O BRF ou Madeira Ramial Fragmentada: o que é? Como utilizá-la no jardim?
Os nossos conselhos
Resumo
O BRF ou Madeira Ramial Fragmentada é um material ecológico, económico e estético que faz furor nos jardins biológicos e em permacultura. Trata-se de uma cobertura morta produzida a partir de ramos jovens de árvores e arbustos, que ajuda muito os solos pobres e com má estrutura. Dará um grande impulso à pedofauna e à pedoflora do solo, que o transformará rapidamente num belo húmus florestal.
O BRF ajudará assim a obter plantas saudáveis, reduzindo as necessidades de rega e de adubação e aliviando o trabalho no jardim, nomeadamente nas mondas. Mas como produzi-lo e utilizá-lo? O BRF tem mesmo só vantagens?
O BRF, o que é?
- Definição
Esta curiosa sigla foi inventada por investigadores canadianos e significa simplesmente: Madeira Ramial Fragmentada. Esta MRF é, na realidade, um triturado não-compostado proveniente, na maioria das vezes, de raminhos de árvores e arbustos caducifólios.
- Porquê raminhos?
Os raminhos contêm aminoácidos, proteínas, minerais, celulose e… lenhina, como qualquer elemento vegetal lenhificado (a madeira). Mas nos raminhos jovens, esta lenhina está pouco polimerizada, o que facilita a sua degradação posterior. Ora a lenhina é indispensável no jardim e nas culturas, pois favorece os fungos que participam ativamente na decomposição e na mineralização dos vegetais.
Acrescente-se que os raminhos são também muito mais ricos em elementos minerais do que os ramos velhos, nomeadamente em Azoto, Fósforo e Potássio: os famosos N-P-K que descrevem habitualmente os adubos sintéticos ou naturais.
- Porquê fragmentos?
Os ramos das árvores ou dos arbustos estão naturalmente protegidos contra o ataque dos micro-organismos através de resina e cera. É por isso que se deve evitar ao máximo ferir uma árvore com podas descuidadas. Se fragmentarmos os raminhos, esta proteção é anulada, criando assim pontos de entrada para os fungos, nomeadamente.
Nota do Oli: a mineralização é o processo induzido pela microflora do solo (bactérias, leveduras, fungos e algas) que permite degradar a matéria orgânica em elementos minerais assimiláveis pelas plantas.

MRF recém-saída do triturador
Leia também
Aplicar cobertura morta: Porquê? Como?Como utilizar o BRF em cobertura morta?
O BRF é utilizado como cobertura morta nos canteiros, na horta, ao pé das novas plantações e até nos caminhos. A ideia é recriar uma espécie de solo florestal rico, arejado e, sobretudo, vivo.
Pode utilizar o seu BRF como cobertura morta em:
- ao pé das árvores, dos arbustos e da sua sebe,
- no solo dos seus canteiros,
- no solo da sua horta,
- por cima dos vasos e floreiras,
- e para criar caminhos ao mesmo tempo estéticos e práticos…
O ideal é aplicar uma camada de 3 a 5 cm de BRF sobre o solo… e aguardar! Vai degradar-se lenta mas seguramente, para enriquecer e aumentar a atividade do seu solo. Tenha no entanto em mente que as plantas precisam de respirar. Não cubra os colos das árvores, arbustos ou plantas com o seu BRF.
Também pode incorporar o seu BRF diretamente no solo, mas de forma superficial, a uma profundidade inferior a 10 cm, pois o processo de degradação do BRF necessita de ar. Atenção também à «fome de azoto» (ver ponto: inconvenientes do BRF).

O BRF é utilizado como cobertura morta. Protege e devolve vida ao solo.
As vantagens do BRF
Fala-se muito dele como uma verdadeira revolução no jardim e nas culturas. Sem ir tão longe, é preciso reconhecer que os resultados são bastante espetaculares, sobretudo nas regiões onde a terra é particularmente pobre e seca.
Eis as diferentes vantagens do BRF!
- O BRF estimula a vida do solo
Fala-se frequentemente da degradação dos solos de cultivo. Ao utilizar BRF, o processo é invertido, passando a designar-se agradação do solo. Ao aplicar BRF à superfície, induz-se uma intensa atividade ao nível dos micro-organismos. Ora, como se sabe, tudo está ligado na natureza, tanto à superfície como no interior do solo. Se os micro-organismos estiverem saudáveis, todos os outros elementos (insetos, colêmbolos, minhocas, ácaros, …) das cadeias tróficas estarão igualmente saudáveis e realizarão um excelente trabalho no solo.
