaso, em suspensões, na horta (para controlar os pulgões). Pode ser utilizada como cobertura vegetal.

Descubra os nossos conselhos para plantar, semear e cuidar da capuchinha.

O feijoeiro-escarlate, belo e saboroso!

Se o feijoeiro-escarlate pode ser cultivado na horta, é também pelo seu valor ornamental que se usa no jardim. A sua folhagem, abundante e de um verde fresco, permite formar um belo ecrã. No verão, flores em cacho, reunidas nas extremidades dos caules, ornamentam esta grande trepadeira. Vermelhas, cor de laranja, brancas, cor-de-rosa e mesmo bicolores, surgem em grande número e dão lugar a vagens alongadas, deliciosas se colhidas ainda jovens.

Feijoeiro-escarlate, Phaseolus coccineus

Os grandes feijões que contêm são igualmente comestíveis. Como todos os feijões, este enrola-se sozinho no seu suporte, que deve ser adaptado ao seu tamanho. O seu cultivo é muito fácil.

  • Altura: 3 a 5 metros
  • Exigências: um solo solto, fresco e bem drenado, ao sol.
  • Utilizações: jardim ornamental, em plena terra. Na horta. Em vaso, para criar um ecrã estético numa esplanada.

A cobeia, um charme antiquado.

Trepadeira de plantas perenes, cultivada como anual nos nossos climas, a cobeia exibe uma folhagem luxuriante, verde com reflexos azulados. As flores, em forma de sineta com bordos revirados, abrem em tons esverdeados, antes de se tornarem branco-creme a azuis conforme a variedade. Sustentadas por longos pedúnculos que as fazem inclinar a cabeça, parecem observar o jardineiro. A floração é bastante tardia e por vezes não ocorre antes de agosto, mas prolonga-se até às primeiras geadas.

Cobeia, Cobaea scandens

Fácil de cultivar, enrola-se sozinha no seu suporte. Esta bela trepadeira de charme incontestável traz um toque retro ao jardim.

  • Altura: 3 a 4 metros
  • Exigências: qualquer solo fértil, que não seque demasiado, em exposição ensolarada ou a meia-sombra.
  • Utilizações: em plena terra no jardim ou em vaso num pátio, num logradouro ou numa varanda.

A bandeira-de-espanha, um visual exótico em tons quentes

Trepadeira de plantas perenes com comportamento de anual nas nossas latitudes, a Mina lobata é uma liana muito original. A sua folhagem verde, espessa e abundante, com 3 lobos, já por si oferece interesse decorativo. Valoriza as inflorescências, formadas por numerosas espigas densas de flores tubulares que evoluem do vermelho vivo para o cor de laranja, depois para um amarelo luminoso e terminam em creme. As diferentes cores coexistem na planta de julho até às geadas.

Mina lobata

De longe, a planta assemelha-se a um candelabro ornado com centenas de velas. De perto, a inserção das flores dá a impressão de admirar um cocar de penas. O seu visual exótico nunca deixa ninguém indiferente! Simples de cultivar, a planta enrola-se em torno do seu suporte e ressemeia-se facilmente sem se tornar invasora. Pode tentar conservá-la de um ano para o outro instalando-a num vaso que abrigue durante a estação desfavorável.

  • Altura: 2 a 3 metros
  • Exigências: qualquer solo moderadamente fértil e bem drenado, em local ensolarado e muito quente.
  • Utilizações: ideal para uma atmosfera exótica, tanto em plena terra como em vaso numa esplanada muito luminosa.

A susana-dos-olhos-negros, volúpia e exuberância.

Planta perene sensível às geadas, a susana-dos-olhos-negros deve ser tratada como uma anual quando plantada no jardim. Em vaso, pode ser hibernada para tentar conservá-la. Esta trepadeira muito florífera exibe, de junho até às geadas, flores em diferentes tons de cor de laranja ou amarelo cujo centro se assemelha a um olho negro, o que lhe valeu o nome. Melífera, esta trepadeira atrai os polinizadores. A folhagem, verde-escura, tem forma de coração e constitui um belo cenário para a floração.

