Glicínia: como plantá-la, podá-la e cuidar dela

Glicínia: como plantá-la, podá-la e cuidar dela

Resumo

Modificado 0,01  por Alexandra 15 min.

Em poucas palavras

  • A glicínia oferece, na primavera, uma floração muito abundante e perfumada, em tons de azul, malva ou branco. Por vezes pode voltar a florir durante o verão!
  • Particularmente vigorosa, é fácil de cultivar e cresce rapidamente! Necessita apenas de algumas podas para controlar o seu crescimento.
  • Frequentemente cultivada em plena terra, também se adapta ao cultivo em vaso!
  • A sua folhagem muito recortada, em verde tenro, vai cativar pelo seu lado leve e delicado!
  • Com a sua floração em longos cachos pendentes, as glicínias (Wisteria sinensis) e as glicínias-japonesas (Wisteria floribunda) trazem muito romantismo aos caramanchões e pérgolas!
Dificuldade

A palavra da nossa Especialista

Muito popular, a Glicínia surpreende pela sua exuberância! É uma planta majestosa, cuja abundante floração forma sempre um cenário deslumbrante quando cai sobre um caramanchão ou pérgola. Floresce na primavera, a partir de abril ou maio, e oferece por vezes uma segunda floração no verão. É também apreciada pela sua folhagem composta de aspeto recortado, verde suave. Oferece uma vegetação luxuriante, com o dom de valorizar as antigas casas de pedra e de lhes conferir muito charme!

A glicínia valoriza qualquer casa

Fácil de cultivar, aprecia solos drenantes e frescos, mas teme os terrenos calcários, que podem provocar cloroses. Plante-a em pleno sol! É rústica e pouco sensível a pragas e doenças. Uma vez estabelecida, cresce por si só, mas necessita de algumas podas para controlar o seu crescimento e evitar que transforme o jardim numa selva! Muito vigorosa e robusta, é capaz de torcer os suportes sobre os quais cresce. Pode viver muitos anos e formar um magnífico tronco retorcido. Faz parte daquelas plantas que se impõem e se tornam monumentais ao longo dos anos.

Por fim, como ocupa apenas um espaço muito reduzido no solo, é uma planta ideal em meio urbano. Um único exemplar pode formar uma magnífica guirlanda que se iluminará na primavera e atrairá todos os olhares.

Nos jardins, encontra-se sobretudo a Glicínia (Wisteria sinensis) e a Glicínia-japonesa (Wisteria floribunda). Mas existem muitas variedades, algumas delas com flores duplas! Podem ser associadas a outras plantas trepadeiras, mas são muito belas como exemplar isolado. É mesmo possível valorizá-las conduzindo-as em forma de árvore. Multiplicam-se com muita facilidade por alporquia.

Botânica e descrição

Ficha de identidade

  • Nome latino Wisteria sp.

A glicínia é uma **planta trepadeira**, uma verdadeira liana! Trepa com a ajuda dos seus **caules volúveis / trepadores**, que se enrolam em torno do suporte. Na natureza, os seus «tutores» são as árvores ou os rochedos. É originária da **Ásia**: China, Japão e Coreia, bem como dos **Estados Unidos** no caso de *Wisteria frutescens*. A *Wisteria sinensis* encontra-se em estado selvagem nas orlas de floresta do oeste da China.

Embora existam **cerca de uma dezena de espécies** de glicínias, em cultivo encontram-se essencialmente as **glicínias da China** (*Wisteria sinensis*) e **do Japão** (*Wisteria floribunda*). A glicínia pertence à grande família das **Fabáceas**, que inclui inúmeras plantas úteis e comestíveis, como o feijão, as favas, a soja e os trevos! Mas também plantas ornamentais como as acácias, os laburno e os tremoceiros.

A glicínia é **muito vigorosa** e **cresce rapidamente**: não é raro que os seus caules se alonguem mais de um metro num só ano! A glicínia-japonesa cresce enrolando-se em torno do suporte no sentido dos ponteiros do relógio, ao contrário da glicínia da China.

