Um monte de ramos ou de madeira morta para a fauna do jardim

Um monte de ramos ou de madeira morta para a fauna do jardim

Muito simples, mas extremamente eficaz

Resumo

Modificado 0,01  por Olivier 5 min.

As pilhas de ramos ou de madeira morta são necessárias à sobrevivência de muitas espécies na natureza e no jardim. Servem de abrigo a algumas aves, aos répteis, aos anfíbios (batráquios), a alguns mamíferos, como o ouriço-cacheiro, e a diversos artrópodes (bichos-de-conta, insetos, aranhas…). A madeira é também uma fonte de alimento para os fungos e os insetos xilófagos. Se aprecia a ecologia, ajudar a natureza e viver num jardim cheio de vida, esta é uma estrutura fácil de realizar. É simples e gratuito: avance já para a criação de um monte de ramos ou de uma pilha de madeira para um jardim ecológico!

Dificuldade

Porquê deixar pilhas de ramos no jardim?

Um grande feixe de ramos, um amontoado de ramagens ou mesmo uma grande pilha de lenha constituem um abrigo de eleição para muitos insetos, pequenos mamíferos e anfíbios. Algumas aves também podem aí nidificar. A madeira revela-se igualmente uma fonte de alimento para muitos pequenos artrópodes e, naturalmente, para os fungos. Trata-se de uma estrutura simples que pode melhorar a biodiversidade do jardim.

Vivem nos montes de ramos ou de troncos

Alguns mamíferos escondem-se, caçam ou hibernam nos montes de ramos. O ouriço-cacheiro, que pode hibernar até abril, instala aí um ninho acolhedor composto por musgos e folhas secas. Também é possível encontrar doninhas, arminhos e musaranhos, que aí procuram insetos.

Algumas aves aproveitam a proteção proporcionada pelos ramos entrelaçados para nidificar. É o caso do pisco-de-peito-ruivo, da carriça ou da ferreirinha-comum. Os montes de madeira constituem, além disso, uma fonte de alimento para todas as aves insetívoras e omnívoras.

Os nossos simpáticos auxiliares do jardim, que combatem as pragas, os anfíbios, como os sapos, as rãs, os tritões e até as salamandras, encontram durante o dia abrigo nas partes mais húmidas da madeira. À noite, estes amigos do jardineiro saem para se deliciarem com insetos e gastrópodes.

Os répteis também encontram aí boas condições: lagartixas-das-muralhas, licranços e cobras-de-colar.

Os escaravelhos e outros coleópteros, as joaninhas, as tesourinhas, as larvas de sirfídeos, as larvas de crisopídeos, as formigas, as moscas, as aranhas, os miriápodes (centopeias, milípedes…) e os bichos-de-conta vivem nos montes de madeira morta ou de ramos. Aí encontram abrigo e alimento. As lesmas e os caracóis refugiam-se entre os troncos e servem de alimento aos seus predadores.

Os musgos (briófitas) e os líquenes também crescem sobre a madeira morta, utilizando-a como suporte. Não são parasitas nem xilófagos. Também não se devem esquecer alguns fungos e microrganismos que vivem dentro e sobre a madeira.

monte de ramos fauna do jardim

Tesourinhas, ouriços-cacheiros, musaranhos, licranços e muitos outros encontram refúgio nos montes de madeira morta

Alimentam-se de madeira morta

Cerca de metade dos insetos xilófagos (que comem madeira) existentes no mundo estão ameaçados de extinção. Por que não ajudá-los um pouco, oferecendo-lhes o seu alimento preferido: madeira? Entre estes, os mais emblemáticos são a rosália-dos-Alpes (Rosalia alpina) e o lucano (Lucanus cervus). Mas também os escolítidos, alguns himenópteros, algumas lagartas de borboletas… Estas larvas de insetos, que se alimentam de madeira morta, vão atrair os seus predadores, como os pica-paus, por exemplo.

Os fungos também se alimentam de madeira e decompõem a celulose, tornando-a mais digerível para os outros consumidores de madeira. São xilófagos (alimentam-se de madeira viva) ou saproxilófagos (alimentam-se de madeira em decomposição).

