Resumo
Utilizados em jardinagem biológica, os macerados vegetais têm inúmeras utilidades e ações benéficas nas nossas plantas ornamentais e hortícolas. Consoante as plantas utilizadas, podem ser usados tanto como fertilizantes, bioestimulantes, repelentes, ativadores de composto como também como tratamentos curativos ou preventivos de certas doenças criptogâmicas. O mais «famoso» dos macerados é, claro, o de urtiga. No entanto, um número surpreendente de plantas silvestres, nomeadamente a cavalinha, podem também ser ajudas preciosas sob a forma de macerado ou decocção. Descubra como preparar um macerado de cavalinha e as suas utilizações na horta e no pomar.
Qual cavalinha utilizar?
Para fazer um macerado ou uma decocção, utiliza-se sobretudo a cavalinha (Equisetum arvense), mas também se pode utilizar a cavalinha-dos-pântanos (Equisetum palustre). Esta última é, no entanto, menos rica em sílica e também é utilizada para fins medicinais.
Para saber mais sobre a cavalinha, consulte a nossa ficha completa: Cavalinha, Equisetum: plantação, cultura e manutenção.
Quais são as virtudes do chorume de cavalinha?
As propriedades da cavalinha
A cavalinha dos campos é rica em minerais e, nomeadamente, em dióxido de silício, mais comummente designado sílica. Esta reforça os tecidos das plantas e estimula as suas defesas naturais (fala-se de efeito elicitor). A cavalinha contém também uma boa quantidade de potássio, favorecendo o crescimento das plantas. Retenha que a cavalinha tem uma ação antifúngica e bioestimulante.
Pelo contrário, o macerado de cavalinha não é um herbicida.
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Onde e quando colher a cavalinha?
A cavalinha dos campos encontra-se um pouco por todo o lado na natureza: em solos húmidos e com tendência ácida… nas margens dos campos ou dos caminhos, nas valas, nos prados ou ainda nos jardins.
Os caules estéreis da cavalinha recolhem-se em junho-julho, altura em que está mais desenvolvida e mais rica em minerais.
Pode ser utilizada fresca ou seca. No entanto, prefira a cavalinha fresca para preparar os seus chorumes, a fim de conservar todos os minerais e princípios ativos da planta. Em decocção, é sobretudo a sílica que é extraída. Esta não é desnaturada pela secagem e, neste caso, pode utilizar indistintamente a cavalinha fresca ou seca.

Cavalinha dos campos: caule estéril à esquerda, e caule fértil terminando numa espiga oblonga à direita
Como fazer chorume de cavalinha?
A receita do extrato fermentado de cavalinha:
- São necessários 1 kg de cavalinha e 10 litros de água da chuva;
- Mergulhe a cavalinha, previamente picada com uma tesoura ou uma tesoura de poda, num balde de água da chuva (não calcária). Quanto mais finamente cortada estiver a cavalinha, mais libertará os seus componentes;
- Cubra com um pano (sem tampa): o ar deve poder circular, servindo ao mesmo tempo de barreira aos insetos;
- Mexa todos os dias, ou mesmo 2 vezes por dia, durante cerca de 10 dias, com a ajuda de um pau. É importante mexer diariamente para que o extrato fermente e não entre em putrefação. Continue a mexer enquanto vir bolhas de fermentação;
- Filtre o extrato vegetal primeiro por um passador antigo e depois por um pano (tecido velho ou meia) para garantir a sua boa conservação;
- Transfira para um recipiente hermético e opaco, tendo o cuidado de o encher ao máximo para evitar a oxidação do extrato pelo ar ambiente.
Atenção, nunca utilize recipientes metálicos, que oxidam e anulam rapidamente os efeitos benéficos dos princípios ativos contidos nos extratos vegetais.
A conservação do extrato fermentado de cavalinha
O extrato fermentado de cavalinha conserva-se durante cerca de 1 ano, num local fresco e ao abrigo da luz.
Onde encontrar extrato fermentado de cavalinha?
E para os jardineiros que não queiram ter esse trabalho, encontrarão extrato fermentado de cavalinha pronto a usar na nossa loja online.
Quando e como utilizar o purin de cavalinha?
Usa-se desde a primavera para estimular e reforçar as defesas imunitárias. Pode ser utilizado nomeadamente para prevenir o oídio, o míldio, a sarna, a lepra do pessegueiro e a bacteriose da framboeseira.
De notar que é também um bom repelente, nomeadamente contra os ácaros e os pulgões.
Como tratar com extrato fermentado de cavalinha?
Muito concentrado, o extrato fermentado de cavalinha não se usa puro — é imprescindível diluí-lo.
- Em diluição de 5 a 10% em pulverização: por exemplo, para uma diluição a 5%, num pulverizador de 1 litro, deite 50 cl de extrato e complete com 950 cl de água. Utilize esta diluição para reforçar as plantas jovens. Por outro lado, aos primeiros sinais de um ataque de doença criptogâmica, passe para uma diluição a 10% a fim de ajudar as plantas sensíveis a defender-se: tomates, abóboras-gigantes, pessegueiro, macieira, videira, roseira… Faça uma pulverização de duas em duas semanas com tempo seco e com pouco vento, de manhã cedo ou ao final da tarde. É possível também utilizá-lo na rega aquando das plantações e repicagens para uma ação estimulante e para inibir os fungos criptogâmicos que podem estar presentes no solo.
- Em diluição até 20 % em pulverização a partir do mês de abril nas macieiras, pereiras e pessegueiros, até ao inchamento dos gomos (abrolhamento).
De notar que quando o utiliza como fertilizante (na rega, ao pé da sua planta), não hesite em misturá-lo com extrato fermentado de confrei ou extrato fermentado de urtiga, a fim de criar uma sinergia e aumentar a eficácia.
Em qualquer caso, respeite escrupulosamente as doses recomendadas para evitar queimar as suas plantas durante a pulverização ou a rega.
Como fazer uma decocção de cavalinha?
A decocção de cavalinha é mais rápida de preparar do que o purino. Também necessita de menos cavalinha.
- Mergulhe 100 g de cavalinha fresca grosseiramente picada ou 20 g de cavalinha seca num litro de água da chuva;
- Cubra e deixe macerar durante 24 h;
- Leve à fervura e deixe ferver 30 minutos em lume brando;
- Filtre finamente assim que a solução arrefecer;
- Verta num pulverizador.
Atenção, prepare-a apenas quando for necessário, pois a decocção de cavalinha não se conserva durante muito tempo e deverá ser utilizada dentro de duas semanas.
Quando e como utilizar a decocção de cavalinha?
Antes de a utilizar, dilua a decocção a 10%, ou seja, 1 litro de decocção para 9 litros de água.
Pulverize de 15 em 15 dias desde a primavera, mesmo antes do aparecimento das folhas no pomar, e até à colheita dos primeiros frutos no final de agosto, a uma vez por semana.
Este extrato verde é utilizado pelas suas propriedades fungicidas e constitui um aliado eficaz em modo preventivo ou curativo em caso de ataques ligeiros de doenças criptogâmicas, tais como o oídio, a sarna, a moniliose, a ferrugem, o botrítis, o tombamento das plântulas e a crespeira do pessegueiro. Revela-se útil sobretudo nas árvores de fruto do pomar (pereiras, macieiras, marmeleiros, cerejeiras), mas também em certas hortícolas (batatas-inglesas, cucurbitáceas, aliáceas…).
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