Galhas nas plantas: O que são?
De qualquer forma, não faz mal!
Resumo
Excrecências estranhas, inchaços num caule, bolas ou protuberâncias coloridas… Existe uma infinidade de galhas diferentes e seria difícil enumerá-las todas. Uma galha ou cecídia não é uma doença, mas uma reação da planta à picada de um inseto ou de um ácaro (na grande maioria dos casos), que vem pôr os ovos no interior dos próprios tecidos da planta. Esta reação dos tecidos criará partes «anormais», disformes e por vezes espetaculares na planta. A galha servirá então de proteção e alimento ao parasita. Mas uma galha na minha planta: é grave, doutor?
Como se forma uma galha?
Uma galha ou uma cecídia (termo mais científico) é o resultado da reação de uma planta à presença, no seu interior, de um organismo parasita (mais raramente simbiótico). Este parasita pode ser um fungo, um vírus, uma bactéria, um verme nemátodo, mas é, na maioria das vezes, um inseto ou um ácaro: a galha produzida é então designada por zoocecídia.
O parasita secreta uma série de compostos químicos que vão modificar radicalmente o desenvolvimento de determinados tecidos da planta hospedeira. Criam-se assim excrescências anormais, bolas de dimensões variáveis, deformações de órgãos… como uma espécie de “tumores benignos“. Estas deformações, por vezes quase impercetíveis a olho nu, podem, pelo contrário, apresentar cores muito vivas e até revelar-se estéticas em alguns casos (por exemplo, o bedeguar nas Rosa sp.).
Pode encontrar-se uma galha ou cecídia em diversas partes da planta: caules, folhas, gomos, raízes ou frutos. Na realidade, uma galha oferece “abrigo e alimento” a uma ou várias larvas de insetos ou ácaros: as células vegetais transformadas servem simultaneamente de alimento e de proteção contra os ataques exteriores (predadores, parasitismo, humidade, frio…).
O estudo das galhas chama-se Cecidologia e o naturalista ou biólogo que as estuda é, portanto, um cecidólogo. É evidente que existem poucos cecidólogos e, se surgir a ideia de se lançar nesta aventura: não hesite!
Nota bene: Uma galha não deve ser confundida com uma sarna. A sarna é uma doença que afeta o ser humano e os animais, mas, por analogia, é também o nome de algumas doenças causadas por fungos e bactérias na batata-inglesa, como a sarna prateada, a sarna da cortiça ou a sarna pulverulenta.

Galha com pelos da roseira
O que fazer ao detetar uma galha numa planta?
Não faça nada! Não se trata de uma doença, mas de uma reação da planta a um parasita.
Não é de modo algum perigoso para a planta. Os “danos” são apenas de ordem estética. Quando muito, pode observar-se uma ligeira diminuição do vigor quando as galhas são tão numerosas nas folhas que reduzem a fotossíntese.
Este tipo de parasitismo é, evidentemente, vantajoso para o parasita e deveria, em teoria, ser desfavorável para a planta. No entanto, a planta hospedeira parece suportar sempre bem este ataque parasitário. De acordo com as pesquisas mais recentes, se a planta o suporta bem, isso deve-se à sua diferenciação celular (a própria galha). Assim, a planta consegue “canalizar” o parasita, limitá-lo no interior desta galha. Por outras palavras, a criação de uma galha é uma reação de proteção da própria planta.

Galha de Pediaspis aceris numa folha de bordo
Quais são as plantas afetadas?
Um número incontável de plantas pode ser “afetado” por galhas: árvores, arbustos, plantas perenes e até plantas anuais ou hortícolas. Por isso, é muito difícil descrever todas e ainda mais complicado tentar estabelecer generalizações quanto ao reconhecimento de uma galha.
As mais célebres e fáceis de reconhecer são:
- As galhas do carvalho (pois existem várias) ou maçãs-do-carvalho: bolas situadas na axila das folhas e provocadas por insetos, nomeadamente os Cynips;
- O bedeguar ou galha-peluda nas roseiras e nas roseiras bravas: uma espécie de bola coberta de musgo provocada por uma vespa muito pequena, o Cynips da roseira;
- A galha cornuda da tília: uma espécie de pequenas pontas vermelho-vivo situadas na folha, provocadas por ácaros;
- A galha-abacaxi: que deforma a extremidade dos ramos da pícea-europeia, provocada por um pulgão;
- A cecidómia da faia: pequenas grainhas nas folhas da faia, provocadas por um díptero minúsculo.

Galhas no carvalho, na tília e na faia
Cada galha ou cecídia recebe o nome do organismo (inseto, ácaro, vírus, bactéria, fungo…) que a provoca. Assim, a famosa galha da roseira, chamada bedeguar (por vezes grafada “bedeguar”) e provocada por um pequeno himenóptero, o Diplolepis rosae (ou Cynips da roseira), receberá o nome de: Diplolepis rosae.
Cada espécie de inseto ou de ácaro parasitará apenas uma espécie de planta (mais raramente, um género). É por isso que os (raros) guias de identificação das galhas se organizam sobretudo segundo uma classificação botânica. Por outras palavras, é necessário saber reconhecer a planta com certeza e encontrá-la no guia antes de poder sequer formar uma ideia sobre os eventuais parasitas possíveis. É, portanto, necessário ter bons conhecimentos de botânica antes de se iniciar na cecidologia. Uma ciência que, no fim de contas, se revela uma ponte entre a botânica e a entomologia (estudo dos insetos e de outros artrópodes terrestres).
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