Resumo
O cidro-digitado, antepassado do limão, forma um arbusto ornamental, de ramos espinhosos, que produzem, na primavera, grandes flores brancas tingidas de púrpura, muito perfumadas, antes de formarem, no outono, frutos chamados cidras, semelhantes a limões grandes, de casca rugosa. A sua folhagem persistente é verde-escura e as folhas jovens são violetas. Neste citrino, é a casca que se consome. Existem várias variedades e é pouco rústico, suportando temperaturas até – 3° C, no máximo. Por fim, teme as exposições muito quentes.
Descubra como cultivar um cidro-digitado, os nossos conselhos de manutenção e como utilizá-lo.
Onde cresce?
A cidreira desenvolve-se como uma pequena árvore de ramos espinhosos. Planta-se na primavera, em março-abril, quando as temperaturas começam a subir. Existem algumas variedades apreciadas pelos colecionadores, como a Citrus medica ‘Pigmentata’, de cor vermelho-sangue e muito aromática, e a Citrus medica ‘Maxima’, com frutos particularmente grandes.

Citrus medica ‘Maxima’ e ‘Pigmentata’
A sua plantação em plena terra só é possível numa zona protegida das geadas, como a zona USDA 9b, na faixa litoral mediterrânica, uma vez que é muito sensível à geada, tolerando apenas breves períodos de temperaturas inferiores a -3° C.
Em qualquer outro local, cultiva-se em vaso no exterior e recolhe-se para um local abrigado durante a estação fria.
Escolha para o cultivo um local quente e soalheiro, mas não demasiado exposto ao sol, protegido dos ventos e dos salpicos do mar. Teme a seca e o sol intenso.
A cidreira necessita, tal como os outros citrinos, de um solo fértil e leve, com boa drenagem. Teme os solos calcários e cultiva-se num solo com pH neutro a ácido.
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Citrinos: plantação e manutençãoPlantação em plena terra e plantação em vaso
Para plantar um cidro-digitado, em plena terra ou em vaso, serão necessários areia, composto, adubo, assim como substrato, material de drenagem para o fundo da cova de plantação ou do vaso e cobertura morta orgânica para conservar a humidade junto à base da planta.
Plantação em plena terra
- Mergulhe o torrão num balde com água durante cerca de dez minutos, para permitir que se reidrate bem.
- Abra uma cova de plantação com cerca de 2 a 3 vezes o tamanho do torrão.
- Misture a terra com composto bem decomposto, areia de rio e, se necessário, substrato. Não hesite em adicionar também adubo especial para citrinos, de preferência de origem orgânica.
- Coloque uma camada de drenagem no fundo da cova de plantação (cascalho, pozolana, bolas de argila…).
- Adicione uma parte da mistura de terra.
- Coloque o torrão no centro da cova e adicione a mistura até cobrir as raízes, mas sem enterrar o ponto de enxerto (uma espécie de saliência na base do tronco).
- Calque.
- Forme uma larga caldeira com rebordos à volta da base do cidro-digitado, para reter bem a água da rega.
- Regue abundantemente.
- Cubra o solo cuidadosamente para limitar a evaporação da água e espaçar as regas.

Cidros-digitados adultos em plena terra
Plantação em vaso
Escolha um recipiente 2 a 3 vezes maior do que o torrão, como um vaso de terracota ou uma floreira de madeira, obrigatoriamente com furos ou que possa perfurar, para evitar que as raízes fiquem submersas em água.
Tenha à disposição substrato “especial para citrinos” ou prepare um substrato com 50% de substrato, 30% de composto e 20 % de areia.
- Mergulhe o torrão num balde com água durante cerca de dez minutos, para permitir que se reidrate e facilitar a remoção do vaso de viveiro.
- Coloque no fundo do vaso uma camada de drenagem, com bolas de argila ou cascalho, com alguns centímetros de espessura (a pozolana é mais pesada e deve ser evitada em vaso).
- Deite o substrato ou a mistura preparada até cerca de metade do vaso. Também pode adicionar adubo especial para citrinos.
- Retire o vaso de viveiro e descompacte as raízes na parte inferior do torrão.
- Coloque o cidro-digitado no vaso.
- Preencha com o substrato sem enterrar o colo.
- Calque.
- Regue abundantemente.
- Cubra o solo cuidadosamente com vários centímetros de espessura.
Manutenção
A manutenção da cidreira resume-se a dois aspetos principais: a rega e a fertilização.
Cultivo no exterior
Efetue regas regulares durante os primeiros anos, até o citrino conseguir desenvolver o seu sistema radicular. Posteriormente, regue sobretudo durante os períodos de seca, utilizando de preferência água da chuva. Planeie uma rega uma vez por semana no verão, ou mais em caso de seca prolongada. Diminua as regas no outono e depois suspenda-as no inverno ou reduza-as bastante, consoante a chuva de inverno. Cubra a base com palha, pois isso ajuda a conservar o solo fresco durante mais tempo, limitando simultaneamente o crescimento das ervas daninhas. Coloque folhas mortas ou uma cobertura orgânica à volta do tronco.
Aplique adubo orgânico ou composto bem decomposto, para alimentar o arbusto.
No outono, quando as temperaturas baixarem, pode instalar uma manta de inverno na parte aérea, para proteger os frutos, mais sensíveis à geada.
Cultivo em vaso
Regue regularmente da primavera ao outono, fornecendo água assim que o substrato ficar seco (regas uma a duas vezes por semana). Utilize, tanto quanto possível, água da chuva. Evite, em qualquer caso, deixar água estagnada no prato. A cidreira é exigente em elementos minerais; aplique adubo líquido aproximadamente uma vez por mês. Também pode utilizar adubo de libertação lenta. No inverno, reduza as aplicações de água e de adubo.
No outono, por volta do mês de outubro, recolha-a para um abrigo protegido da geada, por exemplo, numa estufa fria ou num alpendre. Escolha um local luminoso, mas não aquecido: o ideal será uma temperatura entre 7 e 10 °C. Na primavera, volte a colocar o arbusto no exterior, num local soalheiro.
Transplante a sua cidreira, em média, de dois em dois anos, de preferência na primavera. Deste modo, renova o substrato e deixa mais espaço para as raízes e para o crescimento da planta. Nos anos em que não a transplantar, substitua o substrato superficial: retire alguns centímetros da camada superior e substitua-os por substrato novo.
Qual é a diferença entre o limão e a cidreira? Utilizações
A colheita da cidreira começa em dezembro nas regiões com mais sol.
Para além das semelhanças aparentes, a cidreira é bem diferente do limão. É certo que se a cidreira se parece com um limão grande e rugoso, não tem a mesma polpa sumarenta tão utilizada no limão. A sua polpa é mais seca, embora seja aromática. A casca da cidreira é espessa, ligeiramente amarga, aromática e muito concentrada em óleos essenciais.