Susana-dos-olhos-negros, Thunbergia alata

A susana-dos-olhos-negros escala sozinha qualquer suporte, que enlaça com os seus caules volúveis, mas também pode correr pelos canteiros e fazer de cobertura vegetal florida ou cair com elegância de uma suspensão.

  • Altura: 2 m
  • Exigências: solo fértil e humífero, bem drenado, ao sol ou a meia-sombra. Abrigar dos ventos fortes.
  • Utilizações: canteiros, vasos, estufas, suspensões.

    Os dias belos chegam a passos largos e percebe que o seu jardim ou a sua esplanada está muito triste? Tem uma parede sem interesse a esconder, uma vista desagradável a disfarçar, uma rede metálica sem charme? Ou talvez queira simplesmente cores… e depressa! Aqui está uma seleção de 10 plantas trepadeiras anuais de crescimento […]

    A 16 de janeiro de 2018, a fundação Eat publicou um relatório na revista médica The Lancet que confirma o que pressentíamos há já alguns anos: para a nossa saúde, para alimentar toda a gente e os habitantes do planeta, é urgente vegetalizar a nossa alimentação.

    Acha que isso é aborrecido, receia que seja mau para a saúde? Pensa que tornar-se vegetariano, mesmo que apenas alguns dias por semana, é condenar-se a comer tofu? Engane-se menos! Bem conduzida, a alimentação vegetariana (e vegana) é saudável e equilibrada. Se escolher bem os seus legumes e os cozinhar com um toque de criatividade, ficará rica em sabores... A outra vantagem é que pode ser produzida na horta!

    Não, comer vegetariano não é nada triste!

    As leguminosas: as proteínas indispensáveis

    "Mas onde é que se encontram as proteínas?" é uma das perguntas mais frequentes. Antes de mais, é importante saber que todos os legumes contêm proteínas, mas é sobretudo nas leguminosas (as lentilhas, os feijões, as ervilhas, as favas…), nos oleaginosos (as nozes, as avelãs) que estas estão mais presentes. Os cereais também as contêm, mas são um pouco mais complicados de cultivar na horta!

    A minha seleção:

    • O feijão-anão de debulhar Flambo: esta variedade melhorada oferece duas a três colheitas sucessivas por ano, de julho a outubro. Gosto muito dos seus grãos brancos mosqueados de rosa e do seu sabor muito fino. Podem ser consumidos frescos, secos ou meio secos. Uma vez cozidos, perdem a cor, mas isso não tem grande importância — o prazer reside também na debulha destas pequenas maravilhas! Na cozinha, é muito simples de preparar, com tomate, por exemplo. Pode também servir para fazer deliciosas sopas cremosas.
    • A fava Aguadulce de vagem muito comprida: precoce, muito produtiva e vigorosa, esta fava produz vagens espetaculares que podem atingir os 40 cm! Contêm grãos grandes e carnudos, tenros ao morder. É uma das primeiras leguminosas a ser colhida na horta, já em maio se semeada em fevereiro. Excelente nos Buddha bowls de primavera, com rabanetes e cenouras jovens, as favas permitem também preparar tapenades onde mergulhar os grissines.
    • O feijão-anão de debulhar vermelho Canadian Wonder: este flageolet vermelho é uma variedade antiga também conhecida pelo nome de "Rognon de coq". Muito produtivo, tem também a vantagem de se conservar bem em seco. É um grande clássico da cozinha mexicana que permanece a base do chili, mesmo que seja "sin carne" (sem carne). Pode igualmente ser preparado em hambúrguer vegetariano, substituindo o bife.
    • O grão-de-bico: é uma cultura em que os jardineiros não pensam necessariamente. No entanto, o grão-de-bico é fácil de cultivar em climas quentes e secos. Em 4 meses, produz grãos redondos e bege. Rico em proteínas (19 g / 100 g), o grão-de-bico é muito utilizado na cozinha vegetariana, tal qual ou reduzido a puré, com condimentos e tahini para o incontornável hummus.
    • A soja de horta: a soja é uma leguminosa bastante conhecida que se cultiva em clima ameno, de forma tão simples como os feijões. Os mais experientes poderão transformar as suas sementes em leite de soja ou em tofu… mas é mais simples cultivá-la para a degustar verde, com a vagem, em edamame.
    Feijão Flambo, feijões vermelhos, favas, grão-de-bico