Atinge um porte espetacular com a idade, até 15 metros de altura e 10 metros de envergadura. Excecionalmente, raros exemplares chegam a atingir 25 a 30 metros de comprimento. Vive muito tempo: uma das glicínias mais antigas de França, localizada em Bordéus, tem 150 anos!

Wisteria, botânica

Glicínia, prancha botânica

As glicínias oferecem uma **floração primaveril**, de maio a junho, por vezes já a partir de abril. A floração da glicínia da China é mais precoce do que a da glicínia-japonesa: ocorre antes do aparecimento das folhas. A glicínia da China *(Wisteria sinensis)*, a glicínia da América (*Wisteria frutescens*) e a *Wisteria venusta* oferecem por vezes uma **segunda floração** no verão. Algumas espécies podem mesmo, de forma muito excecional, voltar a florir três vezes! Para isso, é necessário que as condições climáticas sejam favoráveis.

Esta sublime trepadeira oferece uma **floração agradavelmente perfumada**, nos tons **azul, rosa, lilás** ou **branco**. São tonalidades muito suaves, que trazem romantismo e leveza. Os seus **longos cachos de flores** que retombam em direção ao solo conferem-lhe uma grande elegância! Os de *Wisteria floribunda* ‘Macrobotrys’ atingem por vezes **mais de um metro de comprimento**! A planta parece então curvada sob uma maravilhosa cascata de flores. A *Wisteria venusta* produz cachos muito mais curtos, de cerca de vinte centímetros de comprimento. As flores da glicínia são melíferas: atraem abelhas e borboletas.

**A folhagem da glicínia é caduca**. As suas folhas, compostas, medem entre 15 e 40 cm de comprimento e estão divididas em 10 a 20 folíolos. **Verde-claras** quando jovens, adquirem uma tonalidade mais escura durante o verão e viram ao amarelo no outono antes de se soltarem e caírem.

As raízes da glicínia são muito vigorosas e poderosas. Espalham-se amplamente à superfície, mas não se aprofundam muito no solo.

Após a floração, a glicínia produz **grandes vagens** de cerca de dez centímetros de comprimento, que lembram as do feijão ou do laburno. Não têm grande interesse ornamental. Contêm sementes castanhas, arredondadas e achatadas. Podem ser recolhidas para serem semeadas, mas para isso é preciso aguardar que sequem e fiquem castanhas… e ter paciência: uma glicínia obtida por semente demorará muitos anos a florescer.

A glicínia é uma planta resistente, de cultivo fácil e muito rústica. Suporta temperaturas da ordem de -15 a -20 °C.

Contam-se cerca de uma dezena de espécies botânicas. As mais cultivadas são a glicínia da China e a glicínia-japonesa, a partir das quais os horticultores criaram inúmeras variedades. Estas espécies botânicas são:

***Wisteria sinensis***

A glicínia da China é a espécie mais frequente em cultivo. Os seus cachos de flores são um pouco mais curtos e densos do que os de *Wisteria floribunda*. Floresce um pouco mais cedo na primavera, antes de as folhas aparecerem, e oferece frequentemente uma segunda floração durante o verão. Existe uma variedade de flores brancas: *Wisteria sinensis* ‘Alba’.

***Wisteria floribunda***

A glicínia-japonesa oferece flores muito perfumadas que desabrocham progressivamente do topo do cacho para a base. Os seus cachos são um pouco mais longos e finos do que os da glicínia da China. Floresce também mais tardiamente, o que permite aos botões florais escapar às últimas geadas. É a espécie a privilegiar se habitar numa região com clima rigoroso! Floresce apenas uma vez.

