Ecopastoreio: Que animais escolher para o seu terreno?
Descubra as melhores práticas e os animais ideais
Resumo
Imagine um rebanho de ovelhas a pastar tranquilamente na sua relva, ou cabras a trepar habilmente pelas encostas do seu terreno para eliminar o mato. Não, não se trata de uma cena bucólica retirada de um conto, mas de uma realidade acessível graças ao eco-pastoreio! Este método ancestral de gestão dos espaços verdes está a conhecer um verdadeiro renascimento. Além de reduzir a sua pegada de carbono, transforma o seu terreno num ecossistema próspero e vivo. Preparado para trocar o corta-relvas por alguns amigos de quatro patas? Siga o guia para descobrir os segredos do eco-pastoreio e escolher os animais mais adequados.
O que é o pastoreio ecológico?
O pastoreio ecológico é um método de gestão dos espaços verdes que consiste na utilização de animais herbívoros para manter a vegetação. Ao contrário da manutenção mecânica, o pastoreio ecológico baseia-se no pastoreio natural, em que os animais pastam a erva e as plantas, assegurando assim uma gestão sustentável e ecológica dos terrenos. Esta prática ancestral tem vindo a despertar um interesse renovado devido aos seus numerosos benefícios ambientais, económicos e estéticos.
No âmbito do pastoreio ecológico, pratica-se o chamado pastoreio extensivo, ou seja, o número de animais é reduzido para evitar uma pressão excessiva sobre a flora.
As vantagens do pastoreio ecológico
- Ecológicas: os animais contribuem para a biodiversidade ao favorecerem o crescimento de diferentes espécies vegetais. O pastoreio mantém os prados abertos, impedindo a colonização por arbustos e árvores indesejáveis. Os dejetos animais enriquecem o solo em matéria orgânica, melhorando assim a sua fertilidade e estrutura. Além disso, o pastoreio ecológico reduz a utilização de máquinas pesadas e de produtos químicos, diminuindo as emissões de CO2 e a poluição dos solos e das águas.
- Económicas: são reduzidos os custos associados à aquisição e manutenção dos equipamentos de corte da relva e dos produtos fitofarmacêuticos. A utilização de animais exige, de facto, um investimento inicial nas infraestruturas e nos cuidados veterinários, mas estes custos são frequentemente compensados pelas poupanças obtidas a longo prazo. Além disso, produtos derivados como a lã, o leite ou a carne podem gerar rendimentos adicionais.
- Estéticas: a presença de animais em parques, jardins públicos ou terrenos privados cria uma paisagem viva e dinâmica, em harmonia com a natureza. Esta abordagem natural é considerada mais atrativa e agradável pelos visitantes e pelos residentes. Os animais em pastoreio podem também tornar-se elementos educativos e recreativos, proporcionando oportunidades de aprendizagem e lazer para crianças e adultos.

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Os prados
Os prados são espaços abertos compostos principalmente por gramíneas e plantas herbáceas. São particularmente adequados para o ecopastoreio devido à sua vegetação abundante e à sua acessibilidade. As ovelhas, as cabras e as vacas são animais habitualmente utilizados para o pastoreio nestas zonas. Os prados oferecem uma grande superfície para que os animais possam deslocar-se livremente, o que favorece uma gestão eficaz da vegetação. Além disso, o pastoreio ajuda a manter a diversidade florística, impedindo que determinadas espécies predominem em detrimento de outras.
As zonas arborizadas
As zonas arborizadas apresentam um ambiente mais complexo para o ecopastoreio devido à presença de árvores e de sub-bosques densos. No entanto, algumas espécies animais, como as cabras, são particularmente eficazes na gestão destes espaços. As cabras conseguem comer o mato e os rebentos jovens das árvores, contribuindo assim para a gestão do sub-bosque e para a prevenção dos incêndios florestais. As zonas arborizadas também podem beneficiar da fertilização natural proporcionada pelos excrementos dos animais, melhorando a qualidade do solo.
Os terrenos inclinados
Os terrenos inclinados colocam desafios específicos à manutenção mecânica, o que torna o ecopastoreio numa solução ideal. As ovelhas e as cabras estão bem adaptadas a estes ambientes devido à sua agilidade e à sua capacidade de se deslocarem em encostas íngremes. O pastoreio nos terrenos inclinados ajuda a estabilizar o solo, reduzindo assim a erosão e o escoamento superficial. Além disso, os animais conseguem chegar a zonas de difícil acesso para as máquinas, assegurando uma gestão uniforme da vegetação em todo o terreno.

