Resumo
Podar ou não podar? Eis a questão que suscita discussões apaixonadas entre jardineiros a cada mudança de estação. E que também divide opiniões. De um lado, estão os adeptos do jardim bem cuidado e alinhado pelo cordel de jardim, que não abdicam do controlo do crescimento das plantas. Do outro, os defensores do natural, que defendem o respeito pelo ciclo de vida da planta e a proteção da biodiversidade. No final, tudo se resume ao equilíbrio. Pois podar não é um ato inofensivo. É uma ferida infligida a uma planta, que influencia a sua saúde, o seu crescimento, a sua floração e a sua frutificação.
Apresentamos-lhe um guia simples, mas completo, para saber o que podar e quando o fazer, sem cometer erros.
As plantas perenes: entre a estética e a proteção no inverno
As plantas perenes são essenciais nos nossos canteiros, nas nossas bordaduras, nos jardins de rochas e até nos vasos e recipientes. Animam o jardim, as varandas e os terraços ao longo de todo o ano, com as suas florações ou folhagens coloridas. O seu ciclo é simples: crescem, florescem e, depois, a sua parte aérea definha, deixando a cepa repousar durante o inverno.
Porquê podar?
A poda das plantas perenes, muitas vezes chamada corte, serve principalmente para estimular um novo crescimento vigoroso. Pode ser feita no verão ou no final da estação. Concretamente, uma planta perene tem como missão reproduzir-se e, para isso, forma sementes assim que as flores murcham. Ora, esta missão exige muita energia. Ao podar, redireciona-se essa energia para o fortalecimento do sistema radicular ou para a produção de novos rebentos ou de uma nova floração.
Para além da floração, a poda desempenha um papel importante na manutenção do jardim. Em pleno verão, muitas plantas perenes, como os gerânios vivazes ou as alquemilas, acabam por apresentar uma folhagem um pouco «cansada», manchada pelo oídio ou amarelecida pelo calor. Podar as partes secas permite arejar o centro da planta ou manter um hábito denso e compacto.
Porquê não podar?
Atualmente, a tendência é para o jardim de inverno. As estruturas das plantas secas, como as das Echinacea, das Phlomis ou dos séduns de outono, adquirem uma beleza gráfica sob a geada. Mais importante ainda:
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Os caules secos protegem a cepa do frio intenso.
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Os caules ocos servem de refúgio aos insetos auxiliares e as sementes alimentam as aves durante os meses de escassez.

Para a poda de plantas perenes como a equinácea, é necessário esperar pelo final do inverno, entre fevereiro e março
Quando e como intervir?
Durante a estação, pode fazer uma poda ligeira, cortando apenas as flores ou as hastes florais murchas acima de uma folha, para manter um aspeto cuidado e estimular um reflorescimento.
Para fazer a poda, é necessário esperar pelo final do inverno, entre fevereiro e março, consoante as regiões, para limpar os canteiros. Assim, poderá desfrutar da estrutura invernal e deixar a natureza seguir o seu curso. A única exceção aplica-se às plantas sensíveis a doenças criptogâmicas, como o oídio, cuja folhagem doente é preferível eliminar logo no outono.
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As gramíneas conferem leveza e movimento aos canteiros e às bordaduras. Mas, perante um tufo de miscanto que fica castanho, é grande a tentação de pegar na tesoura de poda. No entanto, para algumas gramíneas, esse gesto pode ser fatal.
As gramíneas de folhagem caduca
Nesta categoria encontram-se o miscanto, a erva-dos-penas e o painço. Estas plantas morrem completamente à superfície durante o inverno, mas a cepa revela-se relativamente rústica e resistente ao frio. Logo a partir da primavera, nascem novos rebentos.
O que é preciso reter:
- Não podar no outono: é um erro comum. A folhagem seca protege o coração da planta da humidade estagnada, o seu pior inimigo. Além disso, o murmúrio das gramíneas secas ao vento é um dos encantos do jardim de inverno.
- Quando podar? Corte severamente a 10-15 cm do solo, mesmo antes do reinício da vegetação, por volta do mês de março.