***Wisteria venusta***

Esta glicínia oferece uma soberba floração perfumada de um branco puro. Os seus cachos são curtos, com apenas cerca de dez centímetros de comprimento. Possui belas folhas aveludadas. Menos vigorosa do que as outras espécies, é **adaptada a jardins pequenos** e à **cultura em vaso**. Escolha-a se tiver pouco espaço! Instala-se rapidamente e pode florescer no ano da plantação. Encontra-se também sob o nome de *Wisteria brachybotrys*. Oferece por vezes uma segunda floração, durante o verão.

As nossas variedades preferentes

As variedades mais populares
As nossas variedades preferidas:
Variedades mais raras, para descobrir
Wisteria sinensis Alba - Glicínia

Wisteria sinensis Alba - Glicínia

Esta glicínia é particularmente elegante com os seus longos cachos de flores de um branco puro, que podem atingir 60 centímetros de comprimento! A sua floração é perfumada.
  • Período de floração Maio, Junho
  • Altura à maturidade 9 m
Wisteria floribunda Macrobotrys - Glicínia-japonesa

Wisteria floribunda Macrobotrys - Glicínia-japonesa

Trata-se de uma glicínia muito impressionante pelas suas inflorescências em longos cachos que atingem por vezes mais de um metro de comprimento! É muito rústica (- 20 °C). As suas flores são malva pálido. Foi galardoada com o prémio Award of Garden Merit pela Royal Horticultural Society (RHS).
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 8 m
Wisteria floribunda Violacea Plena - Glicínia-japonesa

Wisteria floribunda Violacea Plena - Glicínia-japonesa

Esta variedade é surpreendente pelas suas flores duplas, de um violeta bastante intenso, que lhe conferem um aspeto sofisticado. São ligeiramente perfumadas.
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 10 m
Wisteria floribunda Alba - Glicínia-japonesa

Wisteria floribunda Alba - Glicínia-japonesa

Particularmente elegante, esta glicínia-japonesa possui flores brancas sobervas, em cachos muito longos e finos (até 60 centímetros de comprimento). São agradavelmente perfumadas.
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 10 m
Wisteria floribunda Domino - Glicínia

Wisteria floribunda Domino - Glicínia

Esta variedade possui flores originais que combinam o lilás pálido e o violeta intenso, com um ponto amarelo no estandarte. Escolha-a se tiver um jardim pequeno ou para cultivo em vaso! Floresce abundantemente.
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 7 m
Wisteria floribunda Honbeni - Glicínia-japonesa

Wisteria floribunda Honbeni - Glicínia-japonesa

Trata-se de uma variedade notável pela sua floração rosa pálido, agradavelmente perfumada, em cachos muito longos (até 60 cm). Foi galardoada com o prémio Award of Garden Merit pela Royal Horticultural Society (RHS).
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 10 m
Wisteria venusta Okayama - Glicínia

Wisteria venusta Okayama - Glicínia

Esta glicínia, menos vigorosa do que as outras, é particularmente adequada para jardins pequenos ou para cultivo em vaso! Possui curtos cachos de flores (até 20 centímetros de comprimento), de cor lilás.
  • Período de floração Maio, Junho
  • Altura à maturidade 4 m
Millettia japonica Satsuma

Millettia japonica Satsuma

Também conhecida como glicínia-de-verão, esta espécie é muito original e pouco comum! Oferece uma floração em espiga, vermelho escuro tendendo para o púrpura. Menos rústica do que as outras glicínias, resiste até – 8 °C: a evitar se habitar numa região de clima rigoroso, a menos que a plante num contentor e a recolha sob abrigo para passar o inverno! A sua folhagem é semi-persistente. Floresce mais tardiamente do que as outras.
  • Período de floração Agosto à Dezembro
  • Altura à maturidade 5 m
Wisteria floribunda Variegata - Glicínia-japonesa

Wisteria floribunda Variegata - Glicínia-japonesa

Esta glicínia-japonesa é muito original pela sua folhagem variegada verde e branco-creme! Oferece cachos de flores perfumadas, de cor violeta-malva, um pouco mais curtos do que nas outras glicínias. Plante-a em meia-sombra para realçar a sua folhagem luminosa!
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 10 m
Wisteria venusta Rosea - Glicínia

Wisteria venusta Rosea - Glicínia

Muito romântica, esta glicínia oferece uma delicada floração rosa pálido, agradavelmente perfumada. Apresenta frequentemente uma segunda floração no ano.
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 5 m

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A plantação da glicínia

Onde plantar?