- Aumenta o teor em húmus
Toda esta pedofauna e pedoflora trabalhará para degradar a matéria orgânica e contribuirá assim para aumentar o teor em húmus. O húmus na natureza é a camada superior do solo criada por esta degradação da matéria orgânica. Esta camada de húmus retém bem a água e é rica em elementos minerais diretamente assimiláveis pelas plantas.
- Melhora a estrutura do solo
O BRF aligeira os solos pesados. Com efeito, as minhocas e os colêmbolos poderão realizar o seu trabalho de mistura das camadas do solo de forma mais eficaz e descompactarão os solos pesados. O BRF acrescenta matéria orgânica ao solo leve, o que também terá como efeito melhorar a sua estrutura.
- Equilibra a retenção de água: menos rega
O solo permanece muito húmido sob a cobertura de BRF mesmo durante os períodos mais secos. Mas o BRF, ao criar húmus, permite também evitar os excessos de água. O húmus desempenha então o papel de uma esponja que retém a água e a torna assimilável apenas durante os períodos secos. As coberturas de solo desempenham igualmente um papel na redução da evaporação da água.
- Melhora a saúde das plantas no jardim e o seu rendimento na horta
O BRF não é um adubo. Mas ao garantir que todos os nutrientes e elementos minerais de que as plantas necessitam sejam assimiláveis, estas estarão consequentemente mais saudáveis e crescerão melhor.
- O BRF regula e ajuda a estabilizar o pH
O pH acabará por se estabilizar mais ou menos próximo da neutralidade, ou seja, nem demasiado ácido, nem sobretudo demasiado básico. Evidentemente, desde que se tenha o cuidado de não incluir resinosas no triturado.
→ a ler: “o pH do solo, o que é?”
- Evita a compactação do solo
Uma boa camada de 5 cm permite proteger o solo fisicamente de uma eventual compactação pelos nossos pés pesados de jardineiros.
- Reduz a proliferação de plantas indesejadas
Qualquer cobertura de solo tem a vantagem de controlar o crescimento das “ervas daninhas”. Diminuindo assim uma eventual competição entre as plantas (tema em debate!), mas sobretudo reduzindo, ao mesmo tempo, o trabalho de monda no jardim.
- Oferece um aspeto muito estético
Uma cobertura de BRF é muito mais estética no jardim do que simplesmente deixar a terra a descoberto.
As desvantagens e limitações do BRF
Como sempre, existem inconvenientes e limitações na utilização da Madeira Ramial Fragmentada no jardim… Eis os principais:
- É preciso encontrar MRF ou produzi-la
É uma realidade! Para utilizar MRF, é necessário produzi-la ou encontrá-la. E não é tão fácil quanto parece. Para a produzir, é imprescindível uma máquina dispendiosa e potencialmente perigosa (bem, como com tudo, basta ter cuidado…). Sem contar que é preciso ter uma grande quantidade de resíduos de poda para obter um volume considerável de MRF. A segunda solução consiste em encontrá-la através de diversas fileiras (ver mais abaixo), mas é cara na compra, por vezes difícil de transportar e… ainda é preciso encontrar essa fileira.
- Atenção em solos argilosos e pesados!
Se se aplicar a MRF no outono, o solo está húmido e essa humidade ficará retida, tornando-o ainda mais impermeável. Se for incorporada na primavera, os pequenos fragmentos ficam envolvidos por uma espécie de proteção, o que retarda a sua degradação. Além disso, os solos argilosos demoram mais tempo a aquecer na primavera e uma cobertura morta agrava a situação. O melhor é semear um adubo verde no outono, que protegerá e descompactará o solo, e depois espalhar uma camada fina de MRF (cerca de 1 cm) em meados da primavera, quando o solo estiver suficientemente aquecido. Repita estas operações durante dois ou três anos, até o solo adquirir uma estrutura mais equilibrada.
→ a ler, para saber tudo sobre os adubos verdes: “Adubos verdes: porquê e como?”
- MRF: atenção à fome de azoto
O risco de provocar uma “fome de azoto” ao aplicar uma simples camada de MRF, mesmo espessa, sobre o solo é reduzido. Mas pode acontecer se tentar incorporá-la na camada superficial do solo, como se faz por vezes para acelerar o efeito sobre a estrutura do solo. Com efeito, durante o processo de degradação da MRF para produzir húmus, os micro-organismos precisam de azoto, que deixa de estar disponível para as plantas, provocando nelas uma carência em azoto. A adição de estrume ou uma correção com um adubo azotado pode resolver este problema, enquanto o equilíbrio se restabelece.
→ a ler, sobre o assunto: “A fome de azoto, o que é? Como evitá-la?”