Onde e como deixar a ramagem?

Onde?

A pilha de toros deverá ser colocada ao sol e ao abrigo do vento. Pode ser instalada junto de uma zona húmida: um pequeno ribeiro, uma lagoa ou um lago natural.

A pilha de ramos deverá ser formada ao sol (se pretender sobretudo criar um abrigo para répteis) ou à sombra (mais indicada para mamíferos e anfíbios), junto de uma sebe, por exemplo, e também protegida do vento. Não é necessário colocar esta pilha de ramos num local muito visível. Um lugar um pouco escondido, dissimulado pela vegetação ou por um elemento do jardim, será perfeito e muito mais tranquilo para a fauna que aí se instalar.

Como?

A pilha de madeira

Nada mais simples. Basta juntar toros, ramos grossos, troncos, resíduos de poda… e empilhá-los. Também pode acrescentar um pouco de feno, palha ou folhas mortas para cobrir a pilha de madeira e de ramos.

A altura da pilha é relativamente pouco importante: uma altura de 50 cm já é suficiente.

O ideal é formar a pilha de toros em meia-lua ou em forma de “U”, abertos para sul, criando assim uma zona quente para os répteis (lagartos, licranços e serpentes). A madeira armazena menos calor do que a pedra, mas aquece mais rapidamente do que esta.

Pode empilhar os toros cuidadosamente (como numa pilha de lenha) ou, pelo contrário, de forma completamente caótica. A utilização de toros, ramos grossos, ou mesmo cepos ou troncos de diâmetros e formas diferentes criará numerosas cavidades diversificadas, o que atrairá mais espécies diferentes.  Se pretender que a pilha de madeira se transforme num local de postura para os répteis (nomeadamente para a cobra-de-água-de-colar), não hesite em inserir palha, restos de corte ou folhas mortas no interior das pilhas. Também pode inserir toros perfurados para as abelhas solitárias ou latas de conserva cheias de palha, para servirem de abrigo às tesourinhas, por exemplo.

É possível preparar pilhas de madeira durante todo o ano, mas a melhor altura é durante o repouso invernal. Também pode colocar várias pilhas em diferentes locais do jardim, mas não as afaste mais de 25 m umas das outras. Assim, estas pilhas de madeira poderão permanecer ligadas em rede e os animais passarão de uma para outra sem demasiado perigo.

A manutenção limita-se a acrescentar toros por cima se verificar que a pilha está a diminuir. Não mexa nas partes em decomposição, pois são o refúgio de toda uma fauna.

A pilha de ramos

A pilha de ramos consiste simplesmente em empilhar, de forma um pouco desordenada, ramos e resíduos da poda das árvores e da poda dos arbustos ou das sebes. A madeira pode estar verde ou morta. O ideal é usar várias espécies diferentes. Não hesite em inserir ramos espinhosos (abrunheiro-bravo, roseira brava, pilriteiro…) que manterão a pilha unida, criando simultaneamente uma boa proteção para a fauna.

Também aqui não é necessário fazer pilhas gigantescas: 50-60 cm de altura por cerca de um metro de largura são mais do que suficientes. Pode multiplicar as pilhas, mas não as afaste demasiado (não mais de 25 m). A criação de uma pilha de ramos pode ser feita durante todo o ano, mas o inverno é a melhor altura.

Pode cobrir a pilha de ramos com palha e folhas mortas.

Também pode formar uma leira de ramos mortos entre estacas. Disponha as estacas em duas linhas afastadas cerca de 50 cm, criando uma espécie de corredor. Depois, basta preencher este “corredor” com ramos. É bonito, dá um aspeto “limpo” e constitui uma sebe original, mas é tão eficaz como uma simples pilha de ramos.

A manutenção consiste em acrescentar ocasionalmente alguns ramos por cima se a pilha diminuir em altura.

Todos estes seres vivos “comedores de madeira” vão decompor a madeira e contribuir para enriquecer o solo em matéria orgânica.

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Pilha de ramos para a fauna do jardim

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