Plante a glicínia em pleno sol. Suporta exposições ligeiramente ensombradas, mas oferece uma floração muito mais abundante quando plantada ao sol. Não hesite em colocá-la junto a uma parede orientada a sul! Esta posição protegê-la-á também dos ventos frios do norte.

Pode crescer em solos pobres, mas prefere os que são ricos, frescos e bem drenados. Evite os solos demasiado pesados ou argilosos! Prefere os terrenos arenosos, muito mais drenantes. Se o seu terreno é pesado, sugerimos que adicione cascalho ou bolas de argila durante a plantação para evitar a humidade estagnada.

Tem preferência por solos ligeiramente ácidos e não aprecia os terrenos calcários! Estes podem provocar clorose, caracterizada pelo amarelecimento da folhagem.

Preveja um suporte sólido e robusto, capaz de lhe resistir! Não se esqueça de que a glicínia é uma planta muito vigorosa que, com o tempo, pode torcer e partir os suportes. Opte por fazê-la trepar por uma parede, por um caramanchão ou por uma pérgola. Se a plantar junto à parede da sua casa, será necessário garantir que os seus caules não se infiltrem entre as telhas do telhado, podando-a regularmente e orientando os seus ramos na direção certa.

Também pode plantá-la num grande contentor, que poderá colocar num terraço. Exigirá então um pouco mais de atenção, regas mais regulares e um aporte de adubo.

→ Descubra o nosso artigo de conselhos sobre 6 trepadeiras para cultivar em vaso numa varanda a oeste

Quando plantar?

A glicínia planta-se idealmente no outono ou na primavera. Evite sobretudo intervir em períodos de geada.

Como plantar?

Comece por encontrar um suporte sólido e resistente, de preferência em madeira ou em metal. Faça-a crescer junto a uma parede, numa árvore, numa pérgola ou num caramanchão. Ao plantá-la junto a uma parede, respeite uma distância de pelo menos 50 centímetros, para evitar que a danifique quando estiver mais crescida.

Suporte para glicínia

Uma simples rede metálica é demasiado frágil para a vigorosa glicínia. Preveja antes uma pérgola sólida!

  • Mergulhe de seguida o torrão numa bacia cheia de água. Isso aumentará as probabilidades de pega e facilitará a rega posterior.
  • Cave um buraco de plantação duas a três vezes maior do que o torrão.
  • Coloque bolas de argila ou cascalho para drenar e evitar a humidade estagnada.
  • Adicione algumas pegas de composto.
  • Plante: coloque o torrão tendo cuidado para não enterrar o colo. Reponha a terra à volta da planta. Compacte para garantir o contacto entre o torrão e a terra.
  • Regue abundantemente.
  • Conduza os seus caules volúveis à volta do suporte para a ajudar a agarrar-se.

Precisa de tempo para se estabelecer e necessita muitas vezes de alguns anos antes de florescer. Não se preocupe se não vir flores nos primeiros anos.

Manutenção da sua glicínia

Glicínia ou Wisteria

Glicínia de flores cor-de-rosa – Wisteria floribunda rosea – Foto: Meneerke_bloem

Naturalmente muito vigorosa, a glicínia não necessita de adubação, exceto se não florescer ou se for cultivada em vaso. Nesse caso, escolha sempre um adubo pobre em azoto e rico em potássio. Caso contrário, o azoto favoreceria o crescimento da folhagem em detrimento da floração.

Plantada em solo calcário, a glicínia pode sofrer de clorose, que se manifesta pela descoloração e amarelecimento da folhagem. Se ainda for jovem e tal for possível, mude-a e plante-a em vaso. Caso contrário, melhore o solo com estrume ou terra vegetal.

