A amora, este pequeno fruto carnudo, de tonalidades profundas entre o violeta e o preto, é uma delícia de verão que muitos aguardam com impaciência. Não só é muito saborosa, como também oferece numerosos benefícios para a saúde. No entanto, colher as amoras no ponto máximo de maturação e conservá-las corretamente são etapas essenciais para desfrutar plenamente do seu sabor e da sua frescura. Neste tutorial, apresenta-se o processo de colheita das amoras e algumas dicas comprovadas para conservá-las, de modo a poder saborear esta delícia durante muito tempo após a época da colheita.

Como e quando colher e conservar as amoras

Amoras? De que se fala?

O termo comum "amora" pode causar alguma confusão, pois pode designar dois frutos produzidos por plantas diferentes.  Embora os dois frutos partilhem o mesmo nome comum em algumas línguas e culturas, é importante distingui-los, pois as suas características, os seus sabores e as suas utilizações são diferentes.

A amora da silva ou Rubus sp.

Esta amora é o fruto da silva, uma planta do género Rubus (que pertence à família das Rosáceas). É, na realidade, constituída por um aglomerado de drupas pequenas (chamadas drupéolas) que se unem a um recetáculo central. Quando se colhe uma amora madura, esta desprende-se com o recetáculo, conferindo ao fruto a sua forma característica.

As silvas são comuns em muitas regiões do mundo, crescendo frequentemente de forma espontânea ao longo de caminhos, clareiras ou em zonas perturbadas.

A amora da amoreira ou Morus sp.

Esta "amora" é o fruto da amoreira, uma árvore do género Morus (que pertence à família das Moráceas, a mesma família da figueira). Tal como a amora da silva, o fruto da amoreira também é constituído por drupéolas, mas tem uma textura e um sabor diferentes. Estes frutos são frequentemente alongados e podem ser vermelhos, pretos ou brancos, consoante a variedade de amoreira.

Como e quando colher e conservar as amoras
Amoras de Rubus à esquerda e de Morus à direita

A colheita das amoras

Amoras da silva 

As amoras da silva estão geralmente prontas para colher no final do verão ou no início do outono, consoante a região e o clima. O momento exato pode variar de um ano para o outro, de acordo com as condições meteorológicas.

As amoras maduras (Ah, ah!) apresentam uma cor preta intensa e brilhante. Evite os frutos que ainda estejam vermelhos ou pálidos, pois ainda não estão completamente maduros. As amoras devem desprender-se facilmente do arbusto quando são colhidas. Se for necessário puxar com força ou se o fruto oferecer resistência, provavelmente ainda não está pronto. As amoras maduras terão uma textura macia e sumarenta.

Procure colher as amoras de manhã cedo, depois de desaparecer o orvalho, mas antes de o calor do dia se instalar. Estarão mais frescas e terão menos probabilidade de se esmagar. Se possível, consuma ou transforme as amoras no próprio dia da colheita, pois deterioram-se muito rapidamente. Se for necessário conservá-las, coloque-as numa única camada num recipiente e guarde-as no frigorífico. Evite lavar as amoras até ao momento de as utilizar, para evitar que fiquem demasiado moles.

Atenção! Em algumas regiões, recomenda-se ter cuidado durante a colheita de amoras devido à presença de raposas. Esta precaução está relacionada com um parasita hospedado por estes animais, chamado Echinococcus multilocularis. Este parasita é responsável pela doença denominada equinococose alveolar no ser humano. Quando uma raposa infetada defeca, os seus excrementos podem conter ovos deste parasita. Estes ovos, que são microscópicos, podem acabar nos frutos, nos legumes e noutras plantas. Se os seres humanos ingerirem acidentalmente estes ovos, por exemplo, ao comerem amoras contaminadas, podem desenvolver equinococose alveolar, uma doença grave. Por isso, deve colher os frutos a pelo menos 1 metro de altura, lavar bem os frutos ou consumir as amoras apenas cozinhadas, por exemplo, em compota. 

Como e quando colher e conservar as amoras

Amoras da amoreira

Colher as amoras da amoreira (por vezes chamadas amoras de amoreira) requer uma abordagem ligeiramente diferente da utilizada para as amoras da silva. Estes frutos deliciosos são geralmente mais delicados e podem variar de cor consoante a variedade de amoreira (preta, vermelha ou branca).

As amoras da amoreira estão geralmente prontas para colher no final da primavera ou no início do verão, consoante o clima e a variedade de amoreira.

