Doenças e pragas das urzes: sintomas, tratamentos naturais e conselhos de prevenção

Doenças e pragas das urzes: sintomas, tratamentos naturais e conselhos de prevenção

Como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las?

Resumo

Modificado em 23 de junho de 2025  por Gwenaëlle

Robustas e rústicas na maioria das variedades, as urzes raramente desenvolvem doenças, sendo também apreciadas por esta resistência. Embora não se conheça nenhuma praga que as ataque, consoante as condições de cultivo, algumas podem apresentar uma folhagem enfraquecida ou definhar, afetadas por doenças criptogâmicas.

Eis as principais doenças que podem afetar as urzes, sejam urzes-roxas ou urzes de inverno.

urze seca: porquê?

Muito robustas e resistentes, as urzes raramente adoecem, sendo por vezes afetadas por fungos quando não são cultivadas em terrenos adequados

Dificuldade

A fitóftora: a doença mais comum

A Phytophthora cinnamomi é uma doença fúngica temível que afeta muitas plantas consideradas de terra ácida, ou seja, que vivem em solo ácido, como as urzes. Este fungo (um oomiceto do solo, frequentemente confundido erradamente com um verdadeiro fungo) vive no solo, ataca as raízes e os colos, sobretudo durante os períodos quentes. Desenvolve-se em condições húmidas e quentes, penetrando nas raízes e subindo pela planta, bloqueando assim o transporte da água e dos nutrientes. Ataca sobretudo as urzes muito rústicas dos géneros Erica e Calluna.

  • Sintomas: a fitóftora manifesta-se frequentemente através de uma murchidão súbita das folhas, sobretudo no verão, quando as temperaturas são elevadas. As folhas podem amarelecer, adquirindo depois uma coloração castanha a acinzentada, e secar rapidamente, o que provoca a morte rápida de ramos inteiros. Isto pode conduzir à morte de toda a planta ou de parte dela se não for tratada a tempo.
  • Tratamento: arranque as plantas muito afetadas e leve-as a um ecocentro. Para tratar a fitóftora, recomenda-se a utilização de um fungicida adequado, que pode ser aplicado diretamente na planta. É igualmente fundamental melhorar a drenagem do solo para evitar que a água fique acumulada junto às raízes. Nas urzes pouco afetadas, pulverize regularmente com adubos foliares (quais?).
  • Prevenção: evite os excessos de água, regando moderadamente e assegurando uma boa drenagem do solo. Plante as urzes num solo arejado e evite as zonas onde a água se possa acumular. A utilização de terra ácida de qualidade e a prevenção de solos pesados ou mal drenados podem também ajudar a reduzir os riscos de infeção por fitóftora. Os adubos foliares ricos em oligoelementos (Mg, Mn, Zn) podem reforçar a resistência da planta, mas não curam a infeção. Por fim, entre as soluções naturais, o alho tem uma ação fungicida suave e a urtiga estimula as defesas da planta, mas nenhum dos dois consegue travar uma infeção ativa.

Rhizoctonia solani: um flagelo discreto das urzes em solo húmido

A rizoctónia castanha (rhizoctonia solani) é uma doença causada por um fungo do solo que afeta as urzes, sobretudo em ambientes húmidos e mal ventilados. Desenvolve-se frequentemente quando as plantas estão demasiado próximas ou quando a folhagem é densa, criando condições ideais para a proliferação do fungo. A rizoctónia castanha afeta, em geral, todas as urzes, mas as urzes-de-inverno e as urzes-irlandesas podem ser um pouco mais sensíveis devido à sua folhagem mais densa.

  • Sintomas: a rizoctónia provoca o enfraquecimento dos caules e o acastanhamento das folhas, frequentemente acompanhado pela formação de um micélio castanho nas partes afetadas. As folhas podem secar e cair, deixando a planta com um aspeto débil. O micélio é, por vezes, branco a castanho-claro e visível ao nível do colo ou da base dos caules.
  • Tratamento: para combater a rizoctónia, é importante garantir uma boa circulação do ar entre as plantas, de modo a reduzir a humidade. Evite o excesso de rega e certifique-se de que o solo é bem drenado, para impedir a proliferação do fungo.
  • Prevenção: espace suficientemente as plantas para evitar que as folhas se toquem e favorecer, assim, uma melhor circulação do ar. Utilize um substrato bem drenado para evitar a acumulação de humidade em redor das raízes.

