Resumo
A calátea é uma planta tropical de interior apreciada pela sua folhagem decorativa, com padrões únicos e cores variadas, daí o seu nome comum de planta-pavão. Originária das florestas húmidas da América do Sul, necessita de condições específicas para se desenvolver plenamente: humidade elevada, uma rega e um substrato adequados e luz difusa.
A calátea (atualmente classificada no género Geoppertia, embora ainda seja pouco conhecida por este nome) é uma planta sensível que pode ser afetada por diversos problemas de saúde, nomeadamente doenças fúngicas e bacterianas, bem como ataques de parasitas. Uma manutenção inadequada, um ambiente demasiado seco ou um excesso de humidade podem favorecer o aparecimento de manchas foliares, folhas acastanhadas ou infestações de insetos nocivos.
Descubra os nossos conselhos essenciais para compreender as causas das doenças e infestações mais comuns, identificar rapidamente os sintomas e aplicar as soluções adequadas.

As belas folhas da calátea (Geoppertia) ‘Network’
Doenças e problemas comuns da calátea
Podridão das raízes
Esta doença deve-se principalmente a um excesso de rega ou a um substrato mal drenado, que impede o oxigénio de chegar às raízes. Quando as raízes ficam mergulhadas em água, acabam por necrosar e deixam de conseguir absorver os nutrientes essenciais para a planta.
Os primeiros sintomas surgem frequentemente ao nível da folhagem: as folhas ficam amarelas, tornam-se moles e murcham. Ao inspecionar as raízes, podem apresentar uma coloração castanha-escura ou preta, ser por vezes viscosas e libertar um odor desagradável.
Para evitar este problema:
- É essencial utilizar um substrato bem drenante e adequado para as caláteas. O ideal é ser composto por um substrato leve para plantas de interior à base de turfa, de boa qualidade, enriquecido com fibra de coco e perlite.
- É indispensável utilizar um vaso com orifícios de drenagem para escoar o excesso de água após cada rega.
- Esvazie o prato ou o vaso decorativo da água residual.
Quando a podridão é detetada, é necessário agir rapidamente, transplantando a planta para um substrato seco depois de cortar as raízes afetadas com uma ferramenta desinfetada.
Manchas foliares
As manchas foliares são geralmente causadas por uma infeção bacteriana ou fúngica, favorecida por uma humidade excessiva e por uma má circulação do ar em redor da planta. Estas manchas podem apresentar cores diferentes, consoante a natureza do agente patogénico envolvido:
- As manchas castanhas a pretas, frequentemente rodeadas por um halo amarelo, são sinal de uma infeção bacteriana.
- As manchas cinzentas a pretas, por vezes ligeiramente pulverulentas, indicam um ataque fúngico.
A humidade excessiva, sobretudo quando a água fica acumulada nas folhas após a pulverização, favorece o desenvolvimento destas doenças.
Para limitar a propagação, as folhas afetadas devem ser cortadas e eliminadas (não as deixe sobre o substrato, pois poderiam contaminar outras partes da planta).
Uma boa circulação do ar é essencial para evitar estas infeções: coloque a calátea num local onde o ar circule, mas sem correntes de ar frio que possam fragilizar a planta.
Folhas enroladas
A calátea é uma planta particularmente sensível às variações de humidade e às condições de cultivo. Quando as folhas se enrolam sobre si próprias, isso indica frequentemente uma falta de humidade ou um stress hídrico. Esta reação é um mecanismo natural de defesa para limitar a perda de água.
As principais causas deste fenómeno incluem:
- Um ar demasiado seco, provocado pelo aquecimento no inverno ou pela exposição a ar condicionado.
- Uma rega insuficiente, que impede a planta de manter uma hidratação adequada.
- Um choque térmico, por exemplo, a deslocação brusca da planta de um local húmido para um ambiente mais seco.
Para resolver este problema, é aconselhável aumentar a humidade ambiente, pulverizando regularmente água sem calcário sobre a folhagem ou colocando um humidificador nas proximidades.
Quanto à rega, a calátea aprecia um substrato ligeiramente húmido de forma constante, mas nunca encharcado. Recomenda-se regar com água filtrada ou da chuva, pois a água da torneira, demasiado calcária, pode danificar a planta a longo prazo.
Acastanhamento das margens das folhas
Outro problema frequente na calátea é o acastanhamento das extremidades das folhas. Este fenómeno pode estar relacionado com vários fatores ambientais:
- Uma água de rega demasiado rica em minerais: a acumulação de calcário e de cloro na água da torneira pode provocar queimaduras nas folhas.
- Uma falta de humidade ambiente: sendo uma planta tropical, a calátea pode sofrer com o ar demasiado seco, que provoca o ressecamento das margens das folhas.
- Uma exposição excessiva à luz: a calátea é uma planta que prefere luminosidade moderada; evite totalmente a exposição ao sol direto.
Para evitar este problema, recomenda-se regar a planta com água filtrada, desmineralizada ou da chuva. Aumentar a humidade ambiente com um humidificador também é benéfico.