Apesar de resistente, a glicínia é sensível aos pulgões, às cochinilhas, à armilária e à doença das manchas foliares. Os ataques de cochinilhas ou de pulgões podem originar o aparecimento de fumagina. Esta doença, causada por um fungo, cobre as folhas com uma camada negra semelhante a fuligem. Não é muito perigosa para a planta.

Recomenda-se colocar uma camada de cobertura morta na base da glicínia para manter o solo fresco. Regue as plantas jovens durante os dois ou três primeiros anos, bem como as glicínias plantadas em vaso. Nos restantes casos, regue apenas em caso de seca estival!

Vigie regularmente o crescimento da glicínia e conduza os seus ramos na direção pretendida, guiando-os em torno do suporte. Assim evitará que causem danos ao deslizar, por exemplo, por baixo de um telhado ou ao invadir outras plantas.

Como podar a glicínia?

Vigorosa e poderosa, a glicínia precisa de ser podada regularmente, de preferência todos os anos. Cresce rapidamente e, a não ser que a cultive de forma natural deixando-a, por exemplo, trepar por uma árvore, é essencial controlar o seu crescimento. Esta poda permitirá dar-lhe uma forma harmoniosa, mas também favorecer a floração! Caso contrário, ficará rapidamente com uma selva vegetal impossível de controlar.

Podar e conduzir a glicínia

Podada e conduzida regularmente, esta glicínia traz um toque muito elegante à fachada desta casa.

A glicínia pode ser podada várias vezes por ano. Faça cada corte de forma limpa, com uma tesoura de poda, logo acima de um gomo. Aproveite para eliminar os ramos mortos, mal formados ou mal posicionados.

  • Poda de inverno:

Esta poda permite distribuir melhor a floração e torná-la mais harmoniosa. Intervenha fora dos períodos de geada intensa. Corte os ramos que se desenvolvem para o exterior, deixando apenas dois ou três gomos de cada vez.

  • Poda de primavera:

O objetivo é obter uma floração mais abundante e maior ramificação. Pode nos meses de março ou abril. Corte os rebentos verdes do ano anterior, deixando em cada ramo apenas quatro ou cinco gomos.

  • Poda de verão:

Permite controlar e orientar o seu crescimento. Corte os ramos que crescem na direção errada, para conduzir a planta para onde pretende, e redirecioná-la eventualmente para o seu suporte. Quando os rebentos forem particularmente longos, encurte-os um terço.

É também possível conduzir a glicínia em forma de árvore. Para isso, coloque um tutor e prenda-lhe um ramo. Não o enrolhe à volta do suporte, mas fixe-o simplesmente com atilhos. Pode-a com muita regularidade para eliminar os ramos laterais e conservar apenas os mais altos. Pode estes últimos a três ou quatro olhos.

Glicínias (Wisteria) conduzidas em forma de árvore num parque

Multiplicação da glicínia

A glicínia multiplica-se por estaquia, alporquia ou enxertia. Aconselhamos antes a alporquia: a técnica mais simples mas também a mais rápida. A sementeira é mais difícil de conseguir e é preciso esperar pelo menos seis anos antes de a ver florescer! A menos que se escolha Wisteria venusta, que tem a vantagem de florescer logo nos primeiros anos.

Alporquia

As glicínias multiplicam-se facilmente através de uma alporquia por mergulhia, durante o verão.

  • Para tal, escolha um ramo comprido, baixo e são.
  • Aproxime-o do solo. Nesse local, solte a terra, adicione um pouco de composto e cave um sulco. Curve o ramo em direção ao solo, faça uma incisão na parte inferior do raminho, retire as folhas dessa zona e coloque o ramo no sulco.
  • Cubra-o com uma camada de terra. Mantenha-o no lugar com a ajuda de uma pedra ou de um gancho. Levante a extremidade do ramo e endireite-a, prendendo-a a um tutor.
  • Regue abundantemente.

