Resumo
O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta perene tropical cuja fama atravessa milénios e continentes. Originária da Ásia, conhecida como «especiaria universal» ou «raiz da vida», esta planta da família das Zingiberáceas ocupa um lugar de destaque nas farmacopeias de todo o mundo. Cultivado tanto pelos seus sabores picantes e citrinos como pelas suas virtudes terapêuticas, o gengibre conhece atualmente um interesse renovado graças aos estudos científicos modernos que confirmam as suas propriedades excecionais, nomeadamente anti-inflamatórias e digestivas.
Descubra todos os benefícios do gengibre, esta planta majestosa com caules com folhas e raízes carnudas, desde a sua apresentação botânica aos seus compostos ativos, passando pelos conselhos de cultivo e pelas eventuais contraindicações.
O gengibre, uma perene tropical com raízes carnudas
O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta herbácea perene originária das zonas tropicais húmidas do Sudeste Asiático. Parente próximo do açafrão-da-índia e do cardamomo, distingue-se pelos seus longos caules com folhas, que podem atingir 1 metro de altura. Ao contrário do que se poderia pensar, o que consumimos não é uma raiz em sentido estrito, mas um rizoma: um caule subterrâneo carnudo que armazena as reservas da planta.
As folhas são persistentes, alternas, longas e estreitas, de um verde vivo, libertando um aroma quando se esfregam. Embora a floração seja rara em cultivo nas nossas latitudes, o gengibre pode produzir espigas de flores amarelas e violetas, protegidas por brácteas verdes e vermelhas, proporcionando um espetáculo visual de grande beleza exótica.
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O gengibre: cultivar, cuidar e colherComo cultivar e cuidar do gengibre?
Embora seja originário dos trópicos, o gengibre pode ser cultivado nas nossas latitudes, tanto no interior como numa estufa ou no exterior durante o verão. Aprecia exposições luminosas, mas sem sol direto demasiado intenso, e necessita de uma atmosfera quente, idealmente acima dos 20°C, e húmida.
- A plantação: o gengibre é geralmente plantado desde o fim do inverno até ao início do verão, entre março e junho, num vaso largo. Basta obter um rizoma fresco e biológico que apresente pequenos rebentos claros, chamados olhos. Coloca-se à superfície do substrato, numa mistura de substrato e areia, sobre uma camada de bolas de argila
- A rega: o substrato deve manter-se fresco, mas nunca encharcado, pois a humidade estagnada faz apodrecer o rizoma. No inverno, quando os caules ficam amarelos, a planta entra em dormência. A partir desse momento, é necessário suspender quase totalmente as regas
- A saída para o exterior: no verão, o gengibre pode ser colocado no exterior, num local luminoso, mas sem sol direto
- A colheita: é preciso ter paciência. A colheita ocorre geralmente 8 a 10 meses após a plantação, quando as partes aéreas começam a murchar. Para obter um gengibre mais tenro e menos picante, podem colher-se porções do rizoma a partir do sexto mês.

Zingiber officinale
É também uma excelente planta de interior que, graças à sua folhagem lanceolada, acrescenta um toque gráfico e elegante a qualquer apartamento.
Quais são os compostos ativos do gengibre?
Diz-se muitas vezes que o gengibre aquece o corpo e o espírito. Esta sensação de calor característica deve-se a uma composição química muito rica. O rizoma contém mais de 400 compostos diferentes, mas as suas propriedades medicinais devem-se principalmente a alguns compostos:
- O gingerol: é o principal constituinte ativo do gengibre fresco. É responsável pelo seu sabor picante e possui poderosas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes
- O shogaol: formado durante a secagem ou a cozedura do gengibre, é ainda mais picante do que o gingerol e reforça a ação protetora sobre o sistema digestivo
- Os óleos essenciais (zingibereno, curcumeno): conferem à planta o seu aroma único e atuam como agentes antibacterianos e tonificantes
- As vitaminas e os minerais: o gengibre é uma fonte de magnésio, potássio, fósforo e vitamina C (quando consumido fresco).
Como utilizar o gengibre no dia a dia?
O gengibre pode ser consumido de várias formas, consoante o efeito pretendido:
- Em infusão para aliviar a digestão ou uma constipação: corte 3 a 5 rodelas finas de gengibre fresco para uma chávena de água a ferver. Deixe em infusão durante 10 minutos, tapado, e depois adicione um pouco de limão e mel para potenciar o efeito antisséptico

