Resumo
As cilas ou Scilla são pequenos bolbos perenes, dos primeiros a florir na primavera. Muitas espécies colonizam os nossos sub-bosques em França e são comercializadas para formar bonitos tapetes nos nossos jardins. Rústicas e vigorosas, cultivam-se geralmente em meia-sombra, num solo bem drenado. A maioria oferece bonitas flores de um azul intenso, em forma de campainha ou de estrela, elegantes e delicadas. Existem também bonitas formas com flores brancas ou cor-de-rosa.
Descubra a nossa seleção de algumas belas variedades de cilas e encante o seu jardim com a sua beleza selvagem.
→ Consulte a nossa ficha completa Cila: plantar, cultivar e cuidar
cila-branca 'Tubergeniana'
Verdadeira pequena joia, a Scilla mischtschenkoana ‘Tubergeniana’ oferece flores preciosas, de textura iridescente, de uma cor azul-clara a branca, ambígua. Estas flores, com 2 cm de diâmetro, são atravessadas por uma linha mediana de um azul mais intenso. Surgem ao mesmo tempo que a folhagem jovem, muito cedo na estação, logo em fevereiro ou março, agrupadas em conjuntos de 2 a 5 flores campanuladas, acima de uma haste floral, a 15 cm do solo. Pouco conhecida, esta cila, distinguida pela Royal Horticultural Society, merece ser cultivada, tal é a sua beleza. É originária do sul do Cáucaso, do sul da Rússia e do norte do Irão, estando adaptada a invernos frios e verões secos. A sua folhagem em forma de fita é espessa e estreita e eleva-se a 10-15 cm do solo. Desaparece no verão, quando a planta entra em dormência. Esta cila propaga-se através da produção de bolbilhos, mas também por sementeira. É fácil de cultivar ao sol, em qualquer solo bem drenado, mesmo seco no verão, e naturaliza-se facilmente.
A floração da Scilla mischtschenkoana ‘Tubergeniana’ ocorre entre a das campainhas-brancas e a das escilas-da-sibéria. Plante-a num jardim de rochas soalheiro para a admirar. Outras pequenas plantas bolbosas delicadas, como os Iris reticulata, as tulipas botânicas, os açafrões-da-primavera ou as estrelas-de-belém são companheiras à sua altura.

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Cila, Scilla: plantação e cuidadosCila-branca 'Tubergeniana'
A cila-de-duas-folhas, pouco cultivada nos nossos jardins, cresce, no entanto, espontaneamente em França, em florestas abertas, em zonas frescas a húmidas, até aos 1 500 m de altitude. Encontra-se espontaneamente no centro e no leste de França. É uma espécie muito rústica, originária da Europa Central e do Sul, bem como da Turquia. Deve o seu nome ao facto de possuir geralmente duas folhas, mais raramente três. A floração ocorre em março e abril, ao mesmo tempo que surge a folhagem, em cachos de 3 a 10 flores estreladas, com 2 a 4 cm de diâmetro, de um azul intenso. A haste floral muito fina, com 20 cm de altura, é de cor vermelha ou castanha. A folhagem seca algumas semanas depois da floração, no início do verão, enquanto o bolbo entra em repouso.
É uma planta perene que se naturaliza sem nunca se tornar invasiva, nos sub-bosques frescos de árvores ou arbustos caducifólios, antes de estes apresentarem folhas. Associe-a a belas plantas perenes que apreciam as mesmas condições, como os heléboros, as tiarelas e as prímulas.
A Scilla bifolia ‘Rosea’ é uma forma com flores rosa-claro.

escila-da-sibéria
A Scilla siberica ou escila-da-sibéria acompanha de perto a floração da Scilla mischtschenkoana ‘Tubergeniana’. As suas encantadoras flores de 1,5 cm de diâmetro, em forma de sininhos pendentes, de um azul extremamente vivo, merecem naturalizar-se no jardim. As hastes florais, com 12 a 15 cm de altura, apresentam pequenos cachos de 4 ou 5 flores com 6 tépalas de um azul puro, raiado de azul mais intenso. A escila-da-sibéria, ao contrário do que o seu nome pode fazer pensar, é originária do sudoeste da Rússia europeia (Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia, Crimeia), do Cáucaso e da Turquia. O seu habitat natural é constituído por prados húmidos e sub-bosques de árvores de folha caduca, que deixam passar o sol no inverno. É muito resistente ao frio. Com cerca de 15 cm de altura, emerge de uma folhagem basal verde-escura, semelhante a fitas.
Fácil de cultivar, exceto em climas e exposições áridos, que teme, naturaliza-se facilmente no jardim, em zonas naturais, na companhia das pequenas tulipas botânicas, das uvas-de-jacinto e das Chionodoxas, que lhe sucedem. É possível plantá-la numa relva que não seja cortada antes do verão, quando a planta entra em dormência.
Descubra também a sua forma branca: Scilla siberica ‘Alba’.

