A avifauna (o conjunto das aves selvagens) enfrenta atualmente uma série de problemas, reduzindo a sua população todos os anos. Alterações climáticas, pesticidas, redução da área dos seus habitats (menos alimento e locais de nidificação), acidentes de todo o tipo (vidros, automóveis, aerogeradores...), predação natural ou não, poda das sebes na primavera e, agora, doenças como a gripe aviária. Ou melhor, as gripes aviárias, pois existem várias. Vejamos o que são estas gripes aviárias e quais as suas consequências para as aves selvagens! 

consequências da gripe aviária para a avifauna e as aves selvagens
Um corvo-marinho encalhado na margem... certamente vítima da gripe aviária

O que são as gripes aviárias?

As gripes aviárias são por vezes chamadas peste aviária, influenza aviária ou ainda, mais raramente, ébola das galinhas. Trata-se de uma doença viral causada por vírus influenza do tipo A, que afeta principalmente as aves. É habitual classificar as gripes aviárias em duas categorias principais:

  • IAFP ou vírus de baixa patogenicidade : provocam poucos sintomas nas aves de capoeira. Por vezes, algumas aves, como os patos, são portadoras assintomáticas;
  • IAAP ou vírus de alta patogenicidade : nesta categoria encontram-se os subtipos H5, H7 ou H9, como o vírus H5N1 ou o H7N9. São estirpes que podem desencadear epidemias graves e revelar-se, por vezes, mortais.

A doença transmite-se por contacto direto entre aves (selvagens ou domésticas), através dos excrementos de aves doentes ou por meio de material ou elementos infetados (carcaças, ovos, vestuário...). Normalmente pouco virulenta para as aves selvagens (mas isso está a mudar!), uma gripe aviária pode dizimar todas as aves de uma exploração industrial.

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Todos se recordam dos terríveis estragos provocados pela gripe aviária no início dos anos 2000

E o ser humano?

A gripe aviária pode infetar alguns mamíferos, entre os quais o porco, o rato, a ratazana, a doninha... e até o ser humano, no caso da estirpe H5N1. Os casos ainda são raros, mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) leva a situação muito a sério, tanto mais que este vírus é potencialmente mortal para o ser humano. Existe uma vacina eficaz contra o vírus H5N1 desde 2005. Felizmente, por enquanto, o vírus H5N1 não é transmissível de pessoa para pessoa, ocorrendo a transmissão apenas em caso de contacto prolongado com aves de capoeira.

Contudo, os vírus do tipo A são geneticamente instáveis, o que significa que sofrem mutações rápida e frequentemente. Um subtipo de gripe A poderá, assim, tornar-se um dia problemático para o ser humano e provocar uma pandemia.

Estarão as aves selvagens em perigo?

Segundo Alain Bougrain-Dubourg, presidente da LPO (Liga para a Proteção das Aves), 2022 foi o pior ano a nível mundial desde o aparecimento da gripe aviária H5N1, em 1995. Cerca de 140 000 000 de aves de capoeira morreram ou tiveram de ser abatidas devido à gripe aviária. Mas os números são também assustadores no que diz respeito à avifauna: por exemplo, foram encontradas 22 000 aves marinhas mortas no Peru. As aves marinhas parecem, aliás, ser as mais afetadas.

Entre nós, nas costas francesas e belgas, observa-se uma mortalidade preocupante entre os larídeos (a família de aves que inclui as gaivotas, as andorinhas-do-mar e os gaivotões). Outras espécies também são particularmente afetadas: regista-se o primeiro aparecimento do vírus no grifo e até uma colónia de gansos-patolas foi muito afetada por esta influenza.

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As aves marinhas foram particularmente afetadas pela gripe aviária

Quais são os sintomas da gripe aviária?

Os sintomas da gripe aviária nas aves são vários: em primeiro lugar, um comportamento invulgar, tremores e falta de coordenação. Posteriormente, podem observar-se inchaços na cabeça, seguidos de falta de energia, dificuldades respiratórias e diarreia. Por fim, a ave infetada acaba por morrer. Nos galinheiros, a falta de apetite e a diminuição da produção de ovos já devem suscitar preocupação: são sinais a vigiar!

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Um comportamento invulgar, falta de apetite... é mais importante do que nunca vigiar os galinheiros!

Como combater a doença?

Os defensores da natureza defendem há muito tempo a redução da dimensão e do número das explorações industriais de aves de capoeira. Os ornitólogos aconselham também a dar preferência a pequenas explorações locais de raças locais, mais resistentes, e a manter uma maior diversidade genética.

Existem outras medidas de precaução, como manter as aves de capoeira confinadas ou protegidas por um filamento, reforçar a segurança durante o transporte de aves de capoeira, proibir os ajuntamentos de criadores de aves e as competições de pombos-correio e vacinar as aves dos jardins zoológicos e as que não podem ser confinadas. Uma vez infetadas as aves, resta infelizmente a solução radical do abate.

Se alimentar aves selvagens no jardim, evite fazê-lo demasiado perto do galinheiro e limpe regularmente a zona de alimentação e os pontos de água.

Não apanhe uma ave morta sem luvas e evite que o cão entre em contacto com o cadáver. Se encontrar uma ave morta e a situação parecer suspeita, contacte o Office Français pour la Biodiversité https://www.ofb.gouv.fr/ e, na Bélgica, a SOS Environnement Nature através do número gratuito 1718.

Nota importante: embora o confinamento das aves de capoeira seja uma das medidas recomendadas pelo governo, os especialistas em aves defendem que não se devem estigmatizar as explorações ao ar livre, que permitem uma melhor saúde das aves (nomeadamente menos stress) e, por conseguinte, uma resistência muito maior às doenças, incluindo a gripe aviária.

Por fim, se desejar saber mais sobre a gripe aviária e tiver outras questões, encontra aqui o link para uma FAQ sobre o assunto no site da LPO.

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Proteja as aves limpando regularmente o comedouro ou bebedouro, sempre com luvas