A poda dos arbustos de floração estival
Quando e como?
Resumo
Nos arbustos de floração estival ou outonal, a floração sucede ao crescimento dos novos rebentos, pelo que na ausência de poda de inverno, o arbusto adquire rapidamente grandes proporções no final da estação. A poda permite reduzir o volume do arbusto antes de este iniciar o seu crescimento e contribui para o tornar mais denso quando é ligeira, ou para simplificar a sua ramagem quando é intensa. Os novos rebentos, mais vigorosos e em menor número, produzem então flores maiores.
O período de poda de inverno ajusta-se em função da disponibilidade do jardineiro, da sensibilidade ao gelo da espécie e da eventual condução em sebe podada ou em topiária.
Quais são os arbustos ornamentais com floração estival e outonal?
Estes arbustos produzem rebentos antes de florescer durante o verão ou o outono, ou seja, após meados de junho.
Distinguem-se 3 tipos de arbustos de floração estival e outonal :
| Os arbustos caducos | Os arbustos persistentes | Os arbustos de frutos decorativos |
| Roseiras remontantes,
Hibiscos-da-síria (Hibiscus) Budleia, Caryopteris, Fúcsias, Hydrangea paniculata, Extremosa, Sálvia-russa, Tamargueira-de-verão… |
Abélia,
Medronheiro, Escallónia, Grevílea, Verónica-arbustiva, Hipericão, Loendro… |
Silva-mansa (Leycesteria),
Calicarpa, Cotoneaster, Piracanta, Uva-de-neve… |
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A poda dos arbustos de floração primaverilQuando podar os arbustos com floração estival?
Os arbustos com floração estival desenvolvem botões florais e depois flores nos ramos do ano, à medida que vão crescendo.
A poda realiza-se, portanto, no período de dormência, se possível antes do início da vegetação, ou seja, num período que vai de dezembro a março.
Os arbustos sensíveis às geadas tardias serão podados o mais tarde possível em março, de modo a retardar o seu abrolhamento. A poda estimula, de facto, o início da vegetação. É também interessante observar e guiar-se pelas referências fenológicas.
Os arbustos a proteger do frio como o Caesalpinia gilliesii, o estramônio ou a árvore-do-coral podem receber uma poda logo em setembro-outubro, de modo a protegê-los com uma manta de proteção antes das primeiras geadas. Uma nova poda em março permite eliminar os ramos mortos.
Os arbustos de sebe como a escallónia e o alfeneiro (Ligustrum) são podados uma primeira vez em abril-maio e uma segunda em agosto.
Calendário de poda dos principais arbustos com floração estival
Os meses de poda indicados neste quadro correspondem à zona de Île-de-France e Centro. As florações estão adiantadas 1 mês na zona mediterrânica e atrasadas 2 semanas na zona de montanha. Os nomes seguidos de um asterisco (*) são arbustos que podem ser podados drasticamente até 1/3 da sua altura total.
Não esqueça que cada ficha de planta consultada no nosso site fornece indicações detalhadas sobre a poda!
| MÊS DE PODA | ARBUSTOS ABRANGIDOS |
| Fevereiro | Potentilha arbustiva |
| Março | Abélia, Abutilão, Hibisco-da-síria*, Salgadeira, Budleia davidii*, Caryopteris, Cotoneaster, Eleagno x ebbingei, Brinco-de-princesa*, Verónica-arbustiva (x andersonii, brachysiphon), Hipericão (calycinum, patulum, ‘Hidcote’), Árvore-da-chuva-dourada, Extremosa*, Lantana, Loendro, Lespedeza*, Osmanto-heterófilo, Sálvia-russa*, Piracanta, Roseiras exceto as não reflorentes, Giesta-de-Espanha, Espireiras (billardii, bumalda, japonica), Tamargueira-de-verão, Agnocasto* |
| Abril | Lilás-da-califórnia (delilianus, pallidus), Alfeneiro (vulgare, delavayanum, ovalifolium), Madressilva-de-inverno |
| Maio | Escallónia (poda ligeira) |
| Agosto | Salgadeira, Escallónia, Alfeneiro (vulgare, delavayanum, ovalifolium), Pitósporo |
| Setembro | Hortênsia macrophylla, Madressilva-de-inverno, Pássaro-do-paraíso, Iúca (haste floral) |
| Outubro | Estramônio, Alfazema (até fevereiro) |
| Novembro | Urze (até fevereiro), Lavatera, Romãzeira |
Como podar os arbustos de floração estival?
Num espírito mais ecológico e prático, a tendência atual é adaptar a poda do arbusto à situação e ao tempo que se pretende dedicar. Considera-se que é inútil fazer uma poda curta ou cortar pela base de forma sistemática, como no caso dos Cornus de ramos coloridos, por exemplo, se o arbusto faz parte de uma sebe campestre, serve de barreira visual ou se se pretende privilegiar o seu papel ecológico. Os ramos entrelaçados servem de proteção à fauna e a abundância de flores é mais uma vantagem do que as suas dimensões. Uma simples clarificação dos ramos é então suficiente para renovar a vegetação e evitar as doenças causadas pela falta de arejamento (oídio, míldio, ferrugem…)
Tomemos como exemplo a hortênsia, na forma de Hydrangea paniculata: é possível:
- podá-la todos os anos, deixando apenas 2 a 4 gomos bem visíveis na base dos ramos do ano anterior. Obtêm-se assim enormes cachos bem aprumados na extremidade de ramos relativamente rígidos.
- Pelo contrário, se a poda for feita apenas de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos, o arbusto adensar-se-á adotando um hábito pendente mais natural, ganhará altura e criará um efeito ondulante com uma multidão de inflorescências médias.

