Manutenção ecológica da relva: siga o nosso guia prático!
Adote práticas sustentáveis para uma relva saudável e ecológica
Resumo
A palavra relva, sobretudo quando se assemelha a um green de golfe, raramente combina com ecologia. No entanto, é perfeitamente possível conciliar um jardim muito natural e resiliente com uma relva bem cuidada. Naturalmente, deverá esquecer uma rega excessiva e um corte demasiado curto e frequente, adotando antes uma gestão mais sustentável da relva, que passará por escolher uma relva mais resistente ou uma alternativa mais adequada ao seu solo ou clima. Por fim, também é possível adotar uma gestão diferenciada, que proporcionará um aspeto muito estético e um apoio mais do que bem-vindo à biodiversidade do jardim. Mas como fazer para manter uma relva bonita de forma sustentável e ecológica? Descubra tudo nesta ficha prática.
A escolha do tipo de relva
Ao criar ou renovar a relva, a escolha da espécie ou do tipo de relva é crucial. É essencial optar por uma variedade adaptada às características climáticas e ao tipo de solo da região. Analisar a composição do solo, a drenagem, a exposição solar e a frequência da chuva ajudará a selecioná-la de modo a que se desenvolva com o mínimo de intervenção possível, reduzindo assim o impacto ambiental. Cada ambiente exige um tipo de relva específico. Antes de iniciar a sementeira, determine também a utilização prevista para a relva: trata-se de um espaço à sombra, de um solo que seca no verão ou permanece húmido no inverno, argiloso ou arenoso? Destina-se a atividades de lazer, campos desportivos, ornamentação, uma área de jogos para crianças ou procura uma relva rústica ou para reparação do relvado?
→ Está com dúvidas na escolha da relva? Este guia ajudá-lo-á: Que relva escolher?
A escolha de variedades resistentes e pouco exigentes em água
As variedades de relva resistentes à seca e pouco exigentes em água são uma bênção para a manutenção ecológica dos jardins. Estas espécies necessitam de menos rega, o que diminui o consumo de água e reduz a necessidade de tratamentos químicos em períodos de stress hídrico. Ao optar por misturas de gramíneas que contenham espécies resistentes como a poa-dos-prados ou a festuca-alta (por exemplo: a mistura «relva para terrenos secos»), não só reduzirá o consumo de água, como também incentivará a biodiversidade no jardim, contribuindo para um ecossistema mais resiliente.
Alternativas à relva tradicional
Para quem procura soluções ainda mais ecológicas, considerar alternativas à relva tradicional pode ser uma opção sensata. As plantas de cobertura, como a Zoysia tenuifolia, a pratia ou o tomilho-rasteiro, oferecem uma bela cobertura verde, necessitando de menos água, cortes e cuidados do que as relvas tradicionais. Estas alternativas atraem também os polinizadores, podem enriquecer o solo com azoto (sobretudo no caso dos trevos) e mantêm uma boa cobertura vegetal que minimiza a erosão. Optar por substituir total ou parcialmente a relva por estas alternativas contribuirá para a biodiversidade, reduzindo simultaneamente a pegada ecológica.
→ Sophie propõe uma bela seleção de alternativas à relva em Que alternativa à relva escolher?

A grama-coreana, a pratia e o tomilho-rasteiro são alternativas às relvas tradicionais.
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Como escolher bem o seu corta-relvaSementeira da relva
Em geral, as melhores épocas para semear a relva são a primavera e o outono. A primavera, de março a maio, é ideal, pois as temperaturas começam a subir, favorecendo um crescimento rápido antes do calor do verão. O outono, do final de agosto a outubro, permite que os rebentos jovens se desenvolvam enquanto as temperaturas são amenas e a precipitação é mais frequente, reduzindo a necessidade de rega adicional.
A sementeira
- Preparação do solo: antes de semear, é essencial preparar o terreno. Retire todas as ervas daninhas e os detritos do solo e trabalhe-o em profundidade para o arejar. Um solo bem preparado permite uma melhor absorção da água e uma boa instalação das raízes.
- Melhoria do solo: consoante a qualidade do solo, poderá ser benéfico adicionar composto ou um corretivo orgânico para o enriquecer com nutrientes. Isto ajuda a conservar a humidade e a fornecer os elementos nutritivos essenciais ao crescimento da relva.
- Escolha das sementes: selecione sementes adaptadas à região climática e às condições específicas do jardim. São preferíveis variedades resistentes às doenças e adaptadas à quantidade de luz solar e ao tipo de solo do jardim.
- Técnica de sementeira: semeie uniformemente para evitar zonas pouco densas. A utilização de um semeador pode ajudar a distribuir as sementes de forma regular. Certifique-se de que as sementes ficam em contacto direto com o solo, o que geralmente implica passá-las com um rolo ou cobri-las ligeiramente com terra.
- Rega: depois da sementeira, mantenha o solo uniformemente húmido, mas não encharcado. A rega frequente em pequenas quantidades é essencial até a relva ficar bem estabelecida. Assim que as raízes se desenvolverem, poderá reduzir a frequência da rega, incentivando a relva a tornar-se mais resistente à seca.
- Manutenção inicial: evite caminhar sobre a relva recém-semeada até esta ficar bem estabelecida. O primeiro corte deve ser efetuado quando a relva atingir uma altura de 8 a 10 cm, cortando apenas o terço superior para evitar sujeitar os rebentos jovens a stress.

