O que comem realmente as plantas carnívoras?
Armadilhas, presas e digestão: a vida carnívora das plantas
Resumo
Quando se pensa numa planta, imagina-se muitas vezes algo tranquilo e imóvel, que se contenta com sol, água e um pouco de terra. Mas algumas plantas alteram completamente esta imagem… São as plantas carnívoras! Com as suas armadilhas estranhas e, por vezes, espetaculares, intrigam tanto quanto fascinam. Mas, afinal, o que comem realmente? Alimentam-se apenas de insetos? Pode falar-se realmente de «carnivorismo» numa planta? E, sobretudo, será que é possível (ou necessário) alimentá-las?
Descubra neste artigo o seu regime alimentar tão particular, distinga o verdadeiro do falso e perceba por que razão estas plantas são muito mais do que simples curiosidades botânicas.
A alimentação das plantas carnívoras: mito e realidade
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As plantas carnívoras não são exigentes… mas têm, ainda assim, um menu bem definido, muitas vezes determinado pelo tamanho e pelo tipo de armadilha que utilizam. Em geral, capturam pequenas presas fáceis de apanhar e digerir.
As presas mais comuns das plantas carnívoras:
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Insetos voadores: moscas, mosquitos, pequenos mosquitos… são as presas preferidas das dioneias e das sarracénias.
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Insetos rastejantes: formigas, escaravelhos, percevejos… frequentemente capturados pelas Drosera graças às suas folhas pegajosas.
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Aranhas e outros pequenos artrópodes: muitas armadilhas são suficientemente versáteis para os capturarem também.
E, por vezes, presas maiores…
Foi observado que algumas Nepenthes de grandes dimensões (plantas tropicais com urnas) capturam rãs, lagartos ou até pequenos roedores! Mas é muito raro e estes animais não constituem a sua principal fonte de alimento. Estes casos ocorrem sobretudo em ambientes tropicais muito húmidos, onde estas presas caem acidentalmente para dentro da urna.
Por isso, não, a dioneia não vai tentar comer o seu gatinho ou o seu dedo. As plantas carnívoras estão muito mais adaptadas a pequenas presas… e nunca caçam ativamente.

As moscas fazem parte da alimentação das plantas carnívoras
Como digerem as plantas carnívoras as suas presas?
Depois de capturar a presa, a planta não fica por aqui: é preciso digeri-la para extrair os nutrientes. E aí, cada espécie tem a sua própria técnica, muitas vezes tão surpreendente como a própria armadilha!
As enzimas digestivas: o método caseiro
Plantas como a dioneia (Dionaea muscipula) ou as droseras secretam as suas próprias enzimas para «partir» a presa em pequenos pedaços assimiláveis. É um pouco como um estômago vegetal, mas tudo acontece à superfície da folha ou no interior da armadilha.
As bactérias aliadas: o método colaborativo
Outras plantas, como as Nepenthes ou as sarracénias, contam também com micro-organismos presentes na sua armadilha (muitas vezes cheia de líquido) para as ajudar a decompor as suas vítimas. É uma espécie de digestão delegada, um pouco mais lenta, mas eficaz.
O mais surpreendente é que estas plantas desenvolveram estratégias de caça sem nervos nem músculos. Tudo acontece graças à pressão, à capilaridade e a pequenos movimentos celulares. Alta tecnologia… 100% natural!
Os tipos de armadilhas: estratégias formidáveis
As plantas carnívoras inventaram armadilhas tão variadas como engenhosas, cada uma adaptada a um ambiente ou a uma presa específica. Observar uma planta carnívora a caçar é como assistir a um documentário em direto.
- As armadilhas de mandíbula
A dioneia (ou «apanha-moscas») é o exemplo mais emblemático. Os seus dois lóbulos fecham-se rapidamente quando um inseto toca em pelo menos dois pelos sensitivos em menos de 30 segundos. É um sistema de segurança que evita falsos positivos, como uma gota de água ou uma folha. Depois de fechada, a planta secreta enzimas digestivas durante vários dias.
- As armadilhas pegajosas
As droseras estão cobertas de pequenos pelos viscosos que brilham como orvalho. Assim que um inseto fica colado, os tentáculos começam a curvar-se lentamente para o envolver. É uma armadilha lenta, mas eficaz, um pouco como um abraço vegetal pegajoso.
- As armadilhas em forma de urna
As Nepenthes e as sarracénias produzem folhas em forma de tubo escorregadio. O inseto é atraído pelo néctar no topo, perde o apoio e cai num líquido cheio de enzimas, onde se afoga lentamente. Algumas urnas possuem até uma tampa para evitar a diluição provocada pela chuva!
- As armadilhas de sucção
As utriculárias, aquáticas, utilizam armadilhas subaquáticas que aspiram pequenas presas em menos de um milissegundo. É a armadilha mais rápida do reino vegetal!
- As armadilhas tipo nassa
Mais raras, as Genlisea atraem micro-organismos para uma espiral subterrânea. É impossível voltar para trás: as presas perdem-se num túnel que segue apenas numa direção.

