Ao contrário do que pensam alguns jardineiros mais pessimistas (felizmente, em minoria!), as recomendações dos organismos de proteção da natureza para não podar as sebes nem as árvores entre março e o final de julho não têm como objetivo incomodá-los. Trata-se simplesmente de uma recomendação útil, ou até indispensável, para a sobrevivência das aves e de parte da fauna dos jardins e das zonas agrícolas. A poda das sebes, sobretudo com máquinas ruidosas, destrói os ninhos e assusta as aves adultas.
É importante para as aves!
É importante para a vida das aves, pois encontram nas nossas sebes abrigo e alimento (dependendo das espécies que constituem a sebe). Mas este período de pausa na poda é sobretudo extremamente importante para permitir que as aves (melro-preto, tordo-pinto, ferreirinha-comum, pisco-de-peito-ruivo...) nidifiquem tranquilamente. Com efeito, o período de nidificação situa-se entre o início da primavera e o final do verão. Estes períodos de nidificação variam em função da espécie de ave e do clima (ou, por vezes, até do estado do tempo). Por outras palavras, não é raro que alguns casais comecem a nidificar antes de 15 de março e continuem depois do final de julho. Foi necessário encontrar um compromisso e optou-se por datas fixas (e um pouco arbitrárias), para simplificar.
As publicações sobre o tema referem-se à poda das sebes, mas o mesmo se aplica à poda das árvores, evidentemente. De qualquer forma, não é a época adequada para podar nem a árvore nem a fauna que nela vive.


O que diz a legislação?
Em França e na Bélgica, os agricultores são obrigados, através da legislação ambiental, a respeitar estas diretivas. Em França, os agricultores não podem podar as sebes com máquinas motorizadas entre 15 de março e 31 de julho, desde a publicação de um decreto datado de 24 de abril de 2015. Na região da Valónia, os agricultores são obrigados a respeitar esta diretiva entre 1 de abril e 15 de agosto, desde 2018.
Para os particulares, trata-se (por enquanto!) apenas de uma recomendação dos organismos de proteção da natureza: a LPO em França; e a Natagora (Valónia) e a Natuurpunt (Flandres) na Bélgica.
É de salientar que a região de Bruxelas também proíbe os particulares de podar as sebes entre 1 de abril e 15 de agosto.
Para obter mais informações sobre a legislação relativa a este tema em França, a LPO publicou uma ficha jurídica sobre a proteção das sebes, árvores e bosques.
Quando podar as nossas sebes neste caso?
É conveniente podar na época adequada, respeitando a planta e a fauna que nela vive. Ou seja, antes da subida da seiva das árvores e dos arbustos, no final do inverno, e depois fazer uma poda ligeira no outono: janeiro-fevereiro, fora de eventuais períodos de geada, e depois novembro-dezembro. Deve, no entanto, ter atenção aos pequenos animais que podem hibernar junto à base da sebe, como o rato-dos-pomares ou o ouriço-cacheiro.
Num jardim que respeite a biodiversidade, também pode deixar crescer naturalmente as plantas lenhosas, por exemplo numa sebe livre de tipo campestre. Em suma, deixar as sebes e as árvores tranquilas na primavera e no verão é sobretudo uma questão de bom senso e de respeito pela natureza, da qual fazemos parte.
Ao contrário do que pensam alguns jardineiros mais pessimistas (felizmente, em minoria!), as recomendações dos organismos de proteção da natureza para não podar as sebes nem as árvores entre março e o final de julho não têm como objetivo incomodá-los. Trata-se simplesmente de uma recomendação útil, ou até indispensável, para a sobrevivência das aves e […]
Hoje, estou irritado! Irritado, mas também cansado porque, nas bermas das estradas, nos parques e até nos jardins, é sempre o mesmo filme de terror que se repete: «Massacre das árvores com a moto-serra…»
Apesar das campanhas de sensibilização dos arboristas, corta-se pela base, poda-se de forma demasiado severa, elaga-se demasiado curto, decapita-se, mutila-se... por vezes arranca-se partes inteiras com uma máquina pesada... De qualquer maneira e a qualquer hora!