Infusão de gengibre
- Em decocção para um efeito mais intenso nas dores articulares. Basta ferver o rizoma durante 15 minutos
- Fresco e ralado diretamente nos pratos (caris, sopas, peixe) para preservar as enzimas digestivas
- Em cataplasma: o gengibre ralado, aplicado localmente e envolvido num pano, pode ajudar a aliviar as dores musculares graças ao seu efeito de aquecimento.
Quais são os benefícios do gengibre para o bem-estar?
O gengibre é um dos remédios naturais mais estudados em todo o mundo. Antes de incluir um tratamento à base de gengibre na sua rotina, lembre-se de que uma planta não substitui o aconselhamento médico, sobretudo em caso de doença grave. No entanto, os seus benefícios para o bem-estar diário são impressionantes.
Uma solução contra as náuseas
É, sem dúvida, a sua utilização mais validada pela ciência. O gengibre atua nos recetores da serotonina do estômago, bloqueando o reflexo do vómito.
- É extremamente eficaz contra o enjoo de viagem (de barco, de automóvel ou de avião)
- É reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para aliviar as náuseas da gravidez, oferecendo uma alternativa natural aos medicamentos
- Ajuda também a reduzir as náuseas pós-operatórias ou as provocadas por determinados tratamentos agressivos.
Um potente anti-inflamatório
Graças aos gingeróis, o gengibre atua de forma semelhante à de alguns anti-inflamatórios não esteroides em determinadas dores:
- É recomendado para as dores articulares, como a artrose ou o reumatismo
- Alguns estudos sugerem que a ingestão de gengibre no início da menstruação é tão eficaz como alguns medicamentos para aliviar as cólicas uterinas.

Rizomas de gengibre acabados de colher
Um aliado da digestão
O gengibre é reconhecido pelos seus benefícios para todo o sistema digestivo
- Ajuda a expulsar os gases intestinais
- Estimula a secreção de saliva e de suco gástrico, facilitando assim a decomposição dos alimentos
- Acelera o esvaziamento gástrico, o que é ideal para pessoas que sofrem de sensação de peso no estômago ou de inchaço depois das refeições.
Um apoio ao sistema imunitário
Durante o inverno, o gengibre é um escudo. A sua ação calorífica favorece a transpiração, ajudando a baixar a febre em caso de gripe.
Que precauções devem ser tomadas com o gengibre?
Embora seja natural, o gengibre é potente e não é adequado para todas as pessoas. É indispensável consultar um médico nos seguintes casos:
- Cálculos biliares: ao estimular a produção de bílis, o gengibre pode provocar cólicas hepáticas em pessoas propensas a cálculos
- Distúrbios da coagulação: devido ao seu efeito anticoagulante, não é aconselhável antes de uma intervenção cirúrgica nem para pessoas que estejam a tomar medicamentos anticoagulantes
- Gravidez: embora seja eficaz contra as náuseas, não deve ser consumido em doses excessivas (não mais de 2 gr de gengibre seco por dia) e sempre sob vigilância médica
- Interações medicamentosas: recomenda-se prudência se seguir um tratamento para a hipertensão ou a diabetes, pois o gengibre pode potenciar os efeitos dos medicamentos.
Sabia que?
A história do gengibre está repleta de anedotas que sublinham a sua importância cultural.
Na Grécia Antiga, o gengibre já era consumido no final da refeição, envolvido em pão, para facilitar a digestão. Foi deste hábito que nasceu, muito mais tarde, o famoso «pão de especiarias» medieval.
Na Idade Média, o gengibre era considerado um produto de luxo, tal como a pimenta. Conta-se que uma libra de gengibre valia tanto como um carneiro. Entrava na composição do hipocras, um vinho medicinal muito apreciado à mesa dos reis pelas suas supostas virtudes afrodisíacas. Embora a ciência seja mais prudente quanto a este último ponto, o efeito vasodilatador e tonificante do gengibre explica, sem dúvida, esta reputação persistente, que ainda hoje perdura.
Por fim, na medicina tradicional chinesa, distingue-se cuidadosamente o gengibre fresco (Sheng Jiang) do gengibre seco (Gan Jiang). O primeiro é utilizado para tratar constipações «frias» (arrepios, corrimento nasal transparente), enquanto o segundo, mais quente, é reservado para aquecer os órgãos internos e travar as diarreias crónicas.
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