Ceifar um prado florido ou uma zona coberta de erva

Ceifar um prado florido ou uma zona coberta de erva

Os nossos conselhos para cuidar do jardim de forma mais natural e favorável à biodiversidade

Resumo

Modificado em 7 de janeiro de 2026  por Marion 7 min.

A ceifa tem vindo a ganhar cada vez mais força nos últimos anos. Afirma-se como uma alternativa mais natural e favorável à biodiversidade do que o corte rente, geralmente aplicado às relvas. É possível ceifar diferentes zonas do jardim: os talhões relvados, os prados ou pousios floridos, os pomares, etc.

Como fazer então a manutenção do seu terreno com toda a segurança, utilizando ferramentas de ceifa? Siga os nossos conselhos.

Dificuldade

As vantagens do corte com foice em comparação com o corte da relva

Se a ceifa está a voltar a ser popular como método de manutenção do jardim, é porque apresenta numerosas vantagens.

  • Não utiliza energia elétrica nem combustível fóssil (gasolina), o que representa uma poupança considerável e é mais ecológico.
  • Favorece a biodiversidade, deixando mais abrigo e alimento para a fauna local. Permite atrair e manter mais facilmente no jardim os insetos auxiliares, como os preciosos polinizadores ou os predadores das pragas. É menos traumática do que o corte para a fauna, muitas vezes vítima das lâminas rotativas. Esta técnica de manutenção também favorece a diversidade e a preservação das espécies vegetais autóctones, por vezes ameaçadas. Menos intervenção humana é uma forma simples de devolver o caráter selvagem ao jardim!
  • Ceifar permite manter zonas por vezes difíceis de alcançar com um corta-relva, um corta-bordas ou uma roçadora elétrica.
  • Permite poupar tempo, uma vez que requer menos passagens regulares do que a manutenção com aparelhos. Geralmente, é realizada apenas uma a duas vezes por ano, em vez de uma passagem por vezes uma vez por semana no caso do corte!
  • Conservar as plantas durante mais tempo permite que desempenhem um papel de climatizador. A folhagem retém melhor a humidade e a frescura no solo e no ar, o que é particularmente interessante no verão. Permite também reduzir as regas.
  • O solo permanece protegido das pressões exercidas pelo clima e pelo ser humano: intempéries, radiação UV, pisoteio, etc.
  • A ceifa não gera poluição sonora nem olfativa, se for realizada com ferramentas manuais.
  • A estética também é um argumento, embora seja totalmente subjetiva. Para algumas pessoas, uma relva cortada rente é sinónimo de um jardim limpo e agradável; para outras, parecerá triste e sem vida, ao contrário de um jardim mais selvagem. A ceifa também deixa espaço para alguma criatividade: é possível jogar com as alturas, as formas, etc.
  • Por fim, ceifar o jardim é uma boa forma de fazer exercício físico, totalmente natural e gratuito!

Quanto às desvantagens, a ceifa manual é efetivamente um trabalho físico que requer uma condição física mínima e, muitas vezes, até alguns exercícios de aquecimento antes de começar! Também é necessário dispor de uma ferramenta e fazer-lhe a manutenção regularmente (mas o mesmo se aplica às ferramentas elétricas). Por fim, a ceifa exigirá mais paciência.

A ceifa tardia

Nas zonas que não requerem passagens diárias, pode optar pela ceifa tardia no jardim. Aliás, são cada vez mais numerosas as autarquias a adotar esta técnica de manutenção, que consiste em cortar tardiamente na estação. Permite assim preservar a biodiversidade. O objetivo é deixar as plantas completar um verdadeiro ciclo de vida, permitindo-lhes produzir sementes antes de serem cortadas. A ceifa tardia é realizada no final do verão ou no início do outono. Os animais e os insetos podem assim usufruir durante mais tempo de alimento e abrigo.

A ceifa diferenciada ou racional

Outra forma de manter o jardim de maneira mais natural consiste em praticar a ceifa segundo uma gestão diferenciada ou racional. Consiste simplesmente em distinguir diferentes zonas no jardim:

  • as que requerem uma manutenção regular, junto à casa, ao longo dos caminhos que atravessam o jardim, na zona de jogos das crianças, etc. (zona de ceifa regular);
  • as que se contentam com uma manutenção anual, como os prados ou os pousios floridos;
  • as que podem ser deixadas como terrenos incultos, em estado natural (zona sem ceifa).

A altura e a frequência do corte são assim adaptadas especificamente a cada zona, ao contrário de uma manutenção global. Mais uma vez, esta alternância favorece a biodiversidade, uma vez que multiplica os habitats. Também requer menos energia e tempo.

Para saber mais, consulte o nosso artigo «O corte diferenciado: um pequeno passo para o jardineiro, um grande passo para a biodiversidade».

Ceifar um prado florido

Como fazer a ceifa em segurança?

Quando intervir para ceifar?

O período de intervenção depende da zona em causa. Num prado florido, aguarde o fim do verão ou o início do outono, quando o ciclo de vida das plantas tiver terminado. Terão assim tido tempo para disseminar as suas sementes, o que permitirá que regressem espontaneamente ano após ano. Uma ceifa por ano é, portanto, suficiente neste caso.

Num pomar, pode decidir ceifar na primavera, para que os insetos polinizadores polinizem prioritariamente as suas árvores e arbustos. Depois, intervenha uma segunda vez durante o ano, no momento da colheita dos frutos.