Poderia, eventualmente, perdoar os meus vizinhos, que certamente não estão informados. Por outro lado, tenho muito mais dificuldade quando se trata de certos profissionais, supostamente a exercer uma profissão para a qual foram formados.
Por que razão a poda severa prejudica as árvores?
Estas mutilações — não tenhamos receio das palavras — têm por efeito enfraquecer, e até matar, as árvores, provocando a podridão do lenho central e uma vulnerabilidade a ataques fúngicos e parasitários.
A estrutura da árvore fica ela própria comprometida e a produção de hormonas é "desregulada", originando novos ramos em todas as direções. Criam-se embolias que interrompem a circulação da seiva em determinados pontos.

Nota bene: este tipo de poda é igualmente prejudicial para a fauna, pois a árvore deixa de poder oferecer abrigo e alimento durante uma boa temporada, ou até mais tempo se a árvore não se recuperar. Sobretudo se a poda ocorrer em período de nidificação das aves — o que, aliás, é proibido por uma diretiva europeia! Mas, no caso das árvores-podadas tradicionais dos nossos campos (salgueiros e outras espécies), é afinal o contrário que acontece. Com efeito, a árvore assim (mal)tratada vai escavando progressivamente o seu interior, oferecendo abrigo a diversos animais (mocho-galego, chapins, pequenos mamíferos, morcegos...), alimento a insetos xilófagos, fungos e líquenes. E chegará mesmo a fornecer um substrato para a proliferação de algumas plantas. Um verdadeiro mini-ecossistema!
É necessário podar as árvores?
"Quando e como devo podar?" Eis a eterna questão colocada por muitos jardineiros aquando da plantação de uma árvore.
Mas a verdadeira questão não será antes: "Devo podar?"
Sem cair no antropomorfismo, uma árvore é um ser vivo e cortar-lhe pedaços claramente não lhe faz bem. Bem, tudo depende do pedaço... Um raminho aqui, outro ali: tudo bem. Cortar-lhe um ramo com o diâmetro de um gasoduto ou retirar-lhe toda a ramagem: aí os estragos são certos, pois fica a porta aberta a um desenvolvimento anárquico e às mais diversas doenças fúngicas.

Assim, a resposta à questão é sim… e não. Uma árvore não precisa de nós para viver. Trata muito bem dos seus assuntos desde muito antes de Homo sapiens se ter tornado esta espécie invasiva e nefasta.
Mas...
A poda, uma ajuda para a árvore
No entanto, a poda, quando feita com respeito pela árvore e no momento certo, apresenta de facto vantagens não negligenciáveis:
- Sanitárias, antes de tudo: retirar a madeira morta e os ramos danificados, aligeirar a ramagem... A árvore ficará menos exposta a eventuais doenças e melhor arejada. A remoção da madeira morta traz também um benefício em termos de segurança. Se a árvore margina uma estrada movimentada ou passa por cima de uma escola, por exemplo, convém evitar a queda intempestiva de ramos.
- Estéticas: equilibrar a ramagem, retirar os ramos mais baixos... Na sua juventude, as árvores têm por vezes um crescimento "anárquico" (pelo menos aos nossos olhos!); uma poda permite orientar um pouco esse crescimento para lhe conferir rapidamente um "aspeto de árvore".
- Volumétricas: reduzir o volume e o porte que uma árvore pode atingir quando bem desenvolvida. Há que pensar sempre no tamanho adulto de um vegetal no momento em que se planta. Além disso, existem cada vez mais variedades anãs que permitem não ter de cortar brutalmente uma bela árvore para a transformar numa espécie de bonsai gigante.

Porque não experimentar a poda de transparência?
A princesa Greta Sturdza compreendeu bem tudo isso quando se lançou na ideia da poda de transparência no seu "jardim" do Vasterival.
Esta poda suave permite, além de retirar as partes mortas ou doentes, equilibrar e aligeirar a ramagem, o que confere um atrativo estético inegável, mas sobretudo deixa passar a luz e a água da chuva até às plantas do chão. Acresce que esta poda de transparência faz com que o olhar do visitante do jardim atravesse a copa tanto quanto o vento, reduzindo assim os acidentes causados pelas tempestades.

Se esta poda lhe interessa, aconselhamos a visitar o resultado in loco no jardim do Vasterival na Normandia e a ler o livro de Dominique Cousin: "La taille en transparence" nas edições Ulmer.