Selecione sementes de acordo com a exposição solar e os períodos de seca da sua região… entre outros fatores.
Rega da relva: será realmente ecológica?
Gastar água tão preciosa, mesmo que seja água da chuva recolhida, apenas para manter a relva bem verde é uma verdadeira heresia! Muitas vezes, rega-se a relva com demasiada frequência. É importante saber que uma relva amarela e relativamente seca durante os verões quentes e secos é perfeitamente normal. Recuperará a cor verde assim que regressarem as chuvas. Por isso, se o aspeto amarelado não incomodar, esqueça a rega, será ainda mais ecológico.
Existem também tipos de relva mais resistentes à seca, como as misturas compostas por festuca alta e trevo. Escolher alternativas à relva para solos secos, ou mesmo muito secos, é igualmente uma boa solução: tomilho-lanoso, Zoysia tenuifolia ou a hernária são boas opções. Por fim, deixar a natureza agir, permitindo que a relva cresça (ver mais abaixo o caso da gestão diferenciada) tornará esta última mais resiliente face às adversidades meteorológicas do que uma relva cortada rente.

Esqueça a rega sistemática e a imagem de uma relva à inglesa.
Fertilizantes e corretivos de solo naturais
Os adubos orgânicos libertam os nutrientes lentamente, melhoram a estrutura do solo e estimulam a atividade biológica.
- Composto: rico em nutrientes, o composto é um corretor de solo completo, que melhora a fertilidade e a textura do solo. Ajuda a reter a humidade e favorece a atividade dos micro-organismos benéficos.
- Estrume: depois de bem compostado, o estrume de cavalo, de vaca ou de galinha (o ideal é utilizar os três em simultâneo) pode ser um excelente adubo, rico em azoto, fósforo e potássio.
- Adubo verde: plantar ou semear fabáceas (leguminosas), como o trevo ou a luzerna, ajudará a fixar o azoto atmosférico no solo, enriquecendo assim naturalmente a relva sem qualquer fornecimento externo.
- Chá de composto: esta infusão líquida pode ser pulverizada diretamente sobre a relva, fornecendo rapidamente nutrientes e estimulando simultaneamente a microfauna do solo.
- Outras opções biológicas: produtos como o sangue seco, a farinha de ossos e o guano são fontes concentradas de nutrientes específicos, que favorecem o crescimento das plantas sem os efeitos prejudiciais dos adubos químicos.
De qualquer forma, a adubação deve ser realizada de forma ponderada, para maximizar os benefícios e minimizar simultaneamente o impacto no ambiente. Antes de adubar, é aconselhável realizar uma análise do solo. Isso vai permitir-lhe compreender as carências específicas do solo e ajustar a adubação em função das necessidades reais da relva, evitando assim uma aplicação excessiva. Quanto à época, o início da primavera é ideal para a primeira aplicação, de modo a estimular o crescimento depois do inverno. Uma aplicação no outono pode ajudar a preparar a relva para o inverno, reforçando as raízes. Evite adubar imediatamente antes de uma chuva intensa, para prevenir o escoamento dos nutrientes.

O composto peneirado é um dos adubos naturais mais benéficos para a relva.
Controlo das ervas-daninhas: é mesmo necessário intervir?
Uma relva densa e bem cuidada deixa pouco espaço para as «ervas daninhas». Semeie regularmente sementes de relva para preencher as zonas mais rarefeitas e manter uma cobertura vegetal uniforme. Além disso, uma altura de corte mais elevada favorece geralmente a saúde das gramíneas e inibe o desenvolvimento das ervas-daninhas, limitando a sua exposição à luz.
No entanto, aceitar algumas ervas-daninhas, ou plantas espontâneas, na relva pode desempenhar um papel fundamental na criação de uma relva mais resiliente e benéfica para a biodiversidade. As ervas-daninhas têm frequentemente uma maior capacidade de adaptação a condições climáticas extremas, como a seca ou as chuvas intensas, em comparação com as relvas tradicionais. Ao integrar plantas como o trevo, que tolera bem a seca e fixa o azoto no solo, a relva pode manter-se verde e saudável sem necessidade de rega ou de uma fertilização excessiva.
As «ervas daninhas» não são claramente más, muito pelo contrário! Atraem e alimentam uma grande variedade de insetos polinizadores e outros animais selvagens. Por exemplo, as flores do trevo (sim, ainda ele!) constituem uma fonte de alimento para as abelhas e outros insetos benéficos que, por sua vez, contribuem para a polinização do jardim. Por fim, uma relva que inclua ervas-daninhas necessita geralmente de menos cortes, menos rega e menos tratamentos contra doenças e pragas, uma vez que estas plantas proporcionam estabilidade e resistência naturais. Em suma, vale a pena deixar as plantas crescer na relva: só há vantagens!

