As doenças das roseiras

As doenças das roseiras

Identificação e tratamentos

Resumo

Modificado 0,01  por Virginie D. 4 min.

As doenças das roseiras são frequentes no jardim. As mais comuns são o oídio das roseiras, as manchas negras (marsonia), a ferrugem ou ainda a podridão cinzenta (botrítis), mas gerem-se facilmente quando os sintomas são detetados a tempo.

O diagnóstico correto é o primeiro passo para agir rapidamente e escolher o tratamento adequado, se este se revelar necessário.

Ouça também o nosso podcast sobre o tema:

Dificuldade

O cinzeiro da roseira ou oídio

Ramo de roseira com oídio (Foto: Chamont S. – INRA)

  • Descrição

O oídio da roseira, também designado por oídio, é uma doença frequente causada por fungos pertencentes a diferentes géneros. No caso das roseiras, o oídio é causado por Podophaera pannosa. Pode surgir a partir de meados da primavera. O oídio é favorecido, em geral, pelo calor, por um local abrigado e por uma humidade moderada. É menos virulento durante os períodos chuvosos. A seca, sobretudo após uma fase de humidade elevada, parece ser um fator favorecedor.

  • Sintomas

Um revestimento esbranquiçado acinzentado, de aspeto farinhento, cobre as folhas, os novos rebentos e os botões florais. Em caso de ataque intenso, os ramos tenros e os gomos deformam-se. As roseiras podem ficar enfraquecidas e a sua floração, reduzida.

  • Prevenção

– A melhor prevenção é escolher variedades pouco sensíveis sempre que possível.
– Evite o excesso de adubo azotado, que torna as plantas mais sensíveis à doença.
– Corretivos do solo suficientes, regas abundantes e regulares são também boas formas de se precaver.
– É possível detetar rapidamente um ataque pelo ligeiro enrolamento das folhas que precede o aparecimento do característico revestimento esbranquiçado.
– Pode com a tesoura de poda as ramas contaminadas na primavera e no verão.
– Apanhe as folhas mortas com o ancinho e queime-as.
– Pulverize um produto elicitor (fitoestimulante) de forma a desencadear uma reação de defesa das plantas na ausência de agressão real. Equivale a uma vacinação natural.

  • Métodos de combate

– Pulverize um fungicida à base de enxofre.

A doença das manchas negras ou marsonia

Folha de roseira afetada pela doença das manchas negras.

  • Descrição

A doença das manchas negras ou marsonia é uma doença causada por diversos fungos. Neste caso, trata-se do Marssonina rosae. O calor e a humidade são muito favoráveis ao seu desenvolvimento.

  • Sintomas

Manchas negras bastante arredondadas, com contornos filamentosos, frequentemente rodeadas por um halo amarelo, desenvolvem-se primeiro nas folhas inferiores. Os folíolos afetados amarelecem rapidamente e caem prematuramente. Desprendem-se ao menor contacto. Em caso de ataque intenso, as roseiras podem ficar totalmente desfolhadas a meio do verão. A queda prematura bloqueia a vegetação e, quando a roseira retoma o crescimento, dedica toda a sua energia a formar nova folhagem, em detrimento dos gomos florais.

  • Prevenção

– Escolha variedades pouco ou nada sensíveis à doença.

– Espaçe as roseiras de forma adequada.

– Evite os aportes excessivos de adubos ricos em azoto.

– Regue de preferência de manhã, sem molhar a folhagem.

– Em caso de ataques intensos regulares, aplique preventivamente, na primavera, um produto à base de cobre (12 g de calda bordalesa por 10 m²).

– Pode também pulverizar regularmente uma decocção de cavalinha.

  • Métodos de combate

– Apenas os tratamentos preventivos são eficazes.

– Os agentes patogénicos conservam-se nas folhas caídas no solo, por isso recolha as folhas afetadas e queime-as.

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A ferrugem

Distinguem-se pústulas cor-de-laranja de ferrugem em folhas de roseira afetadas pela doença. (Foto: Blancard D. – INRA)

  • Descrição

A ferrugem é uma doença causada por diferentes fungos microscópicos específicos de cada espécie vegetal. No caso da roseira, trata-se de Phragmidium mucronatum. Esta doença fúngica enfraquece a planta. A ferrugem é favorecida por tempo quente e húmido, assim como por ambientes confinados.

