Cultivar com sucesso papoilas anuais e perenes
Os nossos segredos para obter belas papoilas
Resumo
Como ficar indiferente à beleza efémera das papoilas no final da primavera e no verão? As suas corolas delicadas, enrugadas como papel de seda, revelam não só algumas das flores mais elegantes do jardim, como também uma notável cápsula azulada e bojuda no final da floração, quase tão atraente e notável em ramos secos. São perfeitas em jardins de estilo inglês ou em jardins campestres.
Mas é frequente surgirem algumas dificuldades quando se semeiam as espécies anuais ou quando se plantam as papoilas perenes rústicas de flores muito grandes. Estas belezas dão, de facto, bastante trabalho, mesmo aos jardineiros mais experientes.
Eis todas as dicas de jardinagem para obter uma floração e um desenvolvimento abundantes das papoilas, logo na primeira estação!

A mesma regra de ouro para todas as papoilas: uma terra bem preparada e um solo bem drenado
Quer sejam anuais ou perenes, as papoilas têm exigências muito específicas no que diz respeito à qualidade do solo. Apesar de não parecer, estas plantas robustas precisam de uma terra bem preparada. Isto deve-se, em grande parte, ao seu sistema radicular muito carnudo, que se desenvolve verticalmente em profundidade no solo: fazem parte das plantas praticamente impossíveis de arrancar, que não gostam de ser mudadas de lugar.
Todas apreciam particularmente, qualquer que seja a espécie, uma terra limosa.
Quando se pretende que cresçam bem no jardim, um dos primeiros segredos é a escolha do local, pois precisam de sol (pelo menos 6 h por dia), mas o segundo segredo está no cuidado dedicado à descompactação da terra. No caso das papoilas, fala-se de uma terra profunda e solta, leve e humífera ao mesmo tempo, e sobretudo drenante. Isto significa que será necessário trabalhar e soltar o solo em profundidade — pelo menos 20 cm —, mas também acrescentar composto ou estrume bem decomposto e/ou um pouco de cascalho, para assegurar uma boa drenagem.
Última etapa da preparação: enriqueça o solo se este não for suficientemente fértil, caso semeie ou plante papoilas-orientais. Já no caso das papoilas anuais e das papoilas-da-califórnia, preferem um solo pobre.
Quanto ao pH do solo, não há motivo para preocupação: todos lhes convêm, embora as papoilas-orientais tenham uma clara preferência por solos calcários.
→ O meu conselho: preveja três a cinco plantações, pois estas flores se desenvolvem ao longo dos anos e têm uma floração de curta duração (cerca de duas semanas). Será também necessário pensar em integrar outras plantas perenes ou bulbosas, que assumirão o relevo para voltar a preencher a área, pois as papoilas perdem toda a folhagem, que entra em dormência durante todo o verão, deixando a área despida.

A sementeira das papoilas-orientais
Apesar do que se possa pensar, não é a sementeira de flores mais fácil.
Semeiam-se as papoilas anuais entre março e junho, ou no outono, consoante as regiões, mas também as papoilas perenes, tendo o cuidado de conservar algumas cápsulas no final do verão para recolher as preciosas sementes.
As papoilas anuais incluem uma grande variedade de espécies, entre as quais a muito popular papoila-da-califórnia (Eschscholzia californica), baixa e geralmente alaranjada, mas também numerosas variedades de papoila-das-searas (Papaver rhoeas) e de dormideira-brava (Papaver somniferum), com tonalidades rosadas e mais suaves, incluindo algumas variedades de flores dobradas.
- A data da sementeira das papoilas-orientais, das papoilas dos jardins, das papoilas-da-califórnia e das papoilas-da-islândia (P. nudicaule): será ideal entre meados de março e o final de abril, consoante as regiões, ou sobretudo em setembro, nos climas amenos. Na primavera ou no outono, aguarde até que o solo esteja ou se mantenha minimamente aquecido, mas as papoilas apreciam algum frio para germinar, ao contrário de outras sementes, daí uma plantação de outono ser muitas vezes mais eficaz, pois as plantas terão tempo para desenvolver melhor as raízes. Plantar demasiado tarde na primavera resulta frequentemente em plantas fracas. A sementeira no início do outono, com temperaturas frescas, ajuda-as a crescerem com mais robustez, com caules mais fortes (mas sempre em pleno sol): isto aplica-se a todas as papoilas!
- Sementeira no local: deve ser privilegiada quando se dispõe de uma grande quantidade de sementes. As papoilas são conhecidas por não apreciarem a transplantação, mesmo na fase de plântula. Para evitar esta transplantação, semeie diretamente em plena terra, não demasiado rica para as anuais e mais rica para as perenes. Se semear em vaso ou numa sementeira, opte por vasinhos biodegradáveis e coloque-os num local luminoso, mas sem sol direto. Comece por humedecer ligeiramente a zona.
- Semeie muito superficialmente: as sementes de papoila, muito finas, precisam de luz para germinar. Se forem enterradas demasiado profundamente, não germinarão. Cubra-as apenas com uma fina camada de terra ou de substrato passado por um crivo (2 mm, não mais) e pressione muito ligeiramente com a mão.
- Regue ligeiramente no momento da sementeira e, depois, aguarde até que a terra volte a secar à superfície antes de regar novamente. A terra não deve, de forma alguma, ficar encharcada. Se não chover, regue pelo menos até à emergência das plântulas.
- A germinação demora entre 2 e 3 semanas a uma temperatura de 15°C.
- Não hesite em cobrir as sementeiras em plena terra com uma campânula de proteção de vidro ou de plástico, para evitar que as sementes sejam remexidas pelas aves. Areje durante a tarde e volte a colocar a campânula ao início da noite. Se tiver semeado numa sementeira, endureça minimamente as plantas antes de as plantar em plena terra.
- Assim que as plântulas emergirem e apresentarem 2 pares de folhas, desbaste-as para deixar apenas uma papoila a cada 20 cm, evitando assim que concorram entre si. No caso das sementeiras efetuadas numa sementeira, transplante-as assim que tiverem formado folhas verdadeiras.
→ O meu conselho: faça sementeiras escalonadas para desfrutar da floração durante várias semanas!

