Os ácaros trombiculídeos no jardim: como identificá-los e proteger-se deles?
Tudo o que precisa de saber sobre estes pequenos parasitas
Resumo
Os ácaros trombiculídeos, ou ácaros-vermelhos, são as larvas de certos ácaros, particularmente ativos no verão e no início do outono. Minúsculos e de cor vermelho-alaranjada, alimentam-se das células da pele dos seres humanos e dos animais, provocando comichão intensa e irritações.
No jardim, os ácaros trombiculídeos escondem-se nas relvas, nas ervas altas e nas zonas húmidas, tornando as atividades ao ar livre por vezes desconfortáveis. Estes parasitas não transmitem doenças graves, mas as suas picadas podem perturbar a tranquilidade e a dos animais de companhia.
→ Neste artigo, descubra tudo o que precisa de saber sobre os ácaros trombiculídeos: o seu ciclo de vida, como identificá-los, prevenir o seu aparecimento e livrar-se deles naturalmente.
Os ácaros trombiculídeos: quem são?
Descrição
Os ácaros trombiculídeos são criaturas minúsculas que fazem parte dos ácaros. Quando se encontram no estado larvar, são quase invisíveis a olho nu, o que torna a sua deteção bastante difícil. Eis algumas características que ajudam a identificá-los:
- Tamanho: as larvas dos ácaros trombiculídeos medem cerca de 0,2 a 0,3 milímetros, o equivalente ao tamanho de um grão de pimenta. Com este tamanho minúsculo, é muito fácil não reparar na sua presença, pois parecem pequenas manchas na pele ou nas plantas.
- Cor: apresentam uma cor vermelha a alaranjada, o que as torna um pouco mais visíveis, sobretudo quando se reúnem em grande número. A sua cor viva é uma das poucas características que pode ajudar a identificá-las a olho nu, especialmente numa superfície clara, como a pele humana ou um tecido leve.
- Aspeto: no estado larvar, os ácaros trombiculídeos têm uma forma arredondada e ligeiramente achatada. O corpo está coberto de pelos finos e curtos, que lhe conferem um aspeto felpudo. Se fosse possível observá-los de perto, seria possível reparar nas suas seis patas (as larvas dos ácaros têm seis patas, ao contrário dos adultos, que têm oito). O seu pequeno tamanho e o aspeto peludo permitem-lhes fixar-se facilmente à pele, à roupa ou aos pelos dos animais.

Neotrombicula autumnalis
Comportamento e hábitos
Os ácaros trombiculídeos tendem a preferir determinados ambientes onde conseguem encontrar facilmente um hospedeiro para se alimentarem:
- Preferência por zonas húmidas e relvadas: os ácaros trombiculídeos gostam de ambientes quentes, húmidos e ricos em vegetação. Encontram-se frequentemente em relvados, ervas altas, arbustos, jardins mal cuidados, campos e até em parques públicos. Preferem as zonas sombreadas, onde a humidade é mais elevada, o que os protege do calor excessivo e da dessecação.
- Comportamento de espera: as larvas dos ácaros trombiculídeos sobem pelos caules da relva, pelas folhas baixas ou por outras superfícies vegetais para aguardarem a passagem de um possível hospedeiro. Agarram-se a tudo o que passa ao seu alcance, seja uma pessoa, um animal doméstico ou outro pequeno mamífero. São particularmente ativas durante o dia, sobretudo de manhã e ao fim da tarde, quando as condições de humidade são ideais.
- Época de atividade: os ácaros trombiculídeos estão principalmente ativos de julho a setembro, daí o seu nome. É durante este período quente e húmido que as larvas emergem e procuram ativamente hospedeiros para se alimentarem. Fora desta época, os adultos e as ninfas, que são menos problemáticos para as pessoas e os animais, continuam o seu ciclo de vida no solo.