  • Sintomas

A ferrugem forma pequenos pontos amarelo-alaranjados que aparecem na face superior das folhas, enquanto pústulas cobrem o reverso. Os tecidos necrosam e morrem. As plantas atacadas são geralmente pouco afetadas, mas a queda prematura das folhas torna-se rapidamente inestética.

  • Prevenção

– Escolha variedades resistentes quando existirem.

– Evite regar a folhagem.

– Recolha e queime as folhas afetadas.

– Pulverize preventivamente um produto à base de cobre, como a calda bordalesa.

– É possível que a doença seja consequência de uma carência em potássio, razão pela qual é necessário, após um tratamento, aplicar um adubo potássico ou espalhar cinza de madeira na base da roseira afetada.

– Também é vantajoso melhorar a circulação de ar em redor da roseira.

  • Métodos de combate

– Pulverize uma decocção de cavalinha de quinze em quinze dias.

A podridão cinzenta ou botrítis

  • Descrição

A botrítis é uma doença causada por um fungo microscópico não específico (Botrytis cinerea) que pode afetar numerosas plantas. Este fungo desenvolve-se em ambientes quentes e com humidade saturada. No jardim, observa-se em tempo húmido nas variedades com flores muito dobradas, sem que isso provoque danos significativos na roseira.

  • Sintomas

As pétalas ficam “picadas”, provocando a murchidão das flores abertas, que secam e se cobrem de um feltro acinzentado.

  • Prevenção

– Retire as flores murchas.

– Evite adubações azotadas excessivas.

– Evite regar as roseiras no final do dia e cultive-as em pleno sol.

  • Métodos de combate

– As rosas afetadas devem ser eliminadas rapidamente para evitar a propagação do fungo.

– Qualquer outro método de combate raramente se justifica.

Os elicitores ou fitoestimulantes

Alguns extratos vegetais desempenham um papel de elicitor ou fitoestimulante. Contêm frequentemente ácido salicílico (um elicitor natural) que coloca a planta em estado de alerta, preparando-a para reagir rapidamente ao mínimo ataque. Devem, por isso, ser utilizados a título preventivo em caso de ataques importantes ou crónicos.

Estes elicitores são, entre outros:

  • O milefólio (Achillea millefolium)

Prepare uma infusão de folhas frescas de milefólio. Para isso, coloque 25 g de folhas em 1 litro de água fria e aqueça tudo até ao início da fervura (80 °C exatamente). Depois, deixe arrefecer antes de filtrar. Pulverize diluído a 10%.

  • Cavalinha (Equisetum spp.)

Coloque 200 g de cavalinha seca em 10 litros de água da chuva. Dilua a 5% para pulverizar.

  • A filipêndula (Filipendula ulmaria)

Prepare uma infusão de flores secas de filipêndula. Coloque 25 g de flores secas em 1 litro de água fria. Proceda da mesma forma que para o milefólio e pulverize a infusão diluída a 20%.

  • A urtiga (Urtica dioica)

Prepare um extrato fermentado (purino) que pulveriza diluído a 20% a partir do final de março.

Recomendamos que não pulverize mais de duas vezes por mês.

Outros casos

Outras doenças podem afetar as suas roseiras: doenças virais como o mosaico da roseira, o míldio, a fumagina ou ainda a podridão radicular (armilária). No entanto, estas doenças são pouco comuns, para não dizer raríssimas.

Por fim, pode observar-se um amarelecimento das folhas da sua roseira. Isto não se deve a uma doença, mas a uma deficiência em ferro designada por clorose férrica. Na maioria dos casos, deve-se ao bloqueio da assimilação do ferro pelas plantas devido ao pH do solo demasiado elevado, a um excesso de calcário, a um solo compactado e/ou encharcado… Para saber tudo sobre a clorose férrica, consulte a ficha que lhe é dedicada.

Leia também o nosso artigo: Meligetes das roseiras: como proteger as nossas roseiras contra estas pragas?

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