Resumo
A brunera em poucas palavras
- A brunera é uma excelente cobertura vegetal para a sombra
- Oferece pequenas flores azuis na primavera, muito semelhantes aos miosótis
- A sua folhagem é muito decorativa, frequentemente marcada com manchas prateadas ou cor de creme.
- É uma planta robusta e fiável, muito fácil de cultivar
A palavra da nossa Especialista
A brunera é uma planta perene de sub-bosque que oferece uma bela floração primaveril e uma folhagem muito decorativa. As flores azuis, estreladas e delicadas, assemelham-se muito às do miosótis! Harmonizam-se à perfeição com os tons da folhagem. A brunera forma tufos densos e bastante largos, o que a torna uma cobertura vegetal ideal. As folhas, cordiformes, são frequentemente verde-escuro com padrões cinzento-prateado, como no caso da brunera ‘Jack Frost’.
A brunera conta-se entre as mais belas plantas dos jardins de sombra. É uma planta perene decorativa quase todo o ano, exceto no inverno, pois a sua folhagem é caduca. Os seus tons são frescos e bastante claros. É preciosa para trazer luminosidade às zonas ensombradas do jardim.
A brunera é uma planta robusta, raramente afetada por doenças. É muito fácil de cultivar e não requer praticamente qualquer manutenção. Prospera em sub-bosque, num terreno fresco e humífero, e teme apenas a seca estival. Graças à sua folhagem densa e larga, a brunera é a cobertura vegetal perfeita para a sombra! Impede o crescimento das ervas daninhas. Expande-se progressivamente e tem tendência para se ressemear espontaneamente, podendo assim naturalizar-se no jardim!
Botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Brunnera macrophylla
- Família Boraginaceae
- Nome comum Brunera-do-Cáucaso, Brunera-da-sibéria
- Floração abril - maio
- Altura entre 30 e 50 cm
- Exposição meia-sombra
- Tipo de solo fresco, humífero
- Rusticidade entre – 25 e – 30 °C
As bruneras são plantas perenes de sub-bosque, originárias das florestas húmidas da Europa de Leste e do noroeste da Ásia (Cáucaso, Turquia, Sibéria…). Embora o género Brunnera conte com três espécies, é o Brunnera macrophylla que é, de longe, o mais cultivado. Deu origem a numerosas variedades hortícolas, selecionadas pelas suas qualidades ornamentais. As outras duas espécies são Brunnera sibirica e Brunnera orientalis.
Como o seu nome comum indica (brunera-do-Cáucaso), o Brunnera macrophylla é originário do Cáucaso. Aí cresce espontaneamente em sub-bosque, nas florestas. É isso que explica que seja cultivado à sombra nos jardins, para recriar condições próximas do seu meio natural. A brunera é também uma planta muito rústica.
A brunera recebeu este nome em homenagem ao botânico e médico suíço Samuel Brunner (1790 – 1844). O epíteto específico macrophylla significa «de folhas largas». A brunera é próxima da buglossa (Anchusa), sendo aliás por vezes encontrada sob o nome (sinónimo) de Anchusa myosotidiflora (= «buglossa com flores de miosótis»). Em português, recebe os nomes de brunera-do-Cáucaso, brunera-da-sibéria…
A brunera pertence à família das Boragináceas, a família da borragem, da facélia, das pulmonárias e do confrei! É muito próxima da Anchusa e do Myosotis. Estas três plantas assemelham-se muito ao nível das suas florações. Todas apresentam pequenas flores azuis, estreladas, com cinco lóbulos. A brunera parece ser um miosótis perene de grandes folhas!

A brunera, a Anchusa e o miosótis são três plantas muito próximas! Por ordem: Brunnera macrophylla, Anchusa azurea (foto Zeynel Cebeci) e Myosotis alpestris (foto Jerzy Opioła)
É também bastante surpreendente constatar a semelhança entre as flores de Omphalodes (outra Boraginaceae) e as da brunera. As flores da variedade Omphalodes cappadocica ‘Starry Eyes’ (azul no centro, branco no exterior) parecem ser o exato oposto da Brunnera ‘Starry Eyes’… Nada de surpreendente que estas duas variedades partilhem o mesmo nome!
A brunera cresce com relativa rapidez e forma touceiras amplas de folhagem densa, travando o desenvolvimento das ervas daninhas. Constitui uma excelente cobertura vegetal para situações sombrias. Atinge entre 30 e 50 cm de altura. O Brunnera sibirica é uma espécie vigorosa que se expande amplamente graças aos seus rizomas rastejantes, sem no entanto se tornar invasora.
