Cultivar a stevia
Cultivo da estévia em vaso ou em plena terra
Resumo
A erva-doce-do-paraguai, do nome latino Stevia rebaudiana, é uma planta tropical originária da América do Sul, muito apreciada pelo poder adoçante das suas folhas. Um poder adoçante que é mesmo 100 a 300 vezes superior ao do açúcar, mas sem quaisquer calorias.
Quando se respeitam as suas poucas exigências, Stevia rebaudiana é uma planta que se revela bastante fácil de cultivar. Em vaso ou em terra plena, descubra todos os nossos conselhos para cultivar a erva-doce-do-paraguai.
Como cultivar a estévia?
Originária da América do Sul, a erva-doce-do-paraguai encontra-se espontaneamente nas orlas das florestas e nas clareiras, mais raramente no sub-bosque. Trata-se, portanto, de uma planta que precisa de luz, mas que não suporta os raios diretos do sol de verão.
Pouco rústica, Stevia rebaudiana é cultivada em plena terra unicamente nos climas mais amenos da França continental, ou seja, nas regiões oceânicas e mediterrânicas.
No jardim ou num recipiente, na varanda ou no terraço, não hesite em associá-la a plantas aromáticas e condimentares, como o manjericão, a salsa, a sálvia, a verbena, o orégão, o funcho e o funcho-bastardo…
Quando plantar?
Nas regiões de clima ameno referidas anteriormente, planta-se a erva-doce-do-paraguai em plena terra entre os meses de abril e maio, depois de afastado todo o risco de geadas. Em vaso, transplantam-se as plantas jovens de erva-doce-do-paraguai para o recipiente definitivo na primavera.
Cultivo da erva-doce-do-paraguai em plena terra
Substrato
Para se desenvolver convenientemente, a erva-doce-do-paraguai precisa, antes de mais, de um solo húmido, mas bem drenado. Deve evitar-se a humidade estagnada, que pode provocar o enfraquecimento da planta acima do colo. No entanto, um solo demasiado seco também lhe pode ser fatal. Atenção, portanto, aos períodos de canícula.

Cultivo da erva-doce-do-paraguai em plena terra, ©Huerta Agroecológica Comunitaria “Cantarranas” y – Flickr
Fora isso, Stevia rebaudiana adapta-se a todos os solos, mesmo aos pobres. Aprecia, no entanto, uma terra rica, sendo ideal um solo limoso bem drenado.
Exposição
Plante a erva-doce-do-paraguai num local abrigado, com exposição de meia-sombra ou ao sol ligeiro.
Plantação
- Afaste os buracos de plantação 40 cm em todos os sentidos.
- Adicione no fundo um pouco de composto bem decomposto.
- Instale a planta no centro do buraco de plantação.
- Cubra o torrão com terra fina, mas deixe o colo acima do nível do solo.
- Calque e regue.
Cultivo da erva-doce-do-paraguai em vaso
Escolha do vaso
Opte, de preferência, por um vaso bastante largo, com um diâmetro de 20 a 30 cm.
Substrato
Em vaso, a erva-doce-do-paraguai é cultivada numa mistura de substrato e composto bem decomposto. O substrato deve assentar sobre uma camada de cascalho ou de bolas de argila, para favorecer a drenagem.

Cultivo da erva-doce-do-paraguai em vaso, ©Gabriela-F. Ruellan et Sten Porse – Flickr
Plantação
- Coloque uma espessa camada de bolas de argila no fundo do vaso.
- Encha o recipiente com a mistura de substrato + composto.
- Instale o torrão e cubra-o com o substrato, deixando o colo acima do nível do solo.
- Calque e regue
- Esvazie o prato que se encontra sob o vaso.
- Coloque o vaso num local luminoso, mas sem sol direto.
Como cuidar da estévia?
Fertilização
Planta exigente, a erva-doce-do-paraguai precisa de ser fertilizada regularmente, sobretudo quando é cultivada em vaso, onde o substrato empobrece naturalmente mais depressa.
Recomenda-se, nomeadamente, uma aplicação de adubo azotado, biológico e de libertação lenta duas semanas antes da colheita. Evite os adubos de libertação rápida, que reduzem o poder adoçante das folhas de erva-doce-do-paraguai.
Podem ser aplicados pontualmente no substrato adubos orgânicos, como pó de chifre moído, extratos de algas ou chorume de urtiga macerado durante 12 a 15 dias.
Rega
Como já foi referido, Stevia rebaudiana precisa de um substrato constantemente fresco. Regue regularmente, sobretudo no verão e durante os períodos de seca. Do mesmo modo, uma erva-doce-do-paraguai cultivada em vaso será mais sensível à falta de água, pois o substrato seca mais depressa do que em plena terra. Evite, no entanto, o excesso de humidade, deixando o substrato secar ligeiramente entre duas regas e evitando deixar água estagnada no prato quando cultivar a erva-doce-do-paraguai em vaso. A humidade estagnada poderá fazer apodrecer as raízes.

