Resumo
Numa manhã, enquanto regava as suas plantas de interior, uma minúscula protuberância castanha chamou a sua atenção. Horror! Tratava-se de cochinilhas, estas pragas que encabeçam a lista dos inimigos das plantas. Estes pequenos insetos discretos, mas temíveis, podem rapidamente enfraquecer ou até destruir uma coleção de plantas, se não se intervier a tempo. Será necessário recorrer a métodos naturais, suaves e eficazes para eliminar estes parasitas.
Descubra as estratégias e os tratamentos ecológicos para dizer adeus às cochinilhas e devolver vitalidade às suas plantas de interior. Sem esquecer os nossos conselhos de prevenção para evitar o seu aparecimento.
Conhecer o inimigo para melhor o combater!
Para combater melhor um parasita, é essencial conhecê-lo bem. As cochonilhas são pequenos insetos da ordem dos Hemípteros e da família Coccoidea. O termo cochonilha não designa uma única espécie, mas um grupo muito diversificado. As cochonilhas desenvolvem-se principalmente quando as condições ambientais são favoráveis e as plantas estão enfraquecidas pelo stress. Assim, o calor e a fraca ventilação, condições típicas dos interiores, bem como a falta de luz, uma rega inadequada ou uma carência nutricional, favorecem o aparecimento das cochonilhas. Também tiram partido do descuido na inspeção da folhagem para se desenvolverem rapidamente e sem entraves.
Dois tipos de cochonilhas nas plantas de interior
- As cochonilhas farinhentas (ou cotonosas): são as mais comuns e visíveis. Parecem pequenos aglomerados brancos ou cinzentos, semelhantes a algodão, frequentemente agrupados nas axilas das folhas, nos caules ou na página inferior das folhas. Abrigam-se sob esta proteção cerosa, que as torna resistentes a muitos tratamentos
- As cochonilhas de carapaça (ou de escudo): são imóveis e parecem pequenas saliências castanhas, pretas ou acinzentadas, firmemente agarradas aos caules e às nervuras das folhas. A sua carapaça protetora, não removível, dificulta ainda mais que a pulverização as alcance.

Cochonilhas de carapaça
Os danos causados
Independentemente do tipo, as cochonilhas alimentam-se da seiva da planta graças ao seu aparelho bucal picador-sugador.
- A planta perde vigor, o seu crescimento abranda e as folhas ficam amarelas
- Excretam uma substância açucarada e pegajosa chamada melada
- A melada favorece o desenvolvimento de um fungo negro, a fumagina, que, embora não seja diretamente patogénica, impede a fotossíntese e deteriora o aspeto da planta.
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O sabão negro para o jardim e a hortaA primeira etapa: o isolamento e a limpeza da folhagem
Assim que descobrir cochonilhas, são indispensáveis duas ações imediatas para evitar uma infestação generalizada de todas as suas plantas de interior e preparar o tratamento:
- Isolar a planta infestada: as cochonilhas propagam-se rapidamente através do contacto entre as folhas ou até através dos utensílios de jardinagem. Por isso, é urgente afastar a planta doente de todas as outras. Coloque-a numa divisão separada, de preferência bem iluminada, para facilitar o tratamento.
- Limpar manualmente a folhagem: é a etapa mais demorada, mas também a mais eficaz para reduzir imediatamente a população de parasitas. Com um cotonete embebido em álcool a 70°, toque ligeiramente ou limpe cuidadosamente cada cochonilha visível. O álcool dissolve a carapaça cerosa das cochonilhas farinhentas e penetra sob a carapaça das cochonilhas de escudo, matando-as instantaneamente. Inspecione cuidadosamente a parte inferior das folhas, os caules e os nós, pois são os seus esconderijos preferidos. Em seguida, lave a planta com água limpa para eliminar os resíduos de álcool e a melada. Se a planta estiver muito gravemente afetada, pode os ramos mais atingidos e deite os resíduos no lixo (nunca no composto, pois poderá propagar o problema).
Os tratamentos naturais por pulverização
Uma vez efetuada a limpeza inicial, passe ao tratamento de fundo para eliminar as larvas e as cochinilhas que ficaram esquecidas por estarem bem escondidas. Existem diferentes métodos naturais.
O clássico sabão preto
O sabão preto é um dos remédios naturais mais seguros e versáteis para a jardinagem. Atua por contacto. Destrói o revestimento protetor dos insetos, asfixiando-os. É também um excelente produto de limpeza para eliminar a melada e a fumagina.
- A receita: misture 1 a 2 colheres de sopa de sabão preto líquido (sem glicerina nem aditivos) com 1 litro de água morna. Adicione, se desejar, 1 colher de chá de óleo vegetal (de colza ou de oliveira) para reforçar o efeito oclusivo, e uma colher de chá de álcool a 70 °C. Existem também misturas prontas a utilizar
- A aplicação: pulverize abundantemente toda a planta, insistindo na página inferior das folhas e nos caules.
- A frequência: repita a operação a cada 5 a 7 dias durante 3 a 4 semanas, pois é necessário visar as diferentes gerações de cochinilhas (adultos, larvas e ovos).

