A Promesse de Fleurs propõe nada menos de 2000 variedades de sementes hortícolas: sementes clássicas, sementes bio certificadas AB, mas também variedades híbridas F1 (e até híbridos F1 biológicos!). Perante tamanha oferta, como escolher?

Para te esclarecer, proponho hoje fazer o ponto sobre estes diferentes tipos de sementes.

O que é uma semente bio?

O que distingue uma semente biológica de uma semente clássica é o modo de cultivo da planta-mãe. De facto, as sementes bio ou « AB » são provenientes de plantas cultivadas sem produtos fitossanitários (inseticidas, herbicidas químicos de síntese…). Essas sementes também não são sujeitas a qualquer tratamento após a colheita. Elas ostentam o rótulo AB de Agricultura Biológica e são certificadas pela Ecocert, um organismo de controlo e certificação independente.

Por que comprar sementes bio?

  • Os legumes provenientes de sementes bio são melhores para a saúde?

No contexto da horta, não necessariamente: os legumes provenientes de sementes bio não são obrigatoriamente melhores porque é a tua forma de conduzir a horta que determinará se tens, ou não, bons legumes e eventuais vestígios de pesticidas nas tuas colheitas. Contudo, a nível global, sim: ao comprares sementes bio apoias as práticas ecológicas da agricultura biológica e proteges o ambiente… já que o teu fornecedor não polui.

  • O caso particular das sementes NT ou não tratadas

As sementes não tratadas ou « NT » provêm de plantas cultivadas de forma convencional, não são bio: durante o cultivo, a utilização de produtos fitossanitários é permitida. O que as distingue é que não recebem qualquer tratamento após a colheita. Para tua informação, estas sementes são autorizadas na produção hortícola biológica quando as sementes biológicas estão em ruptura de stock.

Sementes biológicas, certificadas AB

sementes bio: Ferme de Sainte Marthe, Vilmorin, Sluisgarden

O que é uma semente híbrida F1? Há que as temer?

  • O que é um híbrido F1?

As variedades híbridas F1 resultam do cruzamento de progenitores seleccionados para combinar as suas qualidades. Obtêm-se assim variedades frequentemente mais precoces, produtivas e resistentes a certas doenças. As produções são também mais homogéneas, os legumes mais calibrados e com melhor conservação. As plantas obtidas podem ainda ser mais compactas e adaptadas a pequenos espaços. Quanto ao sabor, as opiniões divergem: alguns consideram-nos geralmente insípidos e outros acham-lhes melhor paladar. Mas, aqui também, a forma de cultivar influencia inevitavelmente.

Sabe também que os sementeiros realizam um trabalho de selecção e de cruzamento para propor regularmente novas variedades. Essas variedades ditas melhoradas não são obrigatoriamente híbridas F1!

  • Qual é o problema com as sementes F1?

O principal problema das sementes híbridas F1 é que, com elas, é impossível produzir as tuas próprias sementes. As qualidades não se transmitem à geração seguinte. Terás, portanto, de as comprar de novo. Para o jardineiro amador, mesmo que as sementes sejam mais caras, é um investimento rapidamente amortizado pelas colheitas… mas é um pouco mais complicado para os hortelões e agricultores que se tornam dependentes dos sementeiros.

Sementes híbridas F1

Couve-repolho Tête de Pierre, Tomate Previa e Beringela Bonica: todos híbridos F1 produtivos, resistentes e fiáveis.

E as sementes clássicas?

Ao contrário das sementes bio: as sementes clássicas são cultivadas de forma convencional. É muito, muito raro nas gamas destinadas a particulares, mas por vezes as sementes podem ter recebido um tratamento após a colheita, para afastar qualquer risco de bolor e eliminar eventuais pragas. Se for o caso, a menção do tratamento constará no pacote.

A propósito, sabe que as sementes revestidas não são tratadas, mas simplesmente cobertas com uma substância natural (à base de argila) que as torna muito mais fáceis de semear e limita a trabalheira do afinamento.

Sementes bio ou clássicas… e no que respeita às variedades antigas?

Os produtores de sementes bio são reputados por manter as variedades antigas, seleccionando-as para conservar as suas particularidades. Assim, é mais frequentemente em bio que encontrarás algumas pérolas raras, cultivadas outrora na tua região ou pelo teu avô. No entanto, não é um monopólio: os sementeiros tradicionais também propõem legumes antigos, variedades regionais ditas “de terroir”.

Variedades antigas

Espinafre monstruoso de Viroflay, Alcachofra violeta da Provença e Chicória frisada Wallonne: variedades antigas ou regionais propostas em bio e em sementes clássicas

Sem F1 na horta biológica?

Para concluir e correndo o risco de provocar alguns debates, cá em casa a Tomate Prévia convive com a Negra de Crimeia, o pepino Gynial com o inglês comprido verde... e nem falo dos girassóis coloridos! Porquê? Porque considero que na horta biológica os híbridos F1, as sementes AB e as clássicas podem perfeitamente coabitar sem que isso seja incoerente. E nem é contraditório: existe até variedades F1 biológicas, como por exemplo o Couve-de-Bruxelas Igor).

Porquê? Porque sou do género prático: a fiabilidade e a resistência dos híbridos F1 permitem cultivar sem qualquer tratamento (nem sequer uma pulverização de calda bordalesa, isso não é bio, pois não?) e obter, quase garantidamente, colheitas abundantes. Essa segurança permite experimentar sem receio variedades antigas, saborosas mas cujos resultados possam ser um pouco mais imprevisíveis. E, por outro lado, o que mais conta é sobretudo a forma de cultivar os legumes: um solo saudável, composto, uma boa cobertura morta, nada mais simples para fazer crescer os teus legumes naturalmente!

E aí em casa? Privilegias sementes clássicas, certificadas AB ou és mais F1?