A suavidade invulgar que se sente há algumas semanas tem consequências directas na vegetação: se algumas plantas florescem mais cedo, outras continuam em flor — é o que se passa neste momento com a camélia-do-outono 'Yume'.

Camélia-do-outono 'Yume'

Camélia-do-outono 'Yume'

Para um arbusto chamado camélia-do-outono, a camélia sasanqua Yume tem motivos para desconcertar. A sua floração estende-se habitualmente de Outubro a Dezembro, mas com esta suavidade sem fim as flores resistem e abrem-se mais 1 mês.

Esta variedade presenteia-nos ainda com um perfume agradável, típico das camélias-do-outono e, para aproveitar o trocadilho, a camélia, cheira a quê? O perfume é uma mistura subtil de jasmim e lírio, um verdadeiro regalo para o nariz.

As camélias são arbustos persistentes e bastante rústicos. No entanto, embora tolerem o frio, as suas flores podem por vezes abortar, seja por falta de humidade, seja por ventos frios; para as aproveitar plenamente durante o inverno, aqui vão alguns conselhos de plantação:

1- A exposição não é indiferente, é capital. A camélia é um arbusto de sub-bosque; por conseguinte tolera a sombra mas suporta de forma variável o vento, por isso é importante encontrar-lhe um local protegido, sob grandes árvores, na orla de bosque ou encostada a um muro, à sombra dos ventos frios e secantes.

2- O solo também é muito importante: deve ser terra fresca, ou seja, que não seque no verão mas que também não fique encharcada no inverno. Deve ser rico em húmus, com tendência ácida ou neutra e relativamente leve — a camélia não gosta de solos pesados — e não, a camélia não suporta o calcário!

Se és fã de camélias e de outras plantas de terra de urze, existe uma solução radical para cultivá-las em solos calcários: cava uma cova de plantação de pelo menos 1 m3 e substitui a terra por uma mistura de terra vegetal, pozolana e terra de urze. Os arbustos podem crescer e as suas raízes colonizar a cova até ficarem suficientemente vigorosos para enfrentar o calcário. Este método já deu resultados em muitos jardins, nomeadamente no Vastérival, na Alta-Normandia, um jardim com subsolo crayeux que deve a sua reputação à vasta colecção de arbustos de terra de urze.