O melhor podador é o vento...
(Autor anónimo)
A título de epílogo...
Como já deve ter percebido, a poda das árvores é por vezes necessária, sem dúvida, mas exige compreender como cresce uma árvore e o que lhe convém melhor para que possa sobreviver-nos e prosperar durante longos anos.
Evitemos, tanto quanto possível, os traumatismos nas nossas queridas árvores, cortando apenas raramente, sempre com discernimento e com boas ferramentas. E sejamos também calmos e ponderados na ação: "Na dúvida, não intervenhas ou… volta noutro dia". Afinal, esse ramo talvez não fosse assim tão problemático...
Por fim, se tiver dúvidas, recorra a um profissional. A um bom! Com efeito, os tempos mudam (devagar…) e as pessoas também (um pouco). Cada vez mais podadores praticam a poda suave e refletem sobre a melhor forma de manter as árvores em bom estado sanitário, intervindo apenas quando é absolutamente necessário. Não hesite em recorrer aos seus serviços!
Para ir mais longe...
Se não considera as árvores como objetos inanimados que crescem a atravancar o seu caminho, não podemos deixar de recomendar estas leituras enriquecedoras, caso ainda não as tenha feito:
Hoje, estou irritado! Irritado, mas também cansado porque, nas bermas das estradas, nos parques e até nos jardins, é sempre o mesmo filme de terror que se repete: «Massacre das árvores com a moto-serra…» Apesar das campanhas de sensibilização dos arboristas, corta-se pela base, poda-se de forma demasiado severa, elaga-se demasiado curto, decapita-se, mutila-se… por […]
Talvez já se tenha apercebido, mas, na primavera passada, os artigos tornaram-se mais escassos no blogue… É que vivemos o que chamamos, pudicamente, "um período de crescimento acelerado", o que significa que esteve quente, muito quente mesmo! Para ser completamente honesto, tivemos a impressão de que todos os jardineiros de Portugal e arredores se tinham combinado para encomendar freneticamente. Desnecessário dizer que toda a gente estava a postos e que até o chefe preparava as encomendas. Por efeito dominó, os que estavam, como eu, um pouco "escondidos" atrás das suas fichas de conselhos, viram-se a responder aos e-mails dos jardineiros preocupados, ou mesmo desesperados, perante as suas plantas a morrer. Esta experiência, por vezes difícil, foi rica em ensinamentos, pois posso afirmá-lo: sei agora como os nossos clientes matam as suas plantas nos jardins!
Eis, concretamente, como o fazem!
1) Usam terra de urze, pura, de preferência.
Usar terra de urze parte, concordamos, de uma boa intenção: a de fornecer um substrato adaptado às plantas ditas acidófilas (como os bordos japoneses, os rododendros, as hortênsias...), que precisam de um solo de tendência ácida (pH entre 4 e 6,5) para se desenvolverem bem. É também uma abordagem lógica, pois na expressão "plantas de terra de urze" está "terra de urze". E se a loja do bairro a vende, é porque é para usar! Pois bem, surpreendentemente, não é bem assim, pois a terra de urze é um substrato que parece ter sido inventado para matar plantas.
Com efeito, a terra de urze, que contém uma proporção importante de turfa loira, é certamente ácida, mas é também muito pobre em elementos nutritivos. Por outro lado, quando encharcada, retém frequentemente demasiada humidade, e quando está seca, é quase impossível reidratá-la: a água escorrega por cima mas já não penetra até ao coração da planta. O resultado é que é impossível regar corretamente uma planta em terra de urze pura. E, pior ainda, a planta que conseguir sobreviver vegetará e acabará por morrer por falta de elementos nutritivos suficientes!
Para saber tudo sobre a plantação de arbustos de terra de urze, descubra o artigo de Michael:
2) Regam todos os dias, um pouco… ou todos os dias, muito… ou então, nunca.
80 % dos problemas de pega são devidos a um excesso ou a uma falta de rega.