Quando a alporquia tiver desenvolvido as suas raízes, pode cortar o ramo para o separar da planta de origem. Poderá então replantá-lo em vaso ou instalá-lo no seu local definitivo.

Por vezes, a glicínia alporquia-se espontaneamente, quando um ramo entra em contacto com o solo — fique atento!

→ Saiba mais sobre a alporquia da glicínia no nosso tutorial!

Estaquia

A glicínia propaga-se por estaquia após a floração, idealmente em junho ou julho.

  • Comece por preparar um vaso: encha-o de substrato e regue-o para o humedecer. Retire depois um ramo são, com cerca de dez centímetros de comprimento.
  • Corte-o de forma limpa, abaixo de um nó (ponto de inserção das folhas no ramo). Elimine as folhas basais. Transplante a estaca para o substrato. Compacte delicadamente para garantir o contacto entre a estaca e o composto.
  • Coloque-a sob abrigo, num local luminoso. O substrato deve manter-se húmido: regue regularmente.

E aguarde: será preciso esperar vários anos antes de a ver florescer.

Enxertia

Enxerte a glicínia no final do inverno ou no início da primavera, entre os meses de março e abril. Aconselhamos a técnica da enxertia inglesa simples, utilizando uma glicínia como porta-enxerto. A enxertia é mais complicada do que a alporquia ou a estaquia, por isso sugerimos antes multiplicar as glicínias por alporquia.

  • Selecione um garfo de enxerto com o mesmo diâmetro que o porta-enxerto, idealmente do tamanho de um lápis.
  • Corte o porta-enxerto a cerca de vinte centímetros do colo, com uma tesoura de poda. Apare o garfo de enxerto e o porta-enxerto em bisel, com o mesmo ângulo, com a ajuda de uma faca de enxertar bem afiada: respeite um ângulo de 20 a 30 °, ao longo de cerca de 3 centímetros.
  • Junte as duas partes e ligue-as com um elástico. Pode aplicar mástico para favorecer a cicatrização. Regue.

Se observar ladrões a brotar abaixo do ponto de enxerto, elimine-os.

Associação

Tendo em conta o seu vigor excecional, associar as glicínias a outras plantas é sempre delicado. É preciso ter o cuidado de não a plantar demasiado perto das outras espécies, e de a associar a plantas vigorosas. Caso contrário, corre o risco de dominar e sufocar as plantas vizinhas!

Cultivada num caramanchão, numa pérgola ou contra uma parede, pode associá-la a outras plantas trepadeiras: Roseiras Sarmentosas, Clematites, Bignónias… E, claro, a outras variedades de glicínias: de flores brancas, azuis, lilases ou cor-de-rosa, e às Millettia japonica. Não hesite em misturar as variedades!

Com a sua floração suave, a glicínia é uma planta de eleição para criar uma atmosfera romântica! Pode plantá-la na parte de trás de um pequeno canteiro de plantas perenes e gramíneas. Dará altura ao conjunto. Instale aos seus pés delfínios, cravos, alhos ornamentais ou estipas, acompanhados por alguns pequenos arbustos como os ceanatos. Para mais ideias, inspire-se nesta deliciosa atmosfera romântica.

Associar a glicínia no jardim

Uma encantadora associação para jardim branco: Glicínia-japonesa (Wisteria venusta), Delphinium elatum double Innocence, Allium stipitatum Album e Dianthus arenarius

Pode também fazê-la trepar por uma árvore! Desde que escolha um exemplar grande, são e vigoroso, por exemplo entre as faias ou os carvalhos. A árvore oferecerá então um espetáculo surpreendente na primavera, ao cobrir-se de flores azuis, lilases ou brancas.

A glicínia oferece uma floração tão impressionante que é magnífica quando está plantada em isolado. Não hesite em podá-la em forma de árvore, colocando-a, por exemplo, no meio de um relvado. A sua floração exuberante ficará ainda mais valorizada!

Sabia que?

  • Glicínias em bonsai!