    Legumes coloridos, sabores suaves, para as vitaminas e o prazer

    No prazer de comer, a vista conta quase tanto como o paladar. Compor uma salada apetitosa é um ritual para quem procura comer com plena consciência. No inverno, a cor também é importante, mas a suavidade dos sabores é particularmente reconfortante — não abdique disso!

    A minha seleção:

    • O tomate Indigo Rose: é um tomate cocktail original com casca azul-violeta, quase preta, e polpa rosa a púrpura escuro. A sua coloração deve-se à presença de antocianina, um pigmento que se encontra em frutos como os mirtilos ou a uva e que é rico em antioxidantes. Cortado, dá relevo às saladas, sobretudo se for misturado com outras variedades originais como o tomate ananás. Na horta, cultiva-se como qualquer tomate e revela um belo vigor e uma boa resistência ao frio.
    • A beterraba Chioggia: precoce, esta pequena beterraba redonda é muito decorativa. Semeada de abril a maio, colhe-se já no início do verão e apresenta uma polpa rosa rayée de branco com um sabor adocicado. É a beterraba para consumir crua, em carpaccio ou ralada, em salada!
    • A abóbora butternut: é uma das minhas abóboras preferidas, tanto porque serve para tudo (puré, gratinados, fritos, sopas), mas sobretudo porque o seu sabor suave e adocicado é incomparável. Se a aprecio tanto, é também porque é particularmente fácil de cortar, o que é uma vantagem quando se tem pressa! Na horta, em clima fresco, não é necessariamente uma campeã em produtividade, mas o seu sabor compensa largamente esse pequeno defeito!
    • A batata-doce: originária da América do Sul, a batata-doce é um legume que aprecia o calor e as regas regulares… mas recompensa os esforços com belos tubérculos de polpa laranja, adocicada e terrivelmente reconfortante no coração do inverno! Consoante o solo e o clima, planta-se em terra ou em vaso, por volta de meados de maio. Cá em casa, faz muito sucesso quando ligeiramente caramelizada com mel e polvilhada com sementes de sésamo… mas pode também simplesmente ser assada no forno!
    Tomate Indigo Blue, beterraba Chioggia, batata-doce e abóbora butternut

    Os pequenos extras, os impulsionadores

    No inverno passado, falávamos dos "superalimentos": as sementes de chia, as sementes de abóbora, o kale, os goji… Fazem evidentemente parte da minha seleção! (convido a descobri-los neste artigo). A esta lista, acrescento este ano:

    • O Curcuma longa, dito açafrão-da-índia curry: primo do gengibre, é uma planta condimentar que se cultiva como uma dália… mas de preferência em vaso nos nossos climas. É um excelente anti-inflamatório, rico em antioxidantes. No final do verão, colhem-se as raízes amarelo-alaranjadas que se consomem frescas. Na cozinha, utilizam-se simplesmente raladas, tal como o açafrão-da-índia em pó.

    Ficou com vontade de adotar a tendência veggie? Deixe-me então recomendar dois excelentes livros, não de jardinagem mas de cozinha desta vez, perfeitos para começar:

    A 16 de janeiro de 2018, a fundação Eat publicou um relatório na revista médica The Lancet que confirma o que pressentíamos há já alguns anos: para a nossa saúde, para alimentar toda a gente e os habitantes do planeta, é urgente vegetalizar a nossa alimentação. Acha que isso é aborrecido, receia que seja mau […]

    O outono é uma estação particularmente colorida no jardim, mas os tons flamejantes não duram infelizmente muito tempo. Em breve, os jardins adormecem e estaremos todos, a partir de março, à espreita das primeiras floradas primaverais... desde que tenhamos sido suficientemente previdentes e plantado a tempo! Para desfrutar das primeiras flores da primavera no jardim, aqui fica a minha seleção das 7 plantas perenes precoces a plantar no outono.