O problema é que uma planta com rega excessiva apresenta praticamente os mesmos sinais que uma planta com rega insuficiente: folhagem pendente que seca e acaba por cair. Perante estes sintomas, o primeiro reflexo dos jardineiros ainda pouco experientes é regar novamente, com mais frequência e em maior quantidade… até que a planta acabe por morrer, ou quase. Os que não regam geralmente não se manifestam: apercebem-se muitas vezes do seu descuido quando já é verdadeiramente tarde demais e nenhuma medida de recuperação é possível. A dizer a verdade, penso que têm um pouco de vergonha.
O nosso conselho para regar bem é simples: para saber se a sua planta precisa de ser regada, toque na terra! Se a terra estiver húmida e o dedo sair lodoso, é porque tem água a mais — interrompa as regas. Se, pelo contrário, o dedo sair seco e sem terra, regue, está demasiado seca! O ideal é manter um solo sempre fresco e macio, onde o dedo saia ligeiramente húmido com um pouco de terra colada. E quanto mais calor e seca houver, mais importa não regar mais, mas verificar a humidade ao pé da planta. Tenha também em conta as necessidades das suas plantas: um pé de alfazema não precisa de um solo sempre húmido, já os petasites, plantados em solo normal, sim.

3) Instalam plantas sensíveis ao frio… onde gela, muito e com frequência.
A noção de rusticidade dá por vezes lugar a interpretações muito pessoais, a roçar o fantástico. Para grande parte dos jardineiros, uma planta rústica é uma planta resistente (um pouco como os móveis dos nossos avós… até aqui tudo bem) capaz de suportar o frio mais severo, em qualquer lado (é aqui que as coisas começam a correr mal). Com efeito, existem vários graus de rusticidade e uma planta não reagirá da mesma forma em todos os jardins… pois a sua idade, a exposição, a natureza do solo e a drenagem têm igualmente a sua importância.
Acontece, portanto, frequentemente que jardineiros otimistas que vivem em climas rigorosos concretizam os seus sonhos de jardim exótico com grande recurso a limpa-garrafas, Musa basjoo ou ruibarbo-gigante… Geralmente, contactam-nos na primavera para nos informar que a planta não pegou. E, inevitavelmente, não podemos fazer nada!
Para evitar este tipo de contratempo, leia atentamente as informações das fichas das plantas: a rusticidade está claramente indicada! E para saber tudo sobre as plantas rústicas e a noção de rusticidade, não hesite em consultar o nosso dossier completo:
4) Em vaso e floreira, usam terra de jardim e contam com o céu para regar.
Às vezes resulta. Muitas vezes, não resulta.
Cultivar plantas em vaso pode parecer mais simples. Na prática, não é bem assim. Não só são necessários recipientes adequados, como é preciso, sobretudo, um substrato de qualidade.
O que há de melhor, então, do que a terra do jardim? Com efeito, quando é rica e leve, resulta. Quando é pesada, um pouco asfixiante ou pedregosa e, portanto, muito drenante, é uma história bem diferente. Em vaso, as plantas têm de se contentar com pouco: um volume de terra reduzido e a água que se lhes queira dar, através das regas. Por outro lado, o seu sistema radicular está forçosamente um pouco condicionado. Estas plantas são, por isso, mais sensíveis a eventuais carências de nutrientes e de água. Para ter belas plantas em vaso, a qualidade do substrato é, pois, fundamental! Em vez de ir escavar não se sabe onde para florear a sua varanda ou terraço, invista num substrato de qualidade, nutritivo e com boa retenção de humidade. Se possível, opte pelas gamas de qualidade profissional (como Klasmann) e use-o puro, sem tentar fazer misturas improváveis do tipo: a terra do jardim da tia Brigitte + a areia da obra do lado + o velho substrato de gerânio da vizinha do andar de baixo.
Para saber tudo sobre os diferentes tipos de substrato e a sua utilização, descubra a nossa ficha de conselhos:
Quanto à rega, não conte com a água que cai do céu. Mesmo que inunde o seu jardim, há poucas hipóteses de ser suficiente para assegurar as necessidades essenciais das suas plantas em vaso. Porquê? Porque, muitas vezes, as folhas formam uma barreira que impede a água da chuva de penetrar até à terra e, além disso, os vasos, ao contrário do solo do jardim, não conservam a humidade por muito tempo. As plantas em vaso devem, portanto, ser regadas, sem excessos, mas assim que precisarem (cf. ponto anterior) e, sobretudo, durante todo o ano, mesmo no inverno, após uma geada severa ou se o tempo estiver seco.
