Resumo
Os nativars dizem-lhe alguma coisa? Resultantes da combinação de plantas autóctones e cultivares, as plantas nativars representam um avanço significativo no mundo da jardinagem. Estas variedades selecionadas oferecem uma combinação atraente de robustez natural e características melhoradas. Adaptadas aos desafios ecológicos e estéticos modernos, as nativars enriquecem os nossos jardins com maior diversidade, contribuindo simultaneamente para a preservação dos ecossistemas e da fauna locais. Descubra connosco a sua origem, as suas vantagens e como integrá-las harmoniosamente nos jardins.
O que é um nativar? Definição e origem
Os nativars são uma inovação relativamente recente no mundo da jardinagem. Surgidos nos anos 1980-1990, este termo resulta da fusão de “nativo”, fazendo referência às espécies indígenas, originárias de uma região, e de “cultivar”, que designa uma planta selecionada pelas suas características específicas e reproduzida de forma constante.
O aparecimento dos nativars coincide com uma mudança de atitude em relação à jardinagem e à ecologia, numa época em que os jardineiros e os horticultores começam a reconhecer a importância de preservar as espécies indígenas para manter a fauna local.
Os nativars resultam de um processo de seleção rigoroso, no qual os horticultores escolhem exemplares indígenas que apresentam características únicas ou desejáveis. Estas características podem ser, por exemplo, uma floração abundante, flores maiores, uma cor, um tamanho ou uma forma particulares, ou ainda uma maior resistência às doenças e às condições climáticas difíceis. Conservam também a adaptabilidade e a resistência dos seus antepassados indígenas, o que os torna particularmente adaptados às condições climáticas e ecológicas locais.
Em resumo, as variedades nativars são o resultado de uma procura de equilíbrio entre a conservação das espécies indígenas e o melhoramento das características hortícolas. Estas plantas respeitam o ambiente local e são visualmente atrativas. Apresentam geralmente características ligeiramente diferentes das variedades selvagens.

Vantagens e desvantagens dos cultivares de plantas nativas
Os nativars, enquanto ponte entre as espécies indígenas e as variedades cultivadas, oferecem certamente vantagens, mas também algumas preocupações.
Vantagens dos nativars
- Estética melhorada: os nativars são frequentemente selecionados pela sua beleza superior à das plantas locais. Com flores maiores, cores mais vivas e formas únicas, conferem um toque de brilho e diversidade ao jardim. Esta melhoria estética permite diversificar os canteiros e as culturas.
- Adaptabilidade e resiliência: herdando a robustez dos seus antepassados indígenas, os nativars estão geralmente bem adaptados às condições climáticas e ecológicas locais. Esta adaptabilidade traduz-se numa maior resistência às doenças, aos parasitas e às variações climáticas, reduzindo assim a necessidade de manutenção e de tratamentos.
- Contributo para a biodiversidade: ao integrar nativars no seu jardim, contribui-se para a preservação da biodiversidade local. Estas plantas podem oferecer habitats e recursos alimentares à fauna, nomeadamente aos polinizadores, às aves e a outros animais selvagens, contribuindo, consequentemente, para a manutenção dos ecossistemas.
Desvantagens dos nativars
- Impacto na fauna local: um nativar introduzido num ecossistema diferente daquele onde teve origem pode não oferecer os mesmos benefícios ecológicos (fonte de alimento ou habitat) e até perturbar o equilíbrio local (pense-se, por exemplo, nas plantas invasoras). No entanto, os nativars são frequentemente selecionados pelas suas vantagens, mas também para reduzir as suas desvantagens. Não há motivo para preocupação: são realizados estudos para avaliar os efeitos a longo prazo dos nativars nos jardins e nos ecossistemas. Quando um nativar se torna problemático, a sua comercialização é geralmente proibida.
- Risco de redução da diversidade genética: como os nativars são cada vez mais populares, existe o risco de reduzir a variedade das plantas indígenas. Isto pode tornar os jardins e os ecossistemas menos resistentes às alterações ambientais. Recomenda-se, por isso, plantar tanto nativars como espécies indígenas no seu jardim.
- Equilíbrio ecológico: mesmo que os nativars sejam selecionados para se adaptarem às condições locais, podem por vezes comportar-se de forma diferente dos seus progenitores indígenas. Por exemplo, a forma das flores pode dificultar o acesso ao néctar para alguns polinizadores… ou, pelo contrário, facilitá-lo.

Sálvia e Sálvia ‘Berggarten Variegated’
Integrar os cultivares de plantas nativas no jardim
A integração das plantas nativar num jardim deve ser feita com discernimento, para manter um equilíbrio ecológico e estético. Se a preocupação for preservar a biodiversidade, recomenda-se uma abordagem equilibrada, plantando 1 planta nativar para 4 plantas autóctones. Isto corresponde a uma proporção de cerca de 20 % de plantas nativar, seguindo as recomendações de Mary Phillips (National Wildlife Federation), de modo a preservar uma presença significativa de plantas autóctones. Estas últimas são fundamentais para apoiar os ecossistemas locais e a fauna, bem como para manter a diversidade genética da espécie.
Para criar um jardim harmonioso, considere uma composição em que as plantas nativar complementem, em vez de dominarem. Escolha plantas nativar que se adaptem bem à sua região e ofereçam benefícios ecológicos, como atrair polinizadores ou resistir às doenças locais. Ao associar criteriosamente plantas nativar e espécies autóctones, contribuirá para um jardim simultaneamente bonito, resiliente e respeitador do ambiente.