- Zonas do jardim mais afetadas: no jardim, as zonas mais afetadas pelos ácaros trombiculídeos são os relvados, as bordaduras dos canteiros de flores, as sebes e as zonas relvadas. Os locais onde a vegetação é densa e o solo permanece húmido são particularmente propícios à sua presença. Os montes de folhas mortas, os restos vegetais e as zonas sombreadas também são refúgios ideais para os ácaros trombiculídeos.

As zonas relvadas são favoráveis aos ácaros trombiculídeos
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Os ácaros trombiculídeos, também chamados Neotrombicula autumnalis, são as larvas de ácaros, pequenos artrópodes aparentados com as aranhas. O seu ciclo de vida comporta quatro estádios principais: ovo, larva (ácaro trombiculídeo), ninfa e adulto. Compreender este ciclo de vida é essencial para combater eficazmente a sua presença no jardim.
- Ovo: os ácaros adultos põem os ovos no solo, geralmente em zonas com relva, húmidas e abrigadas. Estes ovos eclodem ao fim de alguns dias, dando origem à larva, que é a fase problemática para os seres humanos e os animais.
- Larva (ácaro trombiculídeo): depois da eclosão, as larvas, chamadas ácaros trombiculídeos, medem menos de 0,3 mm e apresentam uma cor laranja ou vermelho-vivo. São quase invisíveis a olho nu. É nesta fase da sua vida que causam problemas. Os ácaros trombiculídeos trepam pelas plantas, pelos caules de relva ou até pelas paredes à procura de um hospedeiro. Ao contrário dos ácaros adultos, que se alimentam de vegetais, as larvas dos ácaros trombiculídeos alimentam-se das células da pele dos seus hospedeiros, sejam seres humanos, animais domésticos ou outros pequenos mamíferos. Injetam uma enzima digestiva na pele, provocando comichão intensa e reações cutâneas.
- Período de atividade: os ácaros trombiculídeos estão sobretudo ativos de julho a setembro, daí o seu nome. Preferem climas quentes e húmidos, o que explica a sua maior presença no final do verão.
- Duração da alimentação: as larvas permanecem no hospedeiro durante algumas horas a alguns dias e depois caem no solo para continuarem o seu desenvolvimento. Ao contrário do que se poderia pensar, não se enterram na pele, permanecendo à superfície.
- Ninfa: depois de se alimentarem, as larvas caem no solo para se transformarem em ninfas. Nesta fase, estão inativas e não se alimentam. Desenvolvem-se progressivamente até se tornarem adultas.
- Adulto: ao contrário das suas larvas, os ácaros adultos são vegetarianos. Alimentam-se de matéria orgânica em decomposição, de pequenos insetos ou de detritos vegetais. Já não representam perigo para os seres humanos ou para os animais. Os adultos põem, por sua vez, ovos, completando assim o ciclo de vida.

À esquerda, no estádio adulto, à direita, uma larva de ácaro trombiculídeo ao microscópio
Sintomas de picadas de ácaros-do-mato
As picadas de ácaros trombiculídeos, embora sejam invisíveis no momento do ataque, provocam reações cutâneas particularmente desagradáveis nos seres humanos e nos animais domésticos. Estas reações são causadas pelas enzimas digestivas injetadas pelas larvas enquanto se alimentam das células da pele do hospedeiro: é a chamada trombidiose.
Nos seres humanos
Os sintomas das picadas de ácaros trombiculídeos surgem geralmente algumas horas após a exposição e podem durar vários dias.
- Descrição dos sintomas mais comuns:
- Comichão intensa: é o sintoma mais frequente e incómodo. A comichão pode ser localizada ou generalizada, consoante a quantidade de larvas que picaram.
- Vermelhidão: as picadas manifestam-se frequentemente sob a forma de pequenas zonas vermelhas e inchadas. Estas zonas podem aumentar ligeiramente se a área afetada for coçada.