    A Brunera Diane's Gold

    Este "miosótis perene" é uma verdadeira joia para as zonas sombrias e frescas do jardim. Apresenta uma folhagem em forma de coração, verde chartreuse que conserva as suas belas nuances douradas desde a primavera até às geadas. De abril a junho, ornamenta-se com uma nuvem de pequenas flores ligeiras, azul-vivo. Fácil de cultivar, basta-lhe um solo que se mantenha fresco para se expandir e formar um tapete luminoso. No jardim, instala-se facilmente sob as árvores, ao pé das sebes ou em borda de canteiro, que sublinhará com elegância.

    Brunnera macrophylla Diane's Gold - Brunera

    O Pachyphragma macrophyllum

    Esta planta perene é sem dúvida a primeira a florescer: logo em março, ergue uma multidão de pequenas flores brancas repletas de charme. É uma planta rústica que tem também a vantagem de se instalar rapidamente e de se expandir progressivamente, sem ser demasiado invasora. À sombra ou a meia-sombra e em solo fértil, mesmo pesado, forma belos tapetes persistentes salpicados de branco no início da primavera. Encantadora com bolbos primaverais, com corações-de-maria ou ainda com hostas, esta planta perene de sub-bosque é igualmente ideal para cobrir os cantos um pouco esquecidos do jardim.

    Pachyphragma macrophyllum

    O Disporopsis pernyi

    Se aprecia o selo-de-Salomão, não conseguirá resistir a esta planta perene de sub-bosque! Perfeita à sombra seca, ergue, de abril a maio, encantadoras hastes florais adornadas de sininhos branco-creme tingidos de verde. O seu crescimento é bastante lento, mas uma vez bem instalada, forma um tapete tão denso que é capaz de competir com as ervas daninhas. No jardim, encontrará o seu lugar sob as árvores, com epimédios, por exemplo, num talude ou ainda em zona rochosa sombreada.

    Disporopsis pernyi

    A Bergénia Dragonfly Angel Kiss

    As bergénias dispensam apresentações, tão reconhecidas são pela sua robustez! No entanto, esta variedade merece atenção especial: compacta e muito floribunda, apresenta uma folhagem persistente notável: verde-escura, ganha tons avermelhados no inverno. Na primavera, em abril e maio, é encimada por flores rosa-pálido, semi-duplas, que formam um conjunto muito belo. De cultivo muito fácil e rústica, esta bergénia planta-se tanto em vaso, no terraço ou na varanda, como no jardim.

    Bergenia Dragonfly Angel Kiss

    A Consolda-russa Sky Blue Pink

    Pois é, a consolda-russa não serve apenas para preparar chorumes e decocções! É também uma vigorosa planta perene tapizante que pode ser muito ornamental. E a variedade 'Sky Blue Pink' é a prova disso. De abril a junho, exibe flores brancas e azuis, lavadas de rosa, sobre uma folhagem persistente. Quase indestrutível, esta planta suporta condições difíceis e cresce perfeitamente bem à sombra seca.

    Consolda-russa - Symphytum Sky Blue Pink

    O Epimedium Sphinx Twinkler

    Flores de extrema delicadeza, folhagem colorida: este epimédio, ou «Flor dos Elfos», tem tudo para agradar. Rizomatoso e tapizante, constitui uma excelente cobertura do solo persistente para a sombra e a meia-sombra. Na primavera, em abril-maio, desdobra as suas delicadas flores amarelo-enxofre, suspensas em graciosas hastes. É um encanto, mas não se deixe enganar pelas aparências: trata-se de uma planta verdadeiramente resistente, que coabita perfeitamente com as raízes de árvores e arbustos.