5) Plantam a toda a pressa (e mal), num solo compacto como betão ou, pelo contrário, demasiado trabalhado e fertilizado.
Confiamos nos nossos clientes, mas, como conhecemos bem as nossas plantas, alguns insucessos deixam-nos perplexos. Para nos certificarmos, pedimos uma fotografia da planta a morrer, no local. Desnecessário dizer que temos uma coleção de imagens que nos permitiria abrir um verdadeiro pequeno museu dos horrores do jardim: plantas perenes instaladas num solo compacto, visivelmente duro como betão, plantas de sub-bosque num solo pedregoso, arbustos plantados no relvado para os quais se cavou apenas um buraco do tamanho do vaso…
Em contrapartida, alguns esforçam-se muito e fertilizam com grandes carradas de estrume, por vezes fresco. O inferno está cheio de boas intenções.
Relembremos de uma vez por todas: à exceção de algumas hortícolas muito exigentes como as abóboras, as plantas não precisam de tais adições. E quando uma planta aprecia solos ricos, fala-se de terra humífera… rica em húmus que resulta da lenta decomposição de um composto equilibrado, de uma boa cobertura de folhas ou de resíduos verdes… mas, em caso algum, de fertilizações bruscas ou demasiado ricas em azoto que, pelo contrário, as fragilizam ao fazê-las crescer demasiado depressa ou, no pior dos casos, queimam as suas raízes.
As plantas, para se desenvolverem bem, precisam de um ambiente acolhedor: terra, mais ou menos rica (mas nunca demasiado), no mínimo bem descompactada. É preciso cavar um buraco confortável, suficientemente largo, onde possam estender as raízes. Pense, a este propósito, em desfazer ligeiramente o sistema radicular fino antes de plantar. Este gesto simples permitirá às radículas entrar em contato com a terra de acolhimento. Atenção também à concorrência: se se aconselha plantar em solo sem ervas daninhas, não é apenas para o fazer suar, é para permitir que as suas recém-chegadas ganhem forças antes de terem de conquistar o seu lugar num meio, por vezes hostil, que é o jardim!
E se acha que é mesmo difícil falhar a plantação das suas perenes, não hesite em aprender com alguns exemplos!
6) Plantam rododendros em solo calcário, agaves em solo húmido…
Lá se sabe porquê, mas os assassinos de plantas reincidentes têm todos um ponto em comum: sonham com o que não podem cultivar em casa, como hortênsias em solo calcário, ruibarbo-gigante ou um salgueiro-de-camarão em solo seco, agaves em solo húmido. O problema é que passam à ação e plantam na mesma (acrescentando por vezes terra de urze, cf. ponto 1…). Inevitavelmente, na melhor das hipóteses, a planta vai vegetando enquanto luta como pode contra a clorose ou o apodrecimento radicular, na pior, morre. É geralmente nesse momento que recorrem ao serviço de apoio ao cliente, a pedir substituição (acredite, é mesmo assim!).
Errare humanum est, perseverare diabolicum.
Se um tipo de planta não se adapta ao seu solo, ao seu clima, deixe de teimar e adote "A planta certa no lugar certo" como mantra!
Tal como para a rusticidade, as informações relativas à natureza do solo necessário para cultivar as plantas constam da descrição das nossas plantas. Leia-as, tenha-as em conta ou reserve algum tempo para consultar uma obra de referência como "Toutes les plantes, pour toutes les envies et toute les situations" de Didier Willery.
7) Ficam rendidos a uma planta perene ou a um arbusto sem saber exatamente onde instalá-los.
Ligeira variante do ponto anterior, este erro é frequentemente cometido por jardineiros experientes cujo jardim já está cheio até não caber mais… pois eles também ficam rendidos… a uma nova variedade encantadora, a uma espécie rara ou a um amor à primeira vista numa feira de plantas. Três cliques e 48 horas depois, esses mesmos jardineiros percorrem o jardim, a recém-chegada na mão, à procura de um cantinho. É geralmente após 20 minutos de idas e vindas que acabam por encontrar alguns centímetros quadrados onde a encaixar. A caminho, terão esquecido as suas exigências e, apesar da sua experiência, terão instalado uma planta de sombra em pleno sol (ou vice-versa). A planta não morrerá forçosamente, mas a sua folhagem poderá ter um aspeto pouco animador ou não florescerá… o que nos renderá, sem dúvida, um pequeno comentário!