As zonas selvagens, como as bordaduras de sebes ou o fundo do jardim, podem contentar-se com uma ceifa a cada 2 a 3 anos.

Aproveite um dia seco e soalheiro para intervir, idealmente no início ou no fim do dia, quando a fauna tiver reduzido a sua atividade.

As diferentes ferramentas de ceifa

Para a ceifa manual, poderá escolher entre uma foice manual ou uma gadanha.

  • A foice para ervas ou a foice para mato são constituídas por uma lâmina semicircular, ligada a um cabo de madeira. Seguram-se com uma mão e destinam-se sobretudo a pequenas superfícies.
  • A gadanha (antigamente grafada como «faulx») é constituída por uma lâmina fina e arqueada, fixada num cabo comprido. É utilizada nos talhões maiores e requer o uso das duas mãos.
Foice

A foice, mais pequena do que a gadanha e mais fácil de utilizar

Escolha ferramentas ergonómicas, leves e fabricadas com materiais duradouros (madeira, aço…). Também deverão ser adequadas à sua altura e morfologia. Algumas são, aliás, reguláveis em altura. Numa gadanha, por exemplo, o cabo deve ficar imediatamente abaixo da anca, ao nível do fémur. Dê preferência às ferramentas com duas pegas, mais fáceis de manusear e equilibrar.

Verifique se as lâminas estão bem afiadas: uma ferramenta que corte mal será mais perigosa e exigirá mais energia do que o necessário. Se for preciso, utilize uma pedra de afiar, por vezes vendida com a ferramenta.

Se a zona a ceifar for muito grande, alguns jardineiros preferem utilizar uma ceifeira motorizada ou ainda um corta-relva regulado para a altura máxima possível (cerca de 8 a 10 cm). Tenha em conta que, neste caso, perderá algumas das vantagens da ceifa manual, mas poupará energia e tempo.

Como ceifar corretamente?

A ceifa deve ser realizada idealmente no sentido contrário ao da curvatura das ervas altas (geralmente determinada pelos ventos dominantes).

Antes de começar, equipe-se com luvas e vestuário adequado para o jardim (calçado resistente ou botas, calças compridas e uma camisola de manga comprida). Os óculos também serão úteis para evitar projeções.

A utilização de uma gadanha é simples, mas requer um curto período de adaptação.

  • Mantenha-se direito, de frente para a zona a ceifar. Deixe a lâmina pousada no chão, à sua direita (ou à sua esquerda, se for canhoto), com a ponta virada para a frente.
  • Segure o cabo com ambas as mãos (a mão direita fica acima da mão esquerda) e faça um movimento lateral pendular da direita para a esquerda, com os ombros. Mantenha os braços estendidos. Quanto mais alta for a zona a ceifar, mais amplos poderão ser os movimentos. A lâmina deve permanecer sempre bem na horizontal.
  • Volte a pousar a gadanha no chão, dando um passo em frente. Avance assim em faixas por toda a zona a ceifar. Se as ervas forem particularmente altas e vigorosas, poderá ser necessário ceifar nos dois sentidos. Num terreno inclinado, comece por baixo, ceifando faixas paralelas à inclinação. Depois, volte atrás para passar à faixa seguinte. Em caso de obstáculos (árvore, construção, etc.), avance em círculo à volta da zona a evitar.
  • Ao deslocar-se, transporte a ferramenta ao ombro, com a lâmina virada para trás, para maior segurança.
Ceifar

A ceifa requer gestos adequados

A utilização da foice é mais fácil.

  • Segure um punhado de ervas para cortar com a mão esquerda (ou com a mão direita, no caso de uma pessoa canhota).
  • Corte pela base com a outra mão, fazendo um movimento lateral da direita para a esquerda.

Após a utilização, limpe sempre a lâmina da ferramenta com um pano embebido em álcool. Isto ajuda a limitar a propagação de doenças entre as plantas e a conservar as lâminas em bom estado durante mais tempo. Depois, arrume a ferramenta num local seco e protegido, idealmente com a lâmina virada para cima.

Gerir os resíduos vegetais

A solução mais simples consiste em deixar os resíduos vegetais no local. Isto permitirá proteger o solo e alimentá-lo pouco a pouco durante a decomposição.

Se pretender um resultado mais «limpo», é perfeitamente possível compostar os resíduos. Também pode deixá-los secar durante alguns dias (isto permite simultaneamente que a fauna abandone o local e que as últimas sementes caiam), antes de os reutilizar como cobertura morta noutras zonas do jardim. Se desejar, utilize um triturador.

Erros a evitar ao ceifar o jardim

Alguns erros comuns podem tornar mais difícil ceifar o jardim.

  • Intervir quando as ervas estão demasiado baixas. Com efeito, a ceifa exige que as ervas tenham atingido uma altura mínima de, pelo menos, 20 cm.
  • Ceifar ervas demasiado verdes, que serão demasiado tenras e que a lâmina terá mais dificuldade em cortar de forma limpa.
  • Ceife ervas húmidas.
  • Negligenciar a manutenção do material. É importante verificar previamente o estado das ferramentas e do equipamento. Se necessário, é também possível alugar material ou pedi-lo emprestado, em vez de o comprar.
ceifar

Evitar ceifar erva molhada

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corte da relva