    Epimédio - Epimedium Sphinx Twinkler

    O Ajuga Chocolate Chip

    Cobertura vegetal de eficácia notável, esta búgula produz pequenas folhas estreitas de cor chocolate, da primavera ao inverno. Em maio-junho, erguem-se curtas espigas de um azul-lavanda intenso e marcante. Planta-se a meia-sombra em solo de preferência fresco e revela uma bela resistência. Este ajuga é uma planta ornamental, mas pode revelar-se muito útil para substituir relva em pequenas superfícies ou para preencher os largos interstícios de uma pavimentação.

    Búgula - Ajuga tenorii Chocolate Chip (Valfredda)

    O outono é uma estação particularmente colorida no jardim, mas os tons flamejantes não duram infelizmente muito tempo. Em breve, os jardins adormecem e estaremos todos, a partir de março, à espreita das primeiras floradas primaverais… desde que tenhamos sido suficientemente previdentes e plantado a tempo! Para desfrutar das primeiras flores da primavera no jardim, […]

    Talvez já se tenha apercebido, mas, na primavera passada, os artigos tornaram-se mais escassos no blogue… É que vivemos o que chamamos, pudicamente, "um período de crescimento acelerado", o que significa que esteve quente, muito quente mesmo! Para ser completamente honesto, tivemos a impressão de que todos os jardineiros de Portugal e arredores se tinham combinado para encomendar freneticamente. Desnecessário dizer que toda a gente estava a postos e que até o chefe preparava as encomendas. Por efeito dominó, os que estavam, como eu, um pouco "escondidos" atrás das suas fichas de conselhos, viram-se a responder aos e-mails dos jardineiros preocupados, ou mesmo desesperados, perante as suas plantas a morrer. Esta experiência, por vezes difícil, foi rica em ensinamentos, pois posso afirmá-lo: sei agora como os nossos clientes matam as suas plantas nos jardins!

    Eis, concretamente, como o fazem!

    1) Usam terra de urze, pura, de preferência.

    Usar terra de urze parte, concordamos, de uma boa intenção: a de fornecer um substrato adaptado às plantas ditas acidófilas (como os bordos japoneses, os rododendros, as hortênsias...), que precisam de um solo de tendência ácida (pH entre 4 e 6,5) para se desenvolverem bem. É também uma abordagem lógica, pois na expressão "plantas de terra de urze" está "terra de urze". E se a loja do bairro a vende, é porque é para usar! Pois bem, surpreendentemente, não é bem assim, pois a terra de urze é um substrato que parece ter sido inventado para matar plantas.

    Com efeito, a terra de urze, que contém uma proporção importante de turfa loira, é certamente ácida, mas é também muito pobre em elementos nutritivos. Por outro lado, quando encharcada, retém frequentemente demasiada humidade, e quando está seca, é quase impossível reidratá-la: a água escorrega por cima mas já não penetra até ao coração da planta. O resultado é que é impossível regar corretamente uma planta em terra de urze pura. E, pior ainda, a planta que conseguir sobreviver vegetará e acabará por morrer por falta de elementos nutritivos suficientes!

    Para saber tudo sobre a plantação de arbustos de terra de urze, descubra o artigo de Michael:

    2) Regam todos os dias, um pouco… ou todos os dias, muito… ou então, nunca.

    80 % dos problemas de pega são devidos a um excesso ou a uma falta de rega.

    O problema é que uma planta com rega excessiva apresenta praticamente os mesmos sinais que uma planta com rega insuficiente: folhagem pendente que seca e acaba por cair. Perante estes sintomas, o primeiro reflexo dos jardineiros ainda pouco experientes é regar novamente, com mais frequência e em maior quantidade… até que a planta acabe por morrer, ou quase. Os que não regam geralmente não se manifestam: apercebem-se muitas vezes do seu descuido quando já é verdadeiramente tarde demais e nenhuma medida de recuperação é possível. A dizer a verdade, penso que têm um pouco de vergonha.

