A poda dos arbustos de floração primaveril

A poda dos arbustos de floração primaveril

Quando e como?

Resumo

Modificado 0,01  por Eva 5 min.

A poda dos arbustos ornamentais não é fundamentalmente indispensável ao seu desenvolvimento, mas permite assegurar um hábito mais denso e vigoroso, rejuvenescê-los garantindo um bom nível de floração e, por fim, dar-lhes uma forma agradável e estética que se adapta ao gosto dos jardineiros.

Chama-se-lhe a “poda de floração” para a distinguir da “poda de formação” realizada em viveiro. A época da floração implica a produção de botões num determinado período. Os arbustos de floração primaveril entram em período de repouso durante o inverno, pelo que é no decurso do verão precedente que se formam os botões que contêm as flores, por vezes mesmo precedidos de um rebento folhado em miniatura. É importante podar tendo em conta este elemento, para não suprimir a floração por causa de um erro de calendário! Por isso, é importante podar no momento certo.

Dificuldade

Quais são os arbustos ornamentais com floração primaveril?

Os arbustos abrangidos por esta poda são os arbustos ornamentais caducos ou persistentes, cuja frutificação não apresenta interesse particular e que florescem desde os meses de janeiro-março até 10-15 de junho. Os arbustos com frutos decorativos são tratados na última parte.

Os arbustos caducos

Os arbustos persistentes

Forsítia,

Marmeleiro-do-Japão,

Groselheira de flores (Ribes sanguineum, odoratum),

Espireira primaveril (arguta, thunbergii, van Houttei),

Filadelfo (Philadelphus),

Lilás,

Deutzia,

Bérbere (ottawensis, thunbergii),

Kolkwitzia,

Amelenquer,

Folhado (Viburnum tinus),

Rosa-japonesa…

Berberis darwinii,

Esteva, Osmanthus delavayi,

Alecrim,

Leptospermo,

Loureiro,

Laranjeira-do-México…

 

Constituem exceção a esta poda particular:

  • os arbustos de terra de urze como as azaleias, rododendros, camélias, andrómeda, andromeda, hamamélis, trovisco, loureiro-da-montanha, urzes, bem como o azevinho e a mahónia, que não apreciam muito a poda. A supressão de alguns ramos problemáticos, partidos ou demasiado velhos é sempre possível, assim como uma poda drástica ocasional de todo o arbusto. A formação destes arbustos em viveiro implica também podá-los no início de modo a densificar a touceira!
  • Os arbustos de sebe persistentes para os quais a floração primaveril não é necessariamente esperada, como a fotínia, o loureiro-cerejeira, o azereiro, etc. Estes arbustos podem então ser podados 2 a 3 vezes por ano se forem considerados de crescimento demasiado rápido.

Quando podar os arbustos de floração primaveril?

Estes arbustos formam os seus botões florais durante todo o inverno antes de abrirem. Uma poda de inverno teria como efeito eliminar grande parte da floração.

Em contrapartida, se esperar demasiado após o fim da floração (no máximo até meados de junho para a forsítia, julho para o filadelfo), o arbusto não terá tempo de emitir rebentos longos portadores de botões, antes da paragem vegetativa.

De um modo geral, aconselha-se a podar os arbustos de primavera que florescem entre janeiro e 10 de junho, no prazo de 1 a 2 meses após o fim da floração

Note-se, no entanto, que alguns arbustos como os hipericões têm uma floração prolongada e muito remontante, de maio a outubro, pelo que é possível podá-los ligeiramente no inverno para lhes restituir a forma, sem comprometer o essencial da floração.

Atenção, no que diz respeito às sebes, o Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho n.º 1306/2013, de 17 de dezembro de 2013, impõe aos Estados-membros a adoção de uma medida relativa à “proibição de cortar as sebes e as árvores durante o período de reprodução e nidificação das aves”. Recomendamos que não se cortem as sebes entre 15 de março e 31 de julho. Face ao colapso da biodiversidade a que assistimos hoje, é importante que cada um aja a favor da conservação, nomeadamente dos insetos e das aves :

  • é evidente que, se encontrar ninhos na sebe, deve evitar intervir nesse local ;
  • prefira cortar manualmente para não perturbar a nidificação e sem desfigurar demasiado a sebe ;
  • conserve, tanto quanto possível, zonas de sebe livre e, se possível, diversificada, o que não implica necessariamente uma ausência total de poda ;
  • instale caixas-ninho na parede orientada a este da casa ou nas árvores, pois a escassez de troncos ocos prejudica gravemente muitas aves ;
  • e deixe crescer erva alta ao pé das sebes de modo a permitir, entre outras vantagens, que as aves corredoras se possam esconder ;

Recorde-se que a utilização de pesticidas está atualmente proibida para os amadores desde 1 de janeiro de 2019 e que a pulverização de produtos naturais inseticidas como o macerado de urtiga deve ser feita de manhã cedo ou ao fim do dia, quando os insetos já não estão em atividade.

Calendário de poda dos principais arbustos com floração na primavera

Os meses de poda indicados no quadro abaixo correspondem à zona Île-de-France e Centro. As florações antecipam-se 1 mês na zona mediterrânica e atrasam-se 2 semanas na zona de montanha. Nem todos os arbustos referidos necessitam desta poda de floração, como é o caso do amelenquer, da urze ou do hamamélis, mas indica-se igualmente o período de uma poda ocasional destinada a regenerar o arbusto.

