É bem sabido que jardinar é bom para a saúde! O que é menos conhecido é que a jardinagem provoca um sentimento de plenitude e de bem-estar. Bem… na maior parte das vezes… Da minha parte, resmungo porque está demasiado calor, porque não tenho as ferramentas certas, porque o vizinho faz barulho… Mas provavelmente não sou o melhor exemplo a seguir!
É do conhecimento geral que praticar uma atividade ao ar livre, e que se aprecie, é benéfico tanto para o corpo como para a mente. O sol, o ar puro, a atividade física… eis as condições perfeitas para uma vida saudável e equilibrada. Mas não é tudo! Sabia que investigadores descobriram, na terra, uma bactéria que nos ajudaria a atingir o nirvana?

Mycobacterium vaccae, a bactéria do solo que estimula o seu ânimo
As Mycobacterium são bactérias com um nome pouco atraente que podem, além disso, ser responsáveis por doenças como a tuberculose, no caso do Mycobacterium tuberculis. Mas não fique por este "detalhe": algumas, como a Mycobacterium vaccae, são totalmente inofensivas e até simpáticas, uma vez que seriam mesmo capazes de nos trazer felicidade.
Para beneficiar do efeito desta bactéria, é simples: respire, toque na terra com as mãos e os pés... e também com a testa, se cair no canteiro. Estes gestos permitem a passagem desta boa bactéria para o nosso intestino. Ora, como se sabe, o intestino é o nosso segundo cérebro. A presença desta bactéria neste local é, portanto, benéfica para o nosso humor!
A explicação é simples: Mycobacterium vaccae vai de facto ativar a libertação de dois neurotransmissores: a serotonina, sintetizada no intestino, e a dopamina, sintetizada no cérebro. A dopamina afeta as emoções, nomeadamente as que se relacionam com o prazer. E a serotonina vai regular o nosso humor, mas também o nosso sono, a nossa memória e até... a nossa líbido.
Efeitos testados e resultados surpreendentes
Para evidenciar os efeitos desta bactéria que arranca um sorriso aos jardineiros, foram realizados testes em ratos (estão bem, descanse!) por dois neurocientistas: Dorothy Matthews e Susan Jenks. O protocolo é simples: alguns ratos foram colocados em contacto com a bactéria Mycobacterium vaccae, enquanto outros não. Posteriormente, foram submetidos a testes comportamentais. Os resultados são surpreendentes: os ratos colocados em contacto com a bactéria estavam menos agitados e percorreram um labirinto duas vezes mais rápido do que os ratos sem bactéria.
Assim, conseguiram demonstrar que «comer, tocar e respirar um organismo do solo pode estar ligado ao desenvolvimento do nosso sistema imunitário e do nosso sistema nervoso.» Em suma, esta bactéria torna-nos mais felizes e mais inteligentes!
Os neurocientistas vão ainda mais longe, estabelecendo um paralelo com os alunos (humanos desta vez!) que deveriam passar tempo no exterior para serem mais eficazes na aprendizagem. Dirá: não há nada de novo nisso, é algo que se diz há décadas!
Jardine e pare de lavar as mãos!
Lembro-me de um velho jardineiro que era constantemente repreendido pela mulher porque «voltava do jardim todo sujo». Não deixava de lhe responder: «Não é sujidade, é terra!»
Sem o saber e sem incomodar alguns ratos, este honesto homem tinha percebido tudo...
O conselho é este: ignore os inúmeros anúncios de detergentes bactericidas ou outros sabões hidroalcoólicos, deixe as crianças, pequenas e grandes, brincar na terra... e receba sem receio todas estas boas bactérias. A saúde pública agradece!
Se quiser saber mais sobre esta simpática bactéria, aqui fica uma ligação para uma publicação científica da Universidade de Bristol.
Comentários