Resumo
Plantar bolbos na primavera ou no verão é sempre um momento mágico. Colocam-se os bolbos na terra, esquecem-se muitas vezes e, algumas semanas ou meses mais tarde, surgem plantas ornamentais que não tardam a florir. No entanto, quando tem um bolbo na mão, qualquer jardineiro, principiante ou experiente, depara-se sempre com uma dúvida: em que posição devem ser plantados estes bolbos? Uma questão simples, quase banal, mas de importância essencial para obter uma bela floração.
Fique a saber mais sobre os diferentes tipos de bolbos e a posição em que devem ser plantados.
O que é, exatamente, um bolbo?
Antes de abordar o significado, talvez seja útil esclarecer o que é realmente um bolbo. Talvez seja até mais correto falar de uma planta bolbosa, sendo o bolbo a base carnosa que constitui uma reserva de alimento. Trata-se, de certa forma, de uma reserva natural, um órgão de armazenamento subterrâneo que já contém tudo o que é necessário para o crescimento de uma planta. No seu interior desenvolvem-se os futuros rebentos e, por vezes, até as primeiras raízes. Também aí se armazenam reservas de nutrientes.
As plantas bolbosas passam obrigatoriamente por um período de dormência, e estes bolbos permitem-lhes sobreviver às condições difíceis. Assim, alguns bolbos, frequentemente originários da África do Sul, têm um período de dormência estival para sobreviver à seca. Outros, como as tulipas, os narcisos e os jacintos, permanecem em dormência até à primavera para evitar o frio do inverno.
É possível distinguir quatro tipos de bolbos:
- Os bolbos verdadeiros: estes bolbos possuem escamas carnosas, constituídas por folhas ou caules de folhas. Estas escamas formam filas concêntricas fixadas numa base plana de onde saem as raízes. Estes bolbos aumentam de tamanho através da formação de novas escamas e produzem bolbilhos. Nesta categoria incluem-se as tulipas, os narcisos, as amarílis, os jacintos, os alhos ornamentais, as fritilárias…
- Os cormos: os cormos são constituídos por uma só peça e não por escamas encaixadas. Formam uma base espessa e subterrânea de um caule. Na realidade, possuem escamas quase invisíveis e, quando são cortados, verifica-se que são constituídos por uma só peça. Os cormos renovam-se todos os anos, formando um ou vários cormos. Entre as plantas com cormo encontram-se os lírios, as montbrécias, os gladíolos, os açafrões-da-primavera, algumas espécies de íris, as watsonias, as frésias, as babianas, as Chasmanthes, as íxias, as Moraea, as Sparaxis, as tritónias e as tigrídias.

No sentido dos ponteiros do relógio, os bolbos verdadeiros, os cormos, os rizomas e os tubérculos.
- Os tubérculos: este termo engloba as raízes tuberosas (dálias, ranúnculos…), os tubérculos verdadeiros (Caladium…), os caules tuberosos (anémonas-dos-floristas, begónias tuberosas, ciclâmenes) e os tubérculos aéreos (begónias perenes, Ceropegia woodii).
- Os rizomas: são caules subterrâneos engrossados que crescem horizontalmente à superfície ou sob a superfície do solo (canas-da-Índia, lírio-do-vale, íris alemãs, Achimenes, anémonas-dos-bosques, Anigozanthus).
Aprender a distinguir estes diferentes bolbos permite compreender como plantá-los.
Em que posição se deve plantar cada bolbo?
Por terem formas diferentes, os diferentes “bolbos” não se plantam todos da mesma forma:
- os bolbos verdadeiros: plantam-se com a ponta voltada para cima e a base plana para baixo.
- Os cormos: têm frequentemente uma forma ligeiramente achatada, com “olhos” ou gomos na parte superior. É importante identificar bem esta parte, pois é a partir daí que a planta se desenvolverá.
- Os rizomas: posicionam-se na horizontal, mesmo por baixo da superfície do solo, tendo o cuidado de orientar para cima os gomos ou olhos que darão origem aos futuros rebentos.
- Os tubérculos: neste caso, é necessário identificar a parte superior (de onde saem os gomos) e a parte inferior (onde se encontram as raízes). Plantam-se com os olhos voltados para cima, tal como as batatas-inglesas.

Os bolbos verdadeiros plantam-se com a ponta voltada para cima
Em caso de dúvida, o que procurar no bolbo?
Por vezes, pode ser difícil distinguir verdadeiramente a parte de cima da parte de baixo, sobretudo no caso de formas de bolbos menos comuns, como os cormos, os tubérculos ou os rizomas. Outros indícios podem ajudar:
- Procure as raízes: se encontrar uma base mais áspera, com pequenos filamentos ou um aspeto fibroso, trata-se geralmente da parte inferior, quer seja um bolbo, um cormo ou um tubérculo.
- Procure os gomos ou os rebentos: quer se trate de uma pequena ponta verde num bolbo, de um «olho» num tubérculo ou de um gomo dormente num rizoma ou num cormo, esta é frequentemente a parte de cima!
- Observe a forma: a maioria dos bolbos é cónica (mais larga em baixo e pontiaguda em cima). Os tubérculos são frequentemente irregulares, mas os olhos ou rebentos devem apontar para o céu. Os rizomas, por sua vez, plantam-se na horizontal, com os gomos virados para cima, mesmo abaixo da superfície.

Gomo dormente num cormo
E se ainda não tiver a certeza, saiba que a natureza é sábia. A maioria das plantas encontrará o caminho até à luz, mesmo que tenha sido plantada ligeiramente inclinada. O bolbo gastará simplesmente um pouco mais de energia para corrigir a sua trajetória. A floração poderá apenas atrasar-se ligeiramente e o caule poderá crescer inclinado, mas a planta adapta-se perfeitamente.
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Bolbos: flores para todas as estaçõesQuando plantar e a que profundidade plantar um bolbo?
Depois de identificar a orientação, é também importante pensar na altura certa e na profundidade adequada. Eis um breve resumo:
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Bolbos de primavera (floração em março-abril): plantam-se no outono (de setembro a novembro).
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Bolbos de verão (dálias, gladíolos, etc.): plantam-se na primavera, quando já não houver geadas.
Quanto à profundidade, aplica-se uma regra simples: os bolbos plantam-se a uma profundidade equivalente a 2 a 3 vezes a sua altura. Assim, um bolbo com 4 cm de altura planta-se a uma profundidade de 8 a 12 cm.
Mais alguns conselhos úteis
- Preparar bem o solo: deve ser leve e drenante. Os bolbos não gostam de água estagnada!
- Adicionar areia ou cascalho no fundo da cova se o solo for pesado.
- Plantar os bolbos em grupo: é mais natural e mais bonito do que em linha reta.
- Marcar o local: sobretudo no outono, caso contrário, esquece-se rapidamente onde foram plantados.
- Não é necessário regar abundantemente: exceto durante períodos de seca, os bolbos não precisam de muita água.
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