A plantação de papoilas-orientais perenes
Mais fácil, à primeira vista, do que a sementeira, a plantação exige, ainda assim, várias condições e é, sem dúvida, a etapa mais complicada. Se conseguir plantar bem as papoilas-orientais, estas recompensarão esse cuidado com uma floração muito mais generosa, ano após ano.
- A época de plantação de um vasinho pequeno ou de uma papoila-oriental em vaso: lembre-se de que as papoilas-orientais detestam a humidade do inverno nas raízes. Prefira o outono, idealmente em setembro ou outubro, ou então mais tarde, em março-abril, nas regiões com invernos húmidos, sempre fora dos períodos de geada.
- Prepare as covas de plantação, espaçadas 40-50 cm, pois formarão belas touceiras e ocuparão bastante espaço no solo, abrindo covas com pelo menos o dobro da largura e da profundidade dos recipientes.
- O solo deverá ser mais rico e fértil do que o destinado às papoilas anuais, sendo esta a grande diferença entre os dois tipos de papoilas: junte composto ao solo.
- Mergulhe o torrão de cada vasinho ou vaso, colocando os recipientes diretamente numa bacia com água durante alguns minutos. Depois, escorra-os antes de os retirar dos recipientes.
- Coloque os vasos ou vasinhos na cova preparada, sobre uma camada de substrato no fundo, tendo o cuidado de não enterrar o colo (limite entre o caule e a raiz) de cada planta. Encha a cova com terra misturada com substrato e composto em partes iguais.
- Regue e aplique uma cobertura morta para conservar a humidade do solo (com uma cobertura vegetal, BRF, etc.).
- Plante entre as papoilas-orientais plantas perenes ou bolbos de verão, que preencherão o espaço deixado vazio depois de terminada a sua floração.

Leia também
Papoilas-orientais: como as cultivar?Mais algumas coisas a saber sobre as papoilas...
- As papoilas perenes precisam muitas vezes de dois anos para instalarem bem o seu sistema radicular profundo. Portanto, é preciso ter paciência… Tanto mais que as papoilas perenes vivem depois durante muito tempo.
- Quando encontram boas condições, as papoilas, sejam anuais ou perenes, propagam-se naturalmente através das sementes: uma vez bem instaladas, retire uma grande parte dos frutos, caso contrário, cuidado com a invasão! (as sementes das anuais suportam as baixas temperaturas do inverno).
- É uma planta que exige pouca manutenção (exceto cortar a haste floral rente), não precisa de fertilização (se a plantação tiver sido realizada corretamente) nem de proteção durante o inverno, pois são muito rústicas.
- Se eliminar bem as flores murchas logo após a desfloração, terá hipóteses de ver as suas papoilas-orientais reflorescerem em setembro, se o final do outono for ameno.
- A floração será mais abundante em solo pobre no caso das papoilas anuais e das papoilas-da-califórnia.
- Nas regiões do sul, com verões muito quentes, evite plantar papoilas-orientais, que se desenvolvem melhor em climas temperados a frescos, daí o seu sucesso em Inglaterra.
- Aqui fala-se apenas da plantação em plena terra, onde todas as papoilas, sobretudo as perenes, se desenvolverão muito melhor. As plantações em vaso só poderão realmente dizer respeito às papoilas-da-islândia.
- Algumas papoilas são muito difíceis de cultivar, como a papoula-azul-do-himalaia, que tem necessidades diferentes: uma exposição de meia-sombra, um solo muito fresco, ou mesmo húmido, e muito bem drenado (saiba mais em como cultivar com sucesso a papoula-azul-do-himalaia?). Quanto à papoila-da-islândia, de pequenas dimensões e em tons quentes, é uma perene que, contudo, tende a comportar-se como anual ou bienal e a desaparecer depois da floração. Para evitar este problema, plante-a num solo seco, muito bem drenado, pobre e pedregoso, de que necessita absolutamente.

Não se esqueça de colocar uma cobertura do solo nas suas papoilas-orientais ou papoilas-dormideiras.
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