Os cavalos são adequados para terrenos planos, como os prados
Os espaços urbanos
O ecopastoreio nos espaços urbanos é uma prática cada vez mais popular. Os parques, os terrenos baldios e os jardins públicos podem todos beneficiar do ecopastoreio. Animais como as ovelhas e as cabras são frequentemente utilizados nestes ambientes para manter as relvas e as zonas de vegetação. A integração do ecopastoreio nos espaços urbanos apresenta vantagens educativas e recreativas, proporcionando aos habitantes das cidades uma oportunidade de restabelecerem a ligação com a natureza. Além disso, esta prática pode melhorar o aspeto dos espaços verdes urbanos e contribuir para a biodiversidade local.
Os animais no ecopastoreio
As ovelhas
As ovelhas são os animais mais utilizados no ecopastoreio. São dóceis, fáceis de gerir e eficazes a pastar uma variedade de plantas herbáceas. O seu peso reduzido diminui o impacto no solo, minimizando assim a compactação. As ovelhas também são úteis para evitar o crescimento excessivo das ervas e manter uma altura ideal da vegetação.
Tipos de ovelhas adequados
- Ovelha de Ouessant: pequena e robusta, ideal para espaços pequenos e terrenos de difícil acesso.
- Ovelha Merino: conhecida pela lã de alta qualidade, é também muito eficaz no pastoreio.
- Ovelha Soay: rústica e adaptável, é perfeita para terrenos acidentados e climas variados.
As cabras
As cabras são particularmente eficazes na gestão do mato e dos rebentos jovens das árvores, o que as torna ideais para zonas arborizadas e terrenos invadidos pela vegetação. São ágeis e conseguem chegar a zonas de difícil acesso para outros animais. As cabras também são conhecidas pela capacidade de controlar espécies invasoras.
Tipos de cabras adequados
- Cabra Alpina: versátil e resistente, adapta-se a vários tipos de terreno.
- Cabra Boer: conhecida pelo grande porte e pela capacidade de pastar vegetação densa.
- Cabra Kiko: rústica e pouco exigente em termos de manutenção, é ideal para ambientes difíceis.

Ovelhas Soay no castelo de Lude, em Sarthe (© Château du Lude), e cabra Boer
As vacas
As vacas são utilizadas no ecopastoreio em grandes superfícies. Pastam eficazmente a erva alta e as plantas herbáceas, contribuindo para a gestão das pastagens e dos grandes espaços abertos. O seu peso mais elevado ajuda a quebrar o solo compactado, melhorando assim a estrutura do solo e a infiltração da água.
Tipos de vacas adequados
- Vaca Highland: robusta e resistente às intempéries, adapta-se aos climas frios.
- Vaca Hereford: conhecida pela facilidade de criação e pela capacidade de se adaptar a vários ambientes.
- Vaca Dexter: pequena e ágil, é ideal para pequenas propriedades e terrenos variados.
- Vaca Galloway: robusta e muito rústica, adapta-se aos climas frios e húmidos.
Os cavalos
Os cavalos são utilizados no pastoreio de grandes superfícies e terrenos abertos. São eficazes a pastar a erva alta e podem também ajudar a controlar certas espécies de plantas. A sua presença em espaços verdes urbanos ou parques acrescenta uma dimensão estética e recreativa.
Tipos de cavalos adequados
- Cavalo Shetland: pequeno e robusto, é ideal para pequenas superfícies e terrenos difíceis.
- Cavalo Fjord: resistente e versátil, adapta-se a climas variados.
- Cavalo Haflinger: conhecido pela habilidade para trabalhar em ambientes difíceis, adapta-se a terrenos acidentados.

Vaca Dexter e cavalos Haflinger
Os outros animais (lamas, burros…)
As lamas e os burros são utilizados no ecopastoreio, sobretudo em ambientes específicos. As lamas são eficazes a pastar os arbustos e as plantas lenhosas, enquanto os burros são úteis em terrenos inclinados e de difícil acesso.
Tipos adequados
- Lama: robusto e pouco exigente em termos de manutenção, adapta-se a terrenos arborizados e acidentados.
- Burro de Poitou: conhecido pela resistência e pela capacidade de trabalhar em ambientes difíceis.
- Mula: resistente e versátil, é ideal para terrenos inclinados e variados.

