Agrobacterium tumefaciens ou galha do colo: o que é?

Agrobacterium tumefaciens ou galha do colo: o que é?

Identificação, sintomas e prevenção desta doença

Resumo

Modificado em 6 de janeiro de 2026  por Marion 5 min.

A galha do colo, ou crown gall em inglês, é uma doença que pode afetar muitas plantas no jardim ornamental, na horta ou no pomar. É causada pela bactéria Agrobacterium tumefaciens, que provoca deformações físicas sob a forma de tumores, geralmente ao nível do colo ou das raízes das plantas.

Vejamos então como identificar os sintomas da galha do colo e como atuar na prevenção para limitar o seu aparecimento ou atrasar a sua propagação.

Agrobacterium tumefaciens

Sintomas de galha do colo numa árvore

Dificuldade

Galha do colo: causas e desenvolvimento da doença

A bactéria Agrobacterium tumefaciens em causa

Agrobacterium tumefaciens é uma bactéria patogénica responsável pelo desenvolvimento de tumores nas plantas. Terá sido identificada por dois investigadores norte-americanos no início do século XX, mas as observações relativas a esta doença remontarão à Antiguidade (fonte: Wikipédia).

Mas como atua? Simplificando, Agrobacterium tumefaciens injeta fragmentos do seu ADN no material genético da planta hospedeira. Estas células contaminadas e modificadas vão depois multiplicar-se, provocando a formação de excrescências semelhantes a galhas ou nódulos, comparáveis a tumores cancerosos. Aparecem geralmente ao nível do colo, daí o nome desta doença, mas também se podem desenvolver ao nível do tronco, das raízes e, por vezes, até dos ramos. Estas galhas também são denominadas «cecídias» e podem proliferar, criando uma verdadeira rede ao longo do sistema vascular da planta afetada.

São feridas não cicatrizadas, provocadas acidentalmente ou de forma natural, que oferecem uma porta de entrada à bactéria. Proporcionam-lhe um contacto direto com as plantas. Estas feridas podem ser causadas por:

  • ferramentas utilizadas na manutenção das plantas (corte da relva, poda…);
  • geada;
  • insetos, parasitas ou animais;
  • uma enxertia;
  • uma transplantação;
  • etc.

A bactéria Agrobacterium tumefaciens encontra-se naturalmente nos solos, sobretudo nas zonas onde se desenvolvem as raízes das plantas, ou seja, nos meios rizosféricos. Pode sobreviver durante muito tempo e desenvolver-se rapidamente, afetando todo um talhão. No setor profissional, podem ser contaminados campos de cultivo ou viveiros inteiros. A bactéria dissemina-se através da água da chuva ou da rega, através de material infetado ou ainda através da deslocação de pessoas ou animais.

Agrobacterium tumefaciens

Agrobacterium tumefaciens ao microscópio

As plantas afetadas

São muitas as plantas sensíveis à galha do colo: estima-se que existam cerca de 600 espécies suscetíveis de ser afetadas por esta doença. Árvores de fruto de pomóideas, plantas ornamentais, hortaliças, árvores ou arbustos são afetados.

Entre elas, podem citar-se, por exemplo:

Danos causados por Agrobacterium tumefaciens

A planta desenvolverá os primeiros tumores visíveis algumas semanas após a infeção, por vezes ainda mais rapidamente se esta ocorrer durante o seu período de crescimento. Estes são os primeiros sintomas da doença.

Estas galhas são inicialmente redondas e de cor clara, bastante rugosas e duras, com um aspeto lenhoso, por vezes esponjoso. Com o passar do tempo, após vários meses, secam e adquirem uma forma mais irregular. A sua textura torna-se friável, fissuram-se ou formam cavidades, podendo então desprender-se simplesmente. O seu tamanho é variável: os tumores mais pequenos medem apenas alguns milímetros, enquanto os maiores podem atingir várias dezenas de centímetros.

Estas galhas são frequentemente visíveis no caule principal da planta, ao nível do solo (na junção entre o caule e o sistema radicular). Também podem surgir nos ramos, onde são capazes de formar filas com vários nódulos.

Estes tumores desenvolvem-se em detrimento da planta e enfraquecem-na. Provocam, assim:

  • um atraso no crescimento e uma diminuição do vigor, afetando a circulação da seiva e dos nutrientes;
  • uma redução da produção de flores e frutos;
  • um aumento do risco de desenvolver outras doenças ou de sofrer ataques de pragas.

Embora as plantas adultas e bem estabelecidas possam sobreviver e tolerar esta doença, as plantas mais jovens afetadas podem definhar.

Note-se que a galha do colo não deve ser confundida com as galhas nas plantas, que são uma reação natural à picada de um parasita, geralmente sem perigo. Para saber mais sobre este assunto, consulte o artigo dedicado: «Galhas nas plantas: o que são?».

Tumor de galha do colo numa roseira

Que tratamento contra a galha do colo?

Infelizmente, não existe nenhum tratamento curativo contra a galha do colo, seja natural ou químico. As plantas permanecem contaminadas durante toda a vida pela bactéria Agrobacterium tumefaciens.

Se detetar os primeiros tumores numa planta jovem, desenterre-a rapidamente. Elimine-a na totalidade (por exemplo, num ecocentro). Nunca coloque uma planta afetada pela galha do colo no composto.

As árvores ou arbustos adultos poderão ser deixados no local sem qualquer ação adicional. O seu estado sanitário representa menos riscos do que no caso das plantas jovens.

Embora não exista tratamento, podem ser facilmente tomadas algumas medidas preventivas. Estas permitirão limitar os riscos de desenvolvimento desta doença.

  1. Antes de qualquer repicagem ou transplantação, inspecione as suas plantas para confirmar a ausência de sintomas (nódulos), sobretudo no colo ou nas raízes.
  2. Desinfete sistematicamente as suas ferramentas de corte ou poda antes e depois da utilização.
  3. Durante os trabalhos de jardinagem, tenha cuidado para não ferir acidentalmente as suas plantas, sobretudo ao nível do colo, do tronco ou das raízes.
  4. Utilize uma pasta cicatrizante para proteger as feridas das plantas sensíveis.
  5. Não plante plantas sensíveis à galha do colo nas proximidades de plantas já infetadas.
  6. Não plante plantas sensíveis numa zona anteriormente contaminada.
  7. Se viver numa região regularmente sujeita a geadas, dê preferência a variedades de plantas bem resistentes, que serão menos suscetíveis a ferimentos.

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