Resumo

Modificado 0,01  por Olivier 5 min.

É muitas vezes difícil confiar num calendário de sementeiras, podas ou tratamentos, pois, consoante o clima ou mesmo as condições meteorológicas, tudo pode mudar! E sim, a primavera ou o inverno não chegam à mesma hora no Porto e no Algarve… Felizmente, a natureza é sábia e sabe dar-nos o sinal certo. Basta observar as plantas e os animais que nos rodeiam para saber se é realmente o momento certo para realizar esta ou aquela tarefa no jardim. É o que se designa por indicadores fenológicos! Eis tudo o que é preciso saber sobre a fenologia e as suas aplicações concretas.

Dificuldade

O que é a fenologia?

A Fenologia é uma ciência, como indica o sufixo “logos“. E mesmo uma ciência relativamente recente, pois só surgiu por volta do século XIX. O termo “fenologia” poderia ser traduzido do grego da seguinte forma: estudo do que é aparente. Ou, mais precisamente e segundo a definição oficial: o estudo do aparecimento de eventos periódicos no mundo vivo, determinado pelas variações sazonais do clima (duração do dia, temperatura, humidade relativa do solo ou da atmosfera…).

Em resumo, vamos observar os eventos naturais que nos rodeiam na natureza ou no interior do próprio jardim: partida ou regresso da migração de certas aves, despertar da hibernação, abrolhamento ou, pelo contrário, queda das folhas de certas árvores e arbustos, floração na primavera, aparecimento de larvas de insetos…

os indicadores fenológicos, o que são?

O abrolhamento dos arbustos é um bom indicador fenológico para o jardineiro

Tudo isto pode parecer muito aleatório, até um pouco místico. No entanto, não é assim. É mesmo algo de todo sério e científico!

Nota: acima, foi mencionado que a fenologia é uma ciência recente. Não nos esqueçamos, porém, que há milénios os seres humanos observam as plantas e os animais para as suas culturas e colheitas. Esquecemo-nos um pouco disso nos dias de hoje, mas os nossos avós prestavam-lhe atenção. Seria bom voltar a fazê-lo…

A fenologia em socorro das sementeiras e das plantações

Como dizia Folko Kullman: “Preste atenção ao aparecimento dos gomos, à evolução das folhas, à frutificação das árvores… Quando a macieira e o lilás florescem, por exemplo, é um sinal evidente do início da primavera; segue-se o sabugueiro e o pilriteiro: é o início do verão; depois os colquícos abrem-se e as árvores perdem as folhas: é o outono, claro!”

A fenologia, a observação da natureza que nos rodeia, pode fornecer-nos muitas indicações. Nomeadamente para o início das sementeiras na horta e no jardim ornamental. Na prática, as datas de sementeira indicadas nas embalagens de sementes dão uma indicação do melhor período para semear, mas esse “momento ideal” varia consoante a região onde se situa o jardim. Exemplo: não é raro ver indicado nas embalagens de feijões anões ou trepadeiros: sementeira possível a partir do mês de abril. Certamente… mas no Sul de França! Posso garantir que na minha fria e húmida Bélgica e no meu solo argiloso (igualmente frio e húmido), uma sementeira de feijões antes do final de maio, ou mesmo início de junho, está votada ao fracasso.

o que são os indicadores fenológicos?

Recorra aos indicadores fenológicos para realizar as suas sementeiras no momento certo!

Eis alguns exemplos práticos de utilização dos indicadores fenológicos para as suas sementeiras:

  • À floração da cerejeira-cornalina: terminam-se as plantações de árvores e arbustos de raízes nuas;
  • À floração da forsítia: tentam-se as sementeiras de legumes de folha e de ervilhas;
  • Quando o relvado está suficientemente alto para a primeira tosa: pode semear-se rabanetes, espinafres, alface, alhos-franceses e salsa. E plantar cebola e echalota;
  • À floração das macieiras: semeiam-se acelgas, beterrabas, cenouras, couves e aipo-dos-pântanos;
  • À floração do lilás: plantam-se as batatas-inglesas e lança-se um olhar às embalagens de feijões;
  • À floração das roseiras: plantam-se os tomates, os pimentos, os pimentos picantes e as beringelas em plena terra, assim como as curgetes e os pepinos.

A nota do Oli: quando era miúdo, o meu pai, ornitólogo amador, esperava o regresso migratório da felosa-comum e sobretudo o seu canto característico (tchif-tchaf tchif-tchaf) por volta do final de fevereiro antes de dar início às sementeiras na horta. Devia tê-lo ouvido (ao meu pai e à felosa!), isso ter-me-ia poupado algumas desilusões…

A fenologia também dá luz verde para as podas

A fenologia pode também dar uma boa indicação para a poda das árvores de fruto, dos arbustos ou das roseiras. Assim, a floração da forsítia dá luz verde para a poda das roseiras no final do inverno. Enquanto que o abrolhamento das árvores de fruto indica o momento certo para as podar.

A fenologia deve também ser tida em conta nos tratamentos.

A fenologia é levada muito a sério pelos produtores de fruta, pelos agricultores e pelos viticultores. Nomeadamente no caso de um tratamento para certas doenças ou parasitas. Os profissionais não se podem dar ao luxo de tratar “ao acaso”. Têm então necessidade de datas precisas.

Têm em conta a meteorologia, a temperatura, o clima, o estado de desenvolvimento das árvores ou dos frutos, mas sobretudo o aparecimento de eventuais predadores ou parasitas. Assim, podem tratar no momento mais oportuno.

Existem dados para cada espécie de plantas em cultivo e para cada tratamento. Assim, os produtores sabem exatamente quando colocar as armadilhas ou tratar as árvores e as videiras.

Podemos, evidentemente, inspirar-nos nisto nos nossos próprios jardins.

os indicadores fenológicos, o que são?

Os indicadores fenológicos permitem também tratar no momento oportuno

A fenologia cuida da nossa saúde

A fenologia é também muito importante para ajudar as pessoas alérgicas aos pólenes. Com efeito, esta ciência permite conhecer com precisão os períodos mais problemáticos, tanto para diferentes espécies como para diferentes locais.

Outras aplicações da fenologia

A fenologia intervém igualmente no caso das polinizações cruzadas. É necessário escolher variedades diferentes de árvores de fruto (pereiras, macieiras…) cujas datas de floração coincidam, caso contrário, não se obterá polinização. Pode parecer muito simples: basta consultar as datas de floração nas etiquetas. No entanto, na prática, as datas de floração podem variar consoante o solo, a exposição e o clima. Para evitar problemas futuros, informe-se junto de profissionais ou entusiastas da sua região para a escolha das variedades de árvores de fruto!

Nota: também é possível optar por variedades autoférteis que se “desenrascam” sozinhas.

As suas próprias observações também podem ser uma boa indicação

Nem tudo se encontra sempre nos livros e, por vezes, o comportamento das plantas pode variar de jardim para jardim. É mesmo frequentemente o caso. Nada é mais valioso, neste caso, do que as suas próprias observações, que irá compilando pacientemente em cadernos ao longo dos anos. Uma colega que vive no Sul, Elizabeth, fazia-me notar que, quando o Ipheon está em botão, as suas tartarugas terrestres saíam da hibernação (e vice-versa). Aliás, apelidou esta planta de: a estrela das tartarugas.

Faça como ela e faça as suas próprias observações. Temos curiosidade em conhecê-las, por isso não hesite em partilhá-las nos comentários.

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