Moral da história: não plantar uma planta no local certo não é apanágio dos principiantes. Os jardineiros experientes também o fazem muito bem…
8) Plantam no dia da receção, mesmo em período de calor intenso ou frio severo… ou então esperam, muito tempo.
As nossas plantas são entregues, durante todo o ano, em vasos ou vasinhos. Os imprevistos do tempo fazem com que cheguem por vezes num período pouco propício: frio severo, calor intenso ou terra encharcada… Nem que seja preciso pegar no pico de gelo e na lanterna de cabeça (anoitece cedo no inverno), alguns plantam na mesma. Desnecessário dizer que isso compromete a pega.
Vendemos também plantas em repouso vegetativo (explicamos porquê neste artigo), sem qualquer sinal de vida aparente ou com apenas algumas folhinhas. Não me vou deter nos que as atiram raivosamente para o composto (são raros… e considero que fazem parte dos casos para os quais definitivamente nada se pode fazer), para me concentrar nos jardineiros ansiosos que, embora as condições sejam ideais, têm medo de plantar "coisinhas" tão pequenas no jardim e decidem deixá-las "ganhar forças". Uma vez mais, deixar crescer as plantas parte de uma boa intenção. O problema é duplo: os vasos em que as plantas são vendidas tornam-se rapidamente demasiado pequenos, os elementos nutritivos esgotam-se rapidamente e, sobretudo, as plantas em vaso precisam de regas quase diárias! Resultado: as plantas morrem. O meu conselho: não plante necessariamente logo na receção, mas plante o mais cedo possível!
Por favor, não queiramos ouvir mais "sei que é rústica, mas vou esperar pelo fim dos Santos de Gelo para a pôr no jardim" ou "encomendo agora, sei que não é a altura, então vou guardá-la em vaso e plantar em outubro"… ou então, prometa: 1) transplantar a planta para um vaso muito maior, 2) usar um bom substrato, 3) proceder a regas regulares, sempre que necessário, até à plantação em plena terra.
Por último, e a título de curiosidade, saiba que não, deixar plantas à espera numa garagem durante as suas férias, mesmo com a luz acesa, não é possível!
9) Podam, sem saber nem porquê nem como, mas podam!
Para alguns, é uma obsessão: é preciso podar. Pouco importa quando, porquê ou como, nada pode ficar saliente, então, arrasam. Se o arbusto for do tipo simpático (cárpea, buxo, madressilva-de-inverno…), as coisas correm geralmente bem. Onde a poda coloca problemas é:
- quando se poda rente arbustos que não o suportam (como os bordos japoneses, os trovíscos, as forsítias…),
- quando se poda na altura errada: no final do inverno para arbustos de floração primaveril ou no final da primavera para arbustos de floração estival ou outonal.
Para ser completamente honesto, uma poda mal feita ou excessiva raramente mata uma planta, mas este massacre com a tesoura privará das florações e fará perder ao arbusto a harmonia do seu hábito natural, o que é, de certa forma, o mesmo!
Lembre-se: a poda de um arbusto não é necessariamente indispensável. Se não sabe podar, não faça nada sem se ter informado primeiro!

10) Angustiam-se.
"Não se preocupe, apenas teve um pouco de calor, dê-lhe água" "Sim, vai crescer, garanto-lhe" "não, manchas brancas não é uma doença grave
Talvez já se tenha apercebido, mas, na primavera passada, os artigos tornaram-se mais escassos no blogue… É que vivemos o que chamamos, pudicamente, “um período de crescimento acelerado”, o que significa que esteve quente, muito quente mesmo! Para ser completamente honesto, tivemos a impressão de que todos os jardineiros de Portugal e arredores se tinham […]
A poda das roseiras levanta muitas dúvidas. No entanto, não é preciso ser um jardineiro muito experiente para a praticar — não tem nada de complicado. Sou uma adepta do desapego e do jardinagem sem stress, acredite, conheço bem o assunto!
