Plantação de plantas perenes de raízes nuas: os erros a evitar!
Os nossos conselhos para plantar da melhor forma as suas plantas perenes com raízes nuas
Resumo
Plantar plantas perenes de raízes nuas é simultaneamente económico e ecológico. Ao contrário das plantas em contentor (de plástico!), estas plantas são vendidas sem terra à volta das raízes, geralmente durante o seu período de dormência, no outono ou no início da primavera. Mais económicas na compra, estas plantas perenes possuem um sistema radicular vigoroso, que permite uma melhor retoma. Ainda assim, a plantação pode ser delicada: uma raiz nua é vulnerável à dessecação, à geada e a manuseamentos bruscos.
Descubra o nosso guia completo sobre os erros mais frequentes cometidos pelos jardineiros que pretendem plantar plantas perenes de raízes nuas.
Comprar ou plantar na altura errada
O erro mais comum reside frequentemente na escolha da altura certa para a plantação. As raízes nuas só estão disponíveis quando a planta se encontra em dormência fisiológica, geralmente de novembro a março. Plantar demasiado tarde na primavera, por exemplo em abril ou maio, quando as temperaturas começam a subir e a seiva começa a circular, é um erro frequente. Se a rebentação já tiver ocorrido, a planta vai mobilizar as suas reservas de energia para produzir folhas antes mesmo de ter desenvolvido novas raízes pequenas. Este desequilíbrio provoca um verdadeiro stress hídrico: as folhas transpiram e necessitam de água que as raízes são incapazes de fornecer.

Lírios-de-dia com raízes nuas
Pelo contrário, uma plantação demasiado precoce no outono, num solo ainda demasiado quente e seco, pode provocar a dessecação dos tecidos.
A solução: privilegie o mês de outubro, para permitir o estabelecimento das raízes antes do inverno, ou o final do inverno e o início da primavera, entre fevereiro e março, antes da rebentação dos gomos.
Esperar demasiado tempo antes de plantar
Uma planta em vaso dispõe da sua própria reserva de humidade no substrato. Uma planta perene de raízes nuas não dispõe de nenhuma! As suas raízes ficam, portanto, diretamente expostas à dessecação. E isso acontece muito depressa! Assim, o simples facto de deixar a encomenda aberta numa garagem seca ou, pior ainda, de deixar as raízes expostas ao sol e ao vento à beira do buraco de plantação enquanto prepara o terreno seca-as muito rapidamente. E as radículas, ou seja, as raízes mais finas, responsáveis pela absorção da água, morrem em poucos minutos ao ar livre. Este «golpe de secura» é muitas vezes invisível a olho nu naquele momento, mas condena a planta depois de ser plantada.
Soluções:
- Se as plantas perenes forem conservadas numa embalagem com musgo húmido, mantenha-as num local fresco e escuro até ao momento exato da plantação. Mas sem esperar demasiado… portanto, não mais de 48 horas!
- Se não for possível plantá-las imediatamente, faça um enterramento provisório: enterre as raízes temporariamente numa caixa com areia ou terra leve húmida, inclinadas.
Não fazer a pralinagem
Retirar a planta perene da embalagem do saco e colocá-la diretamente, tal como está, no buraco de plantação é também um erro comum. Após o transporte e o armazenamento, as raízes encontram-se naturalmente desidratadas. E uma simples rega não é suficiente para assegurar essa reidratação. Assim, a retoma será ainda mais lenta e difícil.
A técnica da pralinagem consiste em mergulhar as raízes nuas numa lama espessa, chamada pralin, composta por terra de jardim, composto ou estrume de vaca e água. Este gesto é essencial, pois assegura duas funções: reidrata profundamente os tecidos e, sobretudo, cria uma proteção que elimina as bolsas de ar.

Pralinagem das raízes nuas
A solução: antes da plantação, mergulhe pelo menos as raízes num balde com água durante 30 minutos a 2 horas. Para obter um resultado ótimo, utilize pralin que poderá preparar em casa. Também existem no mercado misturas já preparadas.
Preparar mal o solo
É frequente imaginar-se que uma planta perene de raiz nua, por ser compacta e pequena, necessita de menos espaço do que uma planta em vaso. É exatamente o contrário. Num vaso, as raízes estão habituadas a ficar confinadas; com a raiz nua, precisam de ser estendidas, pois estavam em plena terra. O erro consiste, portanto, em abrir uma cova estreita, onde as raízes ficam dobradas sobre si próprias ou apontadas para cima. É a isso que se chama «enrolamento forçado». As raízes que não são dispostas de forma radial sufocam-se mutuamente à medida que crescem. Além disso, uma cova cujas paredes não foram descompactadas torna-se uma armadilha: as raízes jovens não conseguem atravessar a parede de terra alisada pela pá e acabam por crescer em círculo, limitando a resistência da planta à seca.
A solução: abra uma cova com, pelo menos, o dobro da largura e da profundidade do volume das raízes. Descompacte o fundo e as paredes com uma forquilha de cavar. Uma terra macia é indispensável para que as raízes jovens colonizem o espaço sem dificuldade.
Plantar à profundidade errada
O erro consiste em ter um ponto de crescimento, ou seja, o colo, demasiado enterrado ou demasiado exposto. Este colo é, de facto, uma zona de transição entre o sistema radicular e os gomos dos caules. Posicioná-lo incorretamente é um erro fatal para certas espécies, como as peónias.
- Uma plantação demasiado profunda provoca a asfixia dos gomos. Para certas espécies, como as peónias (Paeonia), enterrar os gomos mais de três centímetros abaixo da superfície condena a planta a não florescer durante anos, podendo mesmo provocar o seu apodrecimento.
- Uma plantação demasiado superficial expõe o colo à geada e à secagem. As raízes superiores ficam ao ar livre depois de algumas regas que fazem a terra baixar, enfraquecendo a estrutura da planta.

