A minhoca ou lombrico: um aliado indispensável no jardim
Tudo sobre a minhoca
Resumo
A minhoca ou lombrico é indispensável no jardim, seja ele de horta ou ornamental. Aera o solo e contribui para a sua fertilidade. E, no entanto, durante muito tempo foi pouco apreciada… a tal ponto que era considerada prejudicial há ainda algumas décadas. Evidentemente, não é nada disso, é mesmo o contrário!
Como vivem as minhocas? O que nos trazem na realidade? Mas, sobretudo, como fazer para deixar as minhocas trabalhar em paz… Fique a saber tudo sobre o lombrico!
Quem é afinal a minhoca?
Quando se fala da minhoca, deveríamos antes dizer AS minhocas, pois existem 6000 espécies descritas em todo o mundo (provavelmente existem muito mais!) reunidas em 13 famílias. Mas aquela que mais nos interessa no jardim é a Lumbricus terrestris L., também conhecida como minhoca-comum ou simplesmente “minhoca”.
Comecemos por um primeiro facto surpreendente: as minhocas constituem nada menos do que 60 a 80% da biomassa animal dos solos. Podem encontrar-se entre 50 e 400 indivíduos por m², mas este número depende muito do meio. Com efeito, há mais minhocas em meio florestal ou em prados do que em solos pobres. E considera-se que a totalidade destas simpáticas criaturas representa 20 vezes o peso de toda a população humana na Terra.

Com um comprimento de 100 a 300 mm, a minhoca é um anelídeo de cor rosa-acastanhada cujo corpo é dividido em segmentos em forma de anéis. O segundo segmento, de cor mais escura, corresponde à sua boca, enquanto o último segmento, mais claro do que o restante do indivíduo, constitui o seu ânus.
A minhoca é um animal hermafrodita. Na realidade, é simultaneamente e em permanência macho e fêmea (ao contrário de outros hermafroditas oportunistas que mudam de sexo consoante as circunstâncias). Durante a reprodução, dois indivíduos trocam esperma entre si, mantendo-se um ao outro com a ajuda dos respetivos clitelos (a parte espessada entre os segmentos 33 e 37). Posteriormente, cada minhoca forma um casulo, também através do clitelo, para proteger os ovos e dar origem a cerca de 400 pequenas minhocas por ano.
A esperança de vida de uma minhoca oscila entre 4 e 8 anos. São fotossensíveis e não suportam a secura. As minhocas podem fechar as suas galerias com turículos ou pequenos montes de terra quando o tempo está seco e frio. Além disso, respiram através da pele, razão pela qual sobem à superfície quando chove, pois correm o risco de se asfixiar (afogar, em traços gerais) se permanecerem nas suas galerias.
Há uma tendência para colocar todos os vermes do solo no mesmo saco… No entanto, são diferentes e podem ser classificados em três grupos, consoante a sua posição no solo:
- os epígeos: à superfície do solo. São pequenos vermes finos vulgarmente chamados “vermes do composto“.
- os endógeos: a alguns centímetros de profundidade. São de tamanho médio e completamente brancos. Encontram-se junto das raízes e são por vezes predadores de outros vermes.
- os anécicos: a cerca de um metro de profundidade, são as nossas minhocas. Escavam galerias e contribuem para melhorar o seu solo (mas voltaremos ao assunto mais abaixo).
Nota do Oli: a ciência que estuda as minhocas chama-se geodrilologia. Infelizmente, os geodrilologistas são poucos, apesar da importância das minhocas para a ecologia.
Leia também
Revolver a terra, boa ou má prática?O papel da minhoca no jardim
Os papéis da minhoca no jardim são múltiplos:
- Traz os nutrientes à superfície para os “fornecer” às plantas. A fertilidade do solo fica assim aumentada.
- Degrada os resíduos orgânicos (sobretudo vegetais e por vezes animais) para os reincorporar no solo. Na realidade, alimenta-se dos resíduos que são degradados no seu intestino por fungos e bactérias simbióticas (não torça o nariz! O mesmo acontece no seu próprio intestino). De resto, Aristóteles já o havia compreendido na Antiguidade, pois chamava às minhocas: “intestinos da terra”.

Dejeção de minhoca, também designada turrículo
- Melhora o arejamento do solo.
- Contribui para uma micro-drenagem do solo graças às suas galerias.
- Dispersa os metais pesados, certos poluentes do solo, bactérias e doenças criptogâmicas. Se todos estes elementos deixam de estar concentrados num único local, tornam-se menos problemáticos.
- É um bioindicador da qualidade de um solo. Quanto mais minhocas existirem, mais saudável é o solo. Além disso, a sua capacidade de absorver os poluentes em sentido lato permite, através da sua análise, verificar as concentrações desses poluentes.
- Serve de alimento a toda uma série de animais: aves (melro, pica-pau-verde, …), pequenos mamíferos (musaranhos, toupeiras, ouriços-cacheiros, …) e insetos (carabo-dourado).
Como preservar as minhocas?
Outrora, a minhoca era considerada uma praga no jardim e nas culturas. Foi Darwin quem tentou reabilitá-la pela primeira vez, provando que a minhoca é indispensável à boa saúde dos nossos solos. Portanto, como já se percebe, se deseja ter um jardim belo, saudável e natural, deixe as minhocas em paz!
E é bastante fácil; basta ter em conta algumas pequenas coisas:
- A lavoura ou a cavagem prejudica as minhocas. Cortando-as às vezes, mas sobretudo ao misturar as camadas do solo. Ora, como se sabe, as minhocas, tal como os outros organismos vivos do solo, habitam camadas específicas. Se misturar tudo, o equilíbrio ficará comprometido. Privilegie, por isso, práticas de jardinagem sem lavoura, trabalhando, por exemplo, com a forquilha biológica ou com a forquilha de jardim. Se mesmo assim tiver vontade de cavar, faça-o ao final da tarde ou com tempo encoberto, quando as minhocas estiverem mais fundo no solo.
→ a ler, sobre o tema: “Revolver a terra: boa ou má prática?” - Não deixe mais a terra descoberta. O solo arrefece mais no inverno, seca mais depressa no verão e as minhocas não gostam disso. Opte por uma cobertura morta de folhas secas ou de resíduos vegetais de todo o tipo (compostagem de superfície), que protegerá o seu solo ao mesmo tempo que alimenta as minhocas (e, portanto, o solo e as plantas também!).
→ a ler, sobre o tema: “Cobertura morta, porquê? Como?”

Folhas secas para espalhar nos canteiros como cobertura morta
- Esqueça todos os tipos de pesticidas! (de qualquer forma, é proibido) Mesmo os “bio”, como a calda bordalesa, que contém sulfato de cobre, particularmente nocivo para as minhocas (e não só, infelizmente…).
- Não intensifique a predação natural! É muito agradável deixar as galinhas circular livremente na horta para comerem as lesmas, mas… elas não se ficam por aí. Na realidade, é como soltar um T-rex num cercado de cabritos. Bem, reconheço que isso é anedótico, ao contrário da predação de uma espécie invasora asiática de platelmintos (vermes planos) que atacam as nossas minhocas e causam danos terríveis nas populações.
A nota do Oli: Não, não e não! Cortar uma minhoca ao meio não vai dar duas minhocas que seguirão cada uma o seu caminho. Vai simplesmente resultar numa minhoca morta cortada ao meio. Ponto final! É apenas uma lenda urbana absurda que se propaga desde tempos imemoriais.
- Subscreva
- Resumo
Comentários