- O problema dos gastrópodes
Evidentemente, as lesmas e os caracóis vão adorar este tipo de proteção quente e húmida. E pode ser um problema considerável, sobretudo na horta. Note-se, no entanto, que estas simpáticas criaturas desempenham um papel ecológico considerável na reciclagem de matéria vegetal e como alimento para outros animais. Pense nisso!
→ os nossos conselhos: “Lesmas: 7 formas de combater eficazmente e naturalmente”
- Os ratos-do-campo e alguns outros parasitas apreciam a MRF
Os ratos-do-campo gostam de escavar as suas galerias nela e os javalis são por vezes atraídos pelos fungos que se desenvolvem na MRF, com os inconvenientes que isso naturalmente acarreta. Mas é algo mais anedótico nos nossos jardins particulares.
→ a ler: “Como proteger-se dos ratos-do-campo”
- Adeus às sementeiras espontâneas!
Se gosta que as suas flores silvestres preferidas se instalem nos seus canteiros, isso será complicado com uma camada espessa de MRF — como aliás com qualquer cobertura morta.
Como produzir BRF? Onde comprar BRF?
Como produzir o próprio BRF
Eis como produzir o seu próprio BRF:
- Pode as suas árvores, arbustos ou fruteiras durante a fase de dormência, ou seja, entre novembro e início de março.
- Todas as essências de caducifólios podem ser utilizadas, mas privilegie as espécies indígenas (carvalho, freixo, bordo, …), pois os micro-organismos e fungos capazes de decompor o seu BRF serão assim mais eficazes. Pode adicionar alguns perenifólios, ou mesmo algumas resinosas, até um máximo de 20%. Estes decompõem-se menos bem do que os caducifólios e, no caso das resinosas, vão aumentar a acidez do solo. Atenção às nogueiras-europeias, pois estas produzem juglona, um composto que inibe o crescimento das plantas. Desnecessário precisar que efeito desastroso isso poderia ter posteriormente como cobertura morta…
- Selecione apenas ramos cujo diâmetro não exceda 5 cm (veja mais acima o motivo). Devem ser ainda flexíveis, ou seja, com lenhina não polimerizada. Corte grosseiramente o material recolhido em pequenos ramos e, de seguida, triture-os com um triturador a gasolina, elétrico ou a bateria, conforme as suas necessidades. Nunca triture sementes de árvores ou arbustos! Estas podem germinar na sua cobertura morta posteriormente…
- Uma vez produzido, espalhe rapidamente o material triturado onde pretende aplicar a cobertura morta. O BRF não se armazena. Pode, no limite, conservá-lo alguns dias a algumas semanas se o dispuser num local seco e arejado, em pequenas pilhas, para evitar uma eventual fermentação.
→ para ler, sobre o assunto: “Trituradores de vegetais: utilidade, diferentes modelos, escolha”
A nota do Oli: não se esqueça de usar óculos de proteção ao trabalhar com um triturador. E aguarde pacientemente que este esteja completamente parado antes de os retirar. Pense também em proteger os ouvidos com uma boa proteção auditiva (protetores auriculares! não simples tampões…). Mesmo que os trituradores sejam menos ruidosos do que há alguns anos, não deixam de ser nocivos a longo prazo para a audição.

O triturador, a ferramenta indispensável para produzir o próprio BRF
Outras formas de obter BRF
Produzir BRF exige tempo, árvores e arbustos para podar e, acessoriamente, um triturador! Se não dispuser de nada disto, pode obtê-lo de diferentes formas:
- As autarquias ou as empresas responsáveis pela manutenção das bermas das estradas produzem grandes quantidades de BRF durante a poda das árvores e dos arbustos. Por vezes, deixam o BRF assim produzido no local, à disposição dos cidadãos.
- Algumas empresas de parques e jardins (paisagistas) acabam por ter excedentes de produção de BRF. Pode aliviar-lhes esse excedente comprando-lhes alguns metros cúbicos.
- As empresas de reciclagem de resíduos produzem também, por vezes, composto (através de grandes centros de compostagem) e BRF, evidentemente em volumes consideráveis. Entre em contacto com os organismos responsáveis por esta atividade no seu município para obter mais informações.
Importante! Muitas vezes pergunta-se quanto BRF é necessário para uma determinada superfície. Eis um pequeno cálculo a ter em mente:
Tomemos como exemplo uma superfície de 1 are a cobrir, ou seja, 100 m². Pretende-se aplicar uma boa camada de BRF de 5 cm de espessura, ou seja, 0,05 m. Basta portanto multiplicar a superfície pela espessura. Neste caso: 100 m² × 0,05 m = 5 m³. Considerando que 1 m³ custa em média 10 €, deverá portanto contar com uma fatura de 50 €. É neste momento que se percebe que a compra de um triturador se amortizaria rapidamente…
- Subscreva
- Resumo
Comentários