As armadilhas em forma de urna de algumas plantas carnívoras
O que as plantas carnívoras não comem (e o que nunca se deve dar-lhes)
Quando se descobre uma planta carnívora, é tentador querer alimentá-la pessoalmente… mas atenção, elas não comem qualquer coisa! E uma “boa intenção” pode, por vezes, fazer-lhes mais mal do que bem.
O que não se deve de todo dar às plantas carnívoras:
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Pedaços de carne, fiambre, peixe, queijo… em suma, nada do que sai do frigorífico. São alimentos demasiado ricos para elas, que podem apodrecer na armadilha e fazê-las morrer.
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Comida para animais, ração, etc.: o problema é o mesmo, são alimentos demasiado pesados e inadequados.
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Insetos mortos demasiado secos: se quiser alimentá-las manualmente (o que não é necessário no exterior), a presa deve estar minimamente fresca para ativar a digestão.
E, sobretudo: nada de alimentação forçada!
As plantas carnívoras não precisam de ser alimentadas regularmente. Um excesso de presas pode cansar a planta, ou até fazê-la apodrecer, sobretudo no interior, onde a humidade é mais baixa. O ideal? Deixá-las caçar sozinhas, como na natureza.
Uma pequena lembrança útil: uma armadilha (como a de uma dioneia) só se fecha um número limitado de vezes. Cada fecho consome energia à planta. Por isso, evitar acioná-las para “ver como funciona” é uma verdadeira ajuda para a sua saúde.
As necessidades nutricionais reais das plantas carnívoras
Poderia pensar-se que as plantas carnívoras precisam de muitas presas para sobreviver, mas, na realidade, as suas necessidades são bastante modestas. O que lhes falta no solo são sobretudo alguns nutrientes essenciais, em particular:
O azoto, o rei do crescimento
É o principal elemento que procuram nas suas presas. O azoto é indispensável para produzir proteínas, clorofila e enzimas. Os solos onde crescem as plantas carnívoras são frequentemente pobres em azoto, daí a necessidade de capturarem insetos para compensar essa carência.
Fósforo, potássio & companhia
Estes nutrientes contribuem para a floração, a formação das raízes e o bom funcionamento geral da planta. As presas fornecem-lhes um pequeno cocktail bem-vindo, embora continuem a produzir a sua energia através da fotossíntese, como todas as outras plantas.
Água, luz e ar puro: a verdadeira base da sua saúde
O verdadeiro segredo para manter uma planta carnívora em plena forma não é “empanturrá-la”, mas sim proporcionar-lhe um ambiente adequado:
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Muita luz natural (ou uma lâmpada de cultivo no interior)
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Água da chuva, de osmose inversa ou desmineralizada, nunca da torneira (contém demasiados minerais)
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Ar húmido e puro, sobretudo para Nepenthes e Drosera tropicais
Em suma, uma planta carnívora bem instalada quase nunca precisará de um pequeno extra no menu.

Deixe as plantas carnívoras tratarem da sua alimentação, mas proporcione-lhes boas condições de cultivo
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