Resumo
As anémones de primavera em poucas palavras
- As anémonas de primavera oferecem floração precoce que vai do branco ao vermelho, passando pelo azul
- Bulbosas perenes, as anémonas multiplicam-se todos os anos, chegando a formar atrativos tapetes
- Apreciam-se pelo ambiente de sub-bosque que conseguem criar e pela delicadeza da sua floração
- As anémonas também se usam em bordaduras ou em floreiras
- De manutenção fácil, a anémona aprecia solos bem drenados, frescos e férteis
A palavra da nossa especialista
Muito rústicas, adaptando-se facilmente a diversas condições, as anémones oferecem desde a primavera as cores vibrantes da sua floração: brancas, vermelhas, azuis ou cor-de-rosa. Esta floração precoce permite assim dar mais vida a uma bordadura ou a um canteiro na primavera, mas pode também ser utilizada para criar verdadeiros tapetes florais sob as árvores. De fácil manutenção, a anémona não exige cuidados especiais e encantará, primavera após primavera, todos os jardins. Encontrará o seu lugar tanto num sub-bosque como num canteiro florido, numa bordadura, num jardim rochoso ou num canteiro misto.
Entre as anémones de floração primaveril, distinguem-se várias espécies, sendo as mais conhecidas a anémona-dos-floristas, também chamada anémona coroada (Anemone coronaria), a anémona-dos-bosques (Anemone nemorosa), a anémona-silvestre (Anemone sylvestris) e a anémona grega (Anemone blanda).

Bolbosas ou rizomatosas, consoante as espécies, as anémones preferem uma situação sombria ou de meia-sombra, num solo fresco e humífero, mas sem excesso de humidade. A plantação deve ser feita preferencialmente no outono. Perenes, as anémones multiplicar-se-ão ao longo dos anos e constituem uma boa cobertura vegetal.
Muitas variedades são bem conhecidas dos jardineiros, como as famosas anémones coroadas, mas obtenções mais modernas estão também disponíveis e propõem flores duplas ou cores plenas de delicadeza.
Descrição e botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Anemone sp
- Família Ranunculaceae
- Nome comum Anémona
- Floração de março a junho
- Altura entre 15 cm e 50 cm
- Exposição sol, meia-sombra ou sombra
- Tipo de solo fértil, humífero, fresco mas drenado
- Rusticidade Muito boa
O género Anemone compreende cerca de 115 espécies, cuja área de distribuição natural se estende pela Europa, Ásia, Norte de África e até à América. Em Portugal, as anémonas-dos-floristas podem ser encontradas no seu habitat natural na região mediterrânica, assim como as anémonas-dos-bosques nas florestas e prados húmidos. As anémonas gregas são originárias das zonas montanhosas da Grécia e da Turquia.
As Anemone, à semelhança dos ranúnculos, fazem parte da família das Ranunculáceas. As principais cultivares de anémonas com floração primaveril pertencem a quatro espécies:
- Anemone coronaria ou anémona-dos-floristas, também conhecida pela sua utilização tradicional na confeção de ramos de flores. Estas flores de charme antigo e cores vivas podem apresentar flores simples (anémona-dos-floristas de Caen) ou duplas (Anemone coronaria ‘St Brigid’) e um coração geralmente preto.
- Anemone blanda ou anémona grega, com flores semelhantes às das margaridas, em tonalidades variadas.
- Anemone sylvestris ou anémona-silvestre: uma anémona selvagem com um ligeiro perfume, com grandes hastes florais, ideais para fazer ramos de flores.
- Anemone nemorosa ou anémona-dos-bosques: igualmente selvagem, esta anémona forma uma bela cobertura vegetal com flores simples, frequentemente brancas.
Geófitas, as anémonas possuem todas um órgão de reserva subterrâneo, variável consoante a espécie: uma cepa tuberosa na Anemone coronaria ou rizomatosa na Anemone sylvestris e na Anemone nemorosa, e uma raiz tuberosa, semelhante a um pequeno bolbo, na Anemone blanda.

Flores de anémonas: A. coronaria ‘Mr Fokker’, A. nemorosa, A. blanda ‘Blue Shades’ e A. sylvestris (foto Björn S-Flickr)
Acima de uma folhagem basal em roseta, caduca, ergue-se uma haste floral com uma única flor. Na anémona-dos-floristas e na anémona-silvestre, o comprimento desta haste floral é favorável à confeção de ramos de flores. As folhas, profundamente recortadas e de um belo verde escuro, são atrativas logo na primavera. Na Anemone nemorosa, a folhagem surge após a floração.
O número de pétalas depende da espécie: 5 nas flores simples da Anemone sylvestris, 6 na Anemone coronaria, 6 a 9 na Anemone nemorosa e cerca de quinze na Anemone blanda, cujas flores evocam as das margaridas. Sejam eles pretos, como na anémona-dos-floristas, ou dourados, os estames representam muitas vezes um atrativo suplementar que capta o nosso olhar.
As flores das anémonas-dos-bosques abrem-se com a luz e acompanham o sol ao longo do dia. Se este desaparecer e for substituído pela chuva, as flores fecham-se e inclinam-se para o lado, preservando assim o seu encanto. O período de floração é muito variável consoante a espécie: no início da primavera, logo em março para as anémonas-dos-bosques e até junho para as anémonas-dos-floristas.
As flores são geralmente de pequenas dimensões: 3 cm na Anemone nemorosa e na Anemone sylvestris, 5 cm na Anemone blanda, mas superiores a 7 cm na Anemone coronaria. Uma única crítica pode ser apontada às anémonas: a ausência de perfume nas flores. Apenas a Anemone sylvestris apresenta um ligeiro aroma.