O trevo mantém o seu aspeto bem verde na relva.
Uma ceifa responsável
O corte da relva é uma parte importante da manutenção e dos cuidados a ter com a relva. Mas atenção para não fazer tudo de qualquer maneira! Eis algumas técnicas de corte que favorecem tanto a saúde da relva como a proteção do ambiente:
- Altura de corte adequada: é importante não cortar a relva demasiado rente. A altura ideal varia consoante o tipo de relva, mas, em geral, recomenda-se não retirar mais de um terço da altura da erva em cada corte. Isto permite manter uma relva mais densa, capaz de resistir melhor às ervas daninhas, às secas e às doenças.
- Frequência de corte: adapte a frequência do corte às condições de crescimento. Cortar a relva com demasiada frequência pode causar stress à erva, enquanto cortar com pouca frequência pode provocar uma acumulação de colmo e sufocar a relva. A frequência ideal depende das condições meteorológicas, do tipo de relva e da estação do ano, mas considera-se um máximo de uma vez por semana na primavera e de duas em duas semanas no verão, com um último corte no final de outubro.
- Mulching: consiste em deixar os cortes de relva sobre a relva depois do corte. Estas aparas de erva decompõem-se rapidamente e devolvem nutrientes valiosos ao solo, o que pode reduzir a necessidade de fertilização adicional.
- Corte alternado: altere o padrão de corte em cada sessão, para evitar compactar o solo e cansar a erva sempre na mesma direção. Isto ajuda a prevenir a formação de rodadas e favorece um crescimento uniforme.
A palavra do Oli : e se se experimentasse um corte diferenciado ou racional? É fácil: deixa-se a erva crescer em determinadas zonas e corta-se apenas ao nível dos caminhos ou de algumas superfícies, se assim se desejar. As áreas «selvagens» florescerão e servirão de abrigo e de fonte de alimento para a fauna do jardim. As áreas cortadas, por sua vez, darão um aspeto cuidado ao jardim. É ecológico, económico e também muito bonito. Para saber mais sobre o tema, leia o nosso artigo sobre o corte diferenciado.

A altura de corte é fundamental na rotina de corte: nem demasiado rente, nem demasiado alta.
Escolher bem o corta-relva
- Escolher corta-relvas mais «ecológicos»: optar por corta-relvas elétricos ou a bateria, em vez de modelos a gasolina, pode reduzir consideravelmente as emissões de carbono. Os corta-relvas elétricos são também mais silenciosos e requerem menos manutenção mecânica. No entanto, este tipo de corta-relva só é adequado para superfícies de corte até 1000 m². Para áreas maiores, será provavelmente necessário adotar um corta-relva térmico (a gasolina) ou optar por uma gestão diferenciada da relva.
- Manutenção regular: manter os corta-relvas em bom estado é essencial para garantir a sua eficácia e durabilidade. Isto inclui a afiação regular das lâminas, para obter um corte limpo que cause menos stress à erva e deixe a relva mais saudável.
- Inovações tecnológicas: pondere a utilização de corta-relvas robotizados, que podem ser programados para cortar a relva com uma frequência e a uma altura específicas, otimizando assim a saúde da relva e poupando energia. Mas não o programe, de forma alguma, para trabalhar durante a noite!
- Redução da utilização de corta-relvas a gasolina: se a utilização de um corta-relva a gasolina for inevitável, nomeadamente no caso de um jardim muito grande, certifique-se de que o regula corretamente, para maximizar a eficiência do combustível e minimizar as emissões. Opte por modelos recentes que respeitem as normas ambientais atuais em matéria de emissões.
Reciclagem dos resíduos de corte de relva
Reciclar os resíduos dos cortes de relva é uma prática ecológica que enriquece o solo e melhora a saúde do jardim. Eis como pode utilizar estes resíduos verdes:
- Compostagem: os cortes de relva são um excelente complemento para o composto, devido à sua riqueza em azoto, um elemento essencial para a decomposição. Certifique-se de que mistura os cortes de relva com materiais ricos em carbono, como folhas secas ou papel e cartão, para equilibrar o composto. Isto favorece uma decomposição rápida e evita odores desagradáveis.
- Utilização como cobertura morta: os cortes de relva também podem ser utilizados diretamente como cobertura morta na relva e nos canteiros. Ao espalhá-los numa camada fina sobre a relva, decompõem-se rapidamente e devolvem os nutrientes ao solo. Esta técnica, conhecida como mulching, ajuda a reter a humidade, elimina as ervas daninhas e nutre o solo.
Leia também...
→ Descubra o livro Crio a minha relva ecológica, refúgio de biodiversidade, da autoria de Aymeric Lazarin, publicado pelas edições Terre Vivante.
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