A cidreira é constituída essencialmente por casca e albedo (a parte branca), ao contrário do limão, cuja polpa é essencial
Mas é precisamente a casca que é muito apreciada neste fruto, sendo na maioria das vezes cristalizada na tradição culinária. A cidreira cristalizada utiliza-se para aromatizar bolos e brioches. Também se pode cobrir com chocolate, como se faz com as cascas de laranja cristalizadas. Pode igualmente utilizar-se para preparar compotas. Também se pode ralar a raspa e, por exemplo, juntá-la a um creme de limão.

A tradição da cidreira cristalizada
Quando e como podar um cidro-digitado?
A poda do cidro-digitado realiza-se depois da frutificação, no final do inverno, antes da retoma do crescimento vegetativo.
Pode-o moderadamente, aproximadamente de dois em dois anos, com cortes limpos e precisos. Desinfete as ferramentas para evitar a transmissão de doenças. Aplique também uma pasta cicatrizante nas feridas.
Num arbusto em vaso, pode intervir-se com maior frequência para controlar o crescimento, até várias vezes por ano, de forma bastante ligeira de cada vez.
A poda é simples e consiste em:
- Eliminar a madeira morta e os ramos que se cruzam no interior, para permitir a circulação do ar e da luz no centro.
- Dar uma forma equilibrada ao arbusto e facilitar a colheita, limitando a altura da planta.
- Definir a forma geral do arbusto durante os primeiros anos (arredondada ou em haste).
Quais são as doenças do cidro-digitado?
A cidreira, tal como os outros citrinos, é sensível a várias doenças e pragas. Se as condições de cultivo forem adequadas e se efetuarem podas regulares para arejar a copa, utilizando ferramentas desinfetadas, limita-se o risco de estas surgirem.
As folhas podem ser afetadas por clorose provocada pela água calcária.
A Mal secco, doença criptogâmica, bloqueia a circulação da seiva, provocando a secagem dos ramos e o enfraquecimento do arbusto. Corte e queime os ramos afetados assim que detetar o aparecimento da doença.
A gomose caracteriza-se pela secreção de uma substância translúcida e ambarina ao nível de uma ferida. É necessário limpar as partes afetadas e tratá-las com calda bordalesa. Aplique de seguida um mastique cicatrizante e fungicida ou argila. Um arbusto demasiado afetado deve ser arrancado.
Em ambiente confinado, em vaso e sob estufa, o cidro-digitado pode ser afetado por cochonilhas farinhentas, mosca-branca e aranhiços vermelhos. Para combater as duas primeiras, são úteis pulverizações de sabão preto sobre a folhagem. Os aranhiços vermelhos preferem ambientes secos: não hesite em pulverizar ligeiramente a folhagem.
Os pulgões também atacam o cidro-digitado. Também neste caso, recomenda-se a utilização de sabão preto.
Por fim, no caso das três pragas seguintes, corte e queime as folhas atacadas. A mosca-do-Mediterrâneo põe os ovos nos frutos. As larvas alimentam-se deles, provocando a sua queda prematura. As lagartas da traça-do-limoeiro roem os botões florais e as folhas jovens. A mineira das folhas escava galerias brancas e sinuosas no interior das folhas, visíveis a olho nu. As folhas tendem então a enrolar-se, amarelecer, secar e, por fim, cair.
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