Rega da erva-doce-do-paraguai recém-plantada, ©Huerta Agroecológica Comunitaria “Cantarranas” y – Flickr
Uma rega regular das suas plantas de erva-doce-do-paraguai, sobretudo quando cultivadas em vaso, é, portanto, necessária para o seu bem-estar. Tanto em plena terra como em vaso, aplique uma cobertura morta junto à base das plantas, o que permitirá conservar por mais tempo a humidade do substrato, limitando simultaneamente o crescimento das ervas daninhas.
Invernagem
Invernar a erva-doce-do-paraguai em vaso
Não hesite em manter os vasos de erva-doce-do-paraguai no exterior durante toda a estação amena. No entanto, lembre-se de os colocar ao abrigo da geada assim que as temperaturas previstas descerem abaixo dos -5°C.
Durante o inverno, suspenda as aplicações de adubo e reduza drasticamente as regas (o substrato não deve, contudo, secar completamente).
Invernar a erva-doce-do-paraguai em plena terra
Antes das primeiras geadas, amontoe terra junto à base das plantas de erva-doce-do-paraguai. Coloque depois uma cobertura morta espessa, que terá desta vez como função proteger as raízes do frio. Uma cobertura particularmente útil neste caso, pois o sistema radicular da erva-doce-do-paraguai é muito denso logo abaixo da superfície do solo.
Suspenda todas as aplicações de adubo e deixe de regar a planta até ao final do período de inverno.
Poda
O inverno é a melhor época para podar a erva-doce-do-paraguai cultivada em plena terra. Com efeito, a planta encontra-se então num período de dormência.
Com o frio, as folhas e os caules secam completamente e devem ser podados. A operação deve ser realizada, contudo, apenas com tempo seco. Esta precaução limita o risco de os fungos infetarem as feridas.
Corte, portanto, os caules acima do terceiro olho. Na primavera seguinte, terá o prazer de ver a planta rebentar a partir da base e formar gomos vegetativos.
É bom saber: durante o verão, lembre-se também de eliminar as flores assim que surgirem, para evitar o enfraquecimento da planta e estimular a produção de folhas.
As pragas da estévia
Quando cultivada ao ar livre, em terra plena ou em vaso, a estévia pode ser atacada pelos pequenos roedores (coelhos, ratos-do-campo, toupeiras e outros ratos…) que apreciam particularmente o sabor das suas folhas. Pode, neste caso, prevenir estes ataques utilizando chorume de folhas de sabugueiro, uma vez que este atua eficazmente como repelente natural dos roedores dos jardins.
As lesmas e os caracóis também apreciam roer as suas folhas, nomeadamente os rebentos jovens na primavera. Para proteger as plantas, pode, por exemplo, utilizar anti-lesmas ou fabricar uma armadilha para lesmas. Consulte a nossa ficha “Lesmas: 7 formas de lutar contra elas de forma eficaz e natural”
A estévia cultivada no interior pode, por sua vez, ser atacada por cochinilhas ou moscas-brancas. São parasitas sensíveis ao frio e à humidade que podem ser afastados pulverizando regularmente as folhas da planta e arejando o espaço.
Leia também
Criar uma espiral de aromáticasComo multiplicar a stevia?
A sementeira da estévia dá resultados aleatórios, uma vez que a taxa de germinação das sementes é bastante baixa. Assim, a melhor técnica para multiplicar a estévia é a estaquia.
- Retire uma haste terminal com cerca de 10 cm de comprimento.
- Retire as folhas situadas na base, deixando apenas algumas na extremidade da haste.
- Transplante a estaca para um vaso cheio de substrato.
- Comprima o substrato à volta da haste, para assegurar um bom contacto e evitar bolsas de ar.
- Regue abundantemente.
- Coloque o vaso num local luminoso, sem exposição direta ao sol.
Como colher e conservar a estévia?
As folhas de estévia colhem-se à medida das necessidades. Evite colher demasiadas folhas do mesmo pé, a fim de lhe permitir continuar a fazer a fotossíntese. O melhor é cultivar vários pés, para poder utilizá-las facilmente, deixando ao mesmo tempo folhas suficientes em cada um. O final do verão é o período em que a planta é mais rica em glucósidos, pelo que terá um maior poder adoçante. Pode utilizar as folhas frescas ou secas e adicioná-las a sobremesas (iogurtes, saladas de fruta…), a infusões, chás ou cafés, em vez de açúcar. Além do seu elevado poder adoçante, apresentam um ligeiro aroma a alcaçuz. As folhas frescas conservam-se durante alguns dias no frigorífico.
Se pretender conservá-las durante mais tempo, seque-as à sombra, num local seco e arejado, depois reduza-as a pó e conserve-as num frasco hermético.
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