- Erupções cutâneas: observam-se frequentemente pápulas (pequenas borbulhas vermelhas) ou vesículas (pequenas bolhas cheias de líquido transparente). Estas lesões podem formar agrupamentos, uma vez que várias larvas picam geralmente na mesma zona.
- Sensibilidade e inflamação: em alguns casos, as zonas afetadas tornam-se quentes ao toque, sinal de uma ligeira inflamação.
- Zonas do corpo mais afetadas: os ácaros trombiculídeos instalam-se frequentemente nas zonas onde a pele é fina, húmida e fica apertada contra a roupa, pois oferecem um acesso fácil às enzimas digestivas:
- Os tornozelos
- A parte de trás dos joelhos
- A cintura (sob o cinto ou o elástico da roupa interior)
- As dobras dos cotovelos
- As axilas
- A parte inferior do ventre ou a zona à volta do umbigo.
? Dica para evitar o agravamento dos sintomas: é importante evitar coçar-se, pois isso pode provocar infeções secundárias, como o impétigo (feridas infetadas causadas por bactérias).
Nos animais
Os ácaros trombiculídeos também causam incómodo nos animais domésticos, sobretudo nos cães e gatos que passam muito tempo no exterior. Os sintomas são semelhantes aos observados nos seres humanos, mas por vezes podem ser mais difíceis de detetar.
- Sintomas nos cães, gatos e outros animais domésticos:
- Coçar-se excessivamente: os animais infestados coçam-se freneticamente, por vezes até ao ponto de provocarem lesões na pele.
- Vermelhidão e irritações cutâneas: os ácaros trombiculídeos provocam placas vermelhas e inchadas, frequentemente visíveis sob o pelo. Estas lesões podem ficar elevadas e, por vezes, libertar líquido se o animal se coçar demasiado.
- Crostas ou feridas: se as picadas não forem detetadas e tratadas rapidamente, o ato incessante de se coçar pode provocar crostas ou feridas abertas.
- Letargia: em alguns casos, a comichão incessante pode tornar os animais irritáveis ou cansados.
- Comportamentos a observar nos animais:
- Coçar-se ou lamber-se intensamente: os animais afetados lambem frequentemente as zonas irritadas, sobretudo à volta das patas, do ventre ou das orelhas.
- Esfregar-se contra superfícies ásperas: os cães, por exemplo, podem rebolar-se no chão ou esfregar o corpo contra paredes ou móveis para tentarem aliviar a comichão.
- Agitação: os animais podem ficar agitados, nervosos ou irritáveis devido ao desconforto.
- Zonas mais afetadas nos animais:
- Entre os dedos das patas
- Na barriga
- À volta das orelhas
- Por baixo do queixo
? Conselho prático: se notar sintomas nos animais, examine-os minuciosamente, sobretudo nas zonas com pelo de difícil acesso. Um veterinário pode recomendar tratamentos específicos para aliviar a comichão e prevenir infeções secundárias.

A comichão é um dos primeiros sinais
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Combater as carraças no jardimComo prevenir o aparecimento de ácaros trombiculídeos?
Os ácaros trombiculídeos são atraídos por ambientes húmidos e por vegetação densa, mas, com algumas boas práticas, é possível limitar a sua presença no jardim e evitar as suas picadas desagradáveis.
Manutenção do jardim
- Corte regular da relva: mantenha a relva curta nas zonas de passagem.
- Poda das plantas e das sebes: pode regularmente os arbustos, as sebes e as plantas para evitar que se tornem demasiado densos. Esta prática também melhora a circulação do ar, o que reduz a humidade, um fator crucial para a sua sobrevivência.
- Redução das zonas húmidas: identifique e elimine as zonas onde a água fica estagnada e a humidade persiste, como à volta dos regadores, dos vasos sem furos ou das caleiras entupidas.
- Apanhe as folhas mortas, os detritos vegetais e os resíduos do corte da relva nas zonas do jardim por onde possam passar pessoas e animais de companhia.
- Revolva regularmente o composto.