Burro de Poitou e lamas
O que diz a lei?
Para que o ecopastoreio funcione e para começar nas melhores condições, é indispensável pedir aconselhamento a especialistas logo no início do projeto. Saberão orientar da melhor forma na escolha dos animais e nos cuidados a prestar.
Legislação em França
Administração e identificação: qualquer pessoa que pretenda utilizar animais para o ecopastoreio deve dispor de um número de exploração emitido pelos serviços competentes. Os animais devem ser identificados de acordo com as regras em vigor, incluindo brincos auriculares para ovinos e caprinos. Deve ser mantido um registo de exploração e os animais devem beneficiar de um acompanhamento sanitário regular assegurado por um veterinário responsável.
Bem-estar animal: as condições de vida dos animais devem respeitar as disposições do Código Rural, garantindo que não sofrem de fome, sede, limitações físicas, dores ou doenças e que podem manifestar comportamentos normais.
Transporte e gestão: as regras relativas ao transporte de animais vivos e ao bem-estar animal também se aplicam. As infraestruturas, como vedações e abrigos, devem ser adequadas para garantir a segurança e o conforto dos animais. Os espaços devem ser bem delimitados para prevenir o sobrepastoreio e assegurar uma rotação das pastagens.
→ Para mais informações, visite o site da Federação Francesa de Ecopastoreio e Ecopastoralismo.
Legislação na Bélgica
Número de exploração: os detentores de animais devem estar registados e dispor de um número de exploração. Os animais devem ser identificados com marcas oficiais e deve ser mantido atualizado um registo dos movimentos dos animais.
Bem-estar animal: as leis belgas relativas ao bem-estar animal estipulam que os animais devem ter acesso a alimentos e água em quantidade suficiente e estar protegidos contra as intempéries. Os abrigos devem ser adequados para proporcionar um refúgio apropriado em função das condições climáticas.
Transporte e cuidados: o transporte dos animais deve cumprir os regulamentos da União Europeia, que estipulam que os animais devem ser transportados em condições que minimizem o stress e os ferimentos. É também obrigatório um acompanhamento veterinário regular para prevenir doenças e garantir a saúde dos animais.

Um abrigo protege os animais da chuva e do frio
Como escolher o animal de que precisará?
Ao escolher os animais, é necessário ter em conta vários fatores:
- Dimensão : a área do terreno influenciará o número e o tipo de animais necessários. As grandes pradarias podem acolher vacas ou cavalos, enquanto os terrenos mais pequenos são mais adequados para ovelhas ou cabras.
- Tipo de vegetação : a vegetação dominante deve orientar a escolha dos animais. As cabras são ideais para zonas arborizadas e cobertas de mato, enquanto as ovelhas se adaptam melhor às pradarias relvadas.
- Clima : o clima local influencia a robustez e a resistência dos animais. É fundamental escolher espécies adaptadas às condições climáticas da sua região, para garantir o seu bem-estar e a sua eficácia.
- Ambiente : é importante garantir que os animais não perturbam os ecossistemas existentes e contribuem positivamente para a biodiversidade.

Escolha em função da resistência dos animais ao frio, de acordo com a sua região.
Instalação no seu terreno
Preparação do terreno
É importante começar por avaliar o estado atual da vegetação e do solo. Isto inclui a identificação das espécies vegetais presentes e a determinação de qualquer vegetação indesejável que possa exigir uma gestão prévia. Em seguida, o terreno deve ser preparado para receber os animais. Será necessário limpar os detritos, eliminar as plantas tóxicas para os animais e melhorar os acessos aos pontos de água.
Infraestruturas necessárias
Para apoiar o pastoreio ecológico, é essencial instalar as infraestruturas adequadas:
- Vedações: são necessárias vedações sólidas e bem conservadas para manter os animais nas zonas designadas e protegê-los dos predadores. O tipo de vedação dependerá das espécies animais escolhidas. Por exemplo, as vedações elétricas podem ser eficazes para ovelhas e cabras, enquanto podem ser necessárias vedações mais robustas para vacas e cavalos.
- Abrigos: os animais precisam de abrigos para se protegerem das intempéries, como a chuva, o vento e o girassol perene intenso. Os abrigos devem ser adequados ao tamanho e ao número de animais, oferecendo espaço suficiente para que cada animal possa repousar confortavelmente. Estruturas simples, como telheiros ou cabanas, podem ser suficientes.
- Pontos de água: o acesso constante a água limpa e fresca é essencial para os animais em pastoreio. Devem estar disponíveis bebedouros automáticos ou pontos de água naturais, que devem ser verificados regularmente para evitar a contaminação.
Gestão dos animais
Uma gestão atenta e regular dos animais é indispensável para garantir o sucesso do pastoreio ecológico:
- Alimentação: embora os animais se alimentem principalmente da vegetação do terreno, pode ser necessário complementar a sua alimentação, sobretudo durante os períodos de menor crescimento da erva. Podem ser fornecidos suplementos nutricionais e minerais para assegurar uma alimentação equilibrada.
- Cuidados veterinários: as vacinações, os tratamentos antiparasitários e os controlos de rotina são essenciais para manter a saúde dos animais. É igualmente importante vigiar os sinais de doença ou ferimento e prestar cuidados imediatos, se necessário.
- Vigilância: é necessária uma vigilância constante para garantir que os animais se mantêm saudáveis e que o terreno é gerido eficazmente. Este acompanhamento regular permite ajustar as práticas de gestão de acordo com as necessidades e as condições variáveis.