Recordemos antes de mais que a poda principal das roseiras faz-se no final do inverno ou no início da primavera. Não é portanto essa que nos interessa hoje. Falemos antes da pequena poda de outono, pouco praticada por não ser verdadeiramente indispensável, mas que ainda assim simplifica a vida do jardineiro na primavera. Como essa época já é bastante preenchida, vale a pena não abdicar dela!
Esta poda de outono consiste simplesmente numa pré-poda de limpeza antes da poda de primavera, um pouco mais severa.
Diga-se desde já que esta nobre tarefa não é recomendada nas regiões muito frias, assim como as regiões de inverno ameno podem perfeitamente prescindir dela.
Saiba também que os adeptos se dividem em dois grupos principais: os que podam agora, em novembro, logo após as primeiras geadas de outono, quando as roseiras perderam as últimas folhas e entram em repouso vegetativo. E os outros, que podam no início do inverno.
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OS QUE PRATICAM A PODA DE OUTONO
Não esperam e entram diretamente no assunto, recomendando podar um terço de cada ramo em novembro.
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OS QUE PRATICAM A PODA DE NATAL
São os mais táticos, preferem esperar e aproveitar as festas de Natal antes de se lançarem de cabeça no jardim. Neste caso, convém podar entre o Natal e o final de janeiro. Estrategas refinados, planeiam podar apenas a 4 ou 5 gomos em vez de 2 ou 3, para que, caso uma geada intensa cause estragos, possam podar novamente um pouco mais curto.
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EM AMBOS OS CASOS, COMO PROCEDER?
Escolha uma das duas formas anteriores e aproveite para retirar a madeira morta e os ramos partidos ou danificados pelas intempéries ou pelo atrito, verdadeiras portas abertas às doenças. Corte o mais rente possível, assim a roseira fica mais limpa e mais arejada.
Não se esqueça também de apanhar as folhas caídas no chão, sobretudo se apresentarem manchas negras ou oídio.
Vantagens:
- Evita a quebra de ramos em jardins muito ventosos ou com neve
- O trabalho de poda na primavera fica aliviado
- A floração é mais precoce
- Há menos perda de seiva
Inconvenientes:
- Esta abordagem deve ser evitada em regiões muito frias
Lembre-se de que os cortes se fazem sempre alguns milímetros acima de um gomo. São feitos em bisel, para que a água não estagne sobre o corte (o que favorece o aparecimento de doenças), e inclinados no sentido contrário ao do rebento, para que a água não escorra sobre ele.
Por fim, em todos os casos, adapte o período de poda em função do seu clima!
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OS QUE PRATICAM A ARTE DO DEIXAR ANDAR
Evidentemente, também pode não fazer nada, mas fazê-lo bem… É como preferir!
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O CASO DAS ROSEIRAS NÃO REFLORENTES
Trata-se do caso particular desta antiga família de roseiras, refiro-me às roseiras não reflorentes, que se podam logo após a sua única floração. Para isso, basta suprimir todos os ramos que já floresceram, a madeira velha e a madeira morta. Não podia ser mais simples!
E a si, a que grupo pertence?
Para saber mais, consulte a nossa ficha de conselhos: a poda das roseiras e os conselhos em vídeo do Michael para podar as roseiras antigas mas também para podar as roseiras modernas.
A poda das roseiras levanta muitas dúvidas. No entanto, não é preciso ser um jardineiro muito experiente para a praticar — não tem nada de complicado. Sou uma adepta do desapego e do jardinagem sem stress, acredite, conheço bem o assunto! Recordemos antes de mais que a poda principal das roseiras faz-se no final do […]
Hoje começou o famoso “Flower Show” de Chelsea, em Inglaterra. Este festival das plantas e dos jardins, que se realiza todos os anos por esta altura, deu também nome a uma técnica de poda em verde das perenes que se pratica em meados a finais de maio e que os excelentes jardineiros ingleses apelidam de “Chelsea Chop”. Pode aplicar-se a muitas perenes de floração de verão ou outonais que ramificam, como os helénios, os sédums, os ásteres, os girassóis (Helianthus), e até os floxes paniculata ou as sálvias-russas!
