Nutrir o solo de forma natural

Nutrir o solo de forma natural

Fertilizar a horta biológica: composto, estrume, adubos verdes e purinas

Resumo

Modificado 0,01  por Ingrid B. 4 min.

Nutrir o solo de forma natural é a base da horta biológica. Com efeito, para se desenvolverem e produzirem em abundância, as plantas hortícolas requerem geralmente uma terra humífera, rica em elementos nutritivos. Estes principais elementos, o azoto, o fósforo e o potássio, são consumidos ao longo do crescimento das plantas.

No jardim e na horta naturais e biológicos, a fertilização consiste em nutrir os organismos vivos do solo (as minhocas, os insetos decompositores, as bactérias e os fungos…) que, por sua vez, nutrirão a terra que nutrirá as plantas. O objetivo não é apenas fornecer elementos nutritivos às plantas, mas também melhorar, a longo prazo, a textura do solo. Eis os nossos conselhos.

Inverno, Primavera, Verão, Outono Dificuldade

Por que razão fertilizar o solo de forma natural: as vantagens

Fertilizar o horto de forma natural é muito mais do que um simples gesto ecológico: é um método sustentável que beneficia a biodiversidade, melhora a qualidade do solo e reforça a resistência das plantas. Ao contrário dos adubos químicos, que podem empobrecer a terra a longo prazo e perturbar o equilíbrio biológico do solo, os corretivos orgânicos nutrem todo o ecossistema. Eis por que razão adotar esta abordagem é benéfico para o seu horto:

Um impacto positivo na biodiversidade

O solo é um verdadeiro ecossistema, que alberga milhões de micro-organismos (bactérias, fungos, minhocas, insetos decompositores) que desempenham um papel essencial na fertilidade do horto. Ao utilizar composto, estrume ou adubos verdes, alimentam-se esses organismos vivos, que em troca:

  • Decompõem a matéria orgânica e libertam progressivamente os nutrientes necessários às plantas.
  • Arejam o solo ao escavar galerias (nomeadamente as minhocas), facilitando assim a penetração da água e das raízes.
  • Mantêm um equilíbrio natural, limitando a proliferação de parasitas e de doenças do solo.

Em contrapartida, os adubos químicos, frequentemente solúveis, fornecem nutrientes de forma brusca e desequilibrada. Favorecem um crescimento rápido das plantas, mas enfraquecem a longo prazo a atividade biológica do solo, tornando as culturas mais dependentes de aportes artificiais.

Uma melhor estrutura do solo: mais solto e mais rico em micro-organismos

Um solo bem estruturado é a chave de um horto produtivo. A matéria orgânica proveniente de compostos, estrumes e coberturas mortas melhora a textura do solo ao:

  • Evitar a compactação e favorecer um solo solto, fácil de trabalhar.
  • Aumentar a capacidade do solo para armazenar e libertar os nutrientes progressivamente.
  • Criar um ambiente propício à vida subterrânea, essencial para a saúde do horto.

Os adubos químicos, por sua vez, não melhoram a estrutura do solo. Pior ainda, em caso de utilização excessiva, podem torná-lo compacto e empobrecido, limitando assim o desenvolvimento radicular e a circulação da água e do ar.

Uma melhor retenção de água e uma maior resistência às doenças

Um solo enriquecido naturalmente age como uma esponja, retendo a água de forma mais eficaz ao mesmo tempo que evita os excessos que favorecem o desenvolvimento de doenças fúngicas. Graças às matérias orgânicas, o solo:

  • Absorve e retém a humidade, reduzindo assim a necessidade de rega.
  • Cria um ambiente mais equilibrado para as plantas, permitindo-lhes resistir melhor ao stress hídrico e climático.
  • Melhora a assimilação dos nutrientes pelas plantas, reforçando o seu sistema imunitário contra doenças e ataques de pragas.

Adicionar matéria orgânica

Para fertilizar de forma natural, incorpora-se matéria orgânica a partir de:

  • de compost: os resíduos do jardim, bem como os resíduos da cozinha (cascas, restos de refeição…), são armazenados e degradados pelos micro-organismos para obter um corretivo do solo que será devolvido ao jardim. O compost pode ser adquirido no comércio.
  • de estrumes animais (cavalo, aves de capoeira, vaca…): são compostos por excrementos (predominância de azoto), mas também pela liteira (palha, matéria carbonada), o que equilibra a mistura. Estes estrumes não devem ser utilizados frescos, mas sim bem decompostos, tal como o compost. Encontra-se facilmente estrume desidratado sob a forma de grânulos. Esta solução é bastante prática para quem reside na cidade.

Utilize sempre estrume bem decomposto

A fertilização realiza-se de preferência no outono ou no início da primavera, na proporção de 3 kg de compost ou estrume por m2.

Estes aportes poderão ser complementados com:

  • a utilização de adubos verdes (facélia, mostarda, ervilhaca, trigo-sarraceno…), bem como de mulch de origem orgânica (aparas de relva secas, resíduos de poda triturados), que têm a vantagem de cobrir o solo ao mesmo tempo que o alimentam ao decompor-se,
  • produtos naturais fitoestimulantes como o chorume de urtiga (predominância de azoto) ou o chorume de confrei (rico em potássio e em boro). Estes chorumes atuam rapidamente, estimulam o crescimento, a floração e a frutificação. Utilizados em pulverização, melhoram também a resistência foliar.

Nota bene: além dos adubos verdes, as fabáceas (ervilhas, feijões, favas, trevo, tremoceiro, ervilhaca) captam o azoto do ar e restituem-no ao solo, reduzindo assim a necessidade de adubos. O tagete (cravo-de-defunto) e o linho, por sua vez, melhoram a estrutura do solo ao mesmo tempo que afastam certos parasitas, como os nemátodos e os insetos prejudiciais, favorecendo assim uma horta mais saudável e equilibrada.

As precauções indispensáveis durante as fertilizações

  1. Respeitar as necessidades das plantas, tendo em conta o «apetite» do legume que se pretende cultivar após a fertilização. A título de exemplo, o alho não requer corretivo do solo prévio, ao contrário das abóboras-gigantes, que só frutificam em solo muito rico.
  2. Não enterrar a matéria orgânica. Os aportes devem ser feitos à superfície; é inútil, e até prejudicial, enterrar profundamente o composto ou o estrume, sobretudo se não estiver maduro. Uma simples raspagem a uma profundidade de 5 a 10 cm é suficiente, pois as minhocas e outros organismos vivos do solo encarregar-se-ão de fazer a mistura.
  3. Não fertilizar em excesso. Aportes excessivos fragilizam as plantas e libertam nitratos prejudiciais para o ambiente.

A minhoca: um ator essencial na fertilização do solo