Os nomes a negrito são plantas de sebe podada várias vezes por ano e cuja floração não é necessariamente preservada.

Não se esqueça de que cada ficha de planta consultada no nosso site fornece indicações detalhadas sobre a poda!

MÊS DE PODA ARBUSTOS DE PRIMAVERA ABRANGIDOS
Janeiro Aveleira, Elaeagnus x ebbingei, Oliveira-da-Rússia
Fevereiro Árvore-da-peruca, Queiró (último mês), Macieira ornamental (último mês), Potentilha arbustiva, Alecrim
Março Árvore-das-bexigas, Berberis ottawensis, thunbergii, Calicarpa, Chimonanthus praecox, Esteva, Corniso (alba, stolonifera, sanguineum), Cotoneaster, Evónimo-europeu, Giesta-de-espanha, Espinheiro-marítimo, Hipericão (calycinum, ‘Hidcote’), Azevinho, Loureiro, Salgueiros vitellina, viticella, purpurea (poda curta), Viburno (bodnantense, fragans, rhytidophyllum)
Abril Buxo, Cornus mas, Daphne mezereum, Lonicera nitida, Acácia
Maio Marmeleiro-do-Japão, Laburno, Urze, Escallónia, Forsítia, Groselheira-de-flor, Lilás, Lonicera tatarica, Mahonia aquifolium, Lauroceraso, Folhado, Amendoeira-de-flor, Espireiras (arguta, thunbergii), Tamargueira-de-primavera
Junho Berberis (buxifolia, candidula, verruculosa), Elaeagnus x ebbingei, Fotínia
Julho Calicanto, Ceanoto (arboreus, impressus, prostratus, thyrsiflorus), Cornus (florida, kousa), Deutzia, Oliveira-da-Rússia, Filadelfo, Espireira (nipponica, vanhouttei), Viburno (opulus, plicatum), Weigélia
Agosto Buxo, Escallónia, Fotínia
Setembro Lauroceraso, Elaeagnus x ebbingei

 

 

 

 

 

Como podar os arbustos de floração primaveril?

A poda consiste em eliminar os ramos envelhecidos para permitir o aparecimento de rebentos vigorosos e floríferos na base do arbusto. Esta poda difere totalmente da das árvores, onde a arquitetura do tronco e dos ramos estruturais selecionados durante a poda de formação é preservada.

Podem distinguir-se 3 casos:

  • a poda dos arbustos caducos com floração primaveril,
  • a poda dos arbustos persistentes com floração primaveril,
  • a poda dos arbustos com floração primaveril e frutos decorativos.
forsítia

Forsítias (photo Eva Deuffic)

Caso 1: os arbustos caducos com floração primaveril (Forsítias, Árvores-da-peruca, Bérberes, Potentilhas, Laburnos…)

A poda desta categoria de arbustos consiste em:

  • Eliminar na totalidade os ramos demasiado finos, danificados, torcidos ou que se cruzam, de modo a favorecer a penetração da luz no centro da touça.
  • Cortar na base os ramos muito compridos que já floresceram,
  • Encurtar em 1/3 os ramos que já floresceram e de comprimento moderado.
poda da forsítia

À esquerda: Rebento florescido após uma poda – À direita: Ramo florido de 2 anos, as flores afastam-se do eixo principal (photo Eva Deuffic)

A kerria do Japão (Kerria japonica), um caso particular: em junho, corte na totalidade todos os ramos que já floresceram, pois tendem a secar durante o verão. Esta poda pode também realizar-se no inverno.

 

Caso 2: os arbustos persistentes com floração primaveril

Os arbustos persistentes são podados ligeiramente logo após a floração (Berberis darwinii, Osmanthus delavayi, alecrim, Leptospermum, loureiro). Na laranjeira-do-México, a eliminação dos frutos conduz a uma segunda floração no outono.

 

Caso 3: os arbustos com frutos decorativos

A sua floração pode ocorrer:

  • na primavera em madeira do ano anterior: Hippophae rhamnoides (espinheiro-marítimo), roseira rugosa, sabugueiro, viburno, Elaeagnus multiflora,
  • ou no final da primavera-verão em rebentos do ano: árvore-das-bexigas, calicarpa…

Em ambos os casos, efetue uma poda ligeira no final do inverno (em março) simplesmente para equilibrar o arbusto.

Que ferramentas utilizar? Corta-sebes, tesoura de poda, podadeira?

Os arbustos deixados com hábito livre são podados com tesoura de poda pequena, ou mesmo com tesoura de poda de força de lâminas curvas ou com a serra de poda para os ramos mais grossos.

As sebes são podadas com cisalha ou com o corta-sebes, a gasolina ou elétrico, sabendo que uma revisão com tesoura de poda dos tocos formados pelas podas repetidas no mesmo local deve ser efetuada aproximadamente de 3 em 3 anos.

Efetue a poda com ferramentas bem afiadas e desinfetadas com álcool, de modo a favorecer uma boa cicatrização das feridas e a não transmitir doenças. Efetue cortes em bisel a cerca de 0,5 a 1 cm acima de uma folha ou de um gomo. Quando eliminar madeira velha, não importa onde se situa o corte: a planta vai reagir, seja estimulando o desenvolvimento de gomos dormentes que vão perfurar a casca para lançar novos rebentos, seja emitindo rebentos diretamente a partir do solo.

Comentários