Resumo

Modificado 0,01  por Pascale 4 min.

Se já viajou pelo Sudeste Asiático, pelo Brasil ou pelas Antilhas, o fruto da jaqueira certamente chamou a sua atenção nas bancas dos mercados locais. É que a jaca, também chamada “jaque” ou “ti-jac” em crioulo, ou ainda “jackfruit” no mundo anglófono, tem mesmo o que impressionar! Pelo seu tamanho e peso, antes de mais, mas também pelo seu aspeto: está de facto recoberta por uma casca resistente, coberta de protuberâncias que oscilam entre o esverdeado e o amarelado, impregnada de látex e, por isso, muito pegajosa ao toque. Se não teve a sorte de voar até essas paragens distantes, talvez já tenha encontrado o fruto da jaqueira numa loja de produtos exóticos ou numa prateleira do seu supermercado biológico, cortado em pedaços e embalado numa lata de conserva! Pois o fruto da Artocarpus heterophyllus possui bastantes qualidades nutricionais que o tornam o favorito de veganos e vegetarianos. Ficamos a saber tudo sobre este surpreendente fruto da jaqueira.

Dificuldade

Tudo começa numa árvore

Na origem do jaque, há uma árvore, o jaqueiro ou Artocarpus heterophyllus. Uma bela árvore tropical, originária da Índia e do Bangladesh, da família das Moráceas, tal como a figueira-comum (Ficus carica) ou a árvore-do-pão (Artocarpus altilis), com a qual é frequentemente confundido. Em estado selvagem, o jaqueiro pode atingir 15 a 20 metros de altura, com uma envergadura de 2,50 m. Quanto às suas folhas, persistentes, ovais a elípticas, atingem 20 a 30 cm. De cor verde-escuro, são ligeiramente rugosas. Mas são sobretudo os seus frutos que impressionam, podendo pesar até 50 kg e medir entre 50 a 90 cm de comprimento. São, aliás, os maiores frutos do reino vegetal! Frutos que também despertam curiosidade, pois crescem diretamente no tronco.

jaqueiro artocarpus heterophyllus

Os frutos do jaqueiro crescem diretamente no tronco ou nos ramos principais

Amplamente cultivado em todo o mundo, da Ásia do Sudeste ao Brasil, passando pelas Antilhas, Haiti, Guiana e Nova Caledónia, o jaqueiro necessita de calor e humidade. Condições que raramente se encontram nas nossas latitudes! Assim, para semear sementes e cultivar um jaqueiro em Portugal, é necessário dispor de uma estufa aquecida.

jaqueiro artocarpus heterophyllus

Folhas e frutos do jaqueiro

Pois o Artocarpus heterophyllus não resistirá aos nossos invernos, mesmo os mais amenos, uma vez que é sensível ao gelo e muito friolento. Se for possível oferecer-lhe estas condições de vida, plante-o num grande vaso. Não ultrapassará 2,5 a 3 m e produzirá talvez alguns frutos. Mas, se quiser provar o fruto do jaqueiro, talvez seja mais sensato entrar na sua loja preferida de produtos asiáticos.

As particularidades do fruto da jaqueira

O jaqueiro destaca-se logo dos outros frutos pelas suas dimensões quase fora do comum. Poderia confundir-se com outro fruto exótico, o durian, mas as rugosidades da sua pele são menos pontiagudas. Um odor forte e almiscarado pode sentir-se quando o fruto está bem maduro. Uma vez cortada a casca espessa, descobre-se uma polpa branca, amarela ou alaranjada, dividida em gomos que contêm entre 50 a 500 sementes, ovais e de cor acastanhada, consoante as variedades.

Crua, a polpa do “jackfruit” é ligeiramente adocicada, bastante suave, evocando ao mesmo tempo os sabores da manga, do ananás, da maçã e da banana. Em suma, um fruto que remete para o exotismo sem ter os seus melhores atributos.

jaqueiro

Quando o fruto não está demasiado maduro, é consumido cozinhado pois, pelo seu aspeto, a sua polpa fibrosa a elástica, ligeiramente crocante, lembra a carne de frango ou de porco desfiada. Mas mais firme e com pouco sabor. Em resumo, a polpa do jaqueiro cozinhada deve ser temperada para se poder retirar algum prazer gastronómico. Tanto mais que a polpa do jaqueiro absorve facilmente as especiarias e outros molhos.

Quanto às sementes, são tóxicas quando cruas. Por isso, para as consumir, é preciso assá-las ou fervê-las. No Sudeste Asiático, são aliás frequentemente comidas como snack na rua.

Para facilitar a vida dos Ocidentais, pouco habituados a frutos tão grandes e de casca dura, o fruto jovem do jaqueiro vende-se em conserva, preparado em salmoura.

O jaque, um fruto com mil virtudes nutricionais

Se o jaque desperta tanto interesse, é sobretudo graças aos adeptos do vegetarismo e aos vegans. O fruto da jaqueira é, de facto, um fruto rico em proteínas vegetais, o que o torna uma alternativa à carne. Tanto mais que a sua polpa fibrosa lembra a do frango ou do porco! Mas as suas qualidades não se limitam a esta riqueza em proteínas, pois o jaque beneficia igualmente de um bom teor em açúcares de absorção lenta, em fibras, em antioxidantes, em vitaminas (A, B1, B2, B9) e em minerais, nomeadamente ferro, magnésio, cálcio, selénio, cobre, potássio e manganês. O seu único defeito: o teor calórico, na ordem das 95 kcal/100 g.

Como cozinhar esta fruta de todos os recordes?

O fruto “verde” em conserva

Para cozinhar o jackfruit que se encontra em conserva e obter sobretudo uma textura desfiada, não se deve esquecer de cortar a parte dura e de retirar as sementes. Além disso, deixar os pedaços de jaca a estufar previamente permite amolecê-los.

O fruto ainda não completamente maduro come-se cozinhado em pratos quentes, de preferência salgados. Assim, na Reunião, prepara-se um caril. Pode também ser cozinhado em wok com tofu, massa asiática e legumes crocantes, com um molho tailandês ligado com natas vegetais.

jaca desfiada

Desfiado, caril e biryani de fruto de jaqueira

Muitos preparam-no em hambúrguer vegetariano, em caril simplesmente cozinhado em leite de coco, frito num taco com especiarias. Na Índia, cozinha-se em biryani, um prato à base de arroz basmati, especiarias, legumes e ovos, no qual o fruto da jaqueira substitui a carne. Menos exótica, a jaca também se cozinha em blanquette!

O fruto bem maduro em sobremesa

A polpa do fruto chegado à maturidade consome-se tal como está, numa salada, em compota, em doce, em gelado, em frutos cristalizados… Na Índia, prepara-se em payasa, uma sobremesa à base de leite de coco, açúcar mascavado e cardamomo. Pode também ser incorporada numa mousse, num bolo ou preparada em filhoses fritas… Ainda é preciso conseguir abri-lo ou encontrá-lo fresco numa loja!

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