Um controlo sanitário dos animais é indispensável.
Manutenção e acompanhamento
Controlo da vegetação
É importante vigiar regularmente o estado da vegetação para garantir que é pastada de forma uniforme e que nenhuma espécie se torna dominante em detrimento das outras. Esta vigilância permite manter um equilíbrio entre as diferentes plantas, favorecendo a biodiversidade e prevenindo a propagação de plantas invasoras. Consoante as observações, poderá ser necessário deslocar os animais para novas zonas para evitar o sobrepastoreio, que pode esgotar o solo e prejudicar a regeneração das plantas.
Saúde e bem-estar dos animais
Os animais devem ser examinados continuamente para detetar qualquer sinal de doença, ferimento ou stresse. Deve prestar-se especial atenção à sua alimentação e hidratação, sobretudo em condições meteorológicas extremas. Poderá ser necessário fornecer suplementos alimentares e minerais para manter uma boa condição física. Além disso, é importante garantir que os animais dispõem sempre de abrigos adequados contra as intempéries.
Acompanhamento ecológico (impacto na biodiversidade e no solo)
Os levantamentos regulares da flora podem revelar alterações na composição das espécies vegetais, indicando uma gestão bem-sucedida ou a necessidade de ajustes. O acompanhamento das populações de insetos, aves e pequenos mamíferos por entidades competentes fornecerá também indicações sobre a biodiversidade global.
No que diz respeito ao solo, é importante vigiar indicadores de saúde, como o teor de matéria orgânica, a estrutura do solo e a atividade microbiana. As análises periódicas do solo permitirão detetar sinais de compactação, erosão ou desequilíbrios nutricionais.
O caso particular do ecopastoreio aplicado a um jardim
O ecopastoreio não se destina apenas a grandes prados e parques públicos. Cada vez mais particulares descobrem as vantagens de ter animais herbívoros para manter o jardim. Este método ecológico oferece uma alternativa natural ao corte mecânico da relva e contribui para a biodiversidade. Eis tudo o que precisa de saber para implementar o ecopastoreio no jardim.
Animais a escolher
Para os jardins particulares, as ovelhas e as cabras são as opções mais populares.
- As ovelhas: as ovelhas de Ouessant são particularmente adequadas para jardins pequenos, graças ao seu pequeno porte e à sua natureza dócil. Alimentam-se principalmente de erva e mantêm a vegetação numa altura ideal.
- As cabras: as cabras anãs ou as cabras dos fossos são ideais para jardins com arbustos ou mato. São ágeis e podem alimentar-se de uma grande variedade de plantas, incluindo silvas e rebentos jovens de árvores.
- As galinhas: embora não sejam herbívoras estritas, as galinhas podem ajudar a controlar as ervas daninhas e os insetos, fornecendo simultaneamente ovos frescos.
Quantos animais?
O número de animais a introduzir depende da área do jardim e da densidade da vegetação.
- Para um jardim com 500 m² a 1000 m², geralmente bastam uma ou duas ovelhas de Ouessant para manter o espaço sem sobrecarregar o terreno.
- As cabras, devido à sua alimentação mais diversificada, podem necessitar de uma área ligeiramente maior. Uma cabra por cada 1000 m² de terreno é uma boa regra de base.
- Para as galinhas, conte com 4 a 5 galinhas para um jardim de 200 m².
A partir de que área?
O ecopastoreio é viável mesmo em áreas relativamente pequenas. Um jardim de 500 m² já pode beneficiar da presença de um pequeno rebanho de ovelhas ou cabras. Para as galinhas, até um espaço de 100 m² pode ser suficiente.
Legislação
Antes de introduzir animais no jardim, é importante verificar a legislação local.
- Declarações: em França, a introdução de ovelhas ou cabras exige uma declaração junto da Direção Departamental da Proteção das Populações (DDPP). Será atribuído um número de exploração, mesmo para uma utilização doméstica.
- Necessidades específicas: as cabras e as ovelhas devem ser identificadas com uma marca auricular, e as cabras podem necessitar de um teste de brucelose.
- Regras locais: alguns municípios impõem restrições à detenção de animais de quinta em zonas urbanas. Informe-se junto da câmara municipal sobre os regulamentos relativos a eventuais incómodos e às distâncias mínimas em relação às habitações vizinhas.
- Necessidades de espaço: certifique-se de que o jardim oferece espaço suficiente e condições adequadas ao bem-estar dos animais (abrigos, pontos de água e vedações apropriadas).

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