    O nosso conselho para regar bem é simples: para saber se a sua planta precisa de ser regada, toque na terra! Se a terra estiver húmida e o dedo sair lodoso, é porque tem água a mais — interrompa as regas. Se, pelo contrário, o dedo sair seco e sem terra, regue, está demasiado seca! O ideal é manter um solo sempre fresco e macio, onde o dedo saia ligeiramente húmido com um pouco de terra colada. E quanto mais calor e seca houver, mais importa não regar mais, mas verificar a humidade ao pé da planta. Tenha também em conta as necessidades das suas plantas: um pé de alfazema não precisa de um solo sempre húmido, já os petasites, plantados em solo normal, sim.

    3) Instalam plantas sensíveis ao frio… onde gela, muito e com frequência.

    A noção de rusticidade dá por vezes lugar a interpretações muito pessoais, a roçar o fantástico. Para grande parte dos jardineiros, uma planta rústica é uma planta resistente (um pouco como os móveis dos nossos avós… até aqui tudo bem) capaz de suportar o frio mais severo, em qualquer lado (é aqui que as coisas começam a correr mal). Com efeito, existem vários graus de rusticidade e uma planta não reagirá da mesma forma em todos os jardins… pois a sua idade, a exposição, a natureza do solo e a drenagem têm igualmente a sua importância.

    Acontece, portanto, frequentemente que jardineiros otimistas que vivem em climas rigorosos concretizam os seus sonhos de jardim exótico com grande recurso a limpa-garrafas, Musa basjoo ou ruibarbo-gigante… Geralmente, contactam-nos na primavera para nos informar que a planta não pegou. E, inevitavelmente, não podemos fazer nada!

    Para evitar este tipo de contratempo, leia atentamente as informações das fichas das plantas: a rusticidade está claramente indicada! E para saber tudo sobre as plantas rústicas e a noção de rusticidade, não hesite em consultar o nosso dossier completo:

    planta rústica e rusticidade

    4) Em vaso e floreira, usam terra de jardim e contam com o céu para regar.

    Às vezes resulta. Muitas vezes, não resulta.

    Cultivar plantas em vaso pode parecer mais simples. Na prática, não é bem assim. Não só são necessários recipientes adequados, como é preciso, sobretudo, um substrato de qualidade.

    O que há de melhor, então, do que a terra do jardim? Com efeito, quando é rica e leve, resulta. Quando é pesada, um pouco asfixiante ou pedregosa e, portanto, muito drenante, é uma história bem diferente. Em vaso, as plantas têm de se contentar com pouco: um volume de terra reduzido e a água que se lhes queira dar, através das regas. Por outro lado, o seu sistema radicular está forçosamente um pouco condicionado. Estas plantas são, por isso, mais sensíveis a eventuais carências de nutrientes e de água. Para ter belas plantas em vaso, a qualidade do substrato é, pois, fundamental! Em vez de ir escavar não se sabe onde para florear a sua varanda ou terraço, invista num substrato de qualidade, nutritivo e com boa retenção de humidade. Se possível, opte pelas gamas de qualidade profissional (como Klasmann) e use-o puro, sem tentar fazer misturas improváveis do tipo: a terra do jardim da tia Brigitte + a areia da obra do lado + o velho substrato de gerânio da vizinha do andar de baixo.

    Para saber tudo sobre os diferentes tipos de substrato e a sua utilização, descubra a nossa ficha de conselhos:

    Quanto à rega, não conte com a água que cai do céu. Mesmo que inunde o seu jardim, há poucas hipóteses de ser suficiente para assegurar as necessidades essenciais das suas plantas em vaso. Porquê? Porque, muitas vezes, as folhas formam uma barreira que impede a água da chuva de penetrar até à terra e, além disso, os vasos, ao contrário do solo do jardim, não conservam a humidade por muito tempo. As plantas em vaso devem, portanto, ser regadas, sem excessos, mas assim que precisarem (cf. ponto anterior) e, sobretudo, durante todo o ano, mesmo no inverno, após uma geada severa ou se o tempo estiver seco.

    5) Plantam a toda a pressa (e mal), num solo compacto como betão ou, pelo contrário, demasiado trabalhado e fertilizado.

