Resíduos verdes: soluções de reciclagem e valorização no jardim
os nossos conselhos para transformar os resíduos vegetais em recurso
Resumo
Os resíduos verdes ou resíduos vegetais formam rapidamente um volume importante no jardim. Cortes de relva, podas de sebes, poda de árvores, mondas e manutenção dos canteiros… o jardim produz continuamente e os métodos de recolha mudam. Atualmente, a recolha ao domicílio é rara e muitos ecocentros limitam mesmo o seu acesso. Uma boa razão para reciclar os resíduos vegetais diretamente no jardim!
Toda a gente conhece bem a compostagem, mas aqui ficam outros meios para valorizar os resíduos verdes no jardim… bem como as respostas às perguntas mais frequentemente colocadas sobre este tema.
As aparas de relva: mulching ou cobertura morta
Na primavera e no outono, as tosquias regulares geram grandes volumes de erva cortada. A solução mais simples consiste em praticar a tosa em mulching (saiba mais sobre esta técnica neste artigo: “Tudo sobre o mulching, uma outra forma de cortar a relva”).
No entanto, se não pretender praticar esta técnica ou não dispuser do equipamento adequado, a erva pode facilmente ser utilizada no jardim e na horta, como cobertura morta. Atenção, porém: não se trata de despejar o conteúdo do depósito do corta-relva junto das árvores ou dos canteiros! Uma acumulação de erva fresca fermenta e transforma-se inevitavelmente num tapete viscoso e malcheiroso.
Para ser utilizada como cobertura morta, a erva deve:
- ser previamente seca (em windrows, sobre uma lona grande, por exemplo)
- ou ser depositada em camadas finas e sucessivas, o que lhe permitirá secar no local.
O meu conselho: Vejo por vezes nos jardins montes de erva cortada… Evite esta prática: por um lado, o cheiro não é agradável e, por outro, vai fornecer azoto em grandes quantidades nesse local. Resultado: urtigas e silvas acabarão por se instalar… o que não é necessariamente desejado!
E no compostor?
A erva também pode ser compostada, mas apenas em pequenas quantidades e tendo o cuidado de equilibrar o aporte de “matéria verde” com matéria “castanha”.
Para saber tudo sobre a compostagem, siga os nossos conselhos: “Fazer um bom composto em 5 passos”

O composto não é um “caixote do jardim”! Os aportes devem estar equilibrados
Podas de sebes e arbustos: corte, trituração, palhagem
Todos os que possuem sebes persistentes que exigem uma, ou mesmo várias podas por ano, sabem bem: os arbustos produzem o suficiente para encher muitas vezes vários reboques com destino ao ecocentro. No entanto, é possível reciclá-los no jardim e utilizá-los como cobertura morta.
Para reciclar os resíduos de poda, há várias possibilidades:
- Deixar diretamente os resíduos aos pés da sebe, como cobertura morta. Esta opção só é viável se a poda for feita regularmente: os ramos devem ser de calibre bastante pequeno.
- Triturar os resíduos de poda com a ajuda de um triturador. Esta solução exige um pouco de paciência se só se dispõe de um triturador destinado a jardineiros amadores… mas torna-se muito rápida quando se utiliza equipamento de alto desempenho. Pense no aluguer ou na compra em conjunto com os vizinhos!
→ para ler, sobre o assunto: “O BRF, o que é? Como utilizá-lo no jardim” e “Trituradores de vegetais: utilidade, diferentes modelos, escolha”
E no compostor?
Os resíduos de poda podem perfeitamente ser colocados no composto — são resíduos equilibrados —, mas deverão ser previamente triturados ou, pelo menos, cortados em pedaços pequenos, de forma a garantir uma decomposição rápida.

Os resíduos de poda de sebes e arbustos merecem melhor do que o ecocentro — recicle-os!
Os ramos grossos: múltiplas utilizações
A poda ou o abate de árvores produz resíduos de grande dimensão. O que fazer com esta madeira?
- Se tiver uma salamandra ou uma lareira, corte em toros, deixe secar pelo menos dois anos e utilize esta madeira para se aquecer ou, pelo menos, para acender o lume! Atenção, porém, às resinosas: nem todas as instalações permitem a sua combustão.
- Se pratica a permacultura, deixe esta madeira decompor-se: pode ser útil para construir novos camalhões.
- Os ramos grandes e bem direitos podem também servir no jardim para fazer estacas, tutores (acácia, aveleira) ou para fabricar estruturas para os feijões ou ervilhas trepadeiras, fascinas (aveleira, salgueiro), sebes entrançadas, treliças. Os do sabugueiro, ocos, são também ideais para fabricar pequenos abrigos para insetos.

