Há dias que estou cheio de impaciência. Os dias alongam-se progressivamente, deixando para trás a escuridão do inverno: cheira a tomate! Daqui a menos de um mês começamos as primeiras sementeiras. É portanto urgente abastecer-se de sementes. Mas o encanto vem com uma ponta de frustração: a horta não é extensível ao infinito e terás de escolher entre as incontáveis variedades, todas elas tão apelativas. Se também estás em plena dúvida, aqui tens alguns critérios em que te podes apoiar para fazer a melhor escolha:
1) O tamanho, os gostos e as cores das tomates
O tomate é polimorfo: achatado, esférico, em forma de coração, de pêra ou de corno... Encontras‑os de todas as formas e tamanhos, desde a minúscula tomate‑cereja até à enorme "Beefsteak". Quanto à cor, é quase um arco‑íris: vermelhas, claro, mas também quase negras ou muito próximas do branco, verdes até à maturidade e até azuis! Do ponto de vista gustativo, a gama vai do acentuadamente ácido ao ligeiramente doce.
Mas existem tomates melhores? É uma questão tão subjetiva que é difícil responder. Só um conselho: cultiva a diversidade (fica maravilhoso numa salada), testa e anota as variedades que mais agradam ao teu paladar.
2) A precocidade da variedade
Este critério é importante para recolher durante um longo período. Se as tomates muito precoces podem ser colhidas 55 dias após o transplantio, nas tardias terás de esperar mais de 85 dias. Combinar pelo menos três — idealmente seis, ou mesmo doze — variedades com maturidades escalonadas garantir‑te‑á colheitas do início do verão até ao início do outono.
Na família das precoces, encontrarás, por exemplo:





Para a época alta:





E entre as tardias, que se fazem esperar um pouco (até início de outubro cá em casa, no ano passado!):




3) O clima e o modo de cultivo das tuas tomates: sob abrigo ou ao ar livre
O tomate precisa de sol e de calor. Isso pode tornar‑se problemático em regiões com verões curtos e frequentemente chuvosos, por isso é sensato incluir na tua seleção algumas tomates que frutificam apesar do fresco, como é o caso da Moneymaker e da Siberian.
Além disso, a sensibilidade do tomate ao míldio é bem conhecida. E nunca é agradável tratar os teus legumes, mesmo com produtos biológicos. Se cultivas tomates ao ar livre e sem proteção, numa região chuvosa, opta por variedades híbridas F1, como a Previa F1: são fiáveis e mais resistentes do que a maioria. A compra de plantas enxertadas constitui também uma boa opção: produzem em abundância e enfrentam muitas vezes com distinção doenças e condições meteorológicas adversas.
4) A utilização culinária dos frutos
O tamanho, a firmeza da polpa e a presença ou não de sementes é uma questão de gosto, mas também de destino culinário. Para o aperitivo e para petiscos, as tomates cereja ou cocktail são perfeitas. Em saladas, vais apreciar o sabor da Rose de Berne e, recheadas, a australiana Yellow Stuffer e a alemã Striped Stuffer são notáveis. Para polpas e molhos, a Chile Verde será ideal.
Aqui, sob abrigo, cultivamos sempre com sucesso algumas certezas como a clássica Saint Pierre, a bonita Tigerella, a saborosa Brandywine, bem como algumas tomates de pequeno calibre para o aperitivo. Acrescentamos várias variedades coloridas: a Ananas, a Noire de Crimée e a Green Zebra. Por outro lado, abandonámos a Cornue des Andes: costuma dar‑se bem, mas desenvolvia cá em solo ácido e com regas muito irregulares a chamada podridão apical. Este ano certamente deixaremos que a Burpee Delicious nos tente (dizem que detém o recorde da maior tomate: 3,1 kg), a muito procurada Osu blue e a Costoluto Genovese.
E tu, quais serão as tuas escolhas?
Se ainda estás indeciso, confia em nós: o Pierre preparou para ti alguns conjuntos bem pensados de 5, 6 ou 8 plantas: antigas e de coleção, coloridas, para aperitivo, biológicas, enxertadas... e não te esqueças dos cravo‑túnico (ou tagete) para as acompanhar!
Para saberes mais:
- «As minhas tomates são boas!» de Blaise Leclerc, Edições Terre Vivante
- Tomodori, um site sobre variedades antigas de tomates
- Tomates F1: afinal, o que são?

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