Uma vez bem instalada, a brunera pode prosperar durante bastante tempo no jardim. Tanto mais que tem por vezes tendência a autossemear-se e a naturalizar-se!
A brunera floresce na primavera, durante cerca de dois meses, geralmente em abril e maio. Mas, consoante o clima e a variedade, a floração pode começar já em março, ou prolongar-se até junho. As hastes florais emergem ao mesmo tempo que surgem as folhas jovens. Ao cortar as flores murchas e ao regar a brunera no verão, pode acontecer que ofereça uma segunda floração, mais tardia (fim do verão – outono).
As flores da brunera têm uma tonalidade muito delicada. São geralmente azuis, do mesmo azul das flores dos miosótis! Um azul claro e suave, de porcelana, matizado por um pequeno círculo branco no centro. Embora sejam menos frequentes, algumas variedades oferecem flores de branco puro. As flores podem também ser bicolores, azuis e brancas, como na variedade ‘Starry Eyes’.
A floração leve e vaporosa do Brunnera macrophylla (foto Agnieszka Kwiecień) / as flores bicolores da Brunnera ‘Starry Eyes’
Pela sua forma e cor, as flores da brunera são muito semelhantes às dos miosótis. São pequenas, medindo entre 4 e 8 mm de diâmetro, e têm um aspeto muito delicado. São estreladas, divididas em cinco segmentos bastante largos e arredondados, que correspondem a cinco pétalas soldadas. Os órgãos reprodutores (estames e pistilo) não são visíveis. As flores da brunera reúnem-se em paniculas que atingem cerca de vinte centímetros de comprimento. A floração tem um aspeto muito leve: as flores assemelham-se a pequenas estrelas azuis que flutuassem sobre a folhagem.
A floração da brunera tem ainda a vantagem de ser melífera, atraindo os insetos polinizadores.
A brunera é apreciada pela sua folhagem muito decorativa! Esta é interessante pelas suas cores e pelos motivos que se desenham no limbo. Além disso, a folhagem é particularmente densa. Assim, quando bem instalada, a brunera impede que as ervas daninhas cresçam! Ocupa perfeitamente o terreno, não lhes deixando espaço para se desenvolverem.
As folhas são grandes e largas, em forma de coração (cordiformes), e medem até 15-20 cm de comprimento. As folhas são mais pequenas antes da floração, tornando-se mais amplas posteriormente. São simples, inteiras, não divididas. Formam dois lóbulos na base, em torno do pecíolo, e terminam em ponta na extremidade. Têm contornos bastante arredondados, em curvas suaves. Pela sua forma e cor, as folhas da brunera podem lembrar um pouco as das hostas. As folhas basais são sustentadas por um pecíolo muito longo… enquanto o pecíolo se encurta nas folhas inseridas na parte superior da haste floral, que se tornam progressivamente sésseis (= sem pecíolo, com o limbo diretamente ligado à haste).
A folhagem tem uma textura áspera, rugosa e pilosa. As nervuras são bem visíveis, em relevo, e conferem à folha um aspeto gofrado.
A folhagem é de um verde bastante escuro, mas ao mesmo tempo fresco, sobre o qual se desenham motivos de cor cinzento-prateado. É frequente que as nervuras se destaquem a verde sobre o restante limbo prateado, compondo magníficos padrões, muito finos, como rendas. Algumas variedades apresentam apenas manchas cinzentas, como a Brunnera ‘Langtrees’, enquanto outras são quase totalmente prateadas (Brunnera ‘Looking Glass’). Encontram-se também algumas variedades com folhagem verde-clara, ou mesmo amarelo-dourado (Brunnera ‘Green Gold’). Por fim, a Brunnera ‘Dawson’s White’ tem folhas verdes largamente marginadas de branco-creme. Assim, as bruneras são plantas preciosas para trazer muita luminosidade e frescura a um jardim de sub-bosque!

As bruneras oferecem folhagens variadas! Por ordem: as bruneras ‘Looking Glass’, ‘Dawson’s White’, ‘Jack Frost’ e ‘Green Gold’
A brunera ‘King’s Ransom’ tem a particularidade de combinar folhas marginadas de creme (como em ‘Hadspen Cream’) sobre um fundo prateado com nervuras verdes (como ‘Jack Frost’)! Uma mistura surpreendente que torna a folhagem muito clara, como «geada».
Encontram-se variedades muito originais e impressionantes, como ‘Looking Glass’, e bruneras com um aspeto bem mais natural e selvagem. Para um jardim de estilo natural, prefira as espécies botânicas, como Brunnera macrophylla ou sibirica… ou eventualmente, ‘Langtrees’.
