O júri do Prémio Saint-Fiacre 2025 decidiu e a sua Escolha recaiu sobre 400 plantas que não encontrará no jardim dos seus vizinhos, publicado pelas edições Ulmer. O nosso simpático colega Aurélien Davroux assina aqui uma obra que responde a um desejo cada vez maior entre os jardineiros: ousar a diversidade para transformar o jardim num lugar único, pessoal, original, mas também resiliente.

Ousemos a diversidade!

Recorde-se que o Prémio Saint-Fiacre é um prémio literário atribuído por jornalistas de horticultura. Desde 1971, distingue "uma obra em língua francesa que aborde os temas do jardim, da jardinagem ou do mundo vegetal".

O livro de Aurélien Davroux, "As 400 plantas que não encontrará no jardim do seu vizinho", é uma lufada de ar fresco que convida os jardineiros a romper com a uniformidade paisagística, explorando variedades menos comuns. Optar pela diversidade é também criar um jardim mais forte: ao variar as espécies, torna-se naturalmente mais resiliente perante as doenças e as alterações climáticas. Com a sua experiência, este engenheiro hortícola propõe um guia simultaneamente inspirador e prático, incentivando à criação de jardins surpreendentes e ecologicamente mais estáveis.

Embora as 400 plantas não sejam as mais comuns, continuam a ser perfeitamente acessíveis através de viveiros especializados, transformando a sua possível aquisição numa agradável "caça ao tesouro". A obra distingue-se também pelo seu tom ligeiro e humorístico — ilustrado, nomeadamente, por um hilariante "tratado de vizinhança" — que, aliado à experiência botânica do autor, faz deste livro uma verdadeira pérola.

Algumas perguntas ao autor

Aurélien Davroux durante a apresentação do seu livro no Prémio Saint-Fiacre
Aurélien Davroux, o autor, durante o discurso na entrega dos prémios. (CP Anne Gerbeaud - crédito X. Gerbeaud)

Da génese do livro à distinção.

A atribuição da Distinção do Júri no Prémio Saint-Fiacre 2025 é um reconhecimento da qualidade desta obra na edição hortícola. Aurélien Davroux conta-nos como reagiu e como nasceu esta ideia editorial audaciosa.

Promesse de fleurs : Ficou surpreendido por ser nomeado para o Prémio Saint-Fiacre e, mais ainda, por receber a «Distinção do Júri»?

Aurélien Davroux : Sabia que o meu livro tinha sido promovido pelas edições Ulmer, mas foi, ainda assim, uma bela surpresa e, sobretudo, um enorme prazer.

Promesse de fleurs : Uma obra tão útil quanto surpreendente. Como surgiu esta ideia original?

Aurélien Davroux : No âmbito de conversas entre as edições Ulmer e a Promesse de Fleurs, surgiu uma ideia proposta por Pascal Griot, que pensou: "Porque não falar das plantas que não encontramos no jardim do vizinho?" (nota da redação: a própria essência do nosso viveiro em linha). As edições Ulmer escolheram-me então para escrever o livro e, a partir daí, tentámos definir as plantas que queríamos apresentar e a forma de as organizar em 3 grandes partes e, depois, em categorias. O livro fala de plantas surpreendentes, mas nem difíceis de encontrar nem complicadas — salvo algumas, aqui e ali: é preciso haver opções para todos, até para os mais apaixonados! Em todo o caso, é o oposto de um livro elitista. Mas também pode ser útil explicar por que razão não as vemos no jardim do vizinho: por conformismo, comodidade ou falta de conhecimento. O jardineiro comum não pode conhecer toda a botânica e todas as variedades hortícolas. Mas é possível apresentá-las. É esse o objetivo do meu livro.

O humor ao serviço da botânica

Promesse de fleurs : O livro distingue-se também pelo seu tom ligeiro. Introduzir uma pitada de humor num livro de jardinagem não é habitual. Foi uma intenção sua desde o início?

Aurélien Davroux : Muito rapidamente, ambicionei introduzir um tom descontraído. As edições Ulmer deram-me, aliás, carta branca. Toda a dificuldade estava em integrar o humor sem correr o risco de melindrar alguém ou de cair no exagero. Procurei, por isso, um fio condutor para evitar a monotonia. Ao refletir sobre o assunto, lembrei-me do "Manual do desenhador de banda desenhada" que Gotlib tinha incluído nas suas Rubriques-à-brac e que apresentava os diferentes arquétipos dos desenhadores. Isso fazia-me rir às gargalhadas! Foi por isso que, com toda a modéstia, me inspirei nessa ideia para criar o meu Tratado de Vizinhança: um carrossel de arquétipos de vizinhos (e somos todos vizinhos de alguém!). Inspirando-me nas minhas próprias experiências e nas dos meus amigos, redigi este pequeno tratado, que coloquei no início da obra, estabelecendo uma analogia entre o vizinho e o cultivo de uma planta. A minha segunda fonte de inspiração absurda vem de Terry Pratchett, autor britânico de fantasia humorística, que apreciava a ideia de acrescentar notas humorísticas no rodapé.

Por que razão este guia de plantas originais é um presente ideal?

Promesse de fleurs : Para as festas de fim de ano, pode ser um belo presente. Quais são os pontos fortes do seu livro?

Aurélien Davroux : Procura um livro sobre plantas que saia do habitual ou pretende convencer alguém renitente que não gosta de enciclopédias ? Porque não o meu livro?

Promesse de fleurs : Está a preparar uma nova obra?

Aurélien Davroux : Não por enquanto, mas estou a pensar nisso.

O Prémio Saint-Fiacre 2025

Recorde-se que o prestigiado Prémio Saint-Fiacre* 2025 adulto foi atribuído à obra As palavras da arte do jardim, de Marie-Hélène Benetière e Alain Le Toquin, publicada pelas edições Delachaux & Niestlé. Este prémio, que distingue todos os anos obras de referência, confirma o valor hortícola e pedagógico deste título. Por sua vez, O quadrado selvagem, de Anne-Hélène Dubray e Sarah Loulendo (Edições L'agrume), recebeu o Prémio Saint-Fiacre da juventude pela sua abordagem lúdica e educativa

*Atribuído pela Associação dos Jornalistas do Jardim e da Horticultura (AJJH), com o apoio da Valhor (organização interprofissional francesa da horticultura, da floricultura e da arquitetura paisagista)