Nas peónias (Paeonia), enterrar os gomos mais de três centímetros abaixo da superfície condena a planta a não florescer durante anos
A solução: observe a marca de terra na planta, pois indica o nível a que estava plantada no viveiro. Regra geral, o gomo de crescimento deve ficar ao nível da superfície do solo.
Aplicar fertilizante em excesso
Querer “alimentar” uma planta que ainda não tem raízes ativas é um erro frequente. Assim, deve evitar-se a aplicação de adubos granulados ricos em azoto no fundo da cova, pois podem “queimar” as raízes.
A solução: incorpore composto bem decomposto ou terra de folhas misturada com a terra de enchimento. Se fizer questão de utilizar um adubo, escolha produtos de libertação lenta, como o chifre moído, colocado no fundo da cova e coberto com um pouco de terra para evitar o contacto direto.
Negligenciar a rega no final da plantação
Por fim, outro erro, depois da plantação, consiste em confiar apenas na previsão meteorológica. «Amanhã vai chover, não é preciso regar» é a frase que acaba com muitas plantações.
A rega imediata depois da plantação, chamada «rega de assentamento», não tem apenas como objetivo fornecer água. A sua função é expulsar as bolhas de ar retidas entre as raízes e a terra. Sem esta rega abundante, as raízes ficam rodeadas por bolsas de ar, onde não conseguem absorver nutrientes, e acabam por secar, mesmo que a terra envolvente esteja húmida.
Assim, uma compactação manual firme, mas sem excessos, seguida de uma rega generosa, é a única garantia de um bom estabelecimento.
A solução: comprima firmemente, mas com cuidado, com as mãos. Em seguida, verta um regador cheio de água, mesmo que esteja a chover. A água fará descer as partículas de terra para os mais pequenos espaços à volta das raízes, garantindo uma aderência perfeita.
Esquecer a cobertura morta
Depois de instalar a planta e efetuar a rega de assentamento, muitos jardineiros consideram concluída a plantação. Mas um solo deixado a descoberto é um solo em sofrimento. O erro de deixar o solo “limpo”, isto é, sem cobertura orgânica, em redor de uma planta perene recém-plantada é uma negligência com múltiplas consequências:
- Sob o efeito da chuva, pode formar-se uma crosta de compactação, impedindo as trocas gasosas indispensáveis à respiração das raízes.
- Ainda mais grave, na ausência de cobertura morta, a evaporação aumenta muito e, por isso, a planta perene sofre mais com a falta de água.
- O sol ou o vento secam a camada superficial do solo, precisamente onde se encontram os gomos de crescimento.

É necessário aplicar cobertura morta depois da plantação, incluindo raízes nuas
A solução consiste em aplicar imediatamente uma cobertura morta orgânica de madeira ramial fragmentada, folhas secas trituradas ou palha de cânhamo. Este escudo térmico mantém uma temperatura estável, favorecendo o desenvolvimento das raízes mesmo quando o ar arrefece. No entanto, convém deixar um pequeno espaço livre em redor dos caules jovens para evitar que a humidade estagnada da cobertura morta provoque doenças criptogâmicas.
Perder a paciência
O nono erro é a falta de paciência do jardineiro! As plantas perenes plantadas com raízes nuas não seguem o mesmo ritmo que as plantas de viveiro forçadas em estufa. Primeiro, precisam de reconstruir a sua estrutura subterrânea antes de manifestarem o mais pequeno sinal de vida acima do solo.
O erro clássico consiste em preocupar-se por não ver nada a sair do solo ao fim de várias semanas. Esta ansiedade leva muitas vezes o jardineiro a remexer a terra, ou até a desenterrar a planta para «verificar se ainda está viva»! É um grande erro. Ao manipular a planta dessa forma, quebram-se as microrradículas invisíveis a olho nu que mal começavam a instalar-se no substrato. Este traumatismo reinicia o processo de retoma, isto se a planta conseguir sobreviver-lhe. Assim, algumas espécies, como as hostas ou as asclépias, são conhecidas pelo seu despertar tardio. Por vezes, uma planta só mostra as primeiras folhas dois meses depois de uma plantação na primavera.
A solução: confiar na planta! O tempo da planta não é o do ser humano, e o seu crescimento invisível sob a terra é a base do seu vigor.
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