Esta poda em verde das perenes tem 2 grandes vantagens:
- As plantas podadas ficam mais atarracadas e mais ramificadas, resistem melhor à chuva e ao vento (e não, infelizmente, isto não se aplica apenas ao clima inglês... também aqui no Norte!) : isso evita que se deitem sobre as vizinhas quando carregadas de flores, e pode limitar ou substituir a necessidade de estacagem das perenes altas.
- A floração das plantas cortadas é mais tardia, por isso esta técnica permite escalonar e prolongar as florações ao nível de uma planta ou de um maciço. Podes perfeitamente podar apenas metade de uma planta ou cortar um rebento em dois: a floração será então prolongada porque os rebentos podados florescerão depois dos não podados. Num grande maciço onde as perenes estão agrupadas por variedade, também podes decidir podar apenas alguns exemplares, que florescerão depois das plantas não podadas. Assim prolongas o efeito decorativo global: é uma técnica muito útil em jardins médios e pequenos como o meu, onde cada planta tem de “merecer o seu lugar” e em que as plantas de longa floração são muito procuradas.
Como realizar o "Chelsea Chop" ?
Não podia ser mais simples! Basta percorrer agora o teu jardim para identificar as perenes de floração de verão (a partir de julho) e outonais (até outubro) e reduzi-las em cerca de um terço da sua altura. Podes mesmo reduzir a vegetação de algumas plantas até metade para obter plantas compactas, sobretudo nos primeiros planos dos maciços. Usa uma tesoura de poda bem afiada para fazer uma bonita poda em arco nas touceiras de perenes de folhagem fina (ásteres, helénios) ou um podão se optares por cortar apenas um rebento em dois. Para as perenes de folhas maiores, como os sédums altos, privilegia um beliscar rebento a rebento com o podão para um trabalho mais limpo.
Não é o caso este ano, mas quando a primavera é seca, uma boa rega depois da poda será benéfica às perenes podadas. Muito rapidamente, os rebentos situados na axila das folhas imediatamente abaixo da ferida de corte vão dar origem a 2, 3, 5, 7... novos rebentos um pouco mais finos, mas ainda bem firmes, que se terminarão numa multiplicidade de flores algumas semanas depois! Por fim, se quiseres atrasar ainda mais a floração de uma planta, podes repetir a operação uma ou várias vezes até 6–8 semanas antes do período de floração “natural”.


Por fim, descobre esta técnica em vídeo com o Olivier : Le Chelsea Chop.
Hoje começou o famoso “Flower Show” de Chelsea, em Inglaterra. Este festival das plantas e dos jardins, que se realiza todos os anos por esta altura, deu também nome a uma técnica de poda em verde das perenes que se pratica em meados a finais de maio e que os excelentes jardineiros ingleses apelidam de […]
Ainda estás a tempo de podar as tuas roseiras, mas não deves demorar: realiza, nos próximos dias, esta operação indispensável ao seu bom florescimento.
Em todos os casos, deves:
1- Cortar os ramos em altura
2- Eliminar a madeira morta e arejar o centro
3- Adicionar estrume ou um adubo para roseiras para nutrir o arbusto
Há, no entanto, uma diferença essencial entre roseiras antigas – variedades obtidas antes da Segunda Guerra Mundial – e roseiras modernas.
As roseiras modernas, de floração longa e muitas vezes remontantes, florescem na madeira do ano; são podadas todos os anos, de novembro a março, fora de períodos de geada, a três gemas. Michael Lebret mostra-te, em alguns gestos simples, como podar uma roseira moderna:
As roseiras antigas florescem na madeira velha; a sua floração é mais curta, mas muito densa. São podadas com menos frequência, de dois em três anos, no final do inverno.
Michael realiza e comenta a poda de uma roseira antiga:
E se queres ver todos os nossos vídeos "conselhos para o jardim", não esperes mais:
Ainda estás a tempo de podar as tuas roseiras, mas não deves demorar: realiza, nos próximos dias, esta operação indispensável ao seu bom florescimento. Em todos os casos, deves: 1- Cortar os ramos em altura 2- Eliminar a madeira morta e arejar o centro 3- Adicionar estrume ou um adubo para roseiras para nutrir o […]