Repelentes naturais
Algumas plantas e preparações naturais podem afastar os ácaros trombiculídeos. Acrescente ao jardim plantas conhecidas pelas suas propriedades repelentes de insetos. Os ácaros trombiculídeos não apreciam determinados odores:
-
- Hortelã-pimenta
- Alfazema
- Alecrim
- Tomilho-limão
- Calêndula (Calendula)

A manutenção do jardim e a instalação de plantas repelentes ajudam a controlar o aparecimento de ácaros trombiculídeos no jardim
Hábitos a adotar
Além da manutenção do jardim e dos repelentes naturais, alguns gestos simples podem limitar o risco de picadas, sobretudo durante as atividades ao ar livre.
- Usar roupa comprida: quando trabalha no jardim, use roupa que cubra o corpo e fique ajustada. Opte por:
- Calças compridas e mangas compridas
- Meias puxadas para cima, por cima da parte inferior das calças
- Luvas de jardinagem para proteger as mãos
- Recomenda-se o uso de tecidos de cores claras, pois permitem detetar mais facilmente os pequenos parasitas.
- Tomar banho depois dos trabalhos de jardinagem: depois de passar algum tempo no jardim, tome imediatamente um duche para eliminar eventuais larvas de ácaros trombiculídeos da pele. Use uma luva de banho ou uma escova macia para esfregar bem, sobretudo nas zonas sensíveis (tornozelos, cintura, joelhos, etc.).
Como eliminar os ácaros trombiculídeos?
Tratamentos naturais
- Terra de diatomáceas : polvilhe terra de diatomáceas nas zonas infestadas do seu jardim. Este produto natural desidrata os ácaros-trombiculídeos e outros parasitas sem perigo para o ambiente.
- Repelentes caseiros : prepare um spray natural com água, vinagre branco e algumas gotas de óleos essenciais (erva-príncipe, hortelã-pimenta, alfazema) para afastar os ácaros-trombiculídeos.
Tratar as picadas
- Cuidados locais : aplique um creme calmante à base de calêndula ou de aloé-vera para aliviar a comichão.
- Higiene da zona picada : lave as picadas com água morna e sabão suave para evitar uma infeção.
- Consultar um profissional : se as vermelhidões se alargarem, se a comichão persistir ou se se desenvolver uma infeção, consulte um médico.
Como proteger os nossos animais de estimação contra os ácaros trombiculídeos?
Precauções a tomar com os animais
- Vigie as suas saídas: limite o acesso às zonas relvadas ou húmidas, particularmente durante os meses mais quentes.
- Higiene depois de sair: escove o seu animal depois de um passeio e verifique as zonas vulneráveis (patas, ventre, orelhas).
Tratamentos específicos para animais
- Produtos antiparasitários: utilize tratamentos adequados, como pipetas, coleiras antiparasitárias ou champôs específicos recomendados pelo veterinário. Estes ajudam a afastar os ácaros e outros parasitas.
- Consulte um veterinário: se o seu animal apresentar sinais de desconforto (comichão, vermelhidão), um profissional poderá prescrever-lhe um tratamento calmante ou anti-inflamatório.
FAQ: Respostas às perguntas frequentes sobre os ácaros trombiculídeos
Os ácaros trombiculídeos podem infestar a casa?
Não, os ácaros trombiculídeos não vivem dentro de casa. Alimentam-se exclusivamente no exterior, durante a fase larvar, e desprendem-se do hospedeiro quando terminam a refeição. Se encontrar alguns na roupa ou nos animais, lavar a roupa e escová-los é suficiente para evitar que entrem em casa.
Os ácaros trombiculídeos são perigosos?
Os ácaros trombiculídeos não transmitem doenças graves, mas as suas picadas podem provocar comichão intensa, vermelhidão e irritação. Nos animais, coçarem-se excessivamente pode causar infeções. Se os sintomas persistirem ou se agravarem, é preferível consultar um médico ou um veterinário.
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