As flores são valorizadas na perfeição pelo verde da folhagem. São dois tons que se harmonizam a maravilha, conferindo um aspeto muito fresco e natural!
O único defeito da brunera é que a sua folhagem é caduca. Desaparece portanto no outono, e as folhas jovens reaparecem na primavera, ao mesmo tempo que as hastes florais.
Embora a brunera se expanda progressivamente graças aos seus rizomas e ao autossemeio espontâneo, não é uma planta invasora.
As principais variedades de brunera
Brunnera macrophylla Jack Frost
- Período de floração Junho, Julho
- Altura à maturidade 50 cm
Brunnera macrophylla
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 40 cm
Brunnera macrophylla Langtrees
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 40 cm
Brunnera macrophylla Looking Glass
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 40 cm
Brunnera macrophylla Mr Morse
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 40 cm
Brunnera macrophylla Alexander's Great
- Período de floração Maio à Julho
- Altura à maturidade 60 cm
Brunnera macrophylla Hadspen Cream
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 40 cm
Brunnera macrophylla Green Gold
- Período de floração Maio à Julho
- Altura à maturidade 30 cm
Brunnera macrophylla Starry Eyes
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 35 cm
Brunnera sibirica
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 40 cm
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Plantação
Onde plantar?
Como a brunera é uma planta que cresce naturalmente em sub-bosque, sentir-se-á bem instalada à sombra das árvores. O ideal é uma exposição de meia-sombra, por exemplo, que deixe passar o sol da manhã… A brunera é perfeita sob árvores caducifólias. Tolera, no entanto, o sol se o solo se mantiver bem fresco. Evite em todos os casos as exposições abrasadoras. As bruneras com folhagem prateada ou dourada são preciosas para trazer luminosidade aos cantos sombrios do jardim. Se habitar no norte de Portugal, pode instalá-la ao sol, ao passo que numa região mais quente, é preferível plantar a brunera à sombra!
A brunera sentir-se-á bem num terreno rico em húmus. O ideal é um substrato do tipo terra de sub-bosque, solo florestal. Não hesite em adicionar composto bem decomposto no momento da plantação.
A brunera necessita de um solo fresco. Evite cultivá-la se o seu terreno for particularmente seco e pedregoso. Ao contrário de muitas plantas, tolera solos argilosos e bastante pesados. Se estiver instalada num solo fresco, a brunera suportará uma exposição ensolarada.
Pode plantar a brunera em vaso. Será necessário, no entanto, ter um pouco mais de atenção para que o substrato se mantenha fresco (regas mais frequentes do que em plena terra).
Pode colocar a brunera num canteiro de plantas perenes de floração primaveril, numa bordadura, ou integrá-la num jardim de sub-bosque, para uma cena muito natural.
Quando plantar?
Aconselhamos a plantar a brunera de preferência no outono (outubro – novembro). Assim, terá tempo de se instalar bem antes do inverno, para poder florescer na primavera. Mas também é possível plantá-la no início da primavera.
Como plantar?
É preferível respeitar cerca de 40 cm de distância entre as plantas de brunera.
Para plantar as suas bruneras:
- Coloque o torrão numa bacia cheia de água.
- Abra um buraco de plantação, com duas a três vezes o tamanho do torrão. Aconselhamos a adicionar composto ou estrume bem decomposto, pois a brunera aprecia solos ricos em matéria orgânica.
- Posicione a sua planta no buraco de plantação, com o colo ao nível da superfície da terra.
- Volte a colocar o substrato em redor, e depois compacte com a palma da mão.
- Regue generosamente.
Continue a regar nas semanas seguintes à plantação.
Sugerimos instalar uma cobertura morta junto à base da brunera. Isto ajudará a manter um solo fresco e a abrandar o crescimento das ervas daninhas.

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Sinos-de-coral: plantação, cultura e manutençãoManutenção
A brunera necessita de muito pouca manutenção. Como aprecia um solo fresco, pode regar durante o ano da plantação. Depois disso, deverá dispensar regas, exceto em caso de seca estival. As regas deverão ser um pouco mais frequentes se a cultivar em vaso, pois o substrato seca mais rapidamente.
Não hesite em acrescentar todos os anos um pouco de composto bem decomposto ao pé das bruneras, de modo a enriquecer o solo e a favorecer uma floração generosa. Faça-o no outono.
É igualmente preferível cortar as hastes florais assim que estejam murchas. No entanto, pode deixar algumas no lugar se desejar que a planta se autossemeie.
