Como fazer extrato fermentado de urtiga - Tutorial
receita e utilizações
Resumo
O macerado de urtiga faz parte dos extratos fermentados bioestimulantes que permitem estimular as defesas imunitárias e o crescimento das plantas, como os tomates, mas também repelir parasitas como os pulgões, e prevenir doenças. São excelentes alternativas aos adubos químicos e produtos fitossanitários, prejudiciais para o ambiente.
Como fazer macerado de urtiga? É muito simples, eficaz e gratuito, sendo apenas necessária um pouco de atenção durante a fermentação.
Descubra também o vídeo de Olivier “porque é que se deve guardar urtigas no jardim?
O material necessário
Para preparar 10 litros de chorume de urtiga, serão necessários:
-
- um balde ou outro recipiente não metálico para preparar o chorume
- outro recipiente para efetuar a filtragem
- um pano de cozinha
- um cordel
- urtigas frescas
- água sem calcário e sem cloro (idealmente, água da chuva)
- um pau
- dois bidões de 5 litros
- um par de luvas
- uma tesoura de poda ou uma cisalha
- um funil
- uma balança de cozinha
- uma colher de sopa
Leia também
A urtiga: uma planta com inúmeros benefíciosA preparação do chorume, passo a passo
1) A receita
Respeite sempre a seguinte proporção:
- 1 kg de urtigas frescas
- 10 litros de água
Naturalmente, pode multiplicar ou dividir estas quantidades em função das suas necessidades, respeitando as mesmas proporções.
Utilize, idealmente, água da chuva, a uma temperatura amena, entre 12 e 25 °C. Na falta disso, use água da torneira, mas esta não deve ser nem calcária nem clorada:
- o calcário pode obstruir os estomas das folhas e limitar assim a absorção do extrato fermentado pelas plantas. Por conseguinte, se a sua água for muito calcária, acrescente vinagre de álcool na proporção de 25 cL de vinagre por 30 litros de água, de modo a reequilibrar o pH.
- para eliminar o cloro, será necessário deixar a água repousar 2 a 4 dias, agitando-a de vez em quando para que o cloro volátil se evapore completamente.
Escolha um recipiente ligeiramente maior do que o necessário (de 15 litros para preparar 10 litros de extrato fermentado, por exemplo). Isso facilita a agitação e evita que as urtigas fiquem demasiado compactadas.
2) A colheita
As urtigas encontram-se facilmente no campo, na maioria dos jardins e nos caminhos mais selvagens. Dito isto, pode ser trabalhoso encontrá-las na cidade e alguns jardins, particularmente cuidados, podem não as ter. Procure então em terrenos incultos ou semeie a sua própria parcela de urtigas… mesmo que esta ideia lhe possa parecer no mínimo original!
A colheita faz-se de preferência no início da primavera, em abril ou em maio, quando as urtigas ainda são jovens e de melhor qualidade. Não devem estar com sementes, para evitar que germinem em todos os locais onde aplicar o extrato fermentado.
Calce luvas para não se picar nas cerdas urticantes. Com a ajuda do podador ou da tesoura de corte, corte boas braçadas de folhas.

Colheita de urtigas: não se esqueça das luvas!
3) A preparação do extrato fermentado
É importante escolher um recipiente não metálico, pois a fermentação provoca a oxidação do metal ferroso, o que seria prejudicial para a qualidade do extrato fermentado.
- Numa mesa, coloque a balança de cozinha e faça a tara com um recipiente vazio. Adicione as urtigas até atingir o peso desejado. Quando tiver urtigas suficientes, coloque-as no seu balde. Alguns jardineiros picam as urtigas para que libertem melhor os seus princípios ativos, mas pode perfeitamente colocá-las inteiras no recipiente. Pode também usar uma rede grande de batatas-inglesas e colocar as urtigas inteiras lá dentro, fechar o saco e mergulhá-lo no recipiente. Servirá para reter o máximo de folhas durante a filtragem.
- Deite 10 litros de água sobre as urtigas e coloque um pano sobre o balde. O pano permite a passagem do ar e dos gases de fermentação.
- Coloque o recipiente obrigatoriamente à sombra, para que não aqueça demasiado e para evitar a putrefação.

À esquerda: deitar a água sobre as urtigas — À direita: instalar o balde à sombra
4) A agitação do extrato fermentado
Mexa o extrato fermentado pelo menos uma vez por dia com o bastão, durante 10 minutos. Uma espuma branca forma-se à superfície, indicando a fermentação. Não deve cobrir hermeticamente o recipiente, pois os gases de fermentação precisam de ter saída.
Importa saber que alguns jardineiros preparam o seu extrato fermentado num recipiente fechado (fermentação anaeróbia) e outros sem tampa (fermentação aeróbia). É esta última que é aqui utilizada e, quando o extrato é preparado de forma correta, praticamente não cheira.
A duração da fermentação varia em função da temperatura. O início da fermentação pode demorar entre quatro e uma dezena de dias a aparecer. Prossegue até não haver mais espuma à superfície, o que demora ainda alguns dias. Saiba também que acima de 25 °C o risco de putrefação é elevado, daí a importância de preparar o extrato cedo na época.
É preciso monitorizar com atenção para não perder o fim da fermentação. Assim que a espuma deixar de aparecer após agitar, é necessário filtrar rapidamente para que o extrato não entre em putrefação.

