Como se livrar de canas invasoras?
Os nossos conselhos para as eliminar ou conter de forma natural
Resumo
A cana ou Arundo donax é uma gramínea gigante, de crescimento vigoroso e que se desenvolve rapidamente. Forma um tufo denso constituído por canas rígidas e robustas, que podem atingir 4 ou 5 m de altura, e apresenta folhas longas e verdes, por vezes variegadas. Possui raízes rizomatosas, o que lhe permite espalhar-se facilmente. Confere ao jardim um estilo muito natural e é particularmente útil para formar sebes corta-vento ou sebes opacas. Quando encontra condições favoráveis, pode tornar-se particularmente invasiva, pelo que é preferível instalar uma barreira anti-rizomas no momento da plantação, para limitar o seu desenvolvimento. Descubra todos os nossos conselhos para se livrar de canas demasiado invasivas!
Como reconhecer a cana?
A cana é uma planta rizomatosa que pode tornar-se invasora em muitos ecossistemas. Cresce espontaneamente em zonas húmidas, nas margens de cursos de água e em valas. Para a reconhecer, é importante familiarizar-se com as suas características distintivas. A cana assemelha-se a um caniço e forma caules espessos e robustos, bem verticais, que podem atingir até 4 metros de altura. Apresenta folhas longas (40 a 60 cm de comprimento), pendentes na extremidade, de cor verde-glauca e com os bordos ásperos. Existem também variedades variegadas, com folhas estriadas de branco-prateado ou amarelo-creme (por exemplo, Arundo donax ‘Variegata Versicolor’ ou ‘Aureovariegata’). São apreciadas pela luminosidade que trazem ao jardim. No final do verão – início do outono (habitualmente em setembro-outubro), a cana desenvolve no topo dos seus caules grandes panículas plumosas, com mais de 50 cm de comprimento, primeiro esverdeadas e depois castanhas quando amadurecem. A capacidade desta planta para se propagar rapidamente deve-se ao seu sistema de rizomas subterrâneos. A cana pode assim tornar-se um problema nos jardins e nos ambientes naturais, pois os seus rizomas permitem-lhe espalhar-se rapidamente e dominar outras espécies vegetais. Uma vez bem estabelecida, é difícil de eliminar. Aliás, figura na lista de espécies invasoras em algumas regiões do mundo, como na Nova Caledónia, e começou a naturalizar-se no sudoeste de França.

Cana variegada, Arundo donax ‘Variegata’
Como contê-la?
É realmente preferível antecipar e conter a cana aquando da sua instalação, em vez de a eliminar depois de se ter instalado. Isso exigirá muito mais tempo e energia.
A melhor forma de conter a cana consiste em instalar uma barreira anti-rizomas no momento da plantação, tal como se faz com os bambus. Se não tiver sido instalada nessa altura e a cana tiver começado a alastrar, também é possível colocá-la mais tarde, depois de eliminar os rebentos e rizomas que crescem fora da zona delimitada.
- Abra uma cova de plantação com cerca de 50 a 60 cm de profundidade. Se a planta já estiver instalada, abra uma vala à sua volta, com a mesma profundidade.
- Plante a cana no centro da cova de plantação.
- Coloque depois a barreira anti-rizomas à volta de toda a planta, formando um ângulo de 15°. Deve ficar 5 a 10 cm acima do nível do solo.
- Prenda firmemente entre si as duas extremidades da barreira anti-rizomas.
- Encha a cova com terra, escondendo a parte que fica acima do solo, e compacte ligeiramente.
Descubra os nossos conselhos em vídeo: “Como limitar uma planta invasora?”
Outra solução consiste em cultivar a cana em vasos grandes ou floreiras, que poderão ser instalados, por exemplo, no terraço ou junto a uma piscina. Assim, poderá desfrutar das suas qualidades ornamentais sem correr o risco de colonizar o jardim!
Em plena terra, é preferível cultivar variedades variegadas, que se revelam menos invasoras do que a espécie-tipo, mantendo um grande valor ornamental.
Como eliminá-los de forma natural?
A erradicação natural da cana exige paciência e perseverança. Aconselha-se intervir no início do outono ou na primavera. O objetivo é destruir os rizomas e eliminar o máximo possível, pois a planta pode rebrotar a partir de uma secção de rizoma que tenha ficado no solo.
- Escolha se pretende livrar-se da totalidade das canas ou apenas de uma parte, que tenha saído da sua zona de plantação inicial.
- Desenterre as plantas utilizando uma pá de cova. Aconselha-se escavar até pelo menos 30 cm de profundidade. Os rizomas encontram-se geralmente a cerca de 20 cm abaixo do nível do solo.
- Retire o máximo possível de fragmentos de rizoma.
- Cubra depois o solo com uma lona preta de grandes dimensões, resistente e impermeável.
- Assim que surgirem rebentos, elimine-os de imediato. Deste modo, os rizomas irão esgotar-se e acabarão por morrer.
- Corte regularmente as canas ao nível do solo. Esta ação, repetida várias vezes ao longo de uma estação de crescimento, enfraquecerá progressivamente a planta, esgotando as reservas energéticas armazenadas nos rizomas.
- Se optar por conservar algumas plantas numa parte do jardim, instale uma barreira anti-rizomas para evitar que voltem a alastrar.
É importante vigiar regularmente a zona, para detetar qualquer retoma do crescimento e eliminar de imediato os novos rebentos.
Se a área a limpar for grande, poderá ser mais interessante utilizar uma mini-escavadora para remover a terra do terreno, em vez de escavar e retirar os rizomas manualmente.

Para eliminar a cana e evitar que volte a crescer, é necessário retirar todos os rizomas (fotos: Forest and Kim Starr / JMK)
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