As anémonas-dos-floristas de Caen apresentam cores e formas variadas!
A frutificação prolonga o interesse decorativo da Anemone sylvestris: os frutos decorativos, de cor prateada, formam um penacho do qual se libertam aquénios (frutos secos de semente única), alados e dispersos pelo vento.
Leia também
Anémona-dos-bosques: como plantar com sucessoAs diferentes variedades de anémona de primavera
Anemone coronaria St Brigid Mix
- Período de floração Maio à Julho
- Altura à maturidade 45 cm
Anemone coronaria Mount Everest
- Período de floração Junho, Julho
- Altura à maturidade 40 cm
Anemone coronaria Sylphide
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 40 cm
Anemone nemorosa
- Período de floração Abril à Junho
- Altura à maturidade 15 cm
Anemone nemorosa Blue Eyes
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 10 cm
Anemone nemorosa Green Fingers
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 15 cm
Anemone blanda White Splendour
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 15 cm
Anemone blanda Blue Shades
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 15 cm
Anemone blanda Blue Splendour
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 15 cm
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A plantação das anémonas
Onde e quando plantar?
As anémonas preferem solos ricos, frescos, mas bem drenantes; a humidade estagnada provocaria o apodrecimento dos bolbos. Se o seu solo é demasiado pesado, misture-o com um terço de composto e um terço de areia. A Anemone sylvestris, ao contrário das outras espécies, permanece no jardim durante o verão e ressente-se dos solos demasiado secos neste período. Tenha cuidado com locais sob árvores cujas raízes possam secar o solo. As anémonas não apreciam solos calcários (pH básico, superior a 7); se mesmo assim pretender plantar os seus bolbos num solo calcário, reduza o pH misturando composto com terra de urze.
Para escolher a exposição das suas anémonas, inspire-se no seu meio natural: as anémonas que habitam florestas (Anemone nemorosa e Anemone sylvestris) preferem situações de sombra ou meia-sombra, enquanto as originárias das regiões mediterrânicas (Anemone coronaria e Anemone blanda) se darão bem ao sol ou a meia-sombra. Se a sombra for demasiado intensa, os caules da anémona-dos-floristas sofrerão etiolação e não conseguirão suportar as flores.
A melhor época para plantar as anémonas é o outono, mas uma plantação é possível até ao final do inverno. Em zonas particularmente frias, a Anemone coronaria, mais sensível ao frio, beneficiará de uma plantação na primavera.
Como plantar?
Leia também: Plantar anémonas e Plantar anémonas-dos-bosques
A densidade de plantação depende da espécie e do seu desenvolvimento: 200 plantas por metro quadrado para as Anemone blanda, 70 para as Anemone nemorosa e 50 para as Anemone coronaria. De forma mais concreta, as Anemone blanda devem ser espaçadas de cerca de quinze centímetros, e entre 30 a 40 centímetros para as Anemone nemorosa.
As anémonas podem ser plantadas diretamente em plena terra no jardim — é a solução mais simples —, mas também pode optar por as plantar numa primeira fase em vasinhos antes de as colocar no local onde pretende vê-las florescer.
1) A plantação diretamente no local em plena terra
- Reidrate as suas anémonas gregas e anémonas-dos-floristas deixando-as de molho na noite anterior à plantação em água morna. Este passo não é necessário para as outras espécies. A Anemone nemorosa apresenta-se sob a forma de um pequeno segmento de raiz, conservado num saquinho. A turfa presente no saquinho impede o dessecamento da planta; mantenha-a lá dentro até ao momento da plantação.
- Trabalhe o solo para o soltar até cerca de dez centímetros de profundidade. Desfaça os torrões e elimine, se necessário, as pedras do solo. Se o seu solo precisar de ser corrigido (demasiado pesado ou demasiado calcário), faça as adições necessárias.
- Enterre os bolbos a 5-6 centímetros de profundidade e depois compacte ligeiramente.
- Regue, mesmo no inverno.

