O grounding, também conhecido por earthing, é uma prática que implica um contacto direto com a superfície da Terra. Esta ligação à Terra (ou ligação à terra) é geralmente estabelecida caminhando descalço sobre o solo, sentando-se ou deitando-se em superfícies naturais como a relva, a areia ou a terra. A ideia central desta prática é que a Terra possui uma energia natural sob a forma de eletrões carregados negativamente. Ao estabelecer um contacto direto com o solo, o corpo pode absorver esses eletrões, o que se pensa ter vários efeitos benéficos para a saúde.

Ligar-se novamente à Terra: porquê?
Ligar-se novamente à terra é uma noção que assume uma importância crescente no mundo moderno, frequentemente dominado pelo betão e pelas tecnologias que nos isolam fisicamente da terra. Historicamente, os seres humanos mantinham um contacto constante com o solo, mas os estilos de vida modernos, incluindo o uso de calçado isolante e a vida em ambientes urbanos elevados, limitaram esse contacto natural.
O conceito de ligação à Terra baseia-se na ideia de que esta perda de contacto direto contribuiu para o aumento de vários problemas de saúde crónicos, como perturbações inflamatórias, desequilíbrios hormonais, aumento do stress e perturbações do sono. Ao restabelecer a ligação com a terra, poderemos potencialmente contrariar estes efeitos nefastos e recuperar um certo equilíbrio fisiológico e bem-estar geral.
Os fundamentos científicos do grounding
Apresentação dos princípios elétricos envolvidos no grounding
O grounding ou earthing baseia-se no princípio de que a superfície da Terra possui uma carga elétrica negativa natural, devido a uma concentração contínua de iões negativos. Quando a pele entra em contacto direto com o solo, ocorreria uma troca de eletrões entre o corpo e a terra. Esta transmissão de eletrões poderia então neutralizar os radicais livres no corpo, conhecidos por contribuírem para a inflamação e o envelhecimento celular.
Estes eletrões livres participam no funcionamento do sistema imunitário, na síntese dos neurotransmissores e no controlo da inflamação. Ao caminhar descalço, por exemplo, permitimos que o corpo se sincronize com a carga elétrica da Terra, o que pode conduzir a uma estabilização do estado biológico interno.
Síntese das investigações e dos estudos que apoiam os benefícios do grounding para a saúde
A investigação sobre o grounding ainda se encontra numa fase relativamente inicial, mas vários estudos já apresentaram resultados promissores quanto aos seus efeitos benéficos para a saúde. Um estudo publicado no "Journal of Inflammation Research" observou que o grounding reduz os marcadores de inflamação e aumenta o número de eletrões no corpo, o que pode diminuir o stress oxidativo.
Outro estudo, publicado no "Journal of Alternative and Complementary Medicine", demonstrou que o contacto regular com a terra durante o sono reduz os níveis noturnos de cortisol e melhora o sono. Os participantes neste estudo também relataram uma redução da dor e do stress.
Investigações adicionais sugeriram que o grounding poderia melhorar a circulação sanguínea, graças ao seu impacto na carga elétrica dos glóbulos vermelhos, favorecendo uma melhor distribuição de oxigénio e nutrientes pelo corpo. Um estudo que utilizou termografia demonstrou uma melhoria da atividade circulatória nos participantes após uma sessão de grounding.
Os benefícios do grounding ou earthing
Redução do stress e da ansiedade
Quando o corpo entra em contacto com a terra, isso pode facilitar um estado de relaxamento através da estabilização das cargas elétricas do corpo. As investigações indicam que esta prática pode diminuir a atividade do sistema nervoso simpático, responsável pela reação de "luta ou fuga", e aumentar a atividade do sistema parassimpático, melhorando o relaxamento e o repouso. Esta transição pode ajudar a reduzir as sensações de stress e ansiedade, proporcionando um estado de calma e bem-estar.