As amoras maduras mudam de cor. As amoras pretas apresentam uma cor preta intensa, as amoras vermelhas adquirem uma tonalidade vermelha escura e as amoras brancas tornam-se brancas e translúcidas. Os frutos devem estar cheios, carnudos e desprender-se facilmente da árvore. Se for necessário puxar com força, provavelmente o fruto ainda não está maduro. Uma amora madura da amoreira será macia ao toque.

Tal como acontece com as amoras da silva, é preferível colher as amoras da amoreira de manhã cedo. Estas amoras deterioram-se muito rapidamente. Consuma-as ou transforme-as pouco depois da colheita. Para as conservar, coloque-as numa única camada num recipiente e guarde-as no frigorífico. Lave as amoras apenas imediatamente antes de as consumir ou utilizar numa receita.

Como e quando colher e conservar as amoras

Conservação das amoras

As amoras, quer sejam provenientes da silva ou da amoreira, são frutos delicados que tendem a deteriorar-se rapidamente depois de colhidos. No entanto, com os cuidados adequados, é possível prolongar a sua frescura ou conservá-las para uma utilização posterior. Eis como proceder para cada tipo de amora:

Amoras da silva:

  1. Conservação a curto prazo:
    • Coloque as amoras numa única camada sobre um prato ou tabuleiro forrado com papel absorvente.
    • Guarde-as no frigorífico e consuma-as no prazo de 2-3 dias para obter o melhor sabor.
  2. Congelação:
    • Lave delicadamente as amoras e deixe-as escorrer.
    • Espalhe-as numa única camada sobre um tabuleiro de forno e coloque-as no congelador até estarem bem congeladas.
    • Transfira as amoras congeladas para sacos herméticos próprios para congelação ou recipientes, onde poderão ser conservadas até um ano.
  3. Conservação em compota ou geleia:
    • As amoras da silva prestam-se bem à preparação de compotas, geleias e conservas.
Como e quando colher e conservar as amoras

Amoras da amoreira :

  1. Conservação a curto prazo:
    • Tal como acontece com as amoras da silva, coloque as amoras da amoreira numa única camada sobre um prato ou tabuleiro e guarde-as no frigorífico.
    • Evite lavá-las até ao momento de as consumir, pois a humidade adicional pode acelerar a deterioração.
  2. Congelação:
    • Siga o mesmo método descrito para as amoras da silva: lave-as, congele-as numa única camada e, em seguida, guarde-as em recipientes herméticos.
  3. Outros métodos de conservação:
    • As amoras da amoreira também podem ser transformadas em compotas, geleias ou conservas.
    • Também pode secá-las com um desidratador, para as utilizar como passas em várias receitas ou para as comer como snack.

Para os dois tipos de amoras, se pretende conservá-las em compota ou de outra forma, é essencial seguir métodos de conservação adequados, como a esterilização dos frascos e a pasteurização, para garantir a segurança e a durabilidade das preparações.

Como e quando colher e conservar as amoras

Material necessário

Para a colheita:

  1. - Cesto ou recipiente: Prefira um cesto pouco profundo ou uma taça grande, para evitar empilhar demasiadas amoras umas sobre as outras, pois são delicadas e podem esmagar-se facilmente.
  2. - Luvas : Se colher amoras de silva, as luvas podem ajudar a proteger as mãos dos espinhos.
  3. - Vestuário adequado: Use roupa de mangas compridas e calças para se proteger dos espinhos e dos arranhões, sobretudo se colher em zonas arborizadas ou com mato.

Para a conservação:

  1. - Recipientes herméticos: Para conservar as amoras no frigorífico a curto prazo.
  2. - Sacos para congelação: Se prevê congelar as amoras. Os sacos com fecho de correr e fecho duplo são preferíveis, para evitar queimaduras de congelação.
  3. - Tabuleiro de forno: Útil para congelar as amoras numa única camada antes de as transferir para sacos próprios para congelação.
  4. - Papel absorvente: Para secar as amoras depois de as lavar e antes de as congelar ou conservar.
  5. - Frascos de vidro com tampas: Se prevê preparar compotas, geleias ou conservas. Certifique-se de que dispõe de frascos limpos e tampas novas, para garantir uma boa conservação.
  6. - Panela grande: Para cozinhar as compotas e esterilizar os frascos.
  7. - Funil para compotas: Útil para colocar a compota quente nos frascos sem a entornar.
  8. - Pinça para frascos: Para manusear os frascos quentes durante a esterilização.
  9. - Termómetro para compotas: Se prepara compota, ajudará a determinar quando esta atingiu o ponto de gelificação.
  10. - Ácido ascórbico (vitamina C) ou limão: Para evitar o escurecimento das amoras, sobretudo se prevê conservá-las em puré ou congelá-las.