As flores anuais também contribuem para a preservação da biodiversidade
Apresentação de alguns cultivares comuns de plantas nativas
Eis uma pequena seleção de nativars populares nas nossas regiões, cada um com características únicas e conselhos para os integrar eficazmente em diferentes contextos de jardinagem:
O Cytisus scoparius ‘Goldfinch’
A giesta-das-vassouras ‘Goldfinch’, com as suas flores amarelas bicolores resplandecentes, é um espetáculo a não perder na primavera. Esta variedade distingue-se pelas suas tonalidades de amarelo e vermelho, trazendo uma explosão de cor ao jardim.
Conselhos de utilização: Ideal para taludes, sebes informais ou canteiros, ‘Goldfinch’ prefere solos bem drenados e uma exposição soalheira. Esta planta rústica requer poucos cuidados e adapta-se particularmente bem a jardins secos ou rochosos. O seu crescimento rápido e a sua floração abundante fazem dela uma escolha perfeita para obter um impacto visual imediato.
AHesperis matronalis ‘Alba Plena’
A juliana-dos-jardins ‘Alba Plena’ é uma variedade encantadora, com as suas flores brancas dobradas, que libertam um perfume suave e agradável ao entardecer. Esta planta traz um toque de elegância e frescura ao jardim, sobretudo na primavera e no início do verão.
Conselhos de utilização: Perfeita para canteiros, bordaduras ou como planta de sub-bosque, ‘Alba Plena’ aprecia solos ricos e húmidos, à meia-sombra ou em pleno sol. É ideal para criar contrastes com plantas de floração mais escura. Fácil de cultivar e resistente ao frio, autossemeia-se frequentemente, proporcionando uma floração generosa ano após ano.

Cytisus scoparius ‘Goldfinch’ e Hesperis matronalis ‘Alba Plena’
O íris pseudacorus ‘Plena’
O íris amarelo ‘Plena’ é uma variedade encantadora, com as suas flores amarelas dobradas, que acrescentam uma dimensão espetacular às zonas húmidas do jardim. As suas flores exuberantes e a sua folhagem esguia criam um ponto focal atrativo, sobretudo junto à água.
Conselhos de utilização: Ideal para as margens de lagos, as margens de ribeiros ou as zonas húmidas, ‘Plena’ desenvolve-se bem em solos constantemente húmidos ou mesmo submersos. Esta planta robusta e fácil de cuidar traz um toque de cor viva e interesse arquitetónico ao jardim aquático. É também resistente às condições invernais e requer poucos cuidados depois de estar bem estabelecida.
A Salvia ‘Caradonna’
A sálvia ‘Caradonna’ distingue-se pelos seus caules roxo-escuros, que contrastam magnificamente com as suas flores azul-violetas. Esta variedade traz um toque de cor intensa e uma estrutura vertical elegante ao jardim, florescendo da primavera ao verão.
Conselhos de utilização: Perfeita para canteiros, bordaduras ou jardins de cascalho, ‘Caradonna’ aprecia solos bem drenados e uma exposição soalheira. Esta planta perene é apreciada pelo seu longo período de floração e pela sua capacidade de atrair abelhas e borboletas. É também fácil de cuidar, resistente à seca depois de estar bem estabelecida, e pode ser podada após a primeira floração para estimular uma segunda vaga de flores.

Iris pseudacorus ‘Plena’ e Salvia ‘Caradonna’
A Lavandula angustifolia ‘Hidcote’
A alfazema ‘Hidcote’ é uma variedade apreciada pelas suas flores de um roxo-escuro e pelo seu perfume intenso. Compacta e elegante, é ideal para criar bordaduras bem definidas ou canteiros perfumados em jardins de qualquer dimensão.
Conselhos de utilização: Perfeita para jardins secos e soalheiros, ‘Hidcote’ aprecia solos bem drenados e exposições em pleno sol. Atrai abelhas e borboletas, além de ser fácil de cuidar. ‘Hidcote’ é também frequentemente utilizada para a produção de alfazema seca, graças à sua cor intensa e ao seu perfume duradouro.
A Saponaria officinalis ‘Rosea Plena’
A saponária ‘Rosea Plena’ é uma variedade encantadora, com as suas delicadas flores cor-de-rosa dobradas, que evocam suavidade e romantismo. Esta planta perene oferece uma floração generosa e uma folhagem densa, trazendo um toque de cor e textura ao jardim.
Conselhos de utilização: Ideal para bordaduras, canteiros ou como planta de cobertura, ‘Rosea Plena’ prefere solos ricos e bem drenados, em locais soalheiros ou à meia-sombra. É fácil de cultivar e requer poucos cuidados. Esta saponária é particularmente apreciada pelo seu longo período de floração e pela sua capacidade de se expandir, formando assim um tapete floral atrativo. É também resistente a condições climáticas variadas e adapta-se a diferentes tipos de jardins.

Saponaria officinalis ‘Rosea Plena’ e Lavandula angustifolia ‘Hidcote”
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