    Confiamos nos nossos clientes, mas, como conhecemos bem as nossas plantas, alguns insucessos deixam-nos perplexos. Para nos certificarmos, pedimos uma fotografia da planta a morrer, no local. Desnecessário dizer que temos uma coleção de imagens que nos permitiria abrir um verdadeiro pequeno museu dos horrores do jardim: plantas perenes instaladas num solo compacto, visivelmente duro como betão, plantas de sub-bosque num solo pedregoso, arbustos plantados no relvado para os quais se cavou apenas um buraco do tamanho do vaso…

    Em contrapartida, alguns esforçam-se muito e fertilizam com grandes carradas de estrume, por vezes fresco. O inferno está cheio de boas intenções.

    Relembremos de uma vez por todas: à exceção de algumas hortícolas muito exigentes como as abóboras, as plantas não precisam de tais adições. E quando uma planta aprecia solos ricos, fala-se de terra humífera… rica em húmus que resulta da lenta decomposição de um composto equilibrado, de uma boa cobertura de folhas ou de resíduos verdes… mas, em caso algum, de fertilizações bruscas ou demasiado ricas em azoto que, pelo contrário, as fragilizam ao fazê-las crescer demasiado depressa ou, no pior dos casos, queimam as suas raízes.

    As plantas, para se desenvolverem bem, precisam de um ambiente acolhedor: terra, mais ou menos rica (mas nunca demasiado), no mínimo bem descompactada. É preciso cavar um buraco confortável, suficientemente largo, onde possam estender as raízes. Pense, a este propósito, em desfazer ligeiramente o sistema radicular fino antes de plantar. Este gesto simples permitirá às radículas entrar em contato com a terra de acolhimento. Atenção também à concorrência: se se aconselha plantar em solo sem ervas daninhas, não é apenas para o fazer suar, é para permitir que as suas recém-chegadas ganhem forças antes de terem de conquistar o seu lugar num meio, por vezes hostil, que é o jardim!

    E se acha que é mesmo difícil falhar a plantação das suas perenes, não hesite em aprender com alguns exemplos!

    6) Plantam rododendros em solo calcário, agaves em solo húmido…

    Lá se sabe porquê, mas os assassinos de plantas reincidentes têm todos um ponto em comum: sonham com o que não podem cultivar em casa, como hortênsias em solo calcário, ruibarbo-gigante ou um salgueiro-de-camarão em solo seco, agaves em solo húmido. O problema é que passam à ação e plantam na mesma (acrescentando por vezes terra de urze, cf. ponto 1…). Inevitavelmente, na melhor das hipóteses, a planta vai vegetando enquanto luta como pode contra a clorose ou o apodrecimento radicular, na pior, morre. É geralmente nesse momento que recorrem ao serviço de apoio ao cliente, a pedir substituição (acredite, é mesmo assim!).

    Errare humanum est, perseverare diabolicum.

    Se um tipo de planta não se adapta ao seu solo, ao seu clima, deixe de teimar e adote "A planta certa no lugar certo" como mantra!

    Tal como para a rusticidade, as informações relativas à natureza do solo necessário para cultivar as plantas constam da descrição das nossas plantas. Leia-as, tenha-as em conta ou reserve algum tempo para consultar uma obra de referência como "Toutes les plantes, pour toutes les envies et toute les situations" de Didier Willery.

    7) Ficam rendidos a uma planta perene ou a um arbusto sem saber exatamente onde instalá-los.

    Ligeira variante do ponto anterior, este erro é frequentemente cometido por jardineiros experientes cujo jardim já está cheio até não caber mais… pois eles também ficam rendidos… a uma nova variedade encantadora, a uma espécie rara ou a um amor à primeira vista numa feira de plantas. Três cliques e 48 horas depois, esses mesmos jardineiros percorrem o jardim, a recém-chegada na mão, à procura de um cantinho. É geralmente após 20 minutos de idas e vindas que acabam por encontrar alguns centímetros quadrados onde a encaixar. A caminho, terão esquecido as suas exigências e, apesar da sua experiência, terão instalado uma planta de sombra em pleno sol (ou vice-versa). A planta não morrerá forçosamente, mas a sua folhagem poderá ter um aspeto pouco animador ou não florescerá… o que nos renderá, sem dúvida, um pequeno comentário!