O Pythium: uma podridão radicular temida nas urzes jovens

O Pythium ultimum é um oomiceto do solo responsável pela podridão das raízes, sobretudo nas plantas jovens de urzes do tipo Calluna em solo encharcado. Compromete o crescimento ao atacar as raízes, que enegrecem e se tornam esponjosas. É um parasita oportunista que se instala sobretudo quando a oxigenação do solo é insuficiente, em solos húmidos e com má drenagem. Compromete a capacidade da planta para absorver a água e os nutrientes necessários ao seu crescimento.

  • Sintomas: murchidão rápida, folhas amolecidas e, depois, amarelecimento, indicando que a planta já não recebe nutrientes suficientes. As raízes tornam-se pouco a pouco castanhas e, depois, desagregam-se.
  • Tratamento: aplicar um fungicida específico contra oomicetos (fosetil-alumínio ou propamocarbe) para tratar as plantas infetadas. Melhorar rapidamente a drenagem e reduzir a humidade do solo, ajustando as práticas de rega para evitar que as raízes permaneçam constantemente molhadas.
  • Prevenção: evitar plantar as urzes em zonas onde o solo permaneça constantemente húmido e assegurar uma boa drenagem do solo, para evitar a acumulação de água à volta das raízes. No cultivo em vaso, evitar substratos demasiado finos, que retêm a água. Uma infusão de canela, uma decocção de alho e chorume de fetos podem ajudar a prevenir o problema num substrato saudável.
Urze doente: porquê

O Pythium pode afetar plantações jovens de Calluna

A podridão radicular ou armilária: rara, mas fatal

A podridão radicular, ou Armillaria mellea, é um fungo lignívoro que ataca sobretudo as raízes das plantas lenhosas, incluindo as urzes, embora isso seja raro. Surge frequentemente em solos já colonizados por este fungo, nomeadamente em solos arborizados e em jardins instalados em antigos terrenos florestais ou após o abate de árvores. Todas as urzes são sensíveis, mas este fungo é pouco comum no cultivo ornamental ao ar livre.

O fungo infeta as raízes em profundidade, provocando necrose dos tecidos condutores e interrompendo assim a absorção de água e nutrientes. Pode sobreviver durante muitos anos nas raízes mortas ou nos cepos de árvores antigas.

  • Sintomas: os sinais incluem um enfraquecimento progressivo, o amarelecimento da folhagem e, por vezes, uma murchidão total. Por vezes, observa-se também uma penugem branca sob a casca das raízes e um escurecimento dos tecidos. A planta pode desenraizar-se facilmente, pois as raízes tornam-se quebradiças ou apodrecem.
  • Tratamento: não existe nenhum método curativo eficaz depois de a planta ser afetada. É necessário arrancar e destruir as plantas, removendo depois as raízes contaminadas. Evite replantar no mesmo local sem desinfeção ou pousio. Não está comprovada a eficácia de nenhum tratamento natural. O solo contaminado continua a ser problemático.
  • Prevenção: plante num solo bem drenado e evite restos de madeira ou cepos enterrados. Favoreça a exposição solar e não plante urzes junto de sebes antigas ou de zonas florestais se houver suspeita de contaminação do solo.

Aspetos a reter no tratamento das urzes doentes

O Phytophthora, o Pythium e a Rhizoctonia são oomicetes ou fungos do solo muito persistentes! Tratamentos naturais, como os chorumes de urtiga, de cavalinha ou de alho, podem reforçar a planta e abrandar a propagação, mas nenhum elimina a infeção depois de instalada. Mantêm-se como medidas preventivas e reforçam apenas as defesas da planta.

Nos casos graves (Phytophthora e Pythium), a utilização pontual de um fungicida autorizado pode, por vezes, ser necessária para salvar a planta.

A melhor estratégia natural consiste no método de plantação e na prevenção.

Para recordar, as urzes desenvolvem-se bem em:
– um solo muito bem drenado
– uma exposição solarenga
– solos ácidos a neutros, exceto a Erica carnea e a Erica vagans, que toleram o calcário

Por fim, realize sempre as suas podas de manutenção da urze com material desinfetado!

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Cuidar das urzes