Bolbos de Anemone blanda, raízes de Anemone nemorosa e bolbo disforme de Anemone coronaria
2) A plantação em vasinho
Se receber as suas plantas numa altura pouco propícia para jardinar no exterior, a plantação em vasinho pode ser uma alternativa interessante.
- Encha um vasinho com bom composto.
- Coloque o rizoma, o segmento de raiz ou o bolbo a uma profundidade de 6 centímetros.
- Cubra com composto e regue.
- Mantenha o vasinho húmido, sem excessos, até ao aparecimento das primeiras folhas.
- As suas anémonas plantam-se depois como plantas perenes comuns.
- Na primavera, coloque as plantas em plena terra depois de abrir um buraco maior do que a largura do vasinho.
- Coloque o torrão no fundo do buraco.
- Feche o buraco e compacte ligeiramente.
- Regue, mesmo que o solo esteja húmido.
A multiplicação das anémonas
Como para a maioria das geófitas, a multiplicação faz-se principalmente por divisão de pés.
Para o efeito, no final do verão, quando as plantas ainda estão em repouso:
- desenterre a touça,
- utilize uma faca de estacaria, previamente desinfetada, e corte a touça em 2
- plante depois as duas partes separadamente,
- não se esqueça de regar para ajudar à recuperação das plantas.
A sementeira é possível, mas longa e delicada. Temperaturas elevadas (35 °C) ajudam a quebrar a dormência. Para as cultivares modernas, as sementeiras podem diferir, por vezes bastante, das plantas-mãe, sobretudo se diferentes variedades estiverem presentes no jardim. Após a sementeira, um período juvenil, por vezes longo (três anos para a Anemone sylvestris) deve ser atravessado pela planta antes de florescer. No entanto, certas espécies, nomeadamente a Anemone nemorosa, são autossemeadoras no jardim. As sementes são colhidas assim que começam a soltar-se e plantadas o mais cedo possível, ainda frescas. Num tabuleiro de sementeira, coloque as sementes e conserve-o, sem excesso de humidade, em exposição de meia-sombra. A germinação das sementes ocorre nos três meses seguintes à sementeira.
A manutenção
As anémonas passam uma longa parte do ano numa fase de repouso, a folhagem desaparece logo após a floração e a planta permanece inativa durante nove meses. Por consequência, a manutenção é relativamente fácil: sem poda, sem rega durante o verão,… Apenas a Anemone sylvestris conserva a sua folhagem durante o verão e será, por isso, mais sujeita à seca estival.
A anémona é uma planta muito rústica, suportando temperaturas muito abaixo de zero. Não é, portanto, necessário desenterrar as suas anémonas no outono, pois passarão o inverno no solo sem qualquer problema.
As anémonas são relativamente resistentes às doenças e aos predadores, ainda que sejam por vezes observados ataques de ferrugem, míldio e carvão. Apenas uma forte sensibilidade aos nemátodos é suscetível de afetar as suas anémonas. Para evitar estes ataques, associe as anémonas aos cravos-túnicos (Tagetes patula). Leia também o nosso artigo sobre as doenças e parasitas das Anémonas.
A única etapa a não perder: o aporte de composto no outono. As anémonas-dos-bosques estão habituadas a receber no outono os nutrientes trazidos pela decomposição das folhas mortas. Imite o seu meio natural e aplique um composto bem decomposto, húmus ou ainda uma manta de folhas mortas. Com a riqueza do solo assim preservada, as anémonas multiplicar-se-ão e regressarão ano após ano.
Associar as anémonas de primavera
A anémona presta-se maravilhosamente a composições que evocam o ambiente dos sub-bosques. Plante-a com plantas de sombra ou de meia-sombra que suportam a concorrência das árvores, como as Hostas, os Fetos, o Polygonatum (Selo-de-Salomão), o Epimedium (Planta dos Elfos), ou ainda os Sinos-de-coral.

Exemplos de associação com outros bolbos de primavera como jacintos, tulipas, uvas-de-jacinto, etc
As anémonas podem igualmente ser plantadas num canteiro de plantas perenes ou de arbustos. Precoces, saberão trazer o primeiro toque de cor antes do aparecimento das outras folhas.
Misturadas com outros bolbos, as anémonas serão muito úteis para formar tapetes floridos desde o início do ano. Leia os nossos conselhos para tirar o melhor partido destes pequenos bolbos.

A anémona-dos-bosques forma rapidamente belos tapetes floridos
→ Descubra outras ideias de associação com a anémona grega
Sabia que?
- Uma origem mitológica
Em grego anemos significa «vento» e anemone «filha do vento». As anémonas são por vezes chamadas flores do vento, pela capacidade das suas sementes de se deslocarem transportadas pelo vento.
Na mitologia grega, Anémone era uma ninfa por quem Zéfiro, o deus do vento de Oeste, se apaixonou. A sua esposa, enciumada, transformou a rival em flor. Na mitologia latina, as anémonas nasceram das lágrimas de Vénus misturadas com o sangue do seu amante adónis.
Recursos úteis
- Descubra a nossa coleção de anémonas.
- As nossas fichas de conselhos: Cultivar a anémona grega em vaso e Cultivar a anémona-dos-floristas em vaso
- Descubra as nossas ideias para associar as anémonas-dos-bosques
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