    Moral da história: não plantar uma planta no local certo não é apanágio dos principiantes. Os jardineiros experientes também o fazem muito bem…

    8) Plantam no dia da receção, mesmo em período de calor intenso ou frio severo… ou então esperam, muito tempo.

    As nossas plantas são entregues, durante todo o ano, em vasos ou vasinhos. Os imprevistos do tempo fazem com que cheguem por vezes num período pouco propício: frio severo, calor intenso ou terra encharcada… Nem que seja preciso pegar no pico de gelo e na lanterna de cabeça (anoitece cedo no inverno), alguns plantam na mesma. Desnecessário dizer que isso compromete a pega.

    Vendemos também plantas em repouso vegetativo (explicamos porquê neste artigo), sem qualquer sinal de vida aparente ou com apenas algumas folhinhas. Não me vou deter nos que as atiram raivosamente para o composto (são raros… e considero que fazem parte dos casos para os quais definitivamente nada se pode fazer), para me concentrar nos jardineiros ansiosos que, embora as condições sejam ideais, têm medo de plantar "coisinhas" tão pequenas no jardim e decidem deixá-las "ganhar forças". Uma vez mais, deixar crescer as plantas parte de uma boa intenção. O problema é duplo: os vasos em que as plantas são vendidas tornam-se rapidamente demasiado pequenos, os elementos nutritivos esgotam-se rapidamente e, sobretudo, as plantas em vaso precisam de regas quase diárias! Resultado: as plantas morrem. O meu conselho: não plante necessariamente logo na receção, mas plante o mais cedo possível!

    Por favor, não queiramos ouvir mais "sei que é rústica, mas vou esperar pelo fim dos Santos de Gelo para a pôr no jardim" ou "encomendo agora, sei que não é a altura, então vou guardá-la em vaso e plantar em outubro"… ou então, prometa: 1) transplantar a planta para um vaso muito maior, 2) usar um bom substrato, 3) proceder a regas regulares, sempre que necessário, até à plantação em plena terra.

    Por último, e a título de curiosidade, saiba que não, deixar plantas à espera numa garagem durante as suas férias, mesmo com a luz acesa, não é possível!

    9) Podam, sem saber nem porquê nem como, mas podam!

    Para alguns, é uma obsessão: é preciso podar. Pouco importa quando, porquê ou como, nada pode ficar saliente, então, arrasam. Se o arbusto for do tipo simpático (cárpea, buxo, madressilva-de-inverno…), as coisas correm geralmente bem. Onde a poda coloca problemas é:

    • quando se poda rente arbustos que não o suportam (como os bordos japoneses, os trovíscos, as forsítias…),
    • quando se poda na altura errada: no final do inverno para arbustos de floração primaveril ou no final da primavera para arbustos de floração estival ou outonal.

    Para ser completamente honesto, uma poda mal feita ou excessiva raramente mata uma planta, mas este massacre com a tesoura privará das florações e fará perder ao arbusto a harmonia do seu hábito natural, o que é, de certa forma, o mesmo!

    Lembre-se: a poda de um arbusto não é necessariamente indispensável. Se não sabe podar, não faça nada sem se ter informado primeiro!

    10) Angustiam-se.

    "Não se preocupe, apenas teve um pouco de calor, dê-lhe água" "Sim, vai crescer, garanto-lhe" "não, manchas brancas não é uma doença grave

    Talvez já se tenha apercebido, mas, na primavera passada, os artigos tornaram-se mais escassos no blogue… É que vivemos o que chamamos, pudicamente, “um período de crescimento acelerado”, o que significa que esteve quente, muito quente mesmo! Para ser completamente honesto, tivemos a impressão de que todos os jardineiros de Portugal e arredores se tinham […]