Os resíduos de poda podem ser utilizados para formar pequenas estruturas, como aqui, uma cabana sob um salgueiro. Photo : Jean-Christophe AUMONT
E no caixote do composto?
Evidentemente, não… a não ser que disponha de um triturador de alta capacidade, capaz de engolir ramos muito grossos. Nesse caso, será um bom aporte de carbono!

Lembre-se, a madeira é a única energia que aquece três vezes: quando se corta, quando se arruma e quando se queima!
Leia também
Como fazer um bom composto em 5 passosOs resíduos da limpeza dos canteiros, as ervas daninhas
Na primavera ou no outono, durante as grandes sessões de monda e poda drástica, os canteiros também fornecem a sua quota de resíduos. São os resíduos que causam menos preocupações, pois são frequentemente “moles” e decompõem-se rapidamente.
Durante os trabalhos, pode perfeitamente deixá-los no local, como cobertura morta.
Para que o aspeto seja estético, duas opções:
- cortá-los com a tesoura de poda em pequenos pedaços,
- juntá-los e triturá-los com o corta-relva, equipado com o cesto de recolha.
O meu conselho: se tiver muitas gramíneas no jardim, não hesite em usar o corta-sebes e avance de cima para baixo de forma a picar as folhas em pequenos pedaços. Deixe no local e o seu canteiro fica coberto com cobertura morta! Este método não é propriamente convencional e pode surpreender os vizinhos, mas é rápido e eficaz… e também funciona nas plantas perenes de grande porte.
E na caixa de compostagem?

Os resíduos dos canteiros são facilmente valorizáveis, como cobertura morta ou como composto
Todos estes resíduos são facilmente compostáveis, não hesite, mas corte-os em pedaços e evite colocar ervas-daninhas que tenham subido em semente. Se tiver corriola, deixe-a vários dias ao sol para ter bem a certeza de que as raízes estão mortas.
As folhas mortas: cobertura morta, composto
Um verdadeiro tesouro para o jardim, as folhas mortas são muito fáceis de reciclar. Já falámos sobre este tema… Fica, pois, o convite para consultar estes dois artigos:

As folhas mortas, uma cobertura morta de eleição para os canteiros mas também para a horta no inverno
Bónus: o muro ou paliçada de resíduos verdes, uma excelente alternativa à pilha
Sejamos honestos, a reciclagem de resíduos verdes demora tempo… É por isso que muitas vezes somos tentados a amontoá-los num canto do jardim e a esperar que tudo se decomponha. Não é muito bonito e é preciso ter paciência, muita paciência…
Existe outra solução prática e ecológica: o muro ou paliçada de resíduos verdes.
Consiste em reunir os resíduos de forma ordenada para formar um muro.

A paliçada de resíduos verdes: uma alternativa à compostagem e à trituração
Para construir um muro de resíduos:
- comece por fincar estacas sólidas de cerca de 1,8 m de altura, espaçadas de 60 cm, em dois alinhamentos separados entre si de 40 a 60 cm, para criar um muro com o comprimento desejado
- vá enchendo o muro progressivamente, alternando em camadas à semelhança de um mil-folhas: ramos, folhas mortas, resíduos de poda das plantas perenes ou da horta…
Os resíduos vão decompor-se progressivamente, mas o muro será permanentemente reconstruído graças aos seus contributos. Verdadeiro abrigo para insetos e fauna, albergará também numerosos auxiliares que participarão no equilíbrio e na proteção do seu jardim.
Perguntas frequentes sobre os resíduos verdes.
1) É permitido queimar os resíduos verdes?
Não, salvo raras exceções, é proibido, e por várias razões:
- é poluente,
- pode desencadear incêndios,
- o cheiro é incómodo para a vizinhança.
A título informativo, esta infração é punível com uma coima que pode atingir os 450 euros.
2) É permitido deitar resíduos verdes na natureza?
Não! O facto de os resíduos vegetais serem naturais não significa que sejam inócuos, sobretudo se forem deitados em meio natural, que correm o risco de alterar (aporte massivo de azoto). Além disso, arrisca-se a introduzir uma espécie invasora. Por fim, é uma questão de civismo! A título informativo, os resíduos vegetais são equiparados a resíduos comuns. A coima pode ir até 450 euros e até 1500 euros se os resíduos tiverem sido transportados num veículo.
3) Existem empresas que reciclam resíduos verdes?
Sim, existem empresas especializadas na valorização de resíduos verdes, mas os seus serviços destinam-se a coletividades e empresas. Não conte com elas para se desfazer dos seus resíduos vegetais! No entanto, alguns paisagistas podem propor serviços de recolha dos seus resíduos, mediante pagamento — e será o próprio a suportar os custos, claro está!
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