A tarde e de manhã são, para mim, os melhores momentos para admirar as flores do jardim. As cores são mais suaves, menos queimadas pela luz do sol e os contrastes ficam mais marcados. Isto verifica-se ainda melhor com as flores brancas: quando as flores estão expostas em luz directa, é melhor ter um bom par de óculos de sol para poderes usufruir plenamente das florações sem queimares os olhos.
A cor branca deve ser usada com parcimónia e, quando se pretende criar um jardim totalmente branco, a exposição deve ser pensada com cuidado. Os jardins brancos mais belos são os expostos à meia-sombra ou mesmo à sombra completa, porque o branco não salta à vista: é suave e conseguimos discernir melhor as nuances. Neste momento há uma planta de que gosto muito: a forma branca do lírio-martagão (Lilium martagon 'Album'). As plantas bulbosas têm a grande vantagem de poderem surgir, quase da noite para o dia, num maciço e trazer rapidamente um toque de cor. Este lírio floresce cedo mas, sobretudo, floresce durante o período mais parado, ou seja quando as florações primaveris terminam e as estivais mal começam. Permite uma transição muito suave da primavera para o verão.
Neste jardim branco em meia-sombra, a bétula-da-Mandchúria (Betula costata) estrutura o maciço e as florações organizam‑se à sua volta; as plantas bulbosas de flores brancas (narcisos, trílio, lírio-gigante e lírios) pontuam o maciço e dão‑lhe vida, apoiadas por um grande número de vivazes: hostas, anémonas, astilbes, prímulas, strobilanthes, etc., que têm uma presença mais forte.
O cultivo dos lírios-martagão é simples: crescem ao sol ou à meia-sombra e satisfazem‑se com um solo rico em húmus, fresco e leve. Há uma coisa a ter em conta: o criocera do lírio, que tende a perfurar as folhas, como podes ver, e para quem não conhece este inseto aqui tens um pequeno vídeo que explica como te livrares dele eficazmente:
http://www.youtube.com/watch?v=m_zD2Xb8yA4


Comentários