Melhoria da qualidade do sono
Ao normalizar o nível de cortisol, a hormona do stress, quem pratica grounding pode usufruir de um sono mais profundo e reparador. Estudos demonstraram que o contacto direto com a terra durante o sono reduz as interrupções do sono e aumenta a duração das fases de sono profundo. Os participantes nestes estudos relataram sentir-se mais descansados e menos cansados ao acordar.
Redução da inflamação e ajuda na recuperação muscular
Os eletrões livres fornecidos pela terra atuam como antioxidantes naturais que combatem os radicais livres responsáveis pela inflamação. Esta redução da inflamação é particularmente benéfica para acelerar a recuperação muscular após o exercício físico, bem como para tratar doenças inflamatórias crónicas, como a artrite.
Estabilização do ritmo circadiano
Por fim, o grounding também pode influenciar positivamente o ritmo circadiano, o relógio interno do corpo que regula os ciclos de sono e vigília. Ao sincronizar o corpo com o ritmo natural da terra, o grounding pode ajudar a regular a produção de melatonina, uma hormona essencial para a regulação do sono. Esta estabilização pode ser particularmente útil para pessoas que sofrem de perturbações do sono ou de desfasamento horário, ajudando a restabelecer um ciclo de sono natural e saudável.
Como praticar grounding de forma eficaz
Caminhar descalço é o método mais direto e simples de praticar grounding. Para maximizar os benefícios, recomenda-se escolher superfícies naturais como a relva, a areia, a terra ou até a rocha. Estas superfícies permitem uma melhor transferência dos eletrões da terra para o corpo. A altura do dia também é importante; a manhã ou o fim da tarde são ideais, pois estes momentos oferecem uma frescura que torna a caminhada descalça mais agradável e evita queimaduras provocadas por um solo demasiado quente. Uma prática regular, mesmo de curta duração, mas diária, pode aumentar significativamente os efeitos positivos na saúde. Mas atenção aos elementos naturais ou não naturais que podem causar ferimentos durante os passeios descalços! Mantenha-se vigilante!
Mais complicado, consoante o local onde se vive, nadar em águas naturais permite um contacto prolongado com a natureza. A água, sendo um excelente condutor, facilita a transferência de eletrões e multiplica os benefícios associados à prática de grounding. Atenção: a água molha e pode até ser perigosa. Tenha cuidado!
Por fim, trabalhar a terra com as mãos nuas permite não só estabelecer uma ligação com a terra, mas também usufruir dos benefícios terapêuticos da própria jardinagem. Isto proporciona uma dupla vantagem: o contacto físico com a terra e o bem-estar psicológico acrescido pela atividade de jardinagem. Tenha, no entanto, o cuidado de manter a vacinação contra o tétano em dia!!
Nota bene: existem no mercado produtos de grounding especialmente concebidos para simular os efeitos do contacto direto com a terra, como tapetes, lençóis, bandas...

Integrar uma rotina no dia a dia
Mesmo com um horário preenchido, é perfeitamente possível integrar algumas rotinas fáceis de pôr em prática e gratuitas. Eis alguns exemplos:
- Comece ou termine o dia com uma curta caminhada descalço num parque, num jardim ou até na sua relva.
- Se trabalha perto de um espaço verde, aproveite a pausa para almoço para caminhar descalço ou simplesmente sentar-se e colocar as mãos ou os pés na relva.
- Pratique exercícios de respiração ou meditação mantendo um contacto direto com a terra no jardim ou num parque.
- Pode parecer uma solução desesperada, mas, se apenas dispõe de uma varanda ou de um terraço, coloque aí uma pequena quantidade de terra ou relva num recipiente suficientemente grande para pousar os pés descalços durante alguns minutos por dia.
Tente praticar grounding todos os dias, mesmo durante períodos curtos. A regularidade aumenta a eficácia da prática, permitindo uma acumulação progressiva dos benefícios. Também pode integrar estas práticas em atividades que já realiza regularmente, como a jardinagem, os passeios com o cão ou as brincadeiras ao ar livre com as crianças.
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