O Acacia dealbata, ou mimosa, é uma árvore pequena que deslumbra pelas suas qualidades ornamentais, pela delicadeza da sua folhagem e pela floração tão solarenga e deliciosamente perfumada no final do inverno. Também suscita receios, tanto com razão como sem ela. Vejamos em conjunto as razões que estão na origem destes receios e os seus fundamentos, bem como aquilo que realmente representam para quem, no seu jardim, se questiona sobre a possibilidade de plantar uma mimosa. Antes de entrar no cerne da questão, importa esclarecer a confusão que por vezes se faz relativamente ao seu nome: a mimosa, ou Acacia dealbata, não deve ser confundida com a acácia-bastarda ou Robinia pseudoacacia, por vezes incorretamente chamada acácia.

Acacia dealbata
Acacia dealbata

A mimosa em território francês

Introduzido na Côte d'Azur no início do século XIX, o Acacia dealbata foi depois plantado em grande escala, após 1850, nessa mesma região, cujo clima lhe é muito favorável. Naturalizou-se assim graças a estas plantações em massa e a este clima e é atualmente considerado invasor nessa mesma região. É classificado como "Espécie Exótica Invasora". Está presente em todo o litoral mediterrânico. Também se encontra na fachada atlântica, sobretudo junto ao litoral. Tornou-se muito frequente numa vasta região do sudoeste do país e encontra-se até junto ao Canal da Mancha. A sua forte capacidade de rebentar, sobretudo após danos como a geada ou um incêndio intenso, bem como a sua aptidão para produzir rebentos, explicam a sua tendência para se multiplicar rapidamente. Também se reproduz sexuadamente através das numerosas sementes que produz, mas o principal modo de propagação na Europa é a reprodução vegetativa. A mimosa pode formar povoamentos densos, impenetráveis, impedindo assim o desenvolvimento de outras espécies locais e indígenas. Coloca, desse modo, problemas de gestão importantes no sul de França, sobretudo na Provença e na Côte d'Azur. A sua proliferação no meio natural não é controlada: ameaça assim diretamente a biodiversidade, onde se multiplica rapidamente por si própria. Também é considerada invasora em Espanha, Portugal e Itália, para citar os países próximos, bem como noutras regiões do mundo. Em algumas regiões francesas, é considerada uma espécie a vigiar (Sul-Atlântico e Midi-Pyrénées), enquanto nos Pays de la Loire é classificada como planta potencialmente invasora.

Além disso, esta forte concentração de uma única espécie, necessariamente prejudicial para os ecossistemas, tem um impacto significativo no caudal da água, no escoamento das águas e na erosão dos solos. Por fim, esta espécie, enquanto membro da família das fabáceas, desempenha um papel na fixação de azoto, aumentando a sua concentração no solo, e é também a sua presença excessiva que cria este desequilíbrio.

Os métodos de controlo são, por isso, consideráveis: arrancar manualmente as plantas jovens, remover as sementes caídas no solo e cortar os exemplares adultos. Neste último caso, é ainda necessário tratar o cepo de forma mecânica ou química para evitar a produção de rebentos.

mimosa invasora na região mediterrânica
Na região mediterrânica

É afetado pelo caráter invasor da mimosa à sua escala, no seu jardim?

Na verdade, não, pois embora a mimosa aqui referida, Acacia dealbata, apresente efetivamente uma forte capacidade de rebentar, atualmente são comercializados exemplares enxertados noutra espécie de mimosa, o Acacia retinodes, uma espécie menos rústica, mas que produz poucos rebentos. Também é mais sensível ao frio.

Outros aspetos frequentemente mencionados relativamente à mimosa

Por vezes, também se acusa a mimosa de poder causar alergias em pessoas sensíveis às alergias ao pólen ou à febre dos fenos. Embora não seja impossível que participe nestas alergias sazonais, a sua contribuição deverá ser bastante limitada, pois a mimosa é uma planta entomófila. O seu pólen é disperso pelos insetos. As plantas mais alergénicas têm pólen transportado pelo vento, sendo plantas anemófilas. Além disso, os grãos de pólen da mimosa estão agrupados em pequenos conglomerados: sendo mais pesados, caem mais depressa no solo e, por serem mais densos, têm menos capacidade para atravessar as vias respiratórias. Em medições realizadas na Austrália (de onde a mimosa é originária), em 2008, apenas foram encontrados 2,5 % de pólen de Acacia dealbata na totalidade do pólen presente no ar circundante.

Acacia dealbata

Outro problema que pode surgir: o Acacia dealbata possui um sistema radicular extenso e vigoroso, que pode causar danos em canalizações subterrâneas, fissurar fundações e levantar revestimentos do solo. Mais uma vez, para evitar este risco, escolhe-se um exemplar enxertado sobre Acacia retinodes, também chamado mimosa-de-quatro-estações.

O Acacia retinodes, enquanto porta-enxerto, apresenta também a vantagem de tolerar solos calcários, ao contrário do Acacia dealbata, que prospera apenas em solo ácido. Também se encontra frequentemente a variedade Acacia dealbata 'Gaulois Astier',, igualmente enxertada sobre Acacia retinodes. Caso contrário, descubra também as outras espécies de mimosa, cuja flor é semelhante, agrupada em racemos de glomérulos amarelos, mas que apresentam folhagem, hábito e altura diferentes.

Acacia
Outras espécies de mimosa, no sentido dos ponteiros do relógio: Acacia Baileyana, Acacia howittii 'Clair de Lune', Acacia longifolia, Acacia pravissima, Acacia iteaphylla

Por fim, o Acacia dealbata liberta substâncias alelopáticas, através das folhas e das flores durante a floração, pelo que, neste caso, o porta-enxerto não altera nada. Entre janeiro e março, estes compostos têm um impacto negativo no desenvolvimento de numerosas sementes presentes no solo, cuja germinação ocorre nesse período. Muitas plantas podem, assim, não se desenvolver sob a sua copa, enquanto outras serão indiferentes à sua presença. As gramíneas, as eufórbias e a pervinca não são, à partida, afetadas pela sua proximidade e, certamente, muitas outras plantas também não.

Se este último motivo levar a optar por outra escolha, pode plantar, em alternativa à mimosa, uma bela árvore-das-bexigas ou Colutea arborescens. Considere também a coronilha, um belo arbusto de floração amarela semelhante à da mimosa, ou ainda o Laburnum ou laburno.

Laburno
Laburno à esquerda, árvore-das-bexigas cor de laranja, coronilha