As gramíneas de folhagem caduca podam-se em março; as gramíneas de folhagem persistente penteiam-se.
As gramíneas de folhagem persistente
Nesta categoria encontram-se os cabelos-de-anjo, o carriço e a festuca. Estas gramíneas não são podadas da mesma forma que as de folhagem caduca. Por exemplo, se podar um carriço, pode acontecer que nunca recupere.
O que é preciso fazer exatamente? Recorre-se antes a um penteado. Com luvas, passe as mãos pelo tufo para retirar os caules mortos e as inflorescências murchas. Isso permite arejar a planta sem quebrar o seu hábito natural.
Os arbustos: tudo depende do momento certo!
É sobretudo entre os arbustos que se cometem mais erros de poda. Uma poda feita na altura errada pode privá-lo de flores durante um ano inteiro. Para não se perder, convém saber que tudo depende da floração.
Os arbustos de floração primaveril
A forsítia, o lilás, o filadelfo, o marmeleiro-do-Japão, a weigélia, a espireira, o amelenquer… Estes arbustos preparam os seus botões florais desde o verão anterior, na madeira do ano.
O que convém saber :
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Nunca se faz a poda no inverno. Se podar em fevereiro, corta as flores.
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Intervenha logo após o fim da floração. O objetivo é eliminar a madeira velha, deixando espaço para os rebentos jovens que darão flores no próximo ano.
Os arbustos de floração estival
A budleia, o hibisco-da-síria, a hortênsia, o loendro, a extremosa, o hipericão, a potentilha… Ao contrário dos arbustos de primavera, estes arbustos florescem na madeira do ano, ou seja, nos novos rebentos da primavera.
O que convém saber : pode fazer a poda no fim do inverno, em fevereiro ou no início de março. Uma poda curta favorece muitas vezes flores maiores, enquanto uma poda ligeira favorece um arbusto mais alto e mais denso, com flores mais pequenas.

Os arbustos de floração primaveril, como o marmeleiro-do-Japão, podam-se depois da floração; os arbustos de floração estival, como o hipericão, podam-se em fevereiro.
Os arbustos de sebe
A poda das sebes é um exercício um pouco diferente da poda dos arbustos isolados. Neste caso, o objetivo não é apenas a floração, mas sobretudo a densidade, a geometria e a saúde a longo prazo da sua barreira vegetal. Regra geral, uma sebe de loendros, alfeneiros, tuias… é podada duas vezes por ano, quando o crescimento da planta é mais ativo:
- Na primavera (abril a maio) : é a poda do fim do inverno. Intervenha logo após o primeiro crescimento. Desta forma, estrutura a sebe para que se mantenha bem densa durante todo o verão.
- Entre o fim do verão e o início do outono (setembro a outubro) : é a poda de «limpeza» antes do inverno. A seiva desce e o crescimento abranda. Ao podar nesta altura, a sebe manterá uma forma nítida e cuidada durante todos os meses de inverno.
Em contrapartida, as sebes de fotínias são podadas preferencialmente no fim da primavera, em junho, para aproveitar os seus encantadores rebentos vermelhos.
Para proteger as aves, a LPO recomenda não podar as sebes entre 15 de março e 31 de julho. É o período de nidificação. Ao podar durante estes meses, corre o risco de destruir ninhos ou de expor as crias aos predadores. Se a sebe não precisar de uma forma rigorosamente definida, opte por uma única poda em agosto ou setembro.
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Atenção! NÃO pode estas plantas na primaveraAs árvores, o respeito pela estrutura
No caso das árvores, a questão é mais grave: uma poda inadequada pode comprometer a segurança e a saúde da árvore durante as décadas seguintes. Ao cortar um ramo, cria-se uma porta de entrada para os fungos e os parasitas. Quanto maior for a ferida, mais dificuldade terá a árvore em cicatrizar corretamente.
Em teoria, uma árvore bem escolhida para o local onde se encontra nunca precisa de ser submetida a uma poda drástica. Se a árvore for demasiado grande, talvez não fosse a espécie adequada para esse local.
Quando podar?
- A poda de formação: essencial durante os primeiros anos para garantir uma estrutura sólida.
- A poda de segurança: para eliminar a madeira morta que poderia cair.
- A poda de iluminação: para desbastar uma copa demasiado densa sem alterar a silhueta geral.
As 5 regras de ouro para não se enganar
Eis as cinco regras fundamentais para não cometer erros:
- Observe antes de agir: pergunte-se por que motivo pretende podar. É para o bem da planta ou por uma necessidade de ordem? Se a planta é saudável e floresce bem, muitas vezes a melhor opção é não fazer nada.
- Desinfete as ferramentas: este é o conselho mais negligenciado. Uma lâmina suja propaga doenças de uma planta para outra. Utilize álcool desnaturado entre cada exemplar.
- Respeite o hábito natural: cada planta tem uma «personalidade» arquitetónica. Um arbusto de hábito pendente ficará desfigurado se for podado em forma de bola.
- A regra dos «3 D»: Antes de qualquer poda estética, comece por eliminar o que está Dead (morto), Damaged (danificado) ou Diseased (doente). Por vezes, isso é mais do que suficiente.
- Menos é mais: é sempre possível voltar a cortar um ramo no mês seguinte, mas é impossível colá-lo de novo. Proceda por etapas.
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