A cila nutans ou jacinto-dos-campos
Mais conhecida pelo nome de jacinto-dos-campos ou jacinto-selvagem, a Scilla nutans ou Hyacinthoides non-scripta é admirada na primavera durante os passeios pelo campo, onde cresce em grandes colónias nos nossos bosques frescos. Forma extraordinários tapetes azuis, baixos, impressionantes pelas suas dimensões. No jardim, em condições semelhantes, é uma planta que não requer manutenção e está cheia de encanto. Os seus bolbos multiplicam-se espontaneamente e expandem-se pouco a pouco, até ocuparem grandes áreas. Em França, encontra-se no oeste, a norte de uma linha Bordéus-Dijon-Reims. É uma espécie protegida na maior parte da Europa Ocidental. Mais alta do que as suas parentes, a cila nutans desenvolve na primavera uma touceira de folhas basais estreitas e lineares, da qual surge, em abril-maio, uma haste floral com 30 a 40 cm de altura. As suas flores pendentes apresentam a forma de um tubo que se abre em 6 lobos enrolados, de cor azul-malva. Reúnem-se em grupos de 5 a 12, todas inseridas do mesmo lado.
Planta de meia-sombra luminosa e de bosques abertos, prefere solos profundos, humíferos e ligeiramente ácidos. Planta-se em massa em bordaduras ou sob árvores que deixam filtrar a luz. O seu companheiro natural é o narciso-bravo, Narcissus pseudonarcissus, mas também o alho-dos-ursos ou a Anemone nemorosa.
Descubra a sua forma branca: Scilla nutans ‘Alba’

escila-do-Peru
Muito diferente, a escila-do-Peru, Scilla peruviana ou Oncostema peruviana, oferece uma flor maior e mais espetacular. Em abril ou maio, cada roseta de folhas produz uma inflorescência muito grande, com 40 cm de altura, em forma de um cone largo e achatado, muito denso, composto por uma grande quantidade de pequenas flores estreladas de um azul-violeta intenso. A roseta basal de folhas lanceoladas desenvolve-se no outono e no inverno e desaparece depois da floração. Mais uma cujo nome não revela a sua origem: esta é nativa da região mediterrânica — Portugal, Itália, Espanha e Norte de África — onde cresce em prados, zonas rochosas húmidas e regiões costeiras destes países. Desenvolve-se facilmente num clima mediterrânico, desde que o solo não seja demasiado seco. Também pode ser cultivada mais a norte, se a exposição for muito soalheira. Pouco resistente ao frio e sujeita a geadas a partir de cerca de -10° C, deve ser plantada num solo muito bem drenado e é importante cobrir bem a sua base com uma camada de cobertura para o inverno.
Esta cila adapta-se bem ao cultivo em vaso, em bordadura de canteiro e num jardim de rochas, entre tomilho, alfazema e alecrim, com Iris unguicularis ou íris-de-Argel, cuja floração é mais precoce.

Urginea maritima
Apresentamos, por fim, uma planta rara em cultivo, para colecionadores, a Urginea maritima ou Drimia maritima, também chamada cila-do-mar ou cila-marítima. Esta planta perene bolbosa floresce no final do verão sob a forma de espigas alongadas, com 15 a 35 cm de comprimento. Estas espigas são compostas por uma infinidade de pequenas flores estreladas, de cor branca, estriada de verde no exterior e de castanho-rosado no interior. Antes de abrirem, os botões florais são verde-pálido com tons arroxeados. A floração é perfumada e melífera. A planta é nudiflora, ou seja, as flores surgem sem folhagem. O bolbo mede até 20 cm de diâmetro e pesa até 2 kg, devendo ser plantado de modo a ficar à superfície do solo. As folhas estreitas e espessas, de cor verde vivo, medem entre 30 cm e 1 m de comprimento. São eretas e ligeiramente onduladas. A longa haste floral central atinge até 1,20 m de altura. Trata-se, portanto, de um bolbo com múltiplos atrativos, de caráter original e singular.
A Urginea maritima é uma espécie moderadamente rústica, suportando até cerca de -12° C, originária da região mediterrânica. Está protegida em França, onde está presente nos Alpes Marítimos. É uma planta tóxica, que deve ser manuseada com luvas e não deve ser ingerida. Tolera a seca e a maresia e cultiva-se num solo arenoso ou pedregoso, muito bem drenado. Aprecia os solos calcários e ligeiramente húmidos. Planta-se num talude ensolarado ou num jardim de rochas seco, ou ainda no fundo de um pequeno canteiro, com gramíneas, para criar um jardim de aspeto selvagem. Também é possível plantar o seu grande bolbo isoladamente num vaso grande, uma vez que não precisa de ser enterrado profundamente e, nesse caso, pode invernar-se a planta em regiões frias ou chuvosas.

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