Mudas de legumes enxertadas
O que é? Qual o interesse na horta?
Resumo
Há séculos que a técnica de enxertia é utilizada na arboricultura para tirar o melhor partido de duas variedades cultivadas. O porta-enxerto confere geralmente vigor ao garfo de enxerto que, por sua vez, é cultivado pela qualidade gustativa dos seus frutos. Hoje, a enxertia está a ser aplicada aos legumes e as plantas de legumes enxertadas apresentam inúmeras vantagens. O que é um legume enxertado? Qual é a vantagem? Como cultivá-lo? É possível enxertar os seus próprios legumes? Descubra a resposta a todas as suas questões!
O que é uma enxertia e quais as suas vantagens?
O que é um legume enxertado?
As plantas enxertadas resultam de uma técnica profissional, frequentemente utilizada na horticultura, que consiste em associar numa mesma planta as vantagens genéticas de duas espécies (ou variedades) diferentes. Um legume enxertado é composto por:
- Uma parte inferior que inclui o sistema radicular e o colo, ou seja, o porta-enxerto.
- A parte superior da planta, que inclui o caule (que produzirá os frutos), ou seja, o garfo de enxerto.
- A junção das duas plantas faz-se logo acima do colo, a parte da planta situada entre as raízes e o caule.

As diferentes partes de um legume enxertado
Um porta-enxerto é selecionado pela sua capacidade de resistência às doenças e pela sua vigor. Estas vantagens são transmitidas ao garfo de enxerto, que por sua vez é selecionado pelas qualidades gustativas do fruto.
Quais são as vantagens da enxertia?
As principais vantagens de um legume enxertado são:
- Um maior vigor das plantas e, consequentemente, uma maior produtividade.
- Uma melhor resistência a doenças e pragas.
- Plantas mais precoces e com produção ao longo de um período mais longo.
- A frutificação das plantas enxertadas começa mais abaixo no caule principal.
Quais os legumes abrangidos pela enxertia?
Enxertam-se sobretudo legumes-fruto, ou seja, os legumes cujo ciclo entre a sementeira e a colheita é mais longo. As espécies mais frequentemente enxertadas são os tomates, pimentos e beringelas, da família das Solanáceas, e os pepinos, curgetes, melões e melancias, da família das Cucurbitáceas. Descubra a nossa gama de legumes enxertados!
Cultivar legumes enxertados
Os cuidados de cultivo das plantas enxertadas
Na horta, os legumes enxertados cultivam-se da mesma forma que os legumes não enxertados. Basta ter cuidado para não enterrar o ponto de enxerto sob a terra, com o risco de emitir novas hastes. Os frutos provenientes dessas hastes teriam as características do porta-enxerto e não do garfo de enxerto! Encontre os nossos outros conselhos para realizar a plantação de mini-torrões.
Tenha também o cuidado de retirar o clipe do ponto de enxerto quando as hastes forem suficientemente robustas e quando a enxertia estiver bem consolidada. Para isso, basta pressionar suavemente no lado oposto, como numa mola de roupa!
Enxertar os seus próprios legumes
É perfeitamente possível produzir os seus próprios vegetais enxertados, embora seja mais adequado a jardineiros experientes, pois é necessário material, técnica e muita prática! As primeiras enxertias são, muitas vezes, mal-sucedidas!
A sementeira das sementes para enxertia faz-se cedo na estação; é preferível dispor de uma câmara de cultura com luz artificial para obter plantas fortes e atarracadas. As plantas enxertadas necessitam de uma câmara húmida durante o período de pega. As variedades porta-enxerto nem sempre são fáceis de encontrar e cada uma trará as suas vantagens específicas aos garfos de enxerto. Exemplo de variedades de tomates porta-enxerto: ‘Arnold’, ‘Petit moineau‘, ‘Beaufort’, ‘Multifort’, etc.
As sementes de porta-enxerto são sempre semeadas antes das sementes dos garfos de enxerto. O intervalo de tempo entre as duas sementeiras depende da técnica de enxertia que se pretende utilizar. Varia de uma semana a cerca de 20 dias. Existem numerosos métodos de enxertia: enxertia de topo à japonesa, em fenda, por palito, por aproximação, por fio de cobre, por chave de fendas.
Exemplo: a enxertia de topo à japonesa:
Esta técnica consiste em seccionar, com um bisturi bem afiado e desinfetado, o porta-enxerto imediatamente acima dos cotilédones com um ângulo de 45°. O garfo de enxerto é cortado com o mesmo ângulo, assegurando que o diâmetro dos dois caules seja idêntico. As duas zonas seccionadas são colocadas em contacto, sendo adicionado um clipe de silicone para as manter unidas. A planta enxertada é colocada numa câmara húmida e escura para favorecer a cicatrização, que ocorre ao fim de alguns dias.
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