Como a glicínia é fácil de cultivar, suporta bem a poda e é muito vigorosa, é possível treiná-la em bonsai! Dá origem a árvores miniatura soberbas. Prefira as espécies de cachos curtos: terão um aspeto mais harmonioso e equilibrado. Wisteria frutescens ou Millettia japonica são excelentes escolhas para este fim!

  • Um recorde de dimensões!

Uma glicínia gigantesca em Sierra Madre, na Califórnia, cobre cerca de 4 000 metros quadrados! Está registada no Guinness World Records. Plantada em 1892, é hoje uma das maiores plantas trepadeiras do mundo.

  • Um passeio sob cascatas de flores!

No Japão, o Jardim de Kawachi Fuji é famoso pelos seus dois longos caramanchões, de 220 e 80 metros de comprimento, que em abril-maio se cobrem inteiramente de flores de glicínia! Conta com cerca de 150 plantas, reunindo uma vintena de espécies diferentes. Imagine-se a passear por este jardim, sob um céu florido com milhares de flores de perfume envolvente!

Um túnel com 150 glicínias no jardim de Kawachi – Fukuoka – Japão – Fonte: pauldingcountyareafoundation.net

Recursos úteis

Perguntas frequentes

  • A minha Glicínia não floresce, ou muito pouco! O que fazer?

    É um dos problemas mais comuns! Se a plantou recentemente, tenha paciência, pois demora algum tempo a instalar-se. Por vezes são precisos dois a três anos antes de começar a florescer. E, se provém de uma sementeira, é preciso esperar pelo menos seis anos!

    Verifique, no entanto, se a exposição lhe é adequada. Precisa de bastante sol para florescer! Se estiver colocada à sombra ou a meia-sombra e não florescer, pondere mudá-la de lugar.

    Se for a glicínia (Wisteria sinensis) e habitar numa região de clima rigoroso, onde há geadas tardias, é possível que os seus botões florais tenham gelado! Prefira então a glicínia-japonesa (Wisteria floribunda), que floresce um pouco mais tarde na primavera.

    Evite solos demasiado ricos ou o excesso de adubos azotados: favorecem o crescimento da folhagem em detrimento das flores! Pode, pelo contrário, aplicar um adubo rico em potássio.

    Para favorecer a sua floração, faça a poda regular da sua glicínia e não descure a poda de primavera. Ao reduzir o vigor dos seus ramos, a glicínia concentrará a sua energia na floração. Os botões florais serão diretamente irrigados pela seiva.

  • É possível plantar uma glicínia no inverno?

    Sim, a plantação é possível no inverno, quando a planta está em repouso vegetativo, desde que se intervenha fora dos períodos de geadas intensas.

  • Pode-se cultivar esta trepadeira em contentor?

    Sim, mas prefira a Wisteria venusta ou a Wisteria frutescens! Menos vigorosas, têm um crescimento reduzido em comparação com as glicínias da China ou do Japão. Escolha um vaso suficientemente grande e drene o fundo com cascalho ou bolas de argila. Uma glicínia em vaso necessitará de mais rega e de mais adubo do que as plantadas em plena terra. Opte sempre por adubos pobres em azoto, mas ricos em potássio e fósforo.

  • As folhas da minha glicínia estão a descolorir-se e a amarelecer! O que fazer?

    O folhame da glicínia é caduco, ficando naturalmente amarelo no outono. No entanto, se amarelecer noutra estação, é muito provável que a sua glicínia sofra de clorose. Isso indica que o solo é demasiado calcário! O pH elevado bloqueia a absorção dos elementos minerais pela planta, que fica então com carências nutricionais. Para conhecer a natureza do seu solo, pode comprar num centro de jardinagem um kit de análise do solo.

    Se ainda for jovem, sugerimos que desanterre a sua glicínia e a plante num vaso. Caso contrário, melhore o seu solo acrescentando matéria orgânica (composto, estrume) ou terra vegetal. Evite também regar com água demasiado calcária, prefira a água da chuva.