À esquerda: Hydrangea podada de forma relativamente curta todos os anos – À direita: Hydrangea podada de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos (fotos Eva Deuffic)
Tudo depende do efeito pretendido, mas também do espaço disponível!
Podem distinguir-se 3 casos:
- a poda dos arbustos caducifólios de floração estival ou outonal,
- a poda dos arbustos persistentes de floração estival ou outonal,
- a poda dos arbustos de frutos decorativos.
Caso 1: os arbustos caducifólios de floração estival ou outonal
Para estes arbustos, durante a poda:
- Encurte os ramos do ano anterior em 2/3 ou 3/4 do seu comprimento.
- Aproveite o aparecimento de gomos em madeira com 2-3 anos para renovar a vegetação e pode logo a seguir. Obtém-se assim uma simplificação da ramagem.
- Elimine os ramos principais que partem da cepa, com mais de 4-5 anos, de forma rotativa, equilibrando os cortes no interior do arbusto. Retire um terço deles no primeiro ano, outro terço no segundo ano e o terceiro terço no terceiro ano.
- Termine a poda suprimindo os ramos demasiado finos, danificados, torcidos ou que se cruzam, de modo a favorecer a penetração da luz no centro da cepa.
Efetue os cortes com um tesoura de poda de lâminas curvas bem afiadas e desinfetadas com álcool. Faça cortes em bisel a cerca de 0,5 a 1 cm acima de uma folha ou de um gomo virado para o exterior do arbusto. Quando eliminar madeira velha, não importa onde se situa o corte: ou emergirão gomos profundos para emitir novos rebentos, ou estes sairão diretamente do solo.
O caso particular dos arbustos que exigem uma poda curta
Certos arbustos de floração estival apreciam podas curtas, próximas da cepa ou dos ramos principais, de forma a produzir rebentos fortes e vigorosos com grandes inflorescências. A ausência de poda conduz a arbustos com ramos delgados e entrelaçados, ou a ramos que se alongam indefinidamente.
São abrangidos, nomeadamente: hibisco-da-síria (Hibiscus syriacus), arbusto-das-borboletas (Buddleia davidii), Fuchsia magellanica ‘Ricartonii’, lavatera, extremosa (Lagerstroemia indica), Lespedeza, Perovskia, roseiras-de-chá, Vitex agnus-castus, Spiraea billardii, tamargueira-rosada-dos-jardins…
Podem deixar-se apenas 2 gomos na base dos ramos que floresceram.

Poda da lavatera antes / depois (foto Eva Deuffic)
Quanto à extremosa, que pode ser conduzida em tronco ou em touceira, é possível:
- deixá-la sem poda para obter uma copa larga bem provida de pequenos cachos,
- podá-la todos os invernos em prolongamento, deixando a base de um ramo de 1 ano prolongar cada ramo estrutural, um pouco à semelhança do que se faz com a videira, com o objetivo de obter uma árvore muito estruturada com grandes cachos,
- ou limitar-se a retirar os ramos em declínio para valorizar a arquitetura do tronco e dos seus ramos principais.

Extremosa podada à esquerda e não podada à direita (fotos Eva Deuffic)
Caso 2: os arbustos persistentes de floração estival
Trata-se principalmente da abélia, do medronheiro, da escallónia, do hipericão, do loendro…
Para estes arbustos, efetue uma poda ligeira, seja com tesoura de poda, seja com tesoura de corte, destinada a manter o volume. Corte a extremidade dos ramos em 20 a 40 cm em fevereiro-março.
Caso 3: os arbustos de frutos decorativos
Os arbustos em causa são o medronheiro, a árvore-das-bexigas, a calicarpa, o Cotoneaster, a uva-de-neve…
A sua floração ocorre no verão em ramos do ano. É seguida de uma frutificação estética e interessante para alimentar a fauna, no outono e durante o inverno.
Realize uma poda ligeira na extremidade dos ramos em 20 a 30 cm no final do inverno, simplesmente para retirar os frutos restantes e equilibrar a ramagem.
Que ferramentas utilizar?
Os arbustos deixados em hábito livre são podados com uma tesoura de poda, ou mesmo com uma tesoura de poda de força ou com a serra de poda para os ramos mais grossos. As sebes são aparadas com a cisalha ou com o corta-sebes elétrico, sendo que uma correção com a tesoura de poda dos cotos formados pelas podas repetidas no mesmo local deve ser efetuada aproximadamente de 3 em 3 anos.

Poda de uma espireia-japonesa
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