Basta passear pelos jardins na primavera para reparar que uma das cores dominantes do fim do inverno é o amarelo. Muitas vezes negligenciadas pelos jardineiros, as plantas com flores amarelas são pouco estimadas: alguns acham-nas demasiado luminosas, outros demasiado vistosas; e é verdade que, se forem mal usadas, podem tender a "esmagar" com o seu brilho dourado as plantas vizinhas. Contudo, no final do inverno esse problema praticamente não existe, porque poucas plantas estão em flor em comparação com outras épocas do ano, e o amarelo é uma cor luminosa, solar, cujos benefícios se fazem sentir depois de longos meses sombrios.
Os narcisos são os bolbos-reis que florescem na fronteira entre o inverno e a primavera; longe de mim a ideia de enumerar aqui todas as variedades de narcisos — há algumas dezenas, talvez centenas — mas é a planta com flor amarela mais emblemática da primavera.
Nesta altura do ano, podes cultivar facilmente os narcisos sob grandes árvores: as copas ainda não estão formadas e os solos continuam frescos, o que permite aos bolbos prosperar. Por conseguinte, é muito simples iluminar os cantos sombrios do jardim plantando, no outono, bolbos de primavera, espalhando-os aqui e ali à volta das árvores.
Quanto à floração, as vivazes também não ficam atrás: a estrela do momento entre as flores amarelas é o epimédio, apelidado de flores-dos-elfos — este pequeno tapizante rasteiro, de folhas persistentes, produz belos cachos de flores de um amarelo-creme.
Ainda mais curioso, o Lysichiton americanus (o couve-do-pântano) apresenta grandes cornetos florais, chamados espatas, de um amarelo-ocre. Esta vivaz de crescimento lento cresce nas margens de tanques; é nesta altura do ano que se podem admirar as suas flores douradas — as vivazes que a acompanham no maciço estão todas em dormência, pelo que ela tem toda a liberdade para florir sem ser ofuscada pela sombra das outras plantas concorrentes.
Também entre os arbustos não faltam variedades com flores amarelas no fim do inverno: para além das rosas-japonesas, dos hamamélis ou da cerejeira-cornalina, a verdadeira estrela do momento é a forsítia. A forsítia é um arbusto exuberante, floresce abundantemente — alguns dirão em excesso — e tem a particularidade (vantagem ou inconveniente, conforme o ponto de vista) de florir em ramos nus, pelo que as suas flores amarelas se exibem de tal forma que se torna a única coisa visível no jardim. Dito isto, é um arbusto fácil de cultivar, que cresce praticamente em todo o lado e, se for bem utilizado, pode encontrar lugar em muitos jardins.
Aqui está colocada entre arbustos mais volumosos do que ela, e a intensidade das suas flores é atenuada pelo folhado glauco da pícea-azul plantada à frente. Obtém-se assim um arbusto mais esguio, a buscar a luz, e sobretudo um contraste subtil onde o amarelo da forsítia vem acordar e dinamizar o maciço dominado pela forte presença do folhado azul deste conífero.
Talvez essa seja a chave para atenuar a forte presença das flores amarelas: o contraste. Se observares o espectro cromático, o azul situa-se no extremo oposto do amarelo; é essa cor que usarás para moderar a vivacidade do amarelo — e isso é uma boa notícia, porque na primavera as flores azuis não faltam!
Claro que este pequeno diaporama não é exaustivo, mas serve para realçar as flores amarelas e azuis do momento. E se, para as plantas bulbosas, a época de plantação já terminou, a das vivazes e dos arbustos está apenas a começar. Antecipa as tuas plantações, deixando alguns espaços vazios que preencherás com bolbos de primavera neste outono.









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