Balde com extrato fermentado à espera de filtragem
Se o cheiro for realmente insuportável, é porque o extrato não correu bem: será necessário recomeçar.
5) A filtragem
Esta etapa é importante para uma boa conservação do extrato fermentado. Se a filtragem for mal feita e ficarem resíduos de urtiga, o extrato entrará em putrefação. O ideal é filtrar finamente com um pano ou um lençol, consoante o tamanho do recipiente (há que conformar-se: este pano ficará reservado para isso!).
- Coloque um pano sobre outro recipiente e prenda o cordel à volta (mesmo abaixo do bordo do balde) para que o pano não se mova.

Colocação do pano antes da filtragem do extrato fermentado
- Retire a maior parte das urtigas (é aqui que o saco de batatas-inglesas, com as urtigas fechadas lá dentro, revela a sua utilidade). Recicle os restos de urtigas na pilha de composto.
- Deite o extrato fermentado através do pano. Não hesite em raspar ligeiramente o pano com uma colher de sopa para acelerar o processo.

À esquerda: deite o extrato fermentado através do pano — À direita: raspe ligeiramente para acelerar a passagem do extrato
Se tiver um passador, pode pousá-lo sobre o recipiente e simplesmente colocar o pano por cima.
Por fim, se pretender usar o extrato fermentado em pulverização, certifique-se de que o líquido está bem isento de impurezas que possam obstruir o bico do pulverizador.
6) Transvase o extrato fermentado para os bidões
Com a ajuda de um funil, deite o extrato fermentado filtrado nos bidões opacos (se possível) e herméticos, e aperte bem as tampas.

Engarrafamento do extrato fermentado para conservação
Não se esqueça de escrever o nome do extrato fermentado no bidão, sobretudo se preparar vários extratos diferentes!
A conservação do macerado de urtigas
O chorume pode conservar-se durante um ano, idealmente numa cave ou num local fresco (aproximadamente 12 °C) e ao abrigo da luz. Para além desse prazo, pode ainda estar bom, mas perde gradualmente as suas propriedades com o tempo.
Saiba que um recipiente bem cheio, com o mínimo de ar possível, se conserva melhor.
Pode acontecer que um chorume, mesmo bem filtrado, continue a fermentação e veja então o recipiente inchar. Nesse caso, basta abrir o recipiente, deixar escapar os gases e fechá-lo novamente.
Leia também
Nutrir o solo de forma naturalComo utilizar o macerado de urtiga na horta
Atenção: o macerado nunca se usa puro, sob pena de queimar as plantas. É absolutamente necessário diluí-lo em função do uso:
- em pulverização foliar, para estimular as defesas imunitárias das plantas: diluição a 5 %, ou seja, 25 cl (ou 250 ml) de macerado puro completados com água num pulverizador de 5 litros.
- Em rega para favorecer a vegetação: diluição de 10 a 20 %, ou seja, 1 litro de macerado puro e 9 litros de água para uma diluição a 10 %.
- Em imersão para estimular o desenvolvimento radicular: diluição a 20 %, ou seja, 50 cl (ou 500 ml) de macerado e 2 litros de água.
Como proceder?
- Em pulverização foliar: asperja as folhagens sem esquecer a parte inferior das folhas e o coração das plantas.
- Em rega: utilize um regador de 10 litros e deite o conteúdo na base das plantas.
- Em imersão: mergulhe as raízes dos legumes de folha ou os torrões das suas plantas ornamentais durante 30 minutos em macerado diluído a 20 %. O macerado de urtiga pode também ser adicionado durante a pralinagem. A imersão de sementes em extrato puro durante 30 minutos poderia evitar o tombamento das plântulas e melhorar a germinação.
Quando intervir?
Intervenha quando a planta precisar: após uma seca prolongada, uma tempestade de granizo que tenha danificado as folhagens e provocado feridas, etc.
Pulverize o extrato apenas no dia seguinte a uma rega abundante (nunca sobre a terra seca) e nunca em pleno sol. Intervenha muito cedo de manhã ou ao fim do dia.
Não pulverize quando as temperaturas forem inferiores a 12 °C, pois a capacidade de assimilação das folhas e das raízes fica então reduzida. É igualmente inútil pulverizar quando a chuva está iminente, pois a água eliminaria o tratamento.
O macerado de urtiga deve ser utilizado com moderação: uma rega de 15 em 15 dias (apenas no arranque para o cultivo de tomates e outros legumes de fruto) e uma pulverização foliar de 2 a 3 semanas são suficientes.
O macerado de urtiga para que legumes?
- Legumes de folha: são os que mais beneficiam do extrato fermentado de urtiga. Destacam-se os espinafres, alfaces, couves, alhos-franceses, etc.
- Legumes de fruto: utilize os extratos fermentados com parcimónia, pois a sua elevada concentração em azoto favorece a folhagem em detrimento das flores e dos frutos. É, por isso, preferível recorrer a ele no arranque e, se necessário, passar para outro extrato fermentado como o confrei assim que as primeiras flores apareçam. Não utilize o macerado de urtiga nos legumes destinados à conservação, como as abóboras: abóbora-gigante, potimarron, etc. O período de conservação ficaria sensivelmente reduzido.
- Legumes de raiz: não o utilize, pois correm o risco de apodrecer.
Note que pode realizar misturas de macerados, mas separadamente, pois os tempos de fermentação diferem consoante as plantas utilizadas.
Para ir mais longe
- Consulte o nosso tutorial: Fazer o seu pó de urtiga em casa
- Descubra a nossa ficha de conselho: “A urtiga: uma planta com inúmeros benefícios, na horta e no jardim”.
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