As pulverizações de uma mistura à base de sabão preto são relativamente eficazes
O óleo de neem para um efeito de choque
O óleo de neem é um inseticida e fungicida natural muito potente, utilizado na agricultura biológica.
Atua de duas formas: por contacto, asfixiando os insetos, ou por ingestão. Neste caso, a azadiractina perturba o ciclo de reprodução e de muda das cochinilhas.
- A receita: misture 1 colher de chá de óleo de neem puro com 1 litro de água morna. Adicione algumas gotas de sabão preto líquido para ajudar o óleo a misturar-se com a água
- A aplicação: pulverize a planta de forma direcionada.
- Uma precaução: O óleo de neem tem um cheiro forte que pode incomodar algumas pessoas. Assegure-se de arejar o espaço após a aplicação. Teste sempre numa folha pequena antes de tratar toda a planta.
As macerações de plantas
Embora sejam menos potentes do que o óleo de neem, algumas macerações podem servir como repelente e tratamento ligeiro. Entre estas encontra-se o alho, um excelente repelente natural. Basta picar 3 a 4 dentes de alho e deixá-los em infusão durante uma noite em 1 litro de água. Filtre e pulverize.
A luta integrada: por que não?
Para os jardineiros que procuram uma solução mais sofisticada e duradoura, o controlo biológico (ou controlo integrado) é o método definitivo. Consiste na introdução de predadores naturais das cochonilhas. Embora seja relativamente fácil ao ar livre, torna-se mais complicado no caso das plantas de interior. Ainda assim, pode tentar colocando as plantas afetadas numa marquise ou numa garagem com boa luz.
O predador mais fácil de introduzir é a joaninha que se alimenta de cochonilhas (Cryptolaemus montrouzieri). Estas pequenas joaninhas australianas são os predadores mais eficazes das cochonilhas farinhentas. São frequentemente vendidas no estádio larvar, que é o mais voraz. As larvas assemelham-se curiosamente às cochonilhas farinhentas, pois estão cobertas por uma cera branca, o que lhes permite camuflar-se enquanto se alimentam dos ovos e dos adultos das pragas. Colocam-se diretamente sobre as plantas infestadas. Necessitam de uma temperatura ambiente mínima e não devem ser utilizadas com inseticidas, mesmo naturais, como o óleo de neem ou o sabão preto, sob pena de morrerem.

As larvas da joaninha Cryptolaemus montrouzieri
A prevenção é o melhor dos tratamentos
Uma planta saudável é uma planta resistente. O ambiente em que se desenvolve é a chave para evitar o reaparecimento das cochinilhas.
A inspeção regular
É a ação mais importante. Adote o hábito de inspecionar as suas plantas pelo menos uma vez por semana, levantando as folhas e observando as axilas foliares e os caules. Detetar uma infestação incipiente torna o tratamento 100 vezes mais fácil.
A otimização das condições de cultivo
As cochinilhas são frequentemente atraídas por plantas enfraquecidas.
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Certifique-se de que a planta recebe a quantidade adequada de luz. Uma planta que recebe pouca luz enfraquece e torna-se um alvo fácil
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Evite o stress hídrico: água em excesso ou água insuficiente
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Uma aplicação equilibrada de adubo na primavera e no verão permite que a planta desenvolva as suas próprias defesas imunitárias.
A limpeza da folhagem
O pó acumulado nas folhas dificulta a fotossíntese. Limpar regularmente com um pano húmido permite não só manter a planta limpa, mas também detetar as pragas.
A quarentena
Ao comprar uma planta nova, mantenha-a isolada durante 3 a 4 semanas noutra divisão antes de a juntar às restantes plantas. Assim, terá tempo para verificar se não é portadora de cochinilhas ou de outros parasitas.
Há plantas de interior mais sensíveis às cochinilhas do que outras?
Algumas plantas de interior são bastante mais sensíveis às cochonilhas, muitas vezes devido à sua estrutura ou à seiva particularmente apreciada por estas pragas.
Eis as famílias de plantas mais frequentemente e severamente afetadas:
- As orelhas-de-porco e as cactáceas : As suas reentrâncias e aréolas oferecem esconderijos ideais, e o seu crescimento lento torna difícil detetar e controlar a infestação. Atraem sobretudo cochonilhas farinhentas
- As orquídeas : São muito vulneráveis, sobretudo às cochonilhas de carapaça, que se fixam nas folhas e nas hastes florais
- As figueiras : A sua seiva rica atrai as cochonilhas, e as numerosas axilas das folhas oferecem muitos locais para se esconderem
- As Aráceas (como a costela-de-adão, o filodendro ou o comigo-ninguém-pode) : As suas folhas grandes e caules são frequentemente atacados.
De um modo geral, as plantas com muitos recantos (plantas densas ou com nervuras profundas) ou as que produzem muita melada açucarada são alvos preferenciais destas pragas.
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