Aconselhamos a colocar uma camada de cobertura morta ao pé das bruneras: Madeira Ramial Fragmentada (BRF), folhas mortas… Isso enriquecerá o solo em matéria orgânica, ao mesmo tempo que limita o crescimento das ervas daninhas e preserva um solo fresco por mais tempo! As condições aproximar-se-ão das que se encontram na floresta, o ambiente natural das bruneras.
A folhagem tende a tornar-se menos bonita no verão, é por isso que aconselhamos a cortar as folhas antigas na base, por volta do mês de agosto. Isso incentiva a brunera a produzir folhas novas, mais estéticas. Como a brunera é uma planta caducifólia, a sua folhagem secará depois no outono. É preferível deixar as folhas mortas sobre a base da planta durante a má estação, pois protegem-na, e cortá-las apenas no final do inverno.
A brunera não é sensível nem a doenças, nem a pragas. Por vezes as lesmas e os caracóis roem a folhagem, mas não é tão frequente. A brunera não é a planta preferida deles!
Multiplicação
Aconselha-se antes as técnicas vegetativas, como a divisão de tufos, embora seja também possível multiplicar as bruneras por estaquia de raízes. É frequente as bruneras serem autossemeadoras. É possível recolher as jovens plântulas provenientes dessas sementeiras espontâneas, para as instalar noutro local. No entanto, as plantas provenientes de sementeira correm o risco de perder as especificidades da variedade (variegação da folhagem).
Divisão de tufos
A brunera é fácil de dividir. Esta técnica tem a vantagem de ser bastante rápida e permite conservar as variedades fiéis. Pode fazer-se no outono ou no final do inverno (março). Escolha um tufo bem desenvolvido, instalado há vários anos.
Para dividir a brunera:
- Prepare vasos com composto. Regue para que fique bem húmido.
- Desenterre um tufo com pelo menos três anos, com cuidado para não danificar o sistema radicular.
- Retire o excesso de terra à volta das raízes.
- Corte a cepa de forma limpa, com uma faca afiada, para obter vários fragmentos.
- É preferível suprimir parte das folhas, conservando apenas algumas, de forma a equilibrar o volume das raízes e da folhagem.
- Replante os fragmentos resultantes da divisão e compacte à volta para garantir um bom contacto entre as raízes e o substrato.
- Não se esqueça de regar bem.
Associar a brunera no jardim
Para uma cena muito natural, a brunera pode ser instalada em sub-bosque com fetos, hostas e epimédios. Privilegie também as plantas que se encontram espontaneamente nas florestas: Paris quadrifolia, Allium ursinum, aspérula-cheirosa (Galium odoratum), jacintos-dos-campos (Hyacinthoides non-scripta), selos-de-Salomão… Aproveite as flores brancas da anémona-dos-bosques (Anemone nemorosa). As bruneras combinam muito bem também com as pulmonárias, plantas com as quais têm muito em comum, que possuem igualmente uma folhagem decorativa e uma floração primaveril nos mesmos tons. A sua utilização e condições de cultura são bastante semelhantes!

Uma ideia de associação para um jardim de sub-bosque: Anemone nemorosa (foto Pandano), Polygonatum multiflorum (foto Radio Tonreg), Pulmonária e Brunnera macrophylla (foto Maulaff)
Como aprecia os ambientes frescos, ou mesmo húmidos, a brunera pode ser colocada perto de um ponto de água, de um lago ou de um pequeno riacho, na companhia de fetos, Iris pseudacorus e prímulas asiáticas. Obterá um espaço muito tranquilo, ideal para recarregar energias!
A brunera pode também ser instalada em canteiro, para compor uma soberba cena de primavera, com prímulas (como Primula veris, a chave-de-ouro, ou Primula denticulata), e bolbos primaveris. Associe-a, por exemplo, à floração elegante e delicada das tulipas botânicas, das cilas (como Scilla siberica), uvas-de-jacinto e narcisos (Narcissus poeticus). A brunera é perfeita para acompanhar outras plantas bastante livres e naturais, como as aquilégias.
Para criar contrastes de formas e de cores, pode associar a brunera a outras folhagens decorativas. Plante-a com hostas, ofiopógões, lúzulas e pulmonárias. Descubra também a folhagem original de Paris polyphylla. Pode obter um soberbo efeito de contraste com a folhagem dourada de Lysimachia nummularia. Aproveite também os carriços, nomeadamente a folhagem fina e luminosa do Carex oshimensis ‘Evergold’.
Pode ainda associar a brunera a arbustos com floração primaveril. Coloque-a ao lado da floração branca das deutzias, das espireiras, ou de alguns viburnos, como Viburnum burkwoodii e Viburnum plicatum.
→ Descubra 5 outras ideias de associação com a Brunera na nossa ficha de conselhos
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