A calátea é frequentemente suscetível ao desenvolvimento de folhas danificadas, com margens castanhas
As pragas da calátea
Os parasitas são um dos principais problemas da calátea, sobretudo quando o ambiente não é o ideal. Um ar demasiado seco, a falta de cuidados ou um substrato mal drenado podem favorecer o seu aparecimento. Vários insetos e ácaros atacam esta planta, alimentando-se da sua seiva, o que provoca um enfraquecimento geral e danos na folhagem.
Aranhiços vermelhos (ácaros)
Estes ácaros microscópicos aparecem sobretudo quando o ar está demasiado seco. Instalam-se na página inferior das folhas, provocando descolorações e um amarelecimento progressivo da folhagem. Numa fase avançada, podem observar-se finas teias entre os caules e a página inferior das folhas.
Uma humidade reduzida e a falta de circulação de ar favorecem a sua proliferação, sobretudo no inverno, com o aquecimento.
Soluções:
- Comece por dar um duche abundante à folhagem, diretamente na casa de banho
- Aumente a humidade ambiente pulverizando água sobre a folhagem ou utilizando um humidificador
- Limpe regularmente as folhas com um pano húmido para limitar o seu desenvolvimento
- Aplique uma solução à base de sabão preto e óleo essencial de alecrim em caso de infestação
- Introduza auxiliares como Phytoseiulus persimilis, um ácaro predador dos aranhiços vermelhos
→ Leia o nosso artigo muito detalhado sobre os aranhiços vermelhos para saber mais sobre os tratamentos.
Cochonilhas farinhentas
As cochonilhas farinhentas são pequenos insetos brancos, cobertos por uma camada cerosa, que se fixam nos caules e na página inferior das folhas. Enfraquecem a planta ao sugarem a sua seiva, o que provoca o amarelecimento e abranda o crescimento. A sua presença provoca frequentemente o aparecimento de melada, uma substância pegajosa que pode favorecer o desenvolvimento de fumagina. Podem observar-se a olho nu, sob a forma de pequenos aglomerados brancos e cotonosos.
Soluções:
- Isole a planta para evitar a propagação.
- Elimine as cochonilhas com um cotonete embebido em álcool a 70°.
- Aplique uma solução de sabão preto diluído, com 1 colher de chá do mesmo álcool e óleo de colza, para um tratamento natural.
→ Leia o nosso artigo sobre as cochonilhas para saber mais.
Tripes
Os tripes são insetos muito pequenos, frequentemente pretos ou castanhos, que se alimentam da seiva das plantas. Deixam marcas prateadas ou translúcidas nas folhas, que acabam por se deformar. O seu ciclo de reprodução rápido torna-os difíceis de erradicar. Podem causar danos importantes e provocar a morte da planta devido ao enfraquecimento contínuo.
Um ar seco e quente favorece o seu desenvolvimento, e uma planta já fragilizada fica mais vulnerável.
Soluções:
- Isole a planta assim que surgirem os primeiros sintomas.
- Pulverize uma mistura à base de óleo de neem para limitar a sua propagação.
- Introduza auxiliares naturais como os percevejos predadores Orius laevigatus, que se alimentam de tripes.
- Coloque armadilhas adesivas azuis para monitorizar e reduzir a população de tripes.
→ Leia a nossa ficha de aconselhamento para saber tudo sobre os tripes.
Pulgões
Os pulgões atacam principalmente os rebentos jovens da calátea, onde se agrupam em colónias. Enfraquecem a planta ao sugarem a sua seiva, provocando folhas deformadas e um crescimento mais lento. A sua presença também provoca um depósito pegajoso que favorece o aparecimento de fumagina.
Uma dose excessiva de adubo azotado estimula o crescimento da planta, o que pode atrair os pulgões. Uma planta enfraquecida também fica mais sensível aos ataques.
Soluções:
- Lave a planta com um jato de água morna para eliminar manualmente os pulgões.
- Pulverize uma mistura de água e sabão preto para um tratamento natural.
- Em caso de infestação avançada, aplique um inseticida biológico à base de piretro.
→ Leia o nosso artigo sobre os pulgões em plantas de interior para conhecer os nossos conselhos de tratamento.

Os pulgões podem enfraquecer a calátea; são visíveis a olho nu e instalam-se nos caules e na página inferior das folhas
Cuidar bem da calátea para evitar doenças
A calátea é uma planta tropical que aprecia uma atmosfera húmida. Recomenda-se pulverizar regularmente a folhagem com água sem calcário ou utilizar um humidificador.
É igualmente importante evitar as correntes de ar e as variações bruscas de temperatura, que podem causar stress à planta.
A calátea precisa de um substrato ligeiramente húmido em permanência, mas sem excessos.
A água da torneira, frequentemente calcária e clorada, pode provocar uma acumulação de minerais prejudiciais para as caláteas.
A calátea prefere uma luz difusa. Ainda assim, não coloque a planta demasiado longe de uma fonte de luz, para evitar que o seu crescimento abrande.
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