Cróton em interior: pragas, doenças e problemas frequentes
Prevenir e tratar de forma natural
Resumo
O cróton (Codiaeum variegatum) é uma planta de interior com folhagem colorida, em tons vibrantes de amarelo, vermelho, laranja e verde. Originário do Sudeste Asiático e das ilhas do Pacífico, traz um toque tropical aos nossos interiores. No entanto, apesar do seu aspeto robusto, o cróton pode perder o seu esplendor se não forem respeitadas as suas condições de cultivo.
Em interior, esta planta é sensível às variações de humidade, luz e temperatura. Quando sofre de stress, pode apresentar sinais visíveis, como a queda das folhas, descolorações ou pontas castanhas. Além disso, pode ser atacada por parasitas, como as cochinilhas ou os ácaros, e sofrer de doenças fúngicas se a rega não for corretamente controlada.
Descubra neste artigo como identificar as principais causas destes desequilíbrios, conselhos práticos para o tratamento e, sobretudo, formas eficazes de prevenção para manter o seu cróton saudável durante todo o ano.
Pragas comuns
Cochonilhas farinhentas
As cochonilhas farinhentas são pragas frequentes do cróton, visíveis sob a forma de pequenos aglomerados semelhantes a algodão fixados às folhas e aos caules.
Observa-se frequentemente um depósito pegajoso (chamado melada) nas folhas, seguido de um amarelecimento progressivo das mesmas. As folhas podem acabar por cair. Observando de perto, é possível ver aglomerados brancos e felpudos na página inferior das folhas ou nos caules.
As infestações surgem sobretudo quando o ar está demasiado seco ou quando a planta está fragilizada por cuidados inadequados, como uma rega irregular ou falta de luz, por exemplo. Também podem propagar-se a partir de outras plantas infestadas que se encontrem nas proximidades.
Tratamento:
- Retire as cochonilhas com um cotonete embebido em álcool a 70°.
- Pulverize uma mistura de água e sabão preto, à qual deve adicionar 1 colher de chá de óleo de colza e álcool.
- Repita a aplicação várias vezes para eliminar as fases jovens das pragas e os ovos.
Prevenção:
- Inspecione regularmente a planta, sobretudo na axila das folhas.
- Mantenha uma boa humidade ambiente para limitar o seu aparecimento.
- Isole as plantas novas antes de as colocar junto do cróton.
→ Leia a nossa ficha de aconselhamento específica sobre as cochonilhas para saber tudo sobre como eliminá-las.
Ácaros (aranhiços vermelhos)
Os ácaros são organismos minúsculos que adoram o ar seco. Atacam as folhas, sugando a sua seiva e causando rapidamente danos visíveis.
As folhas apresentam manchas amareladas ou acastanhadas, perdem o seu brilho natural e acabam por secar. Também podem surgir teias muito finas entre os caules e a página inferior das folhas.
Estas pragas desenvolvem-se sobretudo no inverno, com o aquecimento, quando o ar está demasiado seco. Um ambiente quente e pouco húmido é particularmente favorável ao seu desenvolvimento.
Tratamento:
- Coloque a planta no duche e regue abundantemente a folhagem com o chuveiro.
- Repita a operação regularmente, a cada 4 a 5 dias, para desalojar os insetos.
- Se a infestação for intensa, introduza auxiliares como Phytoseiulus persimilis, um ácaro predador dos aranhiços vermelhos.
Prevenção:
- Aumente a humidade ambiente em redor do cróton, agrupando as plantas, utilizando um humidificador nas proximidades ou instalando a planta numa divisão mais húmida, como a casa de banho ou a cozinha.
- Borrife regularmente as folhas com água sem calcário.
- Vigie a planta, sobretudo durante o período de aquecimento.
- Evite os locais demasiado quentes e secos para instalar o cróton, que aprecia uma humidade ambiente de 50 a 60%.
→ Consulte o nosso artigo detalhado sobre os aranhiços vermelhos para saber mais sobre os tratamentos.

Os ácaros são pouco visíveis a olho nu: são as alterações nas folhas ou as teias finas que dão o alerta
Leia também
O cróton: plantação, cultivo e manutençãodoenças fúngicas
Mesmo no interior, o cróton pode ser afetado por fungos, sobretudo quando a humidade é demasiado elevada ou quando a rega é mal gerida. Estas doenças afetam principalmente as raízes, mas também podem atingir a folhagem em alguns casos.
Podridão das raízes
Esta doença fúngica surge quando as raízes permanecem mergulhadas num excesso de humidade, favorecendo o desenvolvimento de fungos patogénicos.
A planta começa a definhar sem razão aparente: as folhas ficam amarelas, murcham e acabam por cair. Quando se retira a planta do vaso, as raízes apresentam-se castanhas, moles e até com mau cheiro, estando em processo de decomposição.
Regas demasiado frequentes, um vaso sem orifício de drenagem ou um substrato demasiado compacto impedem a água de escoar corretamente. Cria-se assim um meio asfixiante e propício ao desenvolvimento de fungos como o Pythium ou o Phytophthora.
Tratamento:
- Retire a planta do vaso para observar o estado das raízes.
- Corte todas as raízes enegrecidas ou moles com uma ferramenta limpa.
- Transplante para um substrato novo, um substrato de qualidade, leve e bem drenante, e para um vaso limpo com um orifício de drenagem. Se houver tendência para regar em excesso, prefira um vaso de terracota, poroso, que permite uma evacuação mais rápida da água.
Prevenção:
- Deixe o substrato secar à superfície entre duas regas. O cróton precisa de um substrato ligeiramente húmido, mas nunca encharcado.
- Utilize sempre um substrato de qualidade, com boa retenção de água, mas arejado e bem drenante (adicione perlite para melhorar a drenagem).
- Esvazie o prato depois de cada rega para evitar a acumulação de água.

Se o seu cróton sofrer com o excesso de rega, será aconselhável optar por um vaso de terracota para o receber
Problemas fisiológicos e ambientais
O cróton é sensível às mudanças do ambiente e aos erros de cultivo. Podem surgir vários sinais visuais sem que estejam envolvidos parasitas ou fungos.
Folhas amarelas
Se observar uma folha amarela ocasionalmente, que acaba por cair, trata-se de um fenómeno natural de envelhecimento. No entanto, se este fenómeno ocorrer com frequência, é necessário procurar a causa: as folhas começam a amarelecer, muitas vezes a partir da base da planta. Podem cair rapidamente se o problema persistir. O amarelecimento pode ser uniforme ou começar pelas margens.
Este fenómeno está geralmente relacionado com um excesso de água, uma drenagem deficiente, falta de luz ou stress térmico. Uma carência de nutrientes ou uma água demasiado calcária também pode agravar o problema.
Tratamento:
- Reduza a frequência da rega e deixe o substrato secar entre duas regas.
- Verifique se existe um orifício de drenagem e se o substrato é leve.
- Coloque a planta num local mais luminoso, sem sol direto intenso. O cróton tolera o sol da manhã ou do final do dia através de um vidro, mas precisa muito de boa luminosidade.
- Evite as correntes de ar e mantenha uma temperatura estável.
Prevenção:
- Adapte a rega à estação do ano e ao ritmo da planta: regue menos no inverno e mais durante os períodos quentes.
- Alimente a planta com um adubo para plantas verdes uma vez por mês na primavera e no verão
Pontas castanhas
As extremidades das folhas tornam-se castanhas e secas, por vezes de forma isolada, por vezes em várias folhas ao mesmo tempo.
As pontas castanhas estão, na maioria das vezes, relacionadas com um excesso de sais minerais no substrato, causado por água dura ou por um excesso de adubo. Outras condições também podem provocá-las, como um ar demasiado seco ou uma rega irregular. Se desejar, pode cortar cuidadosamente as pontas secas, sem atingir o tecido saudável.
Prevenção:
- Regue o cróton com água da chuva ou água filtrada.
- Lave abundantemente o substrato com água limpa durante o duche. Este processo chama-se lavar o substrato e permite eliminar os resíduos de sais.
- Se pulverizar regularmente a sua planta, utilize água sem calcário. Em alternativa, utilize um humidificador para manter uma humidade de 50–60 % em redor da planta.
- Adube com moderação e sempre sobre solo húmido.
Queda das folhas
A planta perde bruscamente várias folhas, muitas vezes sem amarelecimento prévio. Isto pode acontecer logo após uma mudança de ambiente ou um período de stress.
Uma queda brusca das folhas é frequentemente desencadeada por uma corrente de ar frio, pela mudança de local da planta, por uma alteração súbita da temperatura ou por uma variação da humidade. Um excesso ou uma falta de água também pode ser responsável.
Prevenção:
- Estabilize o ambiente em redor do cróton, evite mudá-lo de local e instale-o num lugar onde a temperatura seja estável.
- Coloque o cróton ao abrigo de portas e janelas que sejam abertas com frequência.
- Mantenha uma temperatura constante entre 18 e 24 °C.
- Evite fontes de calor direto, como os radiadores.
- Adapte a rega à estação do ano e certifique-se de que o substrato não permanece encharcado nem demasiado seco.
- Corte ligeiramente os caules, se necessário, para estimular o novo crescimento.
Folhas descoloradas ou baças
As cores vivas das folhas do belo cróton perdem intensidade, tornando-se verde-pálidas ou amarelo-esverdeadas. As nervuras podem continuar visíveis.
A falta de luz é a principal causa. O cróton precisa de muita luminosidade para conservar as suas tonalidades brilhantes. Um excesso de azoto no adubo também pode fazer perder intensidade às cores.
Prevenção:
- Não hesite em expor o seu cróton aos raios solares, desde que não sejam demasiado intensos: evite o sol do meio do dia e das 16 h ou mais durante o verão ou em regiões quentes.
- Verifique o teor de azoto do seu adubo, representado pela letra N na composição NPK.
- Nas estações com menos luminosidade, aproxime a sua planta de uma janela bem exposta ou compense com uma lâmpada de